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Pero Anes do Canto

(Redirecionado de Pêro Anes)
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Solar dos Remédios (Angra do Heroísmo), residência de Pero Anes do Canto e sede da Provedoria das Armadas.
Brasão da família Canto e Castro, na fachada do Solar dos Remédios.

Pero Anes do Canto, por vezes Pedro Anes do Canto[1] (Guimarães, 1480Angra, 18 de Agosto de 1556) foi um fidalgo português. Exerceu as funções de "Provedor das Fortificações" da Ilha Terceira, vindo a ser posteriormente distinguido com o título de Moço Fidalgo da Casa Real com a mercê da "Provedoria das Armadas e Naus da Índia em todas as ilhas dos Açores", para si e seus filhos e descendentes.

Índice

BiografiaEditar

A família descende de John of Kent, um nobre inglês que acompanhou o príncipe de Gales à Espanha em apoio a Pedro I de Portugal, passando posteriormente a Portugal e fixando-se em Guimarães no reinado de João I de Portugal.

Filho de João Anes do Canto e de sua mulher Francisca da Silva, neto paterno de Vasco Fernandes do Canto e de sua mulher ... e bisneto de João Fernandes de Souto Maior e de sua mulher Maria do Canto, Pedro Anes do Canto,[2] passou à Madeira em fins do século XV ou princípios do século XVI, a serviço do rei, acompanhando Vasco Afonso, seu parente, vigário de Machico, ilha da Madeira, e visitador das ilhas dos Açores, do qual se tornou o herdeiro universal. Da Madeira, acredita-se que passou à Terceira durante a primeira década de quinhentos, onde viveu.[3]

Pessoa de apurado tino para os negócios, investiu seus cabedais no mercado imobiliário. Prevendo um rápido crescimento da vila de Angra adquiriu, a preço irrisório, as terras que se estendiam para os lados da Boa Nova (a Leste) e do Corpo Santo (a Oeste), que lhe vieram a trazer rendimentos anuais equivalentes ao capital investido. Posteriormente, também a baixo preço, adquiriu o lugar do Porto da Cruz dos Biscoitos, no lado oposto da ilha, terras imprestáveis para o cultivo de cereais, onde iniciou o cultivo de vinhedos e pomares. Aí estabeleceu a sua quinta, fazendo erigir uma ermida sob a invocação de Nossa Senhora do Loreto, e uma ampla residência a que chamava "O Galeão". Acrescentou-lhe ainda extensas zonas lavradias, que lhe asseguraram grossos rendimentos, assegurando-lhe ampla fartura.

Em 1509, armou às suas expensas um navio com gente de guerra, e partiu da Terceira para o Norte de África em socorro da Praça-forte de Arzila, então sob assédio e estando cercada pelo rei de Fez e com a praia ocupada por muitas bombardas, praça que foi dos primeiros a socorrer com um navio armado, em que levou muita gente que, com grande perigo, desembarcou.[4] Ao chegar, foi incumbido pelo Conde D. Vasco, governador português da praça, da recuperação do porto de Tonbelalon, tomado pelos mouros; tão bem se desincumbiu da missão que logo reconquistou a posição, sustentando-a denodadamente até ao inimigo se retirar, oito dias depois. Defendeu com a sua companhia o baluarte que o Conde D. Vasco lhe encarregou, feitos estes que o futuro rei mais tarde remunerou, concedendo-lhe acrescentamento das suas Armas. Em recompensa por esses serviços, D. João III de Portugal acrescentou-lhe, por Carta Régia de 28 de Janeiro de 1539, ao antigo escudo das suas Armas, um baluarte, ficando: de vermelho, com um baluarte de prata, lavrado de negro, com quatro bombardas de sua cor entre as ameias, e sustido por uma ponta de prata; timbre: o canto do escudo rematado por um pombo branco.[5]

Na qualidade de Provedor das Fortificações, é a Pedro Anes que se devem as primeiras estruturas defensivas da baía de Angra. Dirigiu o apresto de uma esquadra destinada a combater os piratas e corsários que então infestavam o mar dos Açores.

À época, demandando o porto dos Biscoitos algumas naus da Carreira da Índia, Pedro Anes generosamente fez reabastecer as embarcações de carnes, aves e frutos, o mesmo se repetindo nos anos seguintes. Por esses serviços, foi distinguido pelo soberano com o título de Moço Fidalgo da Casa Real[6] e, por Carta Régia de 27 de Julho de 1532, fez-lhe mercê da "Provedoria das Armadas e Naus da Índia em todas as ilhas dos Açores", não apenas para si, mas para os seus filhos e descendentes, tendo sido o primeiro com este cargo.[7]

Fez cinco disposições testamentárias, que foram aprovadas, a 1ª e 2ª respectivamente, em 18 de Abril de 1504, e 1 de Junho de 1543 na nota do tabelião Diogo Leitão, da cidade de Lisboa, e as restantes, em 23 de Abril de 1547, 15 de Maio de, 1549 e 3 de Outubro de 1553 na nota de João de Cêa, da cidade de Angra do Heroísmo.

Nestas disposições instituiu, para perpetuação da sua memória e linhagem, três importantes morgados, aos quais vinculou os seguintes bens, que possuía na Terceira:

  • ao primeiro, as casas do Corpo Santo, São Pedro e Ribeira da Lapa, bem como as respectivas Quintas e foros, e a Capela de Nossa Senhora de Nazaré, que mandou edificar na dita Quinta de São Pedro.
  • ao segundo, as Casas das Lajes, Agualva, Porto Martins e Dadas do Brasil, com as respectivas Quintas e foros.
  • ao terceiro, as quintas situadas nas Três, Cinco e Seis Ribeiras de Santa Bárbara, as quais rendiam anualmente à época 60 moios de trigo (3600 alqueires), e que haviam sido, em parte, adquiridas com o dinheiro que o instituidor herdou do dito seu parente Vasco Afonso.

Estes morgados, que foram instituídos com certas e determinadas obrigações, e designadamente com a de usarem os respectivos administradores, seus filhos: António, João e Francisco, o apelido Canto, que o instituidor declarou pertencer-lhe por seus pais e avós foram depois acrescidos de outros bens, e nomeadamente dos seguintes:

  • o primeiro, da Casa e Capela de Nossa Senhora dos Remédios;
  • o segundo, de umas Casas nobres, na freguesia dos Biscoitos, e de uma Capela sob a invocação de Nossa Senhora do Loreto;
  • o terceiro, de umas casas nobres e Capela de Nossa Senhora da Natividade, na cidade de Angra.

Em uma das referidas disposições declarou o testador ter feito em Lisboa, no ano de 1544, na nota então a cargo de Diogo Leitão, uma escritura pela qual cedeu em favor de seu irmão António as suas legitimas paterna e materna, com a obrigação de uma capela de missas, em Guimarães, por alma de seus pais, e de serem administradores dessa capela o mesmo seu irmão e a sua geração.

Faleceu em 1556, tendo determinado no testamento de 1543, que o seu corpo fosse sepultado na sua Capela de Nossa Senhora da Nazaré, da Quinta de São Pedro, ou na Capela de São Pedro da Igreja de São Salvador (Angra do Heroísmo), caso viesse a falecer nesta cidade; e mais determinou que os seus herdeiros lhe pusessem sobre o moimento uma memória com os seguintes dizeres:

"Sepultura de Pedro Annes do Canto, fidalgo da Casa Real d'el rei de Portugal D. João III d' este nome, que foi o 1º homem que foi socorrer com um navio cheio de gente a villa de Arzila no 2º cerco, que foi na era de 1509, e estando cercado d' el rei de Fez… … foi na tomada de Azamor e das villas de … … e nos apetrechados muros da provincia de … … …, e capitão-mór sete vezes das Armadas do dito rei em guarda das Naus da India."

Foi casado duas vezes: a primeira, em 8 de Setembro de 1510, em Angra do Heroísmo, com Joana Abarca, filha de Pedro Abarca, Fidalgo de Tui; a segunda com D. Violante Galvão da Silva, filha de Duarte Galvão, secretário do rei D. João II de Portugal, embaixador a Roma ao papa Alexandre VI, bem como ao imperador da Alemanha, Maximiliano I, e ao rei de França, Luís XII e cronista-mor do reino, e de sua segunda mulher Catarina de Menezes e Vasconcelos.

O tronco desta família na ilha Terceira é Pedro Anes do Canto, que nasceu em Guimarães, no século XV, irmão de Francisco do Canto, falecido em Roma, e de António do Canto, que foi clérigo e arcipreste de Nossa Senhora da Oliveira, da dita cidade, que então possuía apenas os foros de vila. Eram filhos de João Anes do Canto, também natural de Guimarães, e de sua mulher D. Francisca da Silva.

Do primeiro matrimónio teve o filho único, António Pires do Canto, que casou com D. Catarina de Castro. Do segundo matrimónio teve também um filho único, João da Silva do Canto, casado com Isabel Correia. Fora dos referidos matrimónios teve:

  1. Francisco da Silva do Canto, casado com Francisca Soares, segundo alguns historiadores, Luísa de Vasconcelos da Câmara, segundo outros.
  2. Pedro do Canto.
  3. Manuel do Canto, faleceu na Índia, não se conhece o nome da esposa, mas teve pelo menos um filho de nome: Francisco do Canto.

Ver tambémEditar

Referências

  1. "Armorial Lusitano", Afonso Eduardo Martins Zúquete, Editorial Enciclopédia, 3.ª Edição, Lisboa, 1987, p. 135
  2. "Armorial Lusitano", Afonso Eduardo Martins Zúquete, Editorial Enciclopédia, 3.ª Edição, Lisboa, 1987, p. 135
  3. "Armorial Lusitano", Afonso Eduardo Martins Zúquete, Editorial Enciclopédia, 3.ª Edição, Lisboa, 1987, p. 135
  4. "Armorial Lusitano", Afonso Eduardo Martins Zúquete, Editorial Enciclopédia, 3.ª Edição, Lisboa, 1987, p. 135
  5. "Armorial Lusitano", Afonso Eduardo Martins Zúquete, Editorial Enciclopédia, 3.ª Edição, Lisboa, 1987, pp. 135 e 136
  6. "Armorial Lusitano", Afonso Eduardo Martins Zúquete, Editorial Enciclopédia, 3.ª Edição, Lisboa, 1987, p. 135
  7. "Armorial Lusitano", Afonso Eduardo Martins Zúquete, Editorial Enciclopédia, 3.ª Edição, Lisboa, 1987, p. 135

BibliografiaEditar

Ver tambémEditar