Abrir menu principal
Under construction icon-yellow.svg
Este artigo carece de caixa informativa ou a usada não é a mais adequada. Foi sugerido que adicionasse esta.
Question book-4.svg
Esta página cita fontes confiáveis e independentes, mas que não cobrem todo o conteúdo (desde Agosto de 2011). Ajude a inserir referências. Conteúdo não verificável poderá ser removido.—Encontre fontes: Google (notícias, livros e acadêmico)



Tartesso
Τάρτησσος
Flag of Spain.svg
c. 1000 a.C. – c. 550 a.C. Flag of Portugal.svg
 
Flag of Spain.svg
Localização de TartessUs
Mapa da localização das cidades tartessas
Continente Europa
Região Península Ibérica
País Espanha
Capital Huelva
Cádiz
Sevilha
Língua oficial Língua tartessa
Outros idiomas Cónio
Religião Mitologia tartessa
Governo Monarquia
Rei
 • Reis mitológicos Gerião
Norax
Gorgoris
Abidis
 • Rei proto-histórico Argantonio
Período histórico Bronze final
 • c. 1000 a.C. Fundação
 • c. 550 a.C. Dissolução

Tartesso[1][2][3][4] (em grego: Τάρτησσος) era o nome pelo qual os gregos conheciam a primeira civilização ibérica.[5] Desenvolveu-se no final da Idade do Bronze, no triângulo formado pelas actuais cidades de Huelva, Sevilha e Cádis, pela costa sudoeste da Península Ibérica, teve por linha central o rio Guadalquivir (chamado Tartesso pelos gregos), sendo vizinha da região Cónia. Os tartessos poderão ter desenvolvido uma língua e escrita distinta da dos povos vizinhos, e tiveram influências culturais dos egípcios e fenícios.

A sua forma de governo era a monarquia, e possuíam leis escritas em tábuas de bronze. Heródoto fala de 6.000 anos.

Jarro de Valdegamas (M.A.N. Madrid).

No século VI a.C., Tartesso parece desaparecer abruptamente da História, talvez eliminada por Cartago que, depois da batalha de Alália, teria feito pagar a aliança com os gregos. Outros dizem que foi refundada, sob condições pouco claras, com o nome de Carpia. Os romanos chamaram à ampla Baia de Cádis Tartessius Sinus, mas o reino de Tartessos já não existia.[6]

TartessoEditar

Apesar de existirem numerosos restos arqueológicos no sul da Espanha, como o tesouro de Aliseda ou o tesouro do Carambolo, que se consideram pertencentes à cultura tartessa, a cidade de Tartesso ainda não foi encontrada. A sua possível localização foi objeto de estudo pelo arqueólogo e hispanista alemão Adolf Schulten (1870-1960), que morreu sem ver cumprido seu sonho de encontrar a cidade.

Não é certo que tenha existido uma cidade com este nome, dado que ainda não se encontrou sua localização, ainda que estejam perfeitamente documentados outros povoados ao longo do vale do Guadalquivir, território de expansão da civilização dos Tartessos.

Provavelmente, a cidade e a civilização já existiam antes de 1000 a.C., dedicadas ao comércio, à metalurgia e à pesca. A posterior chegada dos fenícios e seu estabelecimento em Gadir (actual Cádis), talvez tenha estimulado o seu imperialismo sobre as terras e cidades ao seu redor, a intensificação da exportação das minas de cobre e prata.

Os Tartessos converteram-se nos principais provedores de bronze e prata do Mediterrâneo, assim como faziam a navegação até às ilhas Cassitérides, de onde importaram o estanho necessário para a produção de bronze, ainda que também o obtivessem pela lavagem de areias do rio Tartesso, que continha estanho. [7]

Quando o viajante Pausânias visitou a Grécia no século II a.C. viu duas câmaras num santuário de Olímpia, que a gente de Elis afirmava realizadas com bronze tartesso. [8]

«Dizem que Tartesso é um rio na terra dos iberos, chegando ao mar por duas desembocaduras e que entre esses dois locais se encontra uma cidade desse mesmo nome. O rio, que é o mais longo da Ibéria, e tem marés, chamado em dias mais recentes Bétis, e há alguns que pensam que Tartesso foi o nome antigo de Carpia, uma cidade dos iberos»

O solar de Tartesso se perdeu e provavelmente está enterrado sob camadas de sal marinho que substituíram antigos estuários e dunas na moderna desembocadura única do Guadalquivir. Actualmente o delta fluvial foi bloqueado gradualmente por uma enorme faixa de areia que se estende desde o rio Tinto, próximo de Palos de la Frontera, até a ribeira oposta em Sanlúcar de Barrameda. A área está protegida actualmente sob o nome de Parque Nacional de Doñana.

O nome Carpia sobrevive ainda hoje, por exemplo na cidade andaluza El Carpio.

TarsisEditar

Na Bíblia aparecem referências a Tarsis ("Tarshish" ou Tarsisch)[9]

De facto, o Rei Salomão tinha naves de Tarsis no mar junto com as naves de Hirão. As naves de Tarsis vinham uma vez a cada três anos e traziam ouro, prata, marfim, bugios e pavões.

Tarsis tem sido identificada com Tartesso, ainda que não exista consenso sobre o assunto.[10]

Reis de TartessoEditar

Através de gerações nos chegaram documentos que falam dos lendários líderes de Tartesso.

  • Gerião - Primeiro rei mitológico de Tartesso. Segundo a lenda, era um gigante tricéfalo, que pastoreava suas ovelhas pelas proximidades do Guadalquivir.
  • Norax - Neto de Gerião, conquistou o sul da Sardenha, onde fundou a cidade de Nora.
  • Gorgoris - Primeiro rei da segunda dinastia mitológica tartessa. Inventou a apicultura.
  • Abidis - Neto do anterior na Monarquia Lusitana. Descobriu a agricultura, atando dois bois a um arado.
  • Argantonio - Primeiro rei do qual se tem referências históricas. Último rei de Tartesso. Viveu 110 anos, segundo Heródoto, ainda que alguns historiadores pensem que possam referir-se a vários reis conhecidos pelo mesmo nome. Propiciou o comércio com os gregos, que criaram várias colónias costeiras durante seu reinado.
Sobre estes monarcas, constantes da lendária Monarquia Lusitana, se escreveu recentemente a Tragicomédia de Gargoris e Habidis (1978), que menciona um sistema social baseado na exploração do homem pelo homem, nascido depois do descobrimento da agricultura.

Tratam-se de personagens mitológicos, cuja existência real é tão duvidosa como a de Hércules.

ReligiãoEditar

Há poucos dados mas presume-se que tal como os outros povos do mediterrâneo também tinham uma religião politeísta. Acredita-se que também poderiam adorar uma deusa produto da aculturação fenícia comparável a Astarte ou Potnia. Também pode ter havido uma divindade masculina, o deus Baal fenício ou Melkarth. Encontraram-se santuários de estilo fenício no sitio arqueológico de Castulo (Linares, Jaén). Foram descobertas várias oferendas votivas em diversos pontos da Andaluzia e noutras partes mais distantes, como Salamanca, de proveniência desconhecida. No aspeto religioso a aculturação fenícia apenas se verificou em alguns sítios[11].

Ver tambémEditar

Referências

  1. Archaeólogo português. Museu Ethnologico do Dr. Leite de Vasconcellos. Lisboa: Museu Nacional de Arqueologia e Etnologia. 2005 
  2. Boletim da Sociedade de Geografia de Lisboa. 82-83. [S.l.]: Sociedade de Geografia de Lisboa. 1964 
  3. Machado, José Pedro, Dicionário Onomástico Etimológico da Língua Portuguesa, verbete "Tartesso".
  4. Luís de Camões. Os Lusíadas 🔗. [S.l.: s.n.] p. XXIX 
  5. Herodotus, The History, i. 163 ; iv.152.
  6. Adolfo Schulten, Tartessos, Madrid, 1945.
  7. Avieno, Ora Maritima, 293-8
  8. Pausânias Descrição da Gréciaː 6. XIX.3.
  9. Antigo Testamento,Livro dos Reis I, 10-22.
  10. Martín Almagro et al.Protohistoria de la Península Ibérica. Ed. Ariel. Barcelona (2001)
  11. Alvar, Jaime (1989). «Tartessos-ciudad = Cádiz. Apuntes para una posible identlficación» (PDF). Gerión. Revista de Historia Antigua. 

BibliografiaEditar

  • (em castelhano) ABAD, L., Consideraciones en torno a Tartessos y los orígenes de la cultura ibérica, Archivo Español de Arqueología 52, 1979, págs. 175-193.
  • (em castelhano) ALMAGRO-GORBEA, M., 1996: Ideología y poder en Tartessos y el mundo ibérico, Madrid.
  • (em castelhano) AUBET, M. E., El impacto fenicio en Tartessos: las esferas de interacción, La cultura tartésica y [[Estremadura (Espanha), Mérida, 1990, págs. 29-44.
  • (em castelhano) AUBET, M. E., El impacto fenicio en Tartessos: las esferas de interacción, La cultura tartésica y Extremadura, Mérida, 1990, págs. 29-44.
  • (em castelhano) BLÁZQUEZ, J.M. Tartessos y los orígenes de la colonización fenicia en Occidente, Salamanca, 1975.
  • (em castelhano) CARUZ ARENAS, A. La localización de la ciudad de Tartessos Tartessos. V Simposium Internacional de Prehistoria Peninsular, Barcelona, 1969. pág. 347-368.
  • (em castelhano) CARRIAZO, J. DE MATA, 1973: Tartessos y El Carambolo, Madrid.
  • CORREA, J. A., Consideraciones sobre las inscripciones tartesias, Actas del III Coloquio sobre Lenguas y Culturas prerromanas de la Península Ibérica, Salamanca, 1985, págs. 377-395
  • (em castelhano) FERNÁNDEZ JURADO, J., 1988-89: Tartessos y Huelva, Huelva Arqueológica, X-XI, vol. 3, 101-121.
  • (em castelhano) MARTÍN DE LA CRUZ, J. C., Problemas en torno a la definición del Bronce Tardío en la Baja Andalucía, Cuadernos de Prehistoria de la U. A. de Madrid 11-12, 1984-1985, págs. 205-215
  • (em castelhano) OLMOS, R., 1986: Los griegos en Tartessos: replanteamiento arqueológico-histórico del problema, Homenaje a Luis Siret (Cuevas de Almanzora, 1984), 584-601.
  • (em castelhano) RUIZ MATA, D., 1994: Fenicios, tartesios y turdetanos, Huelva Arqueológica XIV, 325-367.
  • (em castelhano) SCHULTEN, A., Tartessos, Madrid, 1945.
  • (em castelhano) VIOLAT BORDONAU, F. Tartessos, Mastia y las rutas comerciales de la antigüedad, 2007.

Ligações externasEditar