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Economia do Brasil

Economia do Brasil
São Paulo, o maior centro financeiro e industrial do Brasil e da América Latina.
Moeda Real (R$, BRL)
Ano fiscal Ano natural
Blocos comerciais OMC, Mercosul, Unasul, G-20, BRICS e outras
Estatísticas
PIB R$ 6,559 trilhões (2017)[1] ()
US$ 3,388 trilhões (2018, estimativa)[2]
Variação do PIB Aumento 1% (2017)[1]
PIB per capita R$ 31.587 (2017)[1] (85º)
PIB por setor agricultura: 5,5% indústria: 18,5% serviços: 76% (2016)[3]
Inflação (IPC) AumentoNegativo 4,17 % (agosto de 2018)[4]
População
abaixo da linha de pobreza
22% (2017)[5]
Coeficiente de Gini 0.48 (2018)[6]
Força de trabalho total 120 milhões (est. 2017)[7]
Força de trabalho
por ocupação
agricultura: 8%, indústria: 22% e serviços: 70% (est. 2017)
Desemprego Baixa 11,8% (julho de 2019)[8]
Principais indústrias Aviões, aço, minério de ferro, carvão, máquinas, armamento, têxteis e vestuário, petróleo, cimento, produtos químicos, fertilizantes, produtos de consumo (incluindo calçados, brinquedos e eletrônicos), transformação de alimentos, equipamentos de transporte (incluindo automóveis, veículos ferroviários e locomotivas, navios e aeronaves); eletrônica; equipamento de telecomunicações, satélites, imóveis, turismo
Exterior
Exportações $217,7 bilhões (2017)[9]
Produtos exportados aviões, minério de ferro, soja, calçados, automóveis, café, suco de laranja
Principais parceiros de exportação  China 21,8%
União Europeia 16%
 Estados Unidos 12,3%
 Argentina 8%
 Japão 2,4%
outros 39%[10]
Importações $150,72 bilhões (2017)[11]
Produtos importados máquinas, equipamentos elétricos e de transporte, produtos químicos, petróleo, autopeças, eletrônicos
Principais parceiros de importação União Europeia 21,2%
 China 18,1%
 Estados Unidos 16,5%
 Argentina 6,2%
 Coreia do Sul 3,4%
outros 35%
Dívida externa bruta $684,6 bilhões (janeiro de 2018)[12]
Finanças públicas
Dívida pública 78,5% do PIB (est. 2017)
Receitas $511,9 bilhões (est. 2017)
Despesas $462,6 bilhões (est. 2017)
Notação de crédito Standard&Poor's: BB-
Fitch: BB
Moody's: Ba2[13]
Reservas cambiais
$373,9 bilhões (est. 2017)[14][15]
Fonte principal: [[16] The World Factbook]
Salvo indicação contrária, os valores estão em US$

A economia do Brasil, classificada em 2017 como a oitava maior economia do mundo,[17] com um produto interno bruto (PIB) de 6,559 trilhões de reais,[1] ou 2,080 trilhões de dólares estadunidenses nominais, de acordo com estimativas do Fundo Monetário Internacional (FMI), é também a segunda maior do continente americano, atrás apenas da economia dos Estados Unidos. De acordo com o relatório do Fundo Monetário Internacional de 2017, o Brasil é o 65º país do mundo no ranking do PIB per capita (que é o valor final de bens e serviços produzidos num país num dado ano, dividido pela população desse mesmo ano), com um valor de 10 019 dólares estadunidenses por habitante.

O Brasil é uma das chamadas potências emergentes: é o "B" do grupo BRICS. É membro de diversas organizações econômicas, como o Mercado Comum do Sul (Mercosul), a União de Nações Sul-Americanas (UNASUL), o G8+5, o G20 e o Grupo de Cairns. Tem centenas de parceiros comerciais, e cerca de 60% das exportações do país referem-se a produtos manufaturados e semimanufaturados.[18] Os principais parceiros comerciais do Brasil em 2008 foram: Mercosul e América Latina (25,9% do comércio), União Europeia (23,4%), Ásia (18,9%), Estados Unidos (14,0%) e outros (17,8%).[19] Alguns especialistas em economia, como o analista Peter Gutmann, afirmam que em 2050 o Brasil poderá vir a atingir estatisticamente o padrão de vida verificado em 2005 nos países da Zona Euro.[20] De acordo com previsão do Goldman Sachs, o Brasil atingirá em 2050 um PIB de 11,3 trilhões de dólares e um PIB per capita de 49 759 dólares estadunidenses, tornando-se a quarta maior economia do planeta.[21][22]

Importantes passos foram dados na década de 1990 para estabilizar a economia, como sustentabilidade fiscal, medidas tomadas para liberalizar e abrir a economia, e assim impulsionaram significativamente os fundamentos do país em matéria de competitividade, proporcionando um melhor ambiente para o desenvolvimento do setor privado.[23][24] Porém, o Brasil ainda figura entre os piores países do mundo quando se trata de competitividade: ficou 61º dentre as 63 economias analisadas pelo International Institute for Management Development (IMD) em 2017.[25] O estudo avalia as condições oferecidas pelos países para que as empresas que neles atuam tenham sucesso nacional e internacionalmente, promovendo crescimento e melhorias nas condições de vida da sua população. Na análise, os critérios avaliados são: desempenho econômico, infraestrutura e eficiência dos seus governos e empresas. O país ainda ficou na 80ª posição entre os 137 países analisados no índice de competitividade do Fórum Econômico Mundial de 2017.[26]

A economia brasileira tem a característica de ser concentrada no Estado.[27] O estado brasileiro tem participações em mais de 650 empresas, envolvidas em um terço do PIB nacional.[28] O país adota uma forma de Capitalismo de Estado. Em 2018 foi considerado o 153º entre 180 países com mais liberdade econômica pela Heritage Foundation.[29] Outro estudo de 2018 apontou o Brasil como o segundo país mais fechado do mundo para o comércio internacional.[30] Graças a esses números, o Brasil responde por apenas 1,2% das transações comerciais mundiais.[31]

O país dispõe de setor tecnológico sofisticado e desenvolve projetos que vão desde submarinos a aeronaves (a Embraer é a terceira maior empresa fabricante de aviões no mundo).[32] O Brasil também está envolvido na pesquisa espacial. Possui um centro de lançamento de satélites e foi o único país do Hemisfério Sul a integrar a equipe responsável pela construção do Estação Espacial Internacional (EEI).[33] É também o pioneiro na introdução, em sua matriz energética, de um biocombustível - o etanol produzido a partir da cana-de-açúcar.[34] Em 2008, a Petrobras criou a subsidiária, a Petrobras Biocombustível, que tem como objetivo principal a produção de biodiesel e etanol, a partir de fontes renováveis, como biomassa e produtos agrícolas.

História

 Ver artigo principal: História econômica do Brasil

Primórdios

Quando os exploradores portugueses chegaram no século XV, as tribos indígenas do Brasil totalizavam cerca de 2,5 milhões de pessoas, que praticamente viviam de maneira inalterada desde a Idade da Pedra. Da colonização portuguesa do Brasil (1500-1822) até o final dos anos 1930, os elementos de mercado da economia brasileira basearam-se na produção de produtos primários para exportação. Dentro do Império Português, o Brasil era uma colônia submetida a uma política imperial mercantil, que teve dois grandes ciclos de produção econômica: o açúcar e o ouro. A economia do Brasil foi fortemente dependente do trabalho escravizado africano até o fim do século XIX — inícios do ciclo do café. Desde então, o Brasil viveu um período de crescimento econômico e demográfico forte, acompanhado de imigração em massa da Europa (principalmente de Portugal, Itália, Espanha e Alemanha) até os anos 1930. Na América, os Estados Unidos, o Brasil, o Canadá e a Argentina (em ordem decrescente) foram os países que receberam a maioria dos imigrantes. No caso do Brasil, as estatísticas mostram que 4,5 milhões de pessoas emigraram para o país entre 1882 e 1934.

Industrialização e desenvolvimentismo

Nacional-desenvolvimentismo é geralmente o nome que se dá ao acelerado processo de crescimento da renda per capita entre 1930 e 1980. É a fase do fortalecimento da nação brasileira e da industrialização, na qual a renda por habitante cresce em média 2,8% ao ano. O período começa com o governo Vargas, no qual é autoritário entre 1937 e 1945; torna-se democrático entre 1945 e 1964; passa por uma crise entre 1961 e 1964. Nesse período, em que as grandes figuras foram Getúlio Vargas e Juscelino Kubitschek o Estado desempenhou um papel ativo na industrialização do país, protegendo a indústria nacional através de um regime de substituição de importações.[35]

Milagre econômico

Entre 1969 e 1973, o Brasil viveu o chamado Milagre Econômico, quando um crescimento acelerado da indústria gerou empregos e aumentou a renda de muitos trabalhadores. Houve, porém, ampliação da concentração de renda. O principal motivo era a defasagem dos salários mais baixos. Por exemplo, o salário-mínimo real, apesar de cair menos do que no período entre 1964 e 1966, quando sofreu uma diminuição de 25%, baixou mais 15% entre 1967 e 1973. Era a famosa teoria de "fazer crescer o bolo para dividir depois". Neste período com intuito de romper a estagnação que se seguira ao governo Kubitschek, e visando estimular o crescimento econômico, além de promover a integração nacional, o governo militar tratou de implementar vários programas nas áreas de transportes, energia e de estratégia militar.[36]

Governo Fernando Henrique

 
PNB per capita:[quando?]
  Brasil (US$ 12,789)
  PNB per capita maior em relação ao Brasil
  PNB per capita menor em relação ao Brasil
 
Principais produtos de exportação do Brasil (em inglês).

O Brasil atrelou a sua moeda, o real, ao dólar americano em 1994. No entanto, após a crise financeira da Ásia Oriental, a crise russa em 1998[37] e uma série de eventos adversos financeiros que se seguiram, o Banco Central do Brasil alterou temporariamente sua política monetária para um regime de flutuação gerenciada, enquanto atravessava uma crise de moeda, até que definiu a modificação do regime de câmbio livre flutuante em janeiro de 1999.[38]

O país recebeu um pacote de resgate de US$ 30,4 bilhões do Fundo Monetário Internacional em meados de 2002, uma soma recorde.[39]

Era Lula

A política econômica do segundo mandato de Fernando Henrique Cardoso, baseada no câmbio flutuante e numa política monetária austera visando ao controle da inflação, foi mantida no governo Lula . Do ponto de vista fiscal, o controle do superavit se deu através de um aumento substancial de arrecadação que contrabalançou a significativa elevação nos gastos públicos. A unificação dos programas redistributivos sob o nome de Bolsa Família foi uma das principais bandeiras de Luiz Inácio Lula da Silva. Durante seu governo, o Brasil pagou o empréstimo do FMI em 2005, embora pudesse pagá-la até 2006.[40]

A Era Lula foi o mais próspero período da economia brasileira em três décadas. Teve também o menor período recessivo da história do país — seis meses, durante os impactos da crise mundial de 2007 e 2008. Nos seus dois mandatos, Lula empreendeu reformas e mudanças radicais que produziram transformações sociais e econômicas no Brasil, que triplicou seu PIB per capita e alcançou o grau de investimento pela agência de classificação de risco Standard & Poor's. Em 2010, último ano do Governo Lula, o PIB brasileiro cresceu 7,5%.[41][42][43]

Crise de 2014

 
Alteração percentual do PIB por ano, segundo o IBGE.[44] Percebe-se o baixo crescimento em 2014 e as fortes quedas nos anos seguintes.

Em meados de 2014, durante o governo Dilma Rousseff, teve início uma forte crise econômica. Uma de suas consequências foi a forte recessão econômica. Entre as causas apontadas para a crise estão a queda no preço das commodities, junto com a deseleração da economia chinesa, erros nas políticas macroeconômicas e instabilidade política.

Os sinais de que uma forte recessão viria já foram percebidos por alguns especialistas devido a uma recessão técnica em 2014 e, posteriormente, ao pequeno crescimento nesse mesmo ano, que foi de apenas 0,5%. Em 2015, a economia contraiu-se em 3,8%, sendo a pior recessão desde 1990, durante o governo Collor.[45][46] Porém, em 2016, o Produto Interno Bruto (PIB) teve outra queda forte, o que fez com que a recessão se tornasse a pior da história. Foi a primeira vez, desde a década de 30, que o país esteve em recessão por dois anos seguidos, segundo algumas fontes.[47][48][49]

Várias medidas, em sua maioria impopulares, foram implementadas ou propostas pelo governo Michel Temer tendo como objetivo recuperar a economia do país, entre elas a reforma trabalhista de 2017 e a implementação do Novo Regime Fiscal.[50]

Componentes da economia

O setor de serviços responde pela maior parte do PIB, com 66,8%, seguido pelo setor industrial, com 29,7% (estimativa para 2007), enquanto a agricultura representa 3,5% (2008 est). A força de trabalho brasileira é estimada em 100,77 milhões, dos quais 10% são ocupados na agricultura, 19% no setor da indústria e 71% no setor de serviços.

Agricultura e produção de alimentos

 Ver artigo principal: Agricultura no Brasil

O desempenho da agricultura brasileira põe o agronegócio em uma posição de destaque em termos de saldo comercial do Brasil, apesar das barreiras alfandegárias e das políticas de subsídios adotadas por alguns países desenvolvidos. Em 2010, segundo a OMC o país foi o terceiro maior exportador agrícola do mundo, atrás apenas de Estados Unidos e da União Europeia.[51]

No espaço de cinquenta e cinco anos (de 1950 a 2005), a população brasileira passou de aproximadamente 52 milhões para cerca de 185 milhões de indivíduos, ou seja, um crescimento demográfico médio de 2% ao ano.[52][53] A fim de atender a essa demanda, uma autêntica revolução verde teve lugar, permitindo que o país criasse e expandisse seu complexo setor de agronegócio. No entanto, a expansão da fronteira agrícola se deu à custa de grandes danos ao meio ambiente, destacando-se o desmatamento de grandes áreas da Amazônia, sobretudo nas últimas quatro décadas.[54]

A importância dada ao produtor rural tem lugar na forma do Plano da Agricultura e Pecuária e através de outro programa especial voltado para a agricultura familiar (Pronaf), que garantem o financiamento de equipamentos e da cultura, incentivando o uso de novas tecnologias e pelo zoneamento agrícola. Com relação à agricultura familiar, mais de 800 mil habitantes das zonas rurais são auxiliados pelo crédito e por programas de pesquisa e extensão rural, notadamente através da Embrapa. A linha especial de crédito para mulheres e jovens agricultores visa estimular o espírito empreendedor e a inovação.

Produção agrícola
 
Colheitadeira em uma plantação.
Principais produtos Café, soja, trigo, arroz, milho, cana-de-açúcar, cacau, citrinos, carne.
Taxa de crescimento da agricultura 9,2% (2008).
Força de trabalho 15% do total da força de trabalho.
PIB do setor 3,5% do total.

Com o Programa de Reforma Agrária, por outro lado, o objetivo do país é dar vida e condições adequadas de trabalho para mais de um milhão de famílias que vivem em áreas distribuídas pelo governo federal, uma iniciativa capaz de gerar dois milhões de empregos. Através de parcerias, políticas públicas e parcerias internacionais, o governo está trabalhando para garantir infraestrutura para os assentamentos, a exemplo de escolas e estabelecimentos de saúde. A ideia é que o acesso à terra represente apenas o primeiro passo para a implementação de um programa de reforma da qualidade da terra.

Mais de 600 000 km² de terras são divididas em cerca de cinco mil domínios da propriedade rural, uma área agrícola atualmente com três fronteiras: a região Centro-Oeste (cerrado), a região Norte (área de transição) e de partes da região Nordeste (semiárido). Na vanguarda das culturas de grãos, que produzem mais de 110 milhões de toneladas/ano, é a de soja, produzindo 50 milhões de toneladas.

Na pecuária bovina de sensibilização do setor, o "boi verde", que é criado em pastagens, em uma dieta de feno e sais minerais, conquistou mercados na Ásia, Europa e nas Américas, particularmente depois do período de susto causado pela "doença da vaca louca". O Brasil possui o maior rebanho bovino do mundo, com 198 milhões de cabeças, responsável pelas exportações superando a marca de US$ 1 bilhão/ano.

Pioneiro e líder na fabricação de celulose de madeira de fibra-curta, o Brasil também tem alcançado resultados positivos no setor de embalagens, em que é o quinto maior produtor mundial. No mercado externo, responde por 25% das exportações mundiais de açúcar bruto e açúcar refinado, é o líder mundial nas exportações de soja e é responsável por 80% do suco de laranja do planeta e, desde 2003, teve o maior números de vendas de carne de frango, entre os que lidam no setor.[55]

Indústria

Produção industrial
 
Jato Embraer RJ 145 manufaturado pela Embraer.
Principais indústrias Indústria automotiva, petroquímica, máquinas, eletrônicos, cimento e construção, aeronaves, têxtil, alimentos e bebidas, mineração, bens de consumo duráveis, turismo.
Taxa de crescimento da indústria 8,8% (2008)
Força de trabalho 21% do total da força de trabalho.
PIB do setor 29,7% do total.

O Brasil tem o segundo maior parque industrial na América. Contabilizando 28,5% do PIB do país, as diversas indústrias brasileiras variam de automóveis, aço e petroquímicos até computadores, aeronaves e bens de consumo duráveis. Com o aumento da estabilidade econômica fornecido pelo Plano Real, as empresas brasileiras e multinacionais têm investido pesadamente em novos equipamentos e tecnologia, uma grande parte dos quais foi comprado de empresas estadunidenses.

O Brasil possui também um diversificado e relativamente sofisticado setor de serviços. Durante a década de 1990, o setor bancário representou 16% do PIB. Apesar de sofrer uma grande reformulação, a indústria de serviços financeiros do Brasil oferece às empresas locais uma vasta gama de produtos e está atraindo inúmeros novos operadores, incluindo empresas financeiras estadunidenses. A Bolsa de Valores, Mercadorias e Futuros de São Paulo está passando por um processo de consolidação e o setor de resseguros, anteriormente monopolista, está sendo aberto a empresas de terceiros.[56]

Em 31 de dezembro de 2007, havia cerca de 21.304.000 linhas de banda larga no Brasil. Mais de 75% das linhas de banda larga via DSL e 10% através de modem por cabo.

As reservas de recursos minerais são extensas. Grandes reservas de ferro e manganês são importantes fontes de matérias-primas industriais e receitas de exportação. Depósitos de níquel, estanho, cromita, urânio, bauxita, berílio, cobre, chumbo, tungstênio, zinco, ouro, nióbio e outros minerais são explorados. Alta qualidade de cozimento de carvão de grau exigido na indústria siderúrgica está em falta. O Brasil possui extensas reservas de terras raras, minerais essenciais à indústria de alta tecnologia.[57] De acordo com a Associação Mundial do Aço, o Brasil é um dos maiores produtores de aço do mundo, tendo estado sempre entre os dez primeiros nos últimos anos.[58]

O Brasil, junto ao México, está na vanguarda do fenômeno das multinacionais latino-americanas, que, graças à tecnologia superior e organização, tornou-se sucesso mundial. Essas multinacionais têm feito essa transição, investindo maciçamente no exterior, na região e fora dela, e assim realizando uma parcela crescente de suas receitas em nível internacional.[23] O Brasil também é pioneiro nos campos da pesquisa de petróleo em águas profundas, de onde 73% de suas reservas são extraídas. De acordo com estatísticas do governo, o Brasil foi o primeiro país capitalista a reunir as dez maiores empresas montadoras de automóvel em seu território nacional.[18]

Nos últimos anos, o Brasil vem passando por um processo de desindustrialização.[59] Devido à abertura do mercado brasileiro para importações chinesas, país que não possui leis trabalhistas e arrecada muito menos impostos do que o Brasil, indústrias brasileiras vem quebrando, por não poderem concorrer com o produto chinês. Além disso, o Governo não tem incentivado a indústria de modo geral, apenas concedendo benefícios esporádicos à Indústria automobilística e à produtores de eletrodomésticos, ou "linha branca". A competitividade da indústria brasileira vem sendo abalada por uma série de fatores, como o elevado preço da energia elétrica e do gás natural, a cumulatividade dos impostos e a pesada carga tributária.[60][61][62][63][64][65][66]

Maiores companhias

Em 2012, 33 empresas brasileiras foram incluídas na Forbes Global 2000 - uma classificação anual das principais 2000 companhias em todo o mundo pela revista Forbes.[67] As 10 maiores empresas são:

Posição mundial Companhia Indústria Receita
(bilhões $)
Lucros
(bilhões $)
Ativos
(bilhões $)
Valor de mercado
(bilhões $)
Sede
38 Banco Itaú Banco 61,3 6,7 419,9 79,2 São Paulo
62 Banco Bradesco Banco 70,2 4,3 362,4 53,5 Osasco, Grande São Paulo
132 Banco do Brasil Banco 57,3 2,3 430,6 29 Brasília
156 Vale Mineração 27,1 3,8 99,1 45,4 Rio de Janeiro
399 Petrobras Operações de gás e petróleo 81,1 -4,3 247,3 61,3 Rio de Janeiro
610 Eletrobrás Utilitários 17,4 0,983 52,4 7,2 Rio de Janeiro
791 Itaúsa Conglomerado 1,3 2,4 18,1 23 São Paulo
895 JBS Alimentícia 48,9 0,108 31,6 8,2 São Paulo
981 Grupo Ultra-Ultrapar Conglomerado 22,2 0,448 7,4 12,5 Rio de Janeiro

Energia

O governo brasileiro empreendeu um ambicioso programa para reduzir a dependência do petróleo importado, ao longo das décadas. As importações eram responsáveis por mais de 70% das necessidades de petróleo do país. O Brasil chegou a proclamar uma autossuficiência em petróleo em 2006, mas desde 2010 a balança comercial nesse setor se encontra deficitária. Em janeiro de 2013, a Petrobrás produziu 1,98 milhão de barris/dia e refinou 2,111 milhões de barris/dia, tendo um deficit de 130 mil barris/dia, que foram importados.[68][69][70]

O Brasil é um dos principais produtores mundiais de energia hidrelétrica, com capacidade atual de cerca de 108.000 megawatts. Hidrelétricas existentes fornecem 80% da eletricidade do país. Dois grandes projetos hidrelétricos, a 15.900 megawatts de Itaipu, no rio Paraná (a maior represa do mundo) e da barragem de Tucuruí no Pará, no norte do Brasil, estão em operação. O primeiro reator nuclear comercial do Brasil, Angra I, localizado perto do Rio de Janeiro, está em operação há mais de 10 anos. Angra II foi concluído em 2002 e está em operação também. Angra III tem a sua inauguração prevista para 2014. Os três reatores terão uma capacidade combinada de 9.000 megawatts quando concluídos. O governo também planeja construir mais 17 centrais nucleares até ao ano de 2020.

Situação econômica

Indicadores
Inflação (IPCA)
2002 12,53%
2003 9.30%
2004 7,60%
2005 5.69%
2006 3,14%
2007 4,46%
2008 5,90%
2009 4,31%
2010 5,91%
2011 6,50%
FONTE:Índice de Preços ao Consumidor Ampliado. IBGE, Sistema Nacional de Índices de Preços ao Consumidor, apud Ipea.
Formação bruta de capital fixo (% do PIB)
2001 17,0%
2002 16,4%
2003 15,3%
2004 16,1%
2005 15,9%
2006 16,4%
2007 17,4%
2008 19,1%
2009 16,9%
2010 18,4%
FONTE:IBGE. Anuário Estatístico 2011.Tabela 1.2 Taxa de investimento a preços correntes.
Taxa média de crescimento do PIB em 1950-2009
1950-59 7,1%
1960-69 6,1%
1970-79 8,9%
1980-89 3,0%
1990-99 1,7%
2000-09 3,3%
FONTE: Produto interno bruto (PIB): variação real anual. IBGE. Sistema de Contas Nacionais Referência 2000, apud Ipea
Moisés Naím, Newsweek, 22 de junho de 2009[71]

Crescimento sustentado

Somente em 1808, mais de trezentos anos depois de ser descoberto por Portugal, é que o Brasil obteve uma autorização do governo português para estabelecer as primeiras fábricas.

No século XXI, o Brasil é uma das dez maiores economias do mundo. Se, pelo menos até meados do século XX, a pauta de suas exportações era basicamente constituída de matérias-primas e alimentos, como o açúcar, borracha e ouro, hoje 84% das exportações se constituem de produtos manufaturados e semimanufaturados.

Nos anos 2000, a produção interna aumentou 32,3% . O agronegócio (agricultura e pecuária) cresceu 47%, ou 3,6% ao ano, sendo o setor mais dinâmico - mesmo depois de ter resistido às crises internacionais, que exigiram uma constante adaptação da economia brasileira.[72]

A posição em termos de transparência do Brasil no ranking internacional é a 75ª de acordo com a Transparência Internacional.[73] É igual à posição da Colômbia, do Peru e do Suriname.

Controle e reforma

Entre as medidas recentemente adotadas a fim de equilibrar a economia, o Brasil realizou reformas para a sua segurança social e para os sistemas fiscais. Essas mudanças trouxeram consigo um acréscimo notável: a Lei de Responsabilidade Fiscal, que controla as despesas públicas dos Poderes Executivos federal, estadual e municipal. Ao mesmo tempo, os investimentos foram feitos no sentido da eficiência da administração e políticas foram concebidas para incentivar as exportações, a indústria e o comércio, criando "janelas de oportunidade" para os investidores locais e internacionais e produtores. Com estas mudanças, o Brasil reduziu sua vulnerabilidade. Além disso, diminuiu drasticamente as importações de petróleo bruto[74] e tem metade da sua dívida doméstica pela taxa de câmbio ligada a certificados. O país viu suas exportações crescerem, em média, a 20% ao ano. A taxa de câmbio não coloca pressão sobre o setor industrial ou sobre a inflação (em 4% ao ano) e acaba com a possibilidade de uma crise de liquidez. Como resultado, o país, depois de 12 anos, conseguiu um saldo positivo nas contas que medem as exportações e importações, acrescido de juros, serviços e pagamentos no exterior. Assim, respeitados economistas disseram que o país não seria profundamente afetado pela crise econômica mundial de 2008.[carece de fontes?]

Políticas

 
Evolução do PIB do Brasil entre 1995 e 2009, em milhões de reais.

O apoio para o setor produtivo foi simplificado em todos os níveis; ativos e independentes, o Congresso e o Poder Judiciário procederam à avaliação das normas e regulamentos. Entre as principais medidas tomadas para estimular a economia estão a redução de até 30% do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e o investimento de US$ 8 bilhões em frotas de transporte rodoviário de cargas, melhorando assim a logística de distribuição. Recursos adicionais garantem a propagação de telecentros de negócios e informações.

A implementação de uma política industrial, tecnológica e de comércio exterior, por sua vez, resultou em investimentos de US$ 19,5 bilhões em setores específicos, como softwares e semicondutores, farmacêutica e medicamentos e no setor de bens de capital.[75]

Renda

 Ver artigo principal: Renda no Brasil

O salário mínimo fixado em 1.º de janeiro de 2019 é de R$ 998,00.[76] O PIB per capita do país em 2010 foi de R$ 19.016,00.[77] Um estudo da Fundação Getúlio Vargas, com base em dados do IBGE, elaborou uma lista das profissões mais bem pagas do Brasil em 2007.[78] Os valores podem variar muito de acordo com o estado da federação em que o profissional vive. As carreiras de Direito, Administração e Medicina ficaram entre as mais bem pagas, seguidas por algumas Engenharias.

Ver também

Referências

  1. a b c d Szpiz, Helga. «IBGE - Agência de Notícias». IBGE - Agência de Notícias 
  2. «Report for Selected Countries and Subjects - Brazil». IMF. Outubro de 2017 
  3. Vidal, Pedro. «IBGE - Agência de Notícias». IBGE - Agência de Notícias 
  4. Media, Triami. «Inflação Brasil - inflação IPC brasileira actual e histórico» (PDF). pt.global-rates.com 
  5. «22% dos brasileiros vivem abaixo da linha da pobreza, diz estudo». uol.com.br 
  6. «Tabela 5801: Índice de Gini da distribuição do rendimento mensal das pessoas de 15 anos ou mais de idade, com rendimento - Série Histórica». sidra.ibge.gov.br 
  7. «Labor force, total». World Bank. World Bank. Consultado em 2 de setembro de 2016 
  8. «Desemprego cai para 11,8% em julho, mas ainda atinge 12,6 milhões». G1. Consultado em 30 de agosto de 2019 
  9. «Brasil - Estatisticas de Comercio Exterior». Consultado em 6 de março de 2018 
  10. «PAÍSES». www.mdic.gov.br 
  11. «Já as importações cresceram 10,5%, para US$ 150,74 bilhões». g1 
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