Abrir menu principal

Wikipédia β

Robert Mugabe

ex-presidente do Zimbábue
Searchtool.svg
Esta página foi marcada para revisão, devido a incoerências e/ou dados de confiabilidade duvidosa (desde novembro de 2017). Se tem algum conhecimento sobre o tema, por favor, verifique e melhore a coerência e o rigor deste artigo.

Robert Gabriel Mugabe (Salisbúria, 21 de fevereiro de 1924) é um político e ex-presidente do Zimbábue. Liderou o país primeiro como primeiro-ministro e, a partir de 1987, como presidente com poderes executivos. Em novembro de 2017, foi afastado do poder pelos militares, ainda que estes neguem ter dado um golpe,[2] sendo também destituído do cargo de presidente do partido,[3] renunciando ao cargo mais tarde.[4]

Robert Mugabe
2.º Presidente do Zimbábue
Período 22 de dezembro de 1987
a 21 de novembro de 2017[1]
Antecessor(a) Canaan Banana
Sucessor(a) Emmerson Mnangagwa
Dados pessoais
Nascimento 21 de fevereiro de 1924 (93 anos)
Salisbúria, Rodésia do Sul
Primeira-dama Sally Hayfron (1962-1992)
Grace Marufu (1996-presente)
Partido ZANU-PF

BiografiaEditar

Mugabe pertencente à uma tribo denominada shona, filho de um fazendeiro local, foi educado numa escola de jesuítas. Foi professor primário na antiga Rodésia, Zâmbia e Gana entre os anos 1942-1949 e 1955-1960. Possui diplomas de inglês, História e Educação nas mais prestigiadas universidades africanas e obteve uma licenciatura em Economia na Universidade de Londres.

Participou no movimento de Joshua Nkomo, a União Popular Africana do Zimbábue (ZAPU), em 1960 e três anos mais tarde funda a União Nacional Africana do Zimbábue - Frente Patriótica (ZANU-PF).

Foi preso em 1964 devido às suas atividades políticas, sendo libertado em 1974, altura em que parte para Moçambique, onde lidera uma guerrilha que se opõe ao Governo de minoria branca de Ian Smith (na época, o Zimbábue vivia um regime segregacional racista, similar ao Apartheid). Com o acordo de paz de Lancaster House, assinado em Londres em 1979, após meses de negociações, Mugabe voltou para a ex-Rodésia e foi calorosamente recebido pela maioria negra. Apesar dos pedidos de Mugabe para reconciliação racial, seu governo foi acusado de racismo e suas políticas acabaram forçando a fuga de quase toda a população branca do país.

Tornou-se primeiro-ministro da ex-Rodésia (já depois do fim do governo liderado por Ian Smith) em 1980, ao vencer as primeiras eleições democráticas.[5] Em abril do mesmo ano, é declarada a independência do país que passou a ser designado por Zimbabwe ("Zimbábue" em português).

Em 1982 passa a liderar o país sozinho, rompendo a coligação de Unidade Nacional de dois anos com Joshua Nkomo e pondo termo a uma ligação que imperava, desde 1976, com a União Popular Africana do Zimbábue (ZAPU) de Joshua Nkomo, em que votava a maioria dos membros da etnia ndeble. Este processo de separação despoletou violentos confrontos entre as duas facções, originando uma onda de repressão contra os membros da ZAPU e os ndeble.

Passando a centralizar o poder e obtendo cada vez mais autoridade, termina com o sistema parlamentar, instaurando um sistema com um maior pendor presidencialista. É eleito Presidente em 1984, 1990, 1996 e 2002 em eleições consideradas, por muitos, ilegais e fora do controlo democrático, habitual de um estado de direito.

A derrota no referendo de 2000, que possibilitaria uma revisão constitucional , foi um dos únicos reveses do regime ditatorial de Robert Mugabe, contudo isso não impediu o seu governo de concretizar em pleno os seus objectivos de Reforma Agrária por ele preconizados, retirando terras a agricultores brancos e entregando-as a membros do seu partido. Com isto, a produção agrícola caiu para valores muito baixos e o país, antes exportador de produtos agrícolas, passou a importador, a haver fome nas cidades e a um clima de hiperinflação, que tornou a moeda local com valores ridiculamente elevados e ao seu posterior desaparecimento. Actualmente, estima-se que o Zimbabwe seja um dos países com maior número de pessoas a viverem abaixo do limiar de pobreza.

Nos anos dos seus mandato, Mugabe, sendo um marxista que se afastou completamente dos seus ideais com o fim da União Soviética, deu seguimento a um conjunto de políticas de carácter socializante, nacionalizando várias indústrias ao mesmo tempo que expropriava várias terras dos seus proprietários originais e seguia os seus planos de aumento de impostos e de controlo de preços, alastrando assim o controle do estado sobre os diversos setores da economia. Promoveu investimentos no setor educacional e elevou a qualidade de vida do Zimbábue a níveis anormais para países emergentes. Em 1991, promoveu um programa de austeridade visando absorver os profissionais graduados do sistema educacional, com o auxílio logístico e financeiro do FMI, o que resultou em uma queda brusca no estilo de vida da maioria pobre. Resultando em uma marginalização crescente da população, o programa foi cancelado pelo FMI.

 
Mugabe com o presidente russo Vladimir Putin, em 2015.

O progresso econômico e social do governo Mugabe que começou no final da década de 1980 e foi até meados dos anos 90 acabou desaparecendo no fim dessa mesma década. No começo dos anos 2000, a economia do Zimbábue começou a entrar em rápido declínio. Corrupção, má gestão e problemas no cenário macro-econômico mundial começaram a causar dificuldades para o país e puxaram a qualidade de vida do povo para baixo. Conforme a situação da nação piorava, o governo ia ficando cada vez mais centralizado e repressão a oposição aumentou, atraindo condenação de dentro e fora do país. A União Africana, os Estados Unidos e a União Europeia passaram a colocar o Zimbábue sob pesadas sanções econômicas, isolando a nação. Mugabe afirmou que essas ações externas contra ele eram uma forma de "neo-colonialismo" e culpou o Ocidente pelos problemas econômicos do país.[6][7][8][9]

Robert Mugabe venceu as eleições convocadas para o dia 28 de junho de 2008, sendo reconduzido mais uma vez ao poder, desta feita pela sexta vez consecutiva, por desistência de Morgan Tsvangirai, que tinha ganho a primeira volta, após vários dos seus apoiantes terem sido assassinados. Com o apoio internacional, houve uma partilha de poder que durou cerca de quatro anos, mas o Governo de Unidade Nacional revelou-se ineficaz para acabar com as fortes tensões e evitar confrontos sangrentos entre os apoiantes de Mugabe e Tsvangirai. Em 31 de junho de 2013 Robert Mugabe foi novamente reeleito, apesar da oposição e observadores considerarem fraudulenta a eleição.

Em 6 de novembro de 2017, Mugabe dispensou seu vice-presidente, Emmerson Mnangagwa. Isso gerou especulações de que ele pretendia nomear sua esposa, Grace, para o cargo, com o intuito de faze-la sua sucessora. Grace Mugabe era impopular dentro do partido e nos círculos políticos. Uma semana mais tarde, a 15 de novembro de 2017, o Exército Nacional do Zimbábue perpetrou um golpe de estado, ocupando prédios governamentais e colocando o presidente Mugabe sob prisão domiciliar. Oficiais das forças armadas afirmaram que estavam limpando os "criminosos" do círculo de Mugabe.[10][11][12]

Em 19 de novembro, Mugabe foi oficialmente dispensado da liderança do seu partido, o ZANU-PF, e Emmerson Mnangagwa foi apontado para ocupar seu lugar.[13] O partido também deu a Mugabe um ultimato para ele renunciar a presidência do país ou um processo de impeachment seria aberto contra ele. O presidente foi a público na televisão e afirmou que se recusava a renunciar.[14] No dia seguinte, seu partido anunciou que pediria formalmente seu impeachment na Assembléia.[15]

Em 21 de novembro de 2017, após muita pressão interna, foi confirmada a renuncia de Mugabe da presidência do Zimbábue.[16] Segundo acertado em negociação, os negócios da família de Mugabe permaneceriam intocados, com ele ganhando $10 milhões em troca e também foi declarado que sua imunidade processual permaneceria, acabando com a possibilidade dele ser julgado por crimes financeiros ou contra a humanidade cometidos durante os trinta anos do seu governo.[17]

Referências

  1. [1]
  2. «Militares do Zimbábue negam golpe mas anunciam operação contra assessores do presidente». Correio do Povo. 15 de novembro de 2017. Consultado em 15 de novembro de 2017 
  3. «Mugabe é destituído do cargo de presidente do partido». www.correiodopovo.com.br. Consultado em 19 de novembro de 2017 
  4. «Mugabe renuncia à presidência do Zimbábue, diz agência». G1. Consultado em 21 de novembro de 2017 
  5. Há 30 anos em ZH - Mugabe forma governo livre na Rodésia Zero Hora, acessado em 1º de abril de 2010
  6. Alao, Abiodun (2012). Mugabe and the Politics of Security in Zimbabwe. Montreal and Kingston: McGill-Queen's University Press. ISBN 978-0-7735-4044-6 
  7. Gallagher, Julia (2015). «The Battle for Zimbabwe in 2013: From Polarisation to Ambivalence». Journal of Modern African Studies. 53 (1). doi:10.1017/S0022278X14000640 
  8. Howard-Hassmann, Rhoda E. (2010). «Mugabe's Zimbabwe, 2000–2009: Massive Human Rights Violations and the Failure to Protect». Human Rights Quarterly. 32 (4) 
  9. Meredith, Martin (2002). Our Votes, Our Guns: Robert Mugabe and the Tragedy of Zimbabwe. New York: Public Affairs. ISBN 978-1-58648-186-5 
  10. CNN, David McKenzie, Brent Swails and Angela Dewan,. «Zimbabwe in turmoil after apparent coup». CNN. Consultado em 15 de novembro de 2017 
  11. «Zimbabwe's Robert Mugabe confined to home as army takes control». The Guardian. Consultado em 15 de novembro de 2017 
  12. «Stunned Zimbabweans face uncertain future without Mugabe». Consultado em 21 de novembro de 2017 
  13. «Ruling party sacks Mugabe as leader». BBC. Consultado em 19 de novembro de 2017 
  14. «Robert Mugabe, in Speech to Zimbabwe, Refuses to Say if He Will Resign». The New York Times. 19 de novembro de 2017. Consultado em 20 de novembro de 2017 
  15. Emma Graham-Harrison; Jason Burke (28 de novembro de 2017). «Impeachment proceedings against Mugabe begin in Zimbabwe». The Guardian 
  16. «Robert Mugabe renuncia à presidência do Zimbábue após 37 anos no poder». G1 
  17. Burke, Jason (26 de novembro de 2017). «Zimbabwe: Robert Mugabe to get $10m payoff and immunity for his family». The Observer (em inglês). ISSN 0029-7712. Consultado em 28 de novembro de 2017 

Ligações externasEditar