Abrir menu principal
Lúcio Cesênio Sospes
Cônsul do Império Romano
Consulado 114 d.C.

Lúcio Cesênio Sospes (em latim: Lucius Caesennius Sospes) foi um senador romano nomeado cônsul sufecto para o nundínio de maio a agosto de 114 com Caio Clódio Numo.[1] Sua mãe, Flávia Sabina, era prima dos imperadores Tito e Domiciano[nota 1]. Sua vida é conhecida principalmente através de uma inscrição encontrada em Antioquia na Pisídia.[2]

OrigemEditar

Sospes era filho de Lúcio Júnio Cesênio Peto, cônsul em 61, e de Flávia Sabina, e irmão de Lúcio Júnio Cesênio Peto, cônsul em 79.[3] Seu cognome, "Sospes" ("são e salvo"), provavelmente foi adquirido ainda durante a sua infância.[4][5] Durante a Guerra romano-parta de 58-63, seu pai foi pego de surpresa pelo avanço inimigo e, enquanto recuava, ordenou que Flávia e Sospes, que tinha apenas quatro anos na época, fossem enviados para a fortaleza de Arsamosata, onde acabaram cercados,[6] mas terminaram "sãos e salvos".[4]

CarreiraEditar

Sua carreira provavelmente começou ainda na adolescência, quando Sospes serviu como tresviri aere argento auro flando feriundo, uma posição prestigiosa geralmente reservada aos patrícios e aos jovens com patronos poderosos; sobrinho do falecido Vespasiano, Sospes provavelmente se incluía nesta última.[7][8] Em seguida, Sospes serviu como tribuno militar da Legio XXII Primigenia, que ficava estacionada na Panônia, e foi condecorado por sua atuação[9] na campanha de Domiciano na região em 92 em resposta a uma invasão de sármatas e suevos que haviam invadido a província depois de destruírem a XXI Rapax (ou a V Alaudae).[10]

Depois do serviço militar, Sospes foi questor em Creta e Cirenaica e depois serviu mais dois postos civis, praefectus frumenti dandi (responsável pela distribuição da ração gratuita de cereais em Roma) e superintendente das colônias e municípios (curator coloniarum et municipiorum), um posto que era equivalente ao de governador da Itália romana. O primeiro posto geralmente não era ocupado por "pessoas que atingiram eminência na guerra ou na paz" e o segundo só aparece nos registros depois de Trajano,[11] provavelmente um indicativo do desfavorecimento de Sospes. Segundo a inscrição, Sospes foi em seguida legado imperial de uma série de provínciasGalácia, Pisídia, Frígia, Licônia, Isáuria, Paflagônia e outros distritos. Segundo o historiador Ronald Syme, uma possível resposta é que, depois da morte do governador da Capadócia, Lúcio Antíscio Rufo, ainda no cargo em 94, sua província teria sido dividida entre dois legados, com Sospes, legado da XIII Gemina assumindo o comando da Galácia e dos distritos vizinhos. Quando um substituto, Tito Pompônio Basso, chegou, no ano seguinte, os legados retornaram às suas atividades normais.[12]

Segundo Syme, com esta carreira, Sospes provavelmente esperava um consulado entre 97 e 98, mas o destino atrapalhou, pois Domiciano foi assassinado em setembro de 96 e o novo imperador, Nerva, adotou Trajano como herdeiro onze meses depois.[13] Como parente de um imperador detestado, Sospes caiu em desgraça e foi somente em 114 que ele conseguiu chegar ao posto.[14]

FamíliaEditar

Não se sabe se Sospes se casou ou quem teria sido sua esposa. Um Lúcio Cesênio Antonino foi cônsul sufecto em 128, mas não se sabe se ele era filho de Sospes ou neto do irmão dele, Lúcio Júnio Cesênio Peto, cônsul em 79.[15]

Ver tambémEditar

NotasEditar

  1. Flávia Sabina era filha de Tito Flávio Sabino, cônsul em 47 e irmão mais velho do imperador Vespasiano, pai de Tito e Domiciano.

Referências

  1. Alison E. Cooley, The Cambridge Manual of Latin Epigraphy (Camrbidge: University Press, 2012), pp. 467ss
  2. CIL III, 6818
  3. Syme, "Enigmatic Sospes", p. 45
  4. a b Syme, "The Enigmatic Sospes", Journal of Roman Studies, 67 (1977), p. 44
  5. «Latin – English Dictionary». Consultado em 16 de março de 2017 
  6. Tácito, Anais XV.10.3; 13.1.
  7. J. R. Jones, "Mint Magistrates in the Early Roman Empire", Bulletin of the Institute of Classical Studies, No. 17 (1970), pp. 70–78.
  8. A.R. Birley, The Fasti of Roman Britain (Oxford: Clarendon Press, 1981), pp. 4–8
  9. Syme, "Enigmatic Sospes", p. 38
  10. Syme, "Enigmatic Sospes", pp. 38f
  11. Syme, "Enigmatic Sospes", pp. 42f
  12. Syme, "Enigmatic Sospes", pp. 39–42
  13. Syme, "Enigmatic Sospes", pp. 43f
  14. Evgeni I. Paunov and Margaret M. Roxan, "The Earliest Extant Diploma of Thrace, AD 114 (=RMD I 14)", Zeitschrift für Papyrologie und Epigraphik, 119 (1997), pp. 269–279.
  15. Syme, "Enigmatic Sospes", p. 46 and n. 92