Abrir menu principal
Max Planck Medalha Nobel
Max Planck em 1933
Conhecido(a) por Constante de Planck, Postulado de Planck, Lei de Planck
Nascimento 23 de abril de 1858
Kiel, Schleswig-Holstein
Morte 4 de outubro de 1947 (89 anos)
Göttingen, Baixa Saxônia
Nacionalidade Alemã
Alma mater Universidade de Munique
Prêmios Medalha Helmholtz (1914), Nobel prize medal.svg Nobel de Física (1918), Medalha Franklin (1927), Medalha Lorentz (1927), Medalha Copley (1929), Medalha Max Planck (1929), Guthrie Lecture (1932), Medalha Harnack (1933)
Religião Cristão
Assinatura
Max Planck signature.svg
Orientador(es) Alexander von Brill[1]
Orientado(s) Max Abraham, Richard Becker, Walther Bothe, Walter Gordon, Gustav Ludwig Hertz, Erich Kretschmann, Ernst Lamla, Max von Laue, Julius Edgar Lilienfeld, Walther Meißner, Fritz Reiche, Moritz Schlick, Walter Schottky, Erich Schumann
Instituições Universidade de Kiel
Universidade de Berlim
Universidade de Göttingen
Sociedade Kaiser Wilhelm
Campo(s) Física
Tese 1879: Über den zweiten Hauptsatz der mechanischen Wärmetheorie
Notas Pai de Erwin Planck, enforcado em 1945 pela Gestapo, por sua participação no atentado de 20 de julho de 1944

Max Karl Ernst Ludwig Planck (Kiel, 23 de abril de 1858Göttingen, 4 de outubro de 1947)[2] foi um físico alemão. É considerado o pai da física quântica[3] e um dos físicos mais importantes do século XX. Planck foi laureado com o Nobel de Física de 1918, por suas contribuições na área da física quântica.[4]

Índice

BiografiaEditar

"Não é a posse da verdade, mas o sucesso que vem após a pesquisa, onde a busca é enriquecida por ela!"[5]
Max Planck
 
Assinatura de Max Planck aos dez anos de idade.

Planck nasceu em Kiel, capital de Schleswig-Holstein, um condado no norte da Alemanha. Pertenceu a uma família de grande tradição acadêmica (seu avô e bisavô foram professores de teologia em Göttingen). Era filho de Johann Julius Wilhelm Planck, professor de direito Constitucional na Universidade de Kiel,[6] com sua segunda esposa, Emma Patzig, e foi batizado com o nome de Karl Ernst Ludwig Marx Planck (em relação aos nomes que lhe foram dados, Marx [uma variante hoje obsoleta de Markus ou talvez simplesmente um erro para Max, que é hoje a abreviação para Maximilian] foi usado como primeiro nome).[7] No entanto, por volta dos dez anos de idade, assinou com o nome Max e usou-o assim para o resto de sua vida.[8]

Walther NernstRobert GoldschmidtMax PlanckMarcel BrillouinHeinrich RubensErnest SolvayArnold SommerfeldHendrik Antoon LorentzFrederick LindemannMaurice de BroglieMartin KnudsenEmil WarburgFriedrich HasenöhrlJean Baptiste PerrinGeorges HosteletEdouard HerzenJames Hopwood JeansWilhelm WienMarie CurieErnest RutherfordHenri PoincaréHeike Kamerlingh OnnesAlbert EinsteinPaul Langevin 
Primeira Conferência de Solvay, em 1911. Max Planck é o segundo de pé, a partir da esquerda

Ele era o sexto filho, embora dois de seus irmãos fossem do primeiro casamento de seu pai. Entre suas primeiras lembranças estava a marcha das tropas prussianas e austríacas em Kiel durante a guerra dinamarquês-prussiana de 1864. Em 1867 a família se mudou para Munique, e Planck foi matriculado na escola ginasial Maximilians, onde ele ficou sob a tutela de Hermann Müller, um matemático muito interessado pela juventude, que lhe ensinou astronomia, mecânica e matemática. Foi com Müller que Planck primeiro aprendeu o princípio da conservação da energia. Não à toa, seus primeiros trabalhos foram sobre termodinâmica. Também publicou trabalhos sobre a entropia, termoeletricidade e na teoria das soluções diluídas.[9] Excelente aluno, Planck obteve o grau de doutor com apenas 21 anos de idade.[10]

Planck tinha talento para a música. Teve aulas de canto e tocou piano, órgão e violoncelo, e compôs músicas e óperas. No entanto, em vez da música, escolheu estudar física.

 
Planck quando jovem, em 1878.

O professor de física em Munique, Philipp von Jolly, aconselhou Planck a não estudar física,[3] pois, segundo ele, "neste campo, quase tudo já está descoberto, e tudo o que resta é preencher alguns buracos". Planck respondeu que não queria descobrir coisas novas, apenas compreender os fundamentos conhecidos do assunto. Assim, começou seus estudos nesta área em 1874 na Universidade de Munique. Sob a supervisão de Jolly, Planck realizou os únicos experimentos de sua carreira científica, estudando a difusão de hidrogênio através de platina aquecida, antes de transferir-se para a física teórica.

Em 1877 foi para Berlim para um ano de estudo com os físicos Hermann von Helmholtz e Gustav Kirchhoff e o matemático Karl Weierstrass. Lá, ele relatou que Helmholtz nunca estava completamente preparado, falava lentamente, calculava muito mal e entediava seus ouvintes, enquanto Kirchhoff proferia palestras cuidadosamente preparadas que eram secas e monótonas. Logo se tornou amigo íntimo de Helmholtz. Lá, empreendeu um programa basicamente de autoestudo sobre os trabalhos de Clausius que o levou a escolher a teoria do calor como o seu campo de estudo.

Em outubro de 1878 Planck passou nos exames de qualificação e em fevereiro de 1879 defendeu sua dissertação, Über den zweiten Hauptsatz der mechanischen Wärmetheorie (Sobre o segundo teorema fundamental da teoria mecânica do calor). Por curto período ensinou matemática e física na sua antiga escola em Munique.

Em junho de 1880, apresentou a sua tese de habilitação, Gleichgewichtszustände isotroper Körper in verschiedenen Temperaturen (Estados de equilíbrio de corpos isotrópicos em diferentes temperaturas). Tornou-se então professor em Munique, esperando até que lhe fosse oferecida uma posição acadêmica. Embora tenha sido inicialmente ignorado pela comunidade acadêmica, promoveu seu trabalho no campo da teoria do calor e descobriu em seguida o formalismo termodinâmico assim como Gibbs sem percebê-lo. As ideias de Clausius sobre entropia ocuparam um papel central em seu trabalho.

Seguiu para sua cidade natal, Kiel, em 1885, onde casou com Marie Merck em 1886. Em 1889, Planck seguiu para a Universidade de Berlim e após dois anos foi nomeado professor de Física Teórica, substituindo Gustav Kirchhoff.

Em fins do século XIX, uma das dificuldades da física consistia na interpretação das leis que governam a emissão de radiação por parte dos corpos negros. Tais corpos são dotados de alto coeficiente de absorção de radiações; por isso, parecem negros para a visão humana.

Em 1899, após pesquisar as radiações eletromagnéticas, descobriu uma nova constante fundamental, batizada posteriormente em sua homenagem como Constante de Planck,[11] e que é usada, por exemplo, para calcular a energia do fóton. Um ano depois, descobriu a lei da radiação térmica, chamada Lei de Planck da Radiação. Essa foi a base da teoria quântica, que surgiu dez anos depois com a colaboração de Albert Einstein e Niels Bohr. De 1905 a 1909, Planck atuou como diretor-chefe da Deutsche Physikalische Gesellschaft (Sociedade Alemã de Física). Sua mulher morreu em 1909, e, um ano depois, Planck casou-se novamente com Marga von Hoesslin.

Em 1913 foi nomeado reitor da Universidade de Berlim.

Como consequência do nascimento da física quântica, foi laureado em 1918 com o Nobel de Física. De 1930 a 1937, Planck foi presidente da Kaiser-Wilhelm-Gesellschaft zur Förderung der Wissenschaften (KWG, Sociedade para o Avanço das Ciências do Imperador Guilherme).

Avesso aos ideais nazistas, Planck tentou convencer Hitler a dar liberdade aos cientistas judeus. Planck argumentou que haveria diversos tipos de judeus, alguns valiosos e outros inúteis para a Alemanha. O Führer então lhe respondeu: "Se a ciência não pode passar sem judeus, teremos de nos haver sem a ciência!"[12]

Este fato desagradou a Hitler. Mais tarde, seu filho Erwin foi executado em 20 de julho de 1944, acusado de traição relacionada a um atentado para matar Hitler.[13]

Foi senador da Sociedade Kaiser Wilhelm, de 1916 a 1947.

Participou da 1ª e da 5ª Conferência de Solvay.

MorteEditar

 
Placa comemorativa na parede exterior de uma edificação da Universidade Humboldt de Berlim
"Para os crentes, Deus está no princípio das coisas. Para os cientistas, no final de toda reflexão!"[14]
Max Planck

A morte trágica de seu filho Erwin o abalou psicologicamente. Este fato fez com que Planck perdesse a vontade de viver. Assim, após o término da Segunda Guerra Mundial, ele e sua segunda esposa mudaram-se para Göttingen, onde, em 4 de outubro de 1947, aos 89 anos, Planck morreu em consequência de uma queda e de diversos derrames,[15] morte esta que, segundo James Franck, veio a ele "como uma redenção."[16]

Logo após sua morte, a Sociedade KWG foi renomeada como Max-Planck-Gesellschaft zur Förderung der Wissenschaften (MPG, Sociedade Max Planck para o Progresso das Ciências).

Seu corpo encontra-se sepultado no Stadtfriedhof de Göttingen, na Alemanha.[17]

LegadoEditar

 
Planck em 1901.
"Um homem a quem foi dada a oportunidade de abençoar o mundo com uma grande idéia criativa não precisa do louvor da posteridade. Sua própria façanha já lhe conferiu uma dádiva maior!"
Albert Einstein, sobre Max Planck

As descobertas de Planck, que mais tarde viriam a ser verificadas por outros cientistas, resultaram no nascimento de um campo totalmente novo na física moderna, conhecido como mecânica quântica; e que forneceram a base para a investigação de áreas pouco exploradas até então, como a energia nuclear.[18]

O próprio Planck sabe de sua importância. Tanto que em 1922 fez a seguinte afirmação: "É verdade, antes a física era mais simples, harmônica e, portanto, mais satisfatória!"[19]

Homenagens e honrariasEditar

"O mundo externo é algo independente do homem, algo absoluto, e a procura pelas leis que se aplicam a este absoluto mostram-se como a mais sublime busca científica na vida!"[20]
Max Planck
 
A moeda de 2 marcos alemães leva o rosto de Planck.

Referências

  1. Max Planck (em inglês) no Mathematics Genealogy Project
  2. algosobre.com.br Max Planck. Acessado em 03/03/2012.
  3. a b «Há 150 anos nascia Max Planck, o pai da física quântica». Deutsche Welle. 23 de abril de 2008. Consultado em 21 de março de 2010. 
  4. nobelprize.org The Nobel Prize in Physics 1918 - Max Planck. Acessado em 03/03/2012.
  5. frasesypensamientos.com.ar Frases de Max Planck (em espanhol). Acessado em 03/03/2012.
  6. learn-math.info Max Planck. Acessado em 03/03/2012.
  7. Christoph Seidler, Gestatten, Marx Planck, Spiegel Online, 24 April 2008.
  8. Press release of the Sociedade Max Planck sobre o nome de Max Planck.
  9. infoescola.com Max Planck. Acessado em 03/03/2012.
  10. comciencia.br Max Planck e o início da Teoria Quântica. Acessado em 03/03/2012.
  11. algosobre.com.br Max Planck. Acessado em 03/03/2012.
  12. dougnahistoria A “ciência” de Hitler: por um bem maior, por Douglas Barraqui. Acessado em 03/03/2012.
  13. explicatorium.com Max Planck (1858 - 1947). Acessado em 03/03/2012.
  14. pensador.uol.com.br Frases de Max Planck. Acessado em 03/03/2012.
  15. lqes.iqm.unicamp.br CULTURA DA QUÍMICA - Há 150 anos nascia Max Planck, o pai da Física Quântica. Acessado em 03/03/2012.
  16. Max Karl Ernst Ludwig Planck
  17. Max Planck (em inglês) no Find a Grave
  18. groups.dcs.st-and.ac.uk Uma história da mecânica quântica (em inglês). Acessado em 03/03/2012.
  19. lqes.iqm.unicamp.br CULTURA DA QUÍMICA - Há 150 anos nascia Max Planck, o pai da Física Quântica. Acessado em 02/03/2012.
  20. comciencia.br Max Planck e o início da Teoria Quântica. Acessado em 03/03/2012.
  21. Medalha Max Planck no sítio da Deutsche Physikalische Gesellschaft (em alemão)]. Acessado em 03/03/2012.
  22. «Planck summary». University of St Andrews. Consultado em 15 de fevereiro de 2009. 
  23. "'Herschel' y 'Planck' inician su viaje por el espacio" El País. Consultado el 30 de mayo de 2011

Ligações externasEditar