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Maria Mambo Café

Política, economista e empresária angolana.
Maria Mambo Café
Nascimento 6 de fevereiro de 1945
Cabinda
Morte 1 de dezembro de 2013 (68 anos)
Lisboa
Cidadania Angola
Alma mater Universidade Russa da Amizade dos Povos
Ocupação política, economista, empresária

Maria Mambo Café, também conhecida somente como Mambo Café e pelo nome de guerra Tchyina (Cabinda, 6 de fevereiro de 1945 - Lisboa, 1 de dezembro de 2013), foi uma líder anticolonial, empresária, economista e política angolana.

Membro de carreira do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA) foi, ao lado de Deolinda Rodrigues, Irene Cohen, Engrácia dos Santos, Teresa Afonso e Lucrécia Paim, as responsáveis pela formação e estabelecimento da Organização da Mulher Angolana (OMA), a ala feminina do partido.

Além da OMA, Mambo Café teve destacada atuação na área burocrática de sua nação como diplomata, planejadora estatal, dirigente de Estado e governadora provincial, além de ter uma bem-sucedida carreira como empresária e financista.

Índice

BiografiaEditar

Filha do pastor evangélico Zacarias Mendes Café e de Dina Chilala Café, Maria Mambo Café nasceu em 6 de fevereiro de 1945 na província de Cabinda. Na cidade de Cabinda fez seus estudos primários.

Aos 12 anos de idade muda-se com os pais para Luanda, onde passa a integrar o corpo do coral da Missão Evangélica de Luanda; nesta cidade ingressou no Liceu Salvador Correia, onde concluiu seus estudos secundários.

Luta nacionalistaEditar

Decidiu por tomar parte num dos vários grupos de nacionalistas angolanos que, entre anos 1960 a 1963, rumaram para o então Congo-Léopoldville (depois Zaire) a fim de se integrarem na Guerra de Independência de Angola. Sua posição destacada na condução burocrática do MPLA a fez ser enviada, em 1964, para formar-se em economia na Universidade de Amizade dos Povos Patrice Lumumba (ainda na então União Soviética), tendo concluído seus estudos em 1968.

Depois de retornar de seus estudos ao Zaire, ocupou vários cargos e funções durante a guerra de independência, tais como secretária da OMA, membro ativo da Juventude do Movimento Popular de Libertação de Angola e secretária do secretário-geral do partido Agostinho Neto. Foi nomeada por Neto como diretora adjunta e professora do Centro de Instrução Revolucionária da Zona C da III Região Político-Militar, sendo cooptada em 1971 para o Comité Diretor do MPLA.

Carreira política no pós-independênciaEditar

Suas habilidades como negociadora e diplomata foram provadas quando integrou as delegações do MPLA enviadas a 8 de novembro de 1974 a Luanda,[1] para as negociações com o Império Colonial Português, que culminaram com o Acordo do Alvor, em 15 de janeiro de 1975.[2]

Até 1977 Mambo Café trabalhou no gabinete pessoal do presidente Neto, quando foi nomeada vice-ministra do Comércio Interno, ocupando a função até 1978. Em 1982 foi nomeada ministra dos Assuntos Sociais, tornando-se a primeira mulher em Angola a ser nomeada para um gabinete de Estado. Em 1986 deixou o ministério para tornar-se vice-primeira ministra e ministra de Estado para a Esfera Econômica e Social, concluindo suas funções em 1988. Foi de 1986 a 1987 considerada uma das "super-ministras" do país.[3]

Depois de uma reforma do gabinete de Estado, Mambo Café tornou-se secretária de assuntos da juventude. Em 1990, foi brevemente nomeada governadora da província de Cabinda, rica em petróleo e disputada. Ela deixou essa posição no mesmo ano em virtude de disputas internas no MPLA em função do período democrático, onde quase perdeu a sua posição no Bureau do MPLA. Em 1992, ela foi eleita para a Assembléia Popular.[4]

Carreira empresarialEditar

Na década de 2000, foi um dos vários membros do Bureau do MPLA que recebeu 10 milhões de dólares do Banco Espírito Santo de Angola para desenvolver os projetos que eles queriam, sem ter que dar nenhuma garantia ao banco. Após abdicar da cerreira pública presidiu o conselho de acionistas do Banco de Comércio e Indústria. Ela era, até sua morte, uma das 100 pessoas angolanas mais ricas do mundo, com ativos de mais de 100 milhões de dólares.[5][6][7][8]

Morte e homenagensEditar

Mambo Café morreu no dia 1 de dezembro de 2013, em Lisboa (Portugal), aos 68 anos de idade. Ela foi enterrada no cemitério do Alto das Cruzes em Luanda no dia 6 de dezembro. O gabinete político de Angola homenageou-a numa declaração que dizia: "a camarada Mambo Café Tchyina mantém uma trajectória política impecável e invejável na luta pela liberdade e democracia em Angola e no mundo".

O aeroporto Maria Mambo Café, na província de Cabinda, foi nomeado em sua homenagem.[9]

Referências

  1. Da Rosa, Kumuênho (7 de dezembro de 2013). «Último adeus a Maria Mambo Café». Jornal de Angola. Consultado em 27 de outubro de 2016 
  2. «Ruling MPLA party Politburo regrets death of nationalist Mambo Café». Angola Press News Agency. 2013. Consultado em 27 de outubro de 2016 
  3. Sheldon, Kathleen (2016). Historical Dictionary of Women in Sub-Saharan Africa 2nd. ed. [S.l.]: Rowman & Littlefield. p. 53. ISBN 1442262931 
  4. «Morreu Maria Mambo Café». ANGONOTÍCIAS. 3 de dezembro de 2013. Consultado em 27 de outubro de 2016 
  5. «Angola: Os 50 angolanos mais ricos em Angola , onde Lopo do Nascimento aparece em terceiro lugar com mais de 100 milhões de dólares». TudoNumClick. Consultado em 27 de outubro de 2016. Arquivado do original em 26 de setembro de 2016 
  6. «Banco Nacional de Angola - Supervisão - INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS AUTORIZADAS». www.bna.ao. Consultado em 27 de outubro de 2016 
  7. BCI - Banco de Comércio e Indústria. «Banco de Comércio e Indústria». www.bci.ao. Consultado em 27 de outubro de 2016 
  8. «Angola: Receio que Ghassist manche "o bom nome" do MPLA». africaminhamami.blogspot.de. Consultado em 27 de outubro de 2016 
  9. «Cabinda: "Maria Mambo Café" airport expansion project presented». Agência Angola Press. 2 de junho de 2016. Consultado em 27 de outubro de 2016