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Maria Josefa da Saxônia, Delfina da França

Disambig grey.svg Nota: Para a rainha consorte da Espanha, esposa de Fernando VII, veja Maria Josefa da Saxónia.
Disambig grey.svg Nota: Para a arquiduquesa da Áustria, esposa de Oto Francisco, veja Maria Josefa da Saxónia (1867–1944).
Maria Josefa
Princesa da Saxônia
Delfina da França
Retrato por Jean-Marc Nattier, 1751
Marido Luís, Delfim da França
Descendência Maria Zeferina de França
Luís, Duque da Borgonha
Xavier, Duque da Aquitânia
Luís XVI de França
Luís XVIII de França
Carlos X de França
Maria Clotilde de França
Isabel de França
Casa Wettin (por nascimento)
Bourbon (por casamento)
Nascimento 4 de novembro de 1731
  Castelo de Dresden, Dresden, Saxônia, Sacro Império Romano-Germânico
Morte 13 de março de 1767 (35 anos)
  Palácio de Versalhes, Versalhes, França
Enterro Catedral de Saint-Étienne, Sens, França
  22 de março de 1767
Pai Augusto III da Polônia
Mãe Maria Josefa da Áustria
Religião Catolicismo
Assinatura Assinatura de Maria Josefa
Brasão

Maria Josefa Carolina Leonor Francisca Xaviera (em alemão: Maria Josepha Karolina Eleonore Franziska Xaveria ; Dresden, 4 de novembro de 1731Versalhes, 13 de março de 1767) foi uma princesa da Saxônia e Delfina da França.

Índice

Primeiros anosEditar

Maria Josefa nasceu em 4 de novembro de 1731 no Castelo de Dresden, era a filha do rei Augusto III da Polônia e da arquiduquesa Maria Josefa da Áustria, filha do imperador romano-germânico José I. A sua mãe era prima direita da imperatriz Maria Teresa da Áustria. Tinha mais catorze irmãos, entre eles o príncipe Frederico Cristiano, Eleitor da Saxônia, a princesa Maria Ana da Saxônia, esposa do seu primo, o príncipe Maximiliano III José, Eleitor da Baviera, e a princesa Maria Cunegundes da Saxônia, que quase se casou com Luís Filipe II, Duque d'Orleães. Maria Josefa cresceu na corte de Dresden e recebeu formação em francês, dança e pintura.

CasamentoEditar

 
Maria Josefa
Maurice Quentin de La Tour, 1749

O delfim Luís, filho mais velho do rei Luís XV de França, ficou viúvo em 1746, quando a sua esposa, a infanta espanhola, Maria Teresa Rafaela, morreu ao dar à luz a única filha do casal que recebeu o nome da mãe. O rei Fernando VI da Espanha, meio-irmão de Maria Teresa Rafaela, ofereceu outra princesa espanhola ao delfim, Maria Antónia. No entanto, a amante do rei, Madame de Pompadour, queria abrir mais canais diplomáticos.

O casamento entre Maria Josefa e o delfim foi sugerido pela primeira vez pelo tio da jovem, o príncipe Maurício da Saxônia. Luís XV e a sua amante estavam convencidos de que a união seria vantajosa para a política estrangeira de França. A França e a Saxônia tinham estado em lados opostos durante a Guerra de Sucessão Austríaca e, por isso, o casamento entre uma princesa da Saxônia e o delfim de França seria uma forma de criar uma nova aliança entre as duas nações. Havia apenas uma problema com a noiva: o avô de Maria Josefa, Augusto II da Polônia, tinha deposto Estanislau I Leszczyński do trono da Polônia. Estanislau I Leszczyński era pai de Maria Leszczyńska, esposa de Luís XV e mãe do delfim. Corria o rumor de que o casamento era uma humilhação para a modesta rainha, apesar de, mais tarde, as duas se entenderem bem.

Havia a tradição de, no dia do casamento, a noiva usar uma pulseira com a fotografia do pai. Quando a rainha se encontrou com Maria, pediu para ver a pulseira. A espirituosa Maria Josefa revelou então a sua pulseira à futura sogra, mostrando que o retrato era do pai da rainha. A princesa afirmou que o retrato representava o facto de o duque de Lorena ser seu avô por casamento. A rainha e a corte ficaram muito impressionados com a sensibilidade da jovem de quinze anos. Maria era também muito chegada ao seu sogro, o rei Luís XV.

Delfina da FrançaEditar

 
Delfina Maria Josefa
Jean-Martial Frédou, 1760

Quando se casou, o delfim ainda estava de luto pela sua esposa espanhola. Mostrava visivelmente a sua dor em público, mas Maria Josefa era elogiada por ter conquistado "aos poucos" o coração do seu marido. Apesar de ser uma esposa paciente, a dor do delfim aumentou em abril de 1748, quando a sua única filha com a primeira esposa morreu com um ano de idade. O delfim ficou profundamente afetado com a morte da criança. Mais tarde, Maria Josefa comissionou um retrato da sua enteada falecida para ser colocado sobre o seu berço. O retrato está desaparecido.[1]

Tal como o marido, Maria Josefa era muito devota. Juntamente com a sua sogra, criou um contraponto para o comportamento libertino do seu sogro na corte. O casal não gostava dos vários entretenimentos que se realizavam em Versalhes todas as semanas e preferia ficar nos seus aposentos.

A primeira criança do casal foi uma filha nascida em 1750 no dia de São Zeferino, tendo por isso recebido o nome de Maria Zeferina. O nascimento foi recebido com muita alegria pelos pais, apesar de Luís XV ter ficado desagradado com o facto de não se tratar do esperado varão. No entanto, a bebé morreu pouco depois, em 1755.[2] O segundo filho do casal, Luís, nasceu a 15 de setembro de 1751.

 
Maria Josefa e seu filho, o duque da Borgonha
Maurice Quentin de La Tour, 1761

O casal real deu tanta atenção ao primeiro filho varão que os restantes acabariam por ser negligenciados. Tragicamente, este acabaria por morrer a 22 de março de 1761 depois de cair de um cavalo de brincar. Começou a mancar e surgiu um tumor na sua anca. Este foi operado, mas a criança nunca mais conseguiu voltar a andar. O terceiro filho do casal, Xavier, nasceu 1753 e morreu um ano depois. Assim, o seu quarto filho, Luís Augusto, nascido em 1754, subiu para a segunda posição na linha de sucessão do trono francês, logo a seguir ao pai.

Graças à relação próxima de Maria Josefa com o rei, a relação entre pai e filha foi restabelecida. O delfim ocupava uma posição central no Dévots, um grupo de homens religiosos que esperava ganhar poder quando ele subisse ao trono. Estavam contra a forma como Luís XV tinha casos amorosos abertamente na corte, mesmo com o conhecimento da rainha. Naturalmente, o rei Luís XV não nutria afeição pelo grupo.

O seu sogro deu-lhe a alcunha de la triste Pepe. Em 1756, o rei Frederico II da Prússia invadiu a sua Saxônia natal, o que levou ao rebentar da Guerra dos Sete Anos à qual a França se juntou mais tarde. Reservada a nível política, apenas se pronunciou uma vez, sem sucesso, em 1762, a favor da Companhia de Jesus na França. A companhia foi dissolvida por ordem do parlamento de Paris, inspirados pelos magistrados do jansenismo, contra a vontade do rei.

Últimos anosEditar

A morte do marido a 20 de dezembro de 1765 foi um golpe devastador para Maria Josefa, do qual nunca recuperou, mergulhando num estado de depressão profunda para o resto da vida. Para a poupar do tormento das memórias que tinha do falecido marido, o rei Luís XV deu-lhe permissão para se mudar de Versalhes dos aposentos que partilhava com o delfim para os aposentos da Madame de Pompadour, que tinha morrido em 1764. Aí, o rei visitava-a mais do que durante qualquer outra altura e os dois discutiram o possível casamento do filho dela, o novo delfim. Maria Josefa não gostava da ideia do seu filho mais velho se casar com uma das filhas da imperatriz Maria Teresa da Áustria, uma vez que tinha sido por causa dela que a sua própria mãe tinha perdido a oportunidade de subir ao trono da Áustria.

Pouco depois, a saúde de Maria Josefa começou a piorar. Morreu a 13 de março de 1767 de tuberculose. Foi enterrada na cripta real de Saint-Denis. O casamento do seu filho com Maria Antonieta, filha da imperatriz Maria Teresa, realizou-se três anos depois.

DescendênciaEditar

Maria Josefa casou-se com Luís, Delfim da França (1729-1765), de quem teve os seguintes filhos:

AncestraisEditar

Referências


Maria Josefa da Saxônia
Casa de Wettin
4 de novembro de 1731 – 13 de março de 1767
Precedida por
Maria Teresa Rafaela da Espanha
 
Delfina da França
9 de fevereiro de 1747 – 20 de dezembro de 1765
Sucedida por
Maria Antonieta da Áustria


 
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