Sistema Difusora de Comunicação

empresa de mídia brasileira

O Sistema Difusora de Comunicação é um conglomerado de mídia brasileiro sediado em São Luís, Maranhão, que foi criado pelos irmãos Raimundo Bacelar e Magno Bacelar em 29 de outubro de 1955, com a fundação da Rádio Difusora. O grupo é a segunda maior empresa de comunicação do Maranhão, atrás apenas do Grupo Mirante, pertencente à família Sarney.

Sistema Difusora de Comunicação
Sede do grupo, em 2015
Razão social Difusora Comunicação S/A
Sociedade limitada privada
Atividade Mídia
Fundação 29 de outubro de 1955 (66 anos)
Fundador(es)
Sede São Luís, MA,  Brasil
Área(s) servida(s) Maranhão
Locais São Luís, Imperatriz, Caxias
Proprietário(s) Willer Tomaz de Souza
Pessoas-chave Willer Tomaz de Souza
Wrias Moura (presidente)
Glauber Rangel (gestor administrativo/financeiro)
Serviços
Subsidiárias
Website oficial difusoraon.com

HistóriaEditar

1955–1990Editar

O grupo teve seu marco inicial com a fundação da Rádio Difusora em 29 de outubro de 1955, pelos irmãos Raimundo Bacelar (fundador também da Rádio Clube de Teresina) e Magno Bacelar. A emissora foi a terceira a ser fundada em São Luís, onde já existiam a Rádio Timbira, pioneira do estado, e a Rádio Ribamar.

Nas décadas seguintes, o grupo seria pioneiro ao fundar a TV Difusora, primeira emissora de televisão do estado, em 9 de novembro de 1963, e a Difusora FM, em 22 de agosto de 1979. À época, o Sistema Difusora já era o maior grupo de comunicação do Maranhão, somando ao fato de sua consolidação ter como fatores principais a TV Difusora como afiliada à Rede Globo, logo, detendo boa parte do mercado publicitário, e a vida política de Magno Bacelar, que já havia sido deputado estadual e estava em seu segundo mandato como deputado federal.

Porém, devido a ascensão política de José Sarney como presidente de República, e a modelação do seu próprio grupo, o Sistema Mirante de Comunicação, o Sistema Difusora passou a sofrer com o enfraquecimento político de Magno Bacelar, outrora aliado de Sarney, cujo interesse principal era ter a sua futura emissora, a TV Mirante, como afiliada à Globo.[1] Devido a isso, Bacelar foi forçado a vender em 1985, 50% das ações do grupo para Francisco Coelho, na época secretário de Agricultura do governador Luís Rocha.[2]

Isolado politicamente e sem condições financeiras de manter o grupo, Magno Bacelar tenta salvar suas empresas candidatando-se ao Senado Federal em 1986. No entanto, ele acaba sendo derrotado por Alexandre Costa e Edison Lobão, candidatos ligados à Sarney,[nota 1] que orientou suas lideranças políticas no interior do Maranhão a incentivar voto em ambos para derrotar Bacelar.[2]

Endividado com os investimentos de campanha, que se somaram aos do Sistema Difusora de Comunicação, e agora sem mandato político, Magno Bacelar vende o grupo ao governador Epitácio Cafeteira, que por estar em mandato, era representado pelo empresário laranja William Nagem. Francisco Coelho, que havia comprado 50% do grupo em 1985, implantaria mais tarde no município de Balsas a TV Rio Balsas e a Rádio Rio Balsas, cujo capital derivou da venda de sua parte aos novos proprietários.[2]

Com o Sistema Difusora em mãos, Cafeteira pretendia utilizar as emissoras do grupo como meio de propaganda para a sua candidatura ao Senado Federal em 1990, entrando em choque com as pretensões de José Sarney, seu aliado político, que pretendia fazer o mesmo após deixar a presidência da república. Isso acabou também prejudicando, de certa forma, o Sistema Difusora de Comunicação, que estava a época sendo controlado por William Nagem, que representava Cafeteira, e por Fernando Sarney, que representava o seu pai, entrando ambos em conflito após o racha entre aqueles que agora eram adversários políticos.[2][3]

1990–2016Editar

Após lograr êxito em sua candidatura, e sem interesse em continuar controlando o Sistema Difusora de Comunicação, Epitácio Cafeteira vende o grupo para a família do governador eleito Edison Lobão no fim de 1990, tendo seu filho Edinho Lobão e os irmãos Márcio e Luciano como os novos sócios proprietários. Como já era esperado, justamente por ser aliado político de Sarney, Lobão não criou dificuldades à troca de afiliação da TV Difusora com a TV Mirante, e em 1º de fevereiro de 1991, as emissoras trocam de afiliação, com a TV Mirante tornando-se afiliada à Rede Globo e a TV Difusora afiliada ao SBT, como acontece até hoje.[2][3]

No entanto, a TV Difusora não foi a única a perder com esta troca. No decorrer da década, com a ascensão do Sistema Mirante de Comunicação e de todas as suas empresas, o grupo foi perdendo cada vez mais espaço na mídia maranhense. A Difusora FM, líder de audiência desde a sua fundação em 1979, começa a sentir a concorrência da Cidade FM, até que perde a liderança de audiência para a mesma em 1996. Já a Rádio Difusora, também líder de audiência e em perfeita condição financeira, simplesmente alugou em 1997 toda a sua grade de programação para a Igreja Universal do Reino de Deus. Severamente afetado, o grupo passou a condição de segunda maior empresa de comunicação do estado, panorama que se mantém até hoje, muito em parte devido à associação entre os grupos políticos que o controlam.

Em 2003, o grupo pôs no ar a TV Athenas, uma retransmissora da Rede Mulher, no qual havia planos para se fazer uma micro-geradora de TV em frequência UHF, que não saíram do papel. A emissora foi arrendada entre 2009 e 2014 para a Igreja Mundial do Poder de Deus, até que devido à atrasos no pagamento do arrendamento, retirou o seu sinal do ar. Em 2006, o grupo compra a antiga TV Difusora Imperatriz do político Ribamar Fiquene,[4] e posteriormente a emissora é arrendada ao empresário Ernani Ferraz, passando a se chamar TV Difusora Sul. Um ano após o arrendamento, o grupo retoma o controle da emissora.

2016–presenteEditar

Em 2016, após uma crise financeira no grupo, que culminou na demissão de mais de 200 funcionários, sendo a maioria deles na TV Difusora, saem notas na imprensa de que Edinho Lobão estaria vendendo a TV Difusora.[5][6] Lobão a princípio, negou a venda, porém em março daquele ano, a TV Difusora e a Difusora FM foram arrendados em São Luís e em Imperatriz, com opção de compra, pelo então deputado federal Weverton Rocha, representado pelo empresário e advogado Willer Tomaz de Souza.[7] A família Lobão então passou a controlar apenas a Rádio Difusora em São Luís e Barra do Corda, e a TV Athenas.

Em abril de 2018, Weverton Rocha comprou dos familiares do falecido deputado estadual Humberto Coutinho, o Sistema Sinal Verde de Comunicação, baseado em Caxias, agregando a TV Sinal Verde e a rádio Sinal Verde FM ao Sistema Difusora de Comunicação.[8] Em março de 2020, quatro anos depois de iniciado o arrendamento do grupo, Weverton Rocha e Willer Tomaz de Souza exerceram sua opção de compra e adquiriram definitivamente o Sistema Difusora de Comunicação, transferindo-o para uma nova razão social, Difusora Comunicação S/A.[9]

AtivosEditar

TelevisãoEditar

RádioEditar

InternetEditar

Antigos ativosEditar

ControvérsiasEditar

Em 11 de janeiro de 2008, o Ministério Público Federal do Maranhão, em conjunto com a Polícia Federal, investigou um possível arrendamento ilegal da TV Difusora Sul ao empresário Ernani Ferraz, proprietário do Instituto de Desenvolvimento Tecnológico (IDETEC), uma ONG sediada no Rio de Janeiro. O empresário negou que houvesse arrendamento, afirmando que a direção da emissora havia sido assumida por Ernani em um curto período em 2006, em uma experiência que não havia dado certo.[10][11]

O MPF também investigou um outro caso, onde o empresário era acusado de operar uma emissora de TV clandestina em São Mateus do Maranhão, a TV São Mateus, juntamente com o pecuarista Rivoredo Barbosa Wedy e a estudante Shelyda Coran Salomão Pessoa. O advogado de Edinho Lobão, Ruy Eduardo Villas Boas Santos, afirmou que não existiu conduta criminosa de seu cliente porque não houve efetivamente a retransmissão da programação da TV Difusora pela TV São Mateus, sendo o contrato firmado apenas para "reserva de mercado".[12]

Notas e referências

Notas

  1. Em 1986 a classe política maranhense aderiu, em peso, à Aliança Democrática, coligação que elegeu o governador Epitácio Cafeteira (PMDB) e nela o PFL lançou quatro candidatos a senador sendo que Alexandre Costa concorreu sozinho como "candidato nato" enquanto Edison Lobão, Magno Bacelar e Américo de Souza competiam entre si como candidatos em sublegenda, dos quais Lobão foi eleito e teve os demais como suplentes.

Referências

  1. Roberto Lopes (11 de maio de 1986). «Na Copa, Sarney inaugura sua emissora de TV. Política, Primeiro Caderno, p. 07». acervo.folha.com.br. Folha de S.Paulo. Consultado em 17 de junho de 2012 
  2. a b c d e Figueiredo, Marcos Arruda Valente de (2016). «TV DIFUSORA: a política na história da televisão no estado do Maranhão – 1962 a 1991». PUC-RS. Consultado em 7 de julho de 2021 
  3. a b Ferreira, Franklin Douglas (2011). «20 ANOS DA CAPTURA DA TV DIFUSORA POR SARNEY/LOBÃO: política, negócios e clientelismo eletrônico em torno da retransmissão da Rede Globo no Maranhão» (PDF). UFMA. Consultado em 17 de junho de 2015 
  4. Sousa, Luzia de (12 de junho de 2011). «Bandeira 2: Estudo de caso do jornalismo policial da TV Difusora de Imperatriz (MA)» (PDF). UFMA. Consultado em 2 de agosto de 2016. Arquivado do original (PDF) em 16 de fevereiro de 2015 
  5. Loyola, Leandro (12 de janeiro de 2016). «Família de Lobão procura comprador para retransmissora do SBT». Época. Consultado em 13 de janeiro de 2016 
  6. Emir, Diego (12 de janeiro de 2016). «TV Difusora pode ser vendida». Blog do Diego Emir. Consultado em 13 de janeiro de 2016 
  7. Corrêa, Clodoaldo (12 de março de 2016). «Zeca Pinheiro é o novo superintendente geral do Sistema Difusora». Blog do Clodoaldo Corrêa. Consultado em 19 de julho de 2016 
  8. Sabá, Cláudio (20 de abril de 2018). «EM FRANGALHOS - Família Coutinho vende TV Sinal Verde, funcionários são demitidos e ninguém sabe quem é o novo proprietário». Blog do Sabá. Consultado em 7 de julho de 2018 
  9. Léda, Gilberto (3 de julho de 2020). «Edinho Lobão prestes a concretizar venda da Difusora». Blog do Gilberto Léda. Consultado em 7 de julho de 2021 
  10. Sá, Décio (12 de agosto de 2007). «Edinho Lobão retoma controle da TV Difusora». Blog do Décio. Consultado em 17 de junho de 2015. Arquivado do original em 23 de junho de 2009 
  11. Freire, Sílvia (11 de janeiro de 2008). «MPF e PF investigam emissora de filho de Edison Lobão». Folha de S.Paulo. Consultado em 17 de junho de 2015 
  12. Freire, Sílvia (12 de janeiro de 2008). «Lobão Filho é réu em processo de TV pirata». Folha de S.Paulo. Consultado em 17 de junho de 2015 

Ligações externasEditar

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