Juca Kfouri

jornalista brasileiro

José Carlos Amaral Kfouri, mais conhecido como Juca Kfouri, (São Paulo, 4 de março de 1950) é um jornalista esportivo brasileiro.

Juca Kfouri
Juca Kfouri na Campus Party Brasil de 2008.
Nome completo José Carlos Amaral Kfouri
Nascimento 4 de março de 1950 (71 anos)
São Paulo, SP
Nacionalidade brasileiro
Cônjuge Leda Cristina Orosco (c. 1977) [1]
Filho(a)(s) André · Daniel · Camila · Felipe[1]
Alma mater USP
Ocupação jornalista e apresentador de televisão

CarreiraEditar

Juca Kfouri cursava Ciências Sociais na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (FFLCH-USP), quando foi convidado para trabalhar no Departamento de Documentação (DEDOC) da Editora Abril, em 1970. No DEDOC, chegou a chefe do departamento, até deixar o departamento em 1974, quando foi convidado para ser chefe de reportagem de revista Placar. Ficou no cargo até 1978, quando passou três meses na extinta TV Tupi. Por conta dos atrasos nos salários, pediu demissão, junto com outros funcionários, e no dia seguinte foi convidado por Jairo Régis para ser editor de projetos especiais.[2] Quando Milton Coelho da Graça deixou a revista e a Abril, Juca foi convidado para ser o diretor de redação da Placar, cargo que ocuparia desde então enquanto trabalhou na Abril.

Ficou conhecido ao organizar, em 1982, uma matéria que denunciava a chamada "Máfia da Loteria Esportiva",[3] na qual jogadores eram comprados por apostadores, a fim de garantir que os resultados dos jogos da loteria seriam aqueles em que haviam apostado. A matéria, feita por Sérgio Martins, quase ganhou o Prêmio Esso de jornalismo naquele ano. O tema rendeu mais reportagens em Placar, e Juca chegou a ser ameaçado em telefonemas anônimos. O trabalho de Juca na revista priorizou o viés investigativo no esporte, coisa que havia sido feita por poucas vezes na história da imprensa esportiva brasileira.

Destaque nos tempos de Editora AbrilEditar

Durante o período em que foi diretor de redação da revista Playboy, se notabilizou pela matéria na qual era desvendada a identidade de Carlos Zéfiro, além de uma entrevista com Pelé, feita em 1993, em que o ex-jogador denunciava corrupção na CBF. Juca também conseguiu fazer com que a publicação começasse a citar a camisinha em suas reportagens, alterando a política anterior da Playboy, que proibia essa citação.

Crise e desligamento da Editora AbrilEditar

Em 1995, Juca teria sido proibido de apresentar denúncias contra Eduardo José Farah e Ricardo Teixeira, supostamente devido a negócios da Editora, que estava lançando a TVA (serviço de TV a cabo) e precisaria do apoio dos dirigentes de futebol para que fosse feita a compra dos pacotes de transmissão dos campeonatos. Desgastado com a direção da editora, Juca deixou a diretoria de redação em Placar e a Abril em 1995.

Passagens pela televisãoEditar

Na TV, Juca começou com uma rápida passagem como diretor de esportes da TV Tupi, em 1978. Depois, foi comentarista da TV Record, em 1982, do SBT (1984 a 1987) e da TV Globo (1988 a 1994). Participou do programa Cartão Verde, da Rede Cultura, mesa redonda que contava ainda com Flávio Prado, José Trajano e Armando Nogueira. Ficou no programa entre 1995 e 2000, quando foi contratado pela RedeTV! para apresentar o Bola na Rede. Esteve na emissora entre 2000 e 2003, quando voltou ao Cartão Verde, onde ficou de 2003 a 2005, ano em que foi contratado pela ESPN Brasil para participar do programa Linha de Passe. Em fevereiro de 2007, na ESPN Internacional, iniciou um programa de entrevistas, Juca Entrevista. Apresentou, ainda, o programa de entrevistas Juca Kfouri, na rede CNT, entre 1996 e 1999. Em janeiro de 2018, foi contratado pela TVT para comandar o programa Entre Vistas.[4] Em 14 de agosto de 2019, a ESPN Brasil comunicou o desligamento do jornalista, juntamente com outras demissões, visando à reestruturação da rede, passando a dedicar-se exclusivamente à mídia impressa e à televisão aberta.[5]

Jornais e internetEditar

Em jornais, foi colunista de futebol de O Globo entre 1989 e 1991. Mais notadamente, foi colunista da Folha de S.Paulo entre 1995 e 1999, quando foi para o diário Lance!, onde ficou até voltar, em 2005, para a Folha. Durante o período no Lance!, foi processado e condenado a indenizar o técnico Vanderlei Luxemburgo.[6] No mesmo ano, também foi contratado pelo UOL, onde desde 2005 mantém um blog, que já ultrapassou a marca de trezentos milhões de visitas.

Polêmicas e ControvérsiasEditar

Em 09 de agosto de 2021 durante apresentação do podcast Posse de Bola de número 150 do portal UOL, Juca Kfouri criticou a atitude dos jogadores de futebol masculino, a qual no dia 07 de agosto de 2021 durante a realização das Olimpíadas de Tóquio de 2020, conquistou o primeiro lugar na competição, ganhando sobre a Espanha, ficando com a medalha de ouro no Estádio Internacional de Yokohama[7] . Porém para Kfouri a postura dos atletas durante a cerimonia de premiação e entrega das medalhas, os quais se recusaram a vestir o agasalho fornecido pelo Comitê Olímpico do Brasil no pódio, foi uma atitude cafajeste [8] e que demonstrava que os atletas da seleção masculina não tinham empatia com as demais modalidades, desejando que não vale à pena ter o futebol masculino em Olimpíadas.

Eu definiria a atitude da seleção brasileira de futebol masculino em uma palavra: cafajestagem. Um bando de cafajestes, porque foram incapazes de entender, ter o mínimo de empatia com todos os demais esportistas da delegação brasileira, todos os demais atletas da delegação brasileira sobre como devem se comportar.
— Juca Kfouri, em podcast Posse de Bola do Portal UOL, em 2021.[9]

RádioEditar

No rádio, trabalhou como comentarista esportivo em noticiários da Rádio América e teve um programa na Americansat. Após essas duas experiências, começou a trabalhar na rede CBN de rádio, inicialmente apenas como comentarista nos noticiários. Em 2000 virou apresentador do programa CBN Esporte Clube, que durou até 2010.[10] Desde então, Juca continua na CBN, mas fazendo participações nos noticiários da emissora.

Vida pessoalEditar

É pai de quatro filhos: André (repórter da ESPN Brasil), Daniel (fotógrafo freelancer), Camila e Felipe. É casado com Leda Cristina Orosco desde 1977.[1]

É sobrinho de Nadir Kfouri, reitora da PUC-SP entre 1976 e 1984,[11] irmão da jornalista e musicóloga Maria Luiza Kfouri.[12] Para descrever suas vivências como avô (fato que considerou "absolutamente revolucionário e transformador"[13]), Juca escreveu a coluna "Vovô Juca", para a revista Pais&Filhos, entre 2013 e 2014.

Livros publicadosEditar

  • A Emoção Corinthians (1982)
  • Corinthians, Paixão e Glória (1996, com relançamento em 2002)
  • Meninos, Eu Vi… (2003)
  • O Passe e o Gol (2005)
  • Por que não desisto - Futebol, Dinheiro e Política (2009)
  • Confesso Que Perdi: Memórias (2017)

PrêmiosEditar

Ano Prêmio Categoria Resultado Ref.
1996 Troféu ACEESP (Associação dos Cronistas Esportivos do Estado de São Paulo) Jornal/Revista Venceu [14]
2004 Prêmio Comunique-Se Esporte: Mídia Escrita Venceu
2004 Esporte: Mídia Falada Venceu
2006 Esporte: Mídia Escrita Venceu [15]
2008 Troféu ACEESP (Associação dos Cronistas Esportivos do Estado de São Paulo) Colunista de Jornal Venceu [16]
2009 Colunista de Jornal Venceu [17]
2009 Prêmio Comunique-Se Esporte: Mídia Escrita Venceu [18]
2012 Venceu [19]
2014 Venceu [20]

Referências

  1. a b c «Sete fatos sobre a trajetória do jornalista Juca Kfouri». www.bol.uol.com.br. Consultado em 22 de maio de 2020 
  2. Entrevista com Juca Kfouri, 28/09/2007, págs. 3 e 4, http://www.alexandre.jor.br/br/jornais_e_revistas/mat/jucakfouri.pdf Arquivado em 19 de fevereiro de 2009, no Wayback Machine.
  3. Jornalistas esportivos disputam partida acirrada nos tribunais - Conjur
  4. «Juca Kfouri estreia como apresentador da TVT». Portal IMPRENSA. 22 de janeiro de 2018. Consultado em 24 de janeiro de 2018 
  5. «ESPN rescinde com João Palomino, Juca Kfouri e outros cinco comentaristas». www.uol.com.br. Consultado em 22 de maio de 2020 
  6. Consultor Jurídico
  7. Gabriel Carneiro (07 de agosto de 2021). «CANARINHO OLÍMPICO Ouro consolida o Brasil como maior potência olímpica do futebol e pode render frutos na Copa do Mundo». Portal UOL. Consultado em 09 de agosto de 2021  Verifique data em: |acessodata=, |data= (ajuda)
  8. UOL, SP (09 de agosto de 2021 16h18). «Juca Kfouri: Jogadores foram incapazes de ter empatia com outros atletas». Portal UOL. Consultado em 09 de agosto de 2021  Verifique data em: |acessodata=, |data= (ajuda)
  9. Juca Kfouri: Jogadores foram incapazes de ter empatia com outros atletas
  10. Eduardo Neco (6 de dezembro de 2010). «Juca Kfouri deixa o "CBN Esporte Clube" e programa sai do ar no fim do ano». Portal IMPRENSA. Consultado em 24 de dezembro de 2010 
  11. Juca Kfouri (13 de setembro de 2011). «Nadir Kfouri (1913-2011) – Uma mulher rara. E querida». Uol esporte. Consultado em 24 de janeiro de 2018 
  12. «Magnum Palestras | Juca Kfouri». Consultado em 22 de maio de 2020 
  13. «Entrevista – Juca Kfouri – Pais&Filhos». Entrevista – Juca Kfouri – Pais&Filhos. 16 de janeiro de 2013. Consultado em 25 de julho de 2020 
  14. «Ganhadores do Troféu Ford ACEESP». www.aceesp.org.br. Consultado em 23 de julho de 2021 
  15. «Jornalistas brincam na entrega do Prêmio Comunique-se». Virgula. Consultado em 22 de julho de 2021 
  16. «Ganhadores do Troféu Ford ACEESP». www.aceesp.org.br. Consultado em 23 de julho de 2021 
  17. «Ganhadores do Troféu Ford ACEESP». www.aceesp.org.br. Consultado em 23 de julho de 2021 
  18. «Cinco jornalistas da Folha recebem prêmio - 30/09/2009 - Poder - Folha de S.Paulo». m.folha.uol.com.br. Consultado em 22 de julho de 2021 
  19. G1, Do; Paulo, em São (26 de setembro de 2012). «Prêmio Comunique-se divulga lista de vencedores». Midia e Marketing. Consultado em 22 de julho de 2021 
  20. «Mônica Bergamo e Juca Kfouri, da Folha, vencem prêmio de jornalismo - 24/09/2014 - Poder - Folha de S.Paulo». m.folha.uol.com.br. Consultado em 22 de julho de 2021 

Ligações externasEditar

 
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