Peste bovina

Peste bovina
Surto de peste bovina na África do Sul em 1896
Especialidade Infectologia
Sintomas Febre, anorexia e secreções no nariz e olhos[1]
Complicações Erosões irregulares,[1] diarreia aguda e obstipação[2]
Duração 6-12 dias[1]
Causas Rinderpest morbillivirus
Mortes +50.000 (1994)[3]
Classificação e recursos externos
MeSH D012301
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Peste bovina era uma doença viral infecciosa causada pelo vírus Rinderpest morbillivirus do gênero Morbillivirus que afetava gado, búfalos domésticos, e muitas outras espécies de ungulados de dedos pares, incluindo búfalos, antílopes grandes, veados, girafas, gnus e javalis.[4] A doença caracterizou-se por febre, desidratação, diarreia, secreções nos olhos e nariz e alta mortalidade, aproximando-se de 100% em populações imunologicamente fracas. Foi a primeira doença animal erradicada na natureza pelo homem, e a segunda doença erradicada pelo homem, após a varíola.[3] O último surto foi detectado em 2001 no Quênia e os últimos casos foram relatados no Paquistão, Sudão, Somália, Etiópia e Quênia em 2007.[5]

A Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) anunciou em 14 de outubro de 2010 que a campanha de erradicação, começada em 1984 com programas de vacinação, estava prestes a ser concluída com sucesso.[5] A erradicação foi confirmada pela Organização Mundial da Saúde Animal em 25 de maio de 2011.

A primeira referência a esta doença consta de um papiro com 3.000 anos.[5] Acredita-se que a peste bovina tenha tido origem na Ásia, espalhando-se mais tarde através do transporte de gado.[4] O vírus da peste bovina era estreitamente relacionado com os vírus do sarampo e da esgana canina.[6] O vírus do sarampo surgiu da peste bovina como uma doença zoonótica entre 1000 e 1100 D.C, um período que pode ter sido precedido por surtos limitados envolvendo um vírus ainda não totalmente habituado a humanos.[7]

VírusEditar

 vírus da peste bovina
Estado de conservação
 
Extinta  (2011) (IUCN 3.1)
Classificação científica
Grupo: Grupo V ((-)ssRNA)
Domínio: Riboviria
Sem classificação: Vírus
Filo: Negarnaviricota
Subfilo: Haploviricotina
Classe: Monjiviricetes
Ordem: Mononegavirales
Família: Paramyxoviridae
Subfamília: Orthoparamyxovirinae
Gênero: Morbillivirus
Espécie: R. morbillivirus
Nome binomial
Rinderpest morbillivirus

O vírus da peste bovina, um membro do gênero Morbillivirus, está estreitamente relacionado com os vírus do sarampo e da esgana canina.[6] Como outros membros da família Paramyxoviridae, ele produz viriões envelopados e é um vírus RNA de sentido negativo de cadeia simples. O vírus era particularmente frágil e rapidamente inativado pelo calor, dessecação e luz solar.[8]

O vírus do sarampo evoluiu do então difundido vírus da peste bovina muito provavelmente entre os séculos XI e XII.[7] A primeira origem provável é durante o século VII; existem algumas evidências linguísticas para esta primeira origem.[9][10]

Doença e sintomasEditar

As taxas de mortalidade durante os surtos eram geralmente extremamente altas, aproximando-se de 100% em populações imunologicamente fracas.[1] A doença foi disseminada principalmente por contato direto e água contaminada, embora também pudesse ser transmitida pelo ar.[2]

Os sintomas iniciais incluem febre, perda de apetite e secreções no nariz e olhos. Posteriormente, aparecem erosões irregulares na boca, no revestimento do nariz e na parte genital.[1] A diarreia aguda, precedida pela obstipação, é também uma característica comum.[2] A maioria dos animais morre de 6 a 12 dias após o início destes sintomas.[1]

Arma biológicaEditar

A peste bovina foi um dos mais de uma dúzia de microrganismos que os Estados Unidos pesquisaram como potenciais armas biológicas antes de terminar o seu programa de armas biológicas.[11]

A peste bovina é preocupante como uma arma biológica pelas seguintes razões:

A peste bovina também foi considerada como uma arma biológica no programa de armas biológicas do Reino Unido durante a Segunda Guerra Mundial.[13]

Ver tambémEditar

 
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Referências

  1. a b c d e f «Rinderpest». Department of Employment, Economic Development and Innovation of State of Queensland. Consultado em 23 de março de 2020. Cópia arquivada em 22 de abril de 2011 
  2. a b c «Rinderpest -- the toll and treatment of a plague». Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura. 1996. Consultado em 23 de março de 2020. Cópia arquivada em 23 de março de 2020 
  3. a b «Campaign against deadly cattle plague ending». Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura. 14 de outubro de 2010. Consultado em 23 de março de 2020 
  4. a b McNeil Jr., Donald (28 de junho de 2011). «Rinderpest, Scourge of Cattle, Is Vanquished». The New York Times. Consultado em 24 de março de 2020 
  5. a b c «Peste bovina é a segunda doença erradicada pelo homem». Público. 14 de outubro de 2010. Consultado em 24 de março de 2020. Cópia arquivada em 23 de março de 2020 
  6. a b Huygelen, C. (abril de 1997). «The immunization of cattle against rinderpest in eighteenth-century Europe» 41 ed. Cambridge University Press. Medical History. 2: 182-196. ISSN 0025-7273. PMC 1043905 . PMID 9156464. doi:10.1017/s0025727300062372. Consultado em 24 de março de 2020 
  7. a b Furuse, Yuki; Suzuki, Akira; Oshitani, Hitoshi (4 de março de 2010). «Origin of measles virus: divergence from rinderpest virus between the 11th and 12th centuries» 7 ed. BioMed Central. Virology Journal: 52. ISSN 1743-422X. PMC 2838858 . PMID 20202190. doi:10.1186/1743-422X-7-52. Consultado em 24 de março de 2020 
  8. «Rinderpest». Institute for Animal Health. Consultado em 23 de março de 2020. Cópia arquivada em 6 de novembro de 2009 
  9. Griffin, D. E. Measles Virus. In: Knipe, D. M.; Howley, P. M. (2007). Fields Virology. 2. [S.l.]: Lippincott Williams & Wilkins. p. 5 
  10. McNeil, W. (1976). Plagues and Peoples. New York: Anchor Press/Doubleday 
  11. «Chemical and Biological Weapons: Possession and Programs Past and Present» (PDF). James Martin Center for Nonproliferation Studies. Março de 2008. Consultado em 23 de março de 2020 
  12. «Rinderpest». Center for Infectious Disease Research and Policy. Consultado em 23 de março de 2020. Cópia arquivada em 24 de junho de 2013 
  13. Bowcott, Owen; Evans, Rob (16 de maio de 2010). «Files reveal Britain's secret biological weapons trials in second world war». The Guardian. Consultado em 23 de março de 2020