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Ágio Augusto Moreira

Sacerdote católico do Ceará


Ágio Augusto Moreira
Monsenhor da Igreja Católica
Hierarquia
Papa Francisco
Arcebispo metropolita Dom José Antônio Aparecido Tosi Marques
Bispo Dom Gilberto Pastana de Oliveira
Atividade Eclesiástica
Diocese Diocese de Crato
Ordenação e nomeação
Ordenação presbiteral 18 de dezembro de 1943
Fortaleza
Dados pessoais
Nascimento Quixará atual Farias Brito, Ceará
05 de fevereiro de 1918 (101 anos)
Nacionalidade brasileiro
Funções exercidas Vigário de Quixará (1945-1948)
Categoria:Igreja Católica
Categoria:Hierarquia católica
Projeto Catolicismo

Ágio Augusto Moreira mais conhecido como Padre Ágio (Farias Brito, 05 de fevereiro de 1918) é um sacerdote católico brasileiro que tem o título de Monsenhor, com grande reconhecimento no Ceará em especial na região do Cariri em que criou a Solibel (Sociedade Lírica do Belmonte) localizada na cidade de Crato. A denominação honorífica de Monsenhor foi entregue pelo bispo emérito do Crato Dom Newton Holanda Gurgel, em solenidade realizada no auditório Cristina Prata da Solibel, com a presença de um grande número de pessoas [1]. O Padre Ágio Moreira comemorou o seu jubileu de Ouro Sacerdotal na Sé Catedral do Crato, no dia 18 de dezembro de 1993.[2]

Índice

HistóriaEditar

Monsenhor Ágio Augusto Moreira, filho de Augusto Moreira e Raimunda Moreira, natural da cidade de Quixará hoje Farias Brito, na época terras pertencentes a município de Assaré, Iniciou a formação religiosa, aos doze anos indo junto com seu irmão David Moreira e o seu pai Augusto Moreira à Campinas, mas para estudar no seminário. De lá, regressou ao Seminário da Prainha, em Fortaleza, onde aprimorou os estudos em música clássica e Canto Gregoriano e depois concluiu os estudos no Seminário São José, no Crato. Tornou-se vigário em diversas paróquias da Diocese de Crato[3], porém dizia que não gostava por causa do cavalo, pois levava diversas quedas do animal, sendo este um dos únicos meios de transporte da época que permitia percorrer quilômetros por capelas distantes.  

Foi por consentimento do bispo da época que desistiu da vida peregrina de vigário e foi estudar música, gosto que o permitiu a construir uma orquestra no seminário São José, bem como se tornou professor de música por muitos anos no Colégio Estadual Wilson Gonçalves, do qual também foi um dos fundadores, para uma turma de 90 alunos.

O gosto pela tranquilidade o fez adquirir uma casinha no sopé da Serra do Araripe, no sítio Belmonte. Mas não se deu por satisfeito até que construiu, com a ajuda de agricultores e trabalhadores dos engenhos da redondeza, a escolinha de música.[4]

SolibelEditar

O Padre Ágio trabalhou em várias cidades da região sempre sendo bem recebido pela população dos lugares por ande atuou. Trabalhando no distrito de Goianinha (hoje Jamacaru), em Missão Velha (CE), foi surpreendido por um grupo de trabalhadores rurais, entoando os chamados “Cânticos de Trabalho” enquanto colhiam arroz e café. O coro se dividia em voz masculina e feminina, dentro de uma harmonia e afinação quase perfeita, segundo o Padre Ágio. Ali surgiu a ideia de fundar uma escola de música para trabalhadores rurais. Certo de que a música poderia se transformar num instrumento de crescimento e despertar individual e coletivo para crescimento e o desenvolvimento humano. Padre Ágio levou os trabalhadores para cantar na igreja durante as missas. Iniciando uma triangulação divina entre música, religião e trabalho concretizou o seu projeto em Crato.

Começou no Lameiro (bairro do Crato), ensinando solfejo, canto gregoriano e o manuseio de instrumentos musicais (acordeão, violoncelo, piano e violão). Seus primeiros alunos foram, José Nilton Figueiredo, José Moreira e outros dois que atendiam pelos apelidos de Pituxa e Frajola.

Continuou o projeto no distrito de Belmonte por volta de 1965 com a Escola de Música Heitor Villa Lobos. Primeiro os cânticos na igreja, pois lá no Belmonte já não via mais os cânticos de colheita. A partir daí direcionava-os para as aulas teóricas de música. Como não podiam deixar o trabalho, os alunos manuseavam instrumentos de trabalho durante o dia (pás, enxadas, facões, arados, etc.), e à noite trocavam seus instrumentos de trabalho por instrumentos musicais e se embrenhavam em partituras, solfejos e cantos.

A música aos poucos foi se tornando parte das suas vidas. A comunidade aos poucos, foi agregando a escola às suas vidas, as crianças eram incentivadas pelos pais a irem estudar música, e o projeto tomou corpo. Começaram a se apresentar na cidade. Assim, vieram as doações de instrumentos, de dinheiro, pessoas da cidade ajudavam na administração da escola, o número de alunos cresceu e a comunidade agora era parte da escola assim como a escola era parte da vida da comunidade. 

A Escola transformou-se em Sociedade Lírica do Belmonte.[5] Possui hoje um auditório, escolinha de alfabetização para crianças, uma orquestra, coral (adulto e infantil,) palco, sala de ensaios, capela, banda de músicas, camerata, etc. Possui uma orquestra formada por 65 músicos distribuídos em instrumentos de corda (violões, violinos, violoncelos e baixos), instrumentos de sopro (de madeira e de metal), teclados, além de instrumentos de percussão. Muitos dos alunos, hoje são professores de música na escola. Outros se espalharam pelo Brasil abrilhantando orquestras sinfônicas com os seus talentos como por exemplo Salvador, João Pessoa, Maceió, Fortaleza, Rio de Janeiro e, sempre que podem, retornam ao distrito de Belmonte trazendo cursos intensivos aos alunos da Escola. Outros optaram por permanecer na escola, cativos que são do gosto pela música, exemplados que são pela grandeza, humildade e perseverança do Padre Ágio. Lá são dirigentes e professores. Muitos deles hoje com formação acadêmica, são doutores encaminhados pelo crescimento pessoal promovido pela música.[6]

Vila da MúsicaEditar

Inaugurada em 11 de março de 2017, a Vila da Música é o primeiro equipamento da Secretaria da Cultura do Estado do Ceará no Interior. É voltada para a formação, a partir da experiência realizada pela Sociedade Lírica de Belmonte (Solibel), fundada pelo Padre Ágio Augusto Moreira na década de 1970. A escola de música tem como temas centrais a socialização, a formação humana e o ensino musical, diretrizes incorporadas à Vila da Música, fomentando a cidadania através da educação musical e criando oportunidades para o desenvolvimento humano, econômico e territorial sustentável da região do Cariri.

O investimento do Governo do Estado na Vila da Música foi de R$ 3,1 milhão, para as obras e de R$ 447 mil para a aquisição de instrumentos musicais. O novo espaço cultural compreende uma área de 2.713,38m², em um terreno de 3.242,78m², e tem como premissa a criação de um espaço que também possa ser utilizado paralelamente para a realização de eventos externos. A Vila da Música conta com auditório, biblioteca, salas de aula de grupo e individuais, estúdio, setor administrativo, refeitório, cozinha, despensa, vestiários, banheiros, laboratório de informática, oficina de instrumentos, quadra poliesportiva e estacionamento.[7]

ReferênciasEditar

  1. «Homenagem a padre Ágio - Regional - Diário do Nordeste». Diário do Nordeste. Consultado em 10 de janeiro de 2018 
  2. Menezes, Cícero. «Memórias do Quixará». Blog de Farias Brito. Consultado em 18 de janeiro de 2018 
  3. «Seminário Diocesano São José – Diocese de Crato». diocesedecrato.org. Consultado em 11 de janeiro de 2018 
  4. «Padre Ágio | Cratenses que você deveria conhecer #2». www.cratoemfoco.com. Consultado em 10 de janeiro de 2018 
  5. Nosso Ceará mostra a história da Sociedade Lírica do Belmonte - G1 Ceará - CETV 1ª Edição - Catálogo de Vídeos, consultado em 11 de janeiro de 2018 
  6. «Sociedade Lírica do Belmonte - 50 ANOS». YouTube 
  7. «Vila da Música». www.secult.ce.gov.br. Consultado em 18 de janeiro de 2018