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Biguaçu

município brasileiro do estado de Santa Catarina
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Biguaçu é um município brasileiro do estado de Santa Catarina. Faz divisa, a oeste com o município de Antônio Carlos, a leste com o oceano Atlântico (Baía Norte da Ilha de Santa Catarina, onde se localiza a capital do estado, Florianópolis) e também com o município de Governador Celso Ramos. Ao norte, faz divisas com os municípios de Tijucas, Canelinha e São João Batista. Ao sul, com o município de São José.

Município de Biguaçu
Biguaçu.jpg

Bandeira de Biguaçu
Brasão de Biguaçu
Bandeira Brasão
Hino
Aniversário 17 de maio
Fundação 17 de maio de 1833 (186 anos)
Gentílico biguaçuense
Prefeito(a) Ramon Wollinger (Partido Social Democrático - PSD)
(2017 – 2020)
Localização
Localização de Biguaçu
Localização de Biguaçu em Santa Catarina
Biguaçu está localizado em: Brasil
Biguaçu
Localização de Biguaçu no Brasil
27° 29' 38" S 48° 39' 21" O27° 29' 38" S 48° 39' 21" O
Unidade federativa Santa Catarina
Mesorregião Grande Florianópolis IBGE/2008 [1]
Microrregião Florianópolis IBGE/2008 [1]
Região metropolitana Florianópolis
Municípios limítrofes Antônio Carlos, Governador Celso Ramos, Tijucas, São João Batista, Canelinha e São José
Distância até a capital Entre as sedes: 17 km Entre fronteiras municipais: 11 km
Características geográficas
Área 367,891 km² [2]
População 68 481 hab. Estimativa IBGE/2019[3]
Densidade 186,14 hab./km²
Altitude 2 m
Clima mesotérmico úmido (subtropical úmido)
Fuso horário UTC−3
Indicadores
IDH-M 0,739 alto PNUD/2010 [4]
PIB R$ 1.453.063,35 mil IBGE/2015[5]
PIB per capita R$ 22 532,31 IBGE/2015[5]
Página oficial
Prefeitura www.bigua.sc.gov.br

Situado entre os dois maiores portos catarinenses, Itajaí e Imbituba, e próximo da capital Florianópolis, Biguaçu tem saída para o mar, sem contar na facilidade de acesso, já que a BR-101 duplicada corta o município, e a BR-282, que liga a capital catarinense ao interior do estado, fica a apenas 12 km de distância, por via duplicada e de fácil acesso.

Possui uma área de 367,891 km².

HistóriaEditar

Biguaçu é um dos municípios mais antigos de Santa Catarina, sendo sua origem a vila de São Miguel da Terra Firme, criada como Póvoa de São Miguel, nos termos da provisão de 9 de agosto de 1747, com a chegada dos primeiros açorianos. Iniciaram-se logo os trabalhos de construção da igreja matriz, feita de pau-a-pique e coberta de telhas, que foi dedicada a São Miguel Arcanjo. Achava-se edificada no mesmo lugar onde atualmente ainda se encontra a centenária igreja.

Por ato do Conselho Administrativo da Província em 1 de março de 1833 a freguesia de São Miguel foi elevada a vila. Em 17 de maio de 1833 tornou-se município, desmembrando-se da capital da então Província de Santa Catarina, Desterro. Em 1886 a sede do município sai da vila de São Miguel e vai para a sede atual, às margens do Rio Biguaçu. Em 1910 o nome do município é mudado para Biguaçu.

Quando da sua fundação em 1833 o território compreendia do atual rio Carolina (divisa com São José) ao rio Camboriú (atual município de Balneário Camboriú), chegando aos limites da Serra Geral. A onda de desmembramentos para a fundação de novos municípios terminou somente na década de 1960, com o desmembramento da região do Alto Biguaçu, atual município de Antônio Carlos e as antigas freguesias de Ganchos e Armação da Piedade, unidas no município de Governador Celso Ramos.

Capital da provínciaEditar

Durante alguns meses no final do século XVIII, em 31 de maio de 1778, foi capital da província de Santa Catarina, quando da invasão espanhola da Ilha de Santa Catarina e sua capital, Desterro (atual Florianópolis).

SesmariasEditar

A ocupação inicial do vasto Biguaçu ocorreu de forma progressiva a partir da concessão de sesmarias.[6] As principais sesmarias foram:

Proprietário Data Lote
(braças de frente)
Local
João Bernardo Galvão 18 de setembro de 1753 1500 (2400 m) Biguaçu
João Pereira Alle 2 de julho de 1774 200 (320 m) São Miguel
Agostinho Fernandes de Carvalho 2 de julho de 1774 200 (320 m) São Miguel
Antônio José Dias 23 de novembro de 1787 275 (440 m) Inferninho
Antônio Silveira Duarte 7 de fevereiro de 1791 1500 (2400 m) Rio Biguaçu
Anna Zazarte Ozoria de Freitas 5 de junho de 1791 3000 (4800 m) Rio Biguaçu
Manuel Antônio Mancebo 17 de janeiro de 1792 1500 (2400 m) Rio Inferninho
Trajano José Lisboa 17 de janeiro de 1792 750 (1100 m) Rio Biguaçu
João Zuzarte Pinto 5 de junho de 1792 1500 (2400 m) Rio Biguaçu
Vicente Pinto 28 de outubro de 1792 2000 (3200 m) Rio Biguaçu
Padre Antônio José Martins 15 de abril de 1791 3000 (4800 m) Rio Inferninho
José Coelho Machado 1 de julho de 1794 1500 (2400 m) Tijucas Pequena
Francisco da Silva Mafra 6 de maio de 1799 1500 (2400 m) Rio Inferninho
José Luis do Livramento 12 de novembro de 1800 750 (1100 m) Rio Biguaçu
Miguel Francisco Silva 21 de julho de 1808 3000 (4800 m) São Miguel
José Manuel da Cunha 31 de janeiro de 1811 7500 (11100 m) Rio Biguaçu
José Antunes da Cunha 31 de janeiro de 1811 3000 (4800 m) Rio Biguaçu

Desta tabela é visto que 36 km de terras ao longo do Rio Biguaçu foram concedidas a 9 proprietários, com destaque para José Manuel da Cunha, com uma sesmaria de 11,1 km, aproximadamente um terço das sesmarias ao longo do Rio Biguaçu.[7]

DemografiaEditar

Composição populacionalEditar

Pelo censo populacional de 2010 dos 58.206 habitantes em torno de 84% da população se declarou de cor branca, 11% de pardos (principalmente caboclos, mestiços entre brancos e índios) e 5% negra. As etnias que fizeram o município são de origem basicamente luso açoriana (presentes principalmente na sede do município e bairros entorno, além de Três Riachos e São Miguel), com expressivas minorias negra (Bairro Prado, Saudades e próximo a divisa com São José), e alemã (região do Alto Biguaçu). Com as migrações causadas com o fenômeno do êxodo rural, forte a partir de meados da década de 1980 no estado catarinense, o elemento caboclo, vindo do planalto serrano do sul brasileiro, junto com descendentes de alemães e italianos vindos do oeste catarinense e interior do Rio Grande do Sul acabaram por tornar-se numericamente importantes, tornando ainda mais vultosa a diversidade étnico cultural no município. Há, ainda, no município uma pequena comunidade indígena de base guarani, que chegou de migrações ao longo do sul do país, por volta de fins da década de 1970.

Desenvolvimento populacionalEditar

Sua população em 2010 era de 58.206 habitantes, com estimativa para 2019 de 68.481, onde mais de 90% reside em área urbana, apresentando um forte crescimento populacional desde meados da década de 1980, o que levou a dobrar de população no espaço de duas décadas. O motor de atração populacional é a proximidade com a capital do Estado, atraindo pessoas de baixo poder aquisitivo que ocuparam bairros e loteamentos com pouca infraestrutura física. Desde a década de 1980, cresce por volta dos 4% anualmente. A despeito do tamanho da população, o município apresenta ainda pouca característica de concentração urbana, já que os bairros se articularam em torno da rodovia BR 101, com pouca ou nenhuma ligação entre estes, com suas ruas voltadas ao fácil escoamento em direção a esta rodovia, testemunhando a forma de ocupação periférica e sem planejamento do município. Entretanto, as ultimas administrações públicas vem buscando aumentar a ligação rodoviária entre os bairros, de modo a potencializar no comércio e a valorização urbana municipal.

 
O aqueduto, cartão-postal da cidade, é parte do Conjunto Luso-Açoriano de São Miguel que integra o Museu Etnográfico Casa dos Açores.

PolíticaEditar

Em 10 de dezembro de 2014, o então prefeito José Castelo Deschamps (PP), encaminha carta à Câmara Municipal de Vereadores renunciando[8] ao cargo de Prefeito Municipal, com isso, o seu vice Ramon Wollinger (PSD) assume a prefeitura municipal de Biguaçu.

EconomiaEditar

A economia do município até a década de 1970, dependia principalmente da agricultura, pecuária e pesca. Atualmente, a indústria responde pela maior parte dos empregos gerados no município, junto com um comércio em expansão.

O município dispõe de boas áreas para instalação de plantas industriais e conta com acesso ao gás natural, pois possui uma distribuidora da Petrobras. A agricultura também ainda é representativa. A pesca atualmente é insignificante, ainda praticada a nível apenas artesanal, embora o município tenha um potencial hídrico considerável. Os principais produtos industriais do município derivam da indústria de plástico e alimentícia. A agricultura produz principalmente plantas para jardinagem, com destaque para a produção de gramas e palmeiras, além da produção de verduras para o comércio regional. Também parte considerável da renda dos trabalhadores é auferida na capital catarinense, o que caracteriza a cidade como dormitório.

EducaçãoEditar

O município nos últimos anos teve uma boa expansão da oferta de cursos profissionalizantes destinado ao mercado de trabalho regional. Possui ainda um campus universitário, com mais de uma dezena de cursos tradicionais, mantido pela UNIVALI, particular. Na linha das universidades particulares, estão instaladas também no município, a UNIASSELVI e a UNICESUMAR. Conta também, nas proximidades, com as universidades públicas na capital Florianópolis, como a UDESC (estadual) e UFSC (federal), esta última entre as 5 maiores do país.

Meio ambienteEditar

A vegetação dominante é a Mata Atlântica, hoje bastante devastada. Conta com mais de 12 quilômetros de litoral marítimo, sendo banhado pela Baia Norte, braço aquático do oceano Atlântico que separa este município da ilha de Santa Catarina, onde se encontra a maior parte de Florianópolis. O maior rio do município também recebe o nome da cidade, rio Biguaçu, com 37 km de extensão[9].

O rio Inferninho o segundo maior tem 34 quilômetros de extensão. O município ainda não possui rede de tratamento de esgotos, que faz com que praticamente todos os rios e o litoral marítimo estejam altamente poluídos. Não há reservas ambientais ou plano de prevenção à ocupação do solo, e nas décadas de 1980 e 90 houve forte ocupação desordenada de encostas próximo a sede municipal, especialmente nos bairros Prado, Saudade, Bom Viver e Jardim Janaína. Devido a forte especulação imobiliária, espaços verdes diminuem rapidamente. O município também deve encontrar dificuldades no abastecimento de água potável no futuro próximo, já que praticamente toda água consumida no município vem de outras cidades, aliando-se ao alto crescimento populacional da região, embora o potencial hídrico seja considerável, faltando apenas sua proteção e uso racional. As praias do município sofrem com o derrame de esgotos, prejudicando a balneabilidade.

Em 2017, foi criado o "Parque Natural Municipal da Serra de São Miguel", é o primeiro parque municipal de Biguaçu, o parque, localiza-se em área rural, entre os bairros da Saudade, Prado, São Miguel e Tijuquinhas, tem uma área total de 1.226,31904 hectares e perímetro de 24.624,53 metros.

CulturaEditar

Biguaçu encontra-se muito ligada culturalmente à capital Florianópolis, desde sua colonização no século XVIII por açorianos. Também há a questão da oferta de empregos e educação, onde muitos moradores trabalham e estudam na capital, tornando o município característico de cidade-dormitório.

Em 1996, foi fundada a Academia de Letras de Biguaçu, para unir poetas, escritores, historiadores e outros intelectuais da respectiva cidade e das imediações.[10]

 
A Igreja de São Miguel Arcanjo, patrimônio histórico nacional e parte do Museu Etnográfico Casa dos Açores.

ReligiãoEditar

No censo de 2010, cerca de 91% da população se declarou cristã (72% católica romana, 17% protestantes evangélicas, cerca de 1,5% de cristãos restauracionistas Testemunhas de Jeová e Mormóns); 5% sem religião, 2% espíritas Kardecistas, 1% animistas (principalmente candomblecistas) e 1% ateus.

Atrações turísticasEditar

Destacam-se a gastronomia, principalmente os restaurantes de frutos do mar, localizados no Balneário São Miguel, que é um ponto muito visitado do município, com sua água morna e mansa, além de contar com o Museu Etnográfico Casa dos Açores.

Há, próximo a sede, a vista impressionante da Serra da Boa Vista, com seu acesso praticamente todo pavimentado, onde no ponto mais alto ainda há uma bela gruta católica, em meio a muito verde.

Em direção a Antônio Carlos, a beleza das plantações de grama comercial. Em Três Riachos há várias alternativas de lazer pelo turismo rural.

SubdivisõesEditar

Atualmente o Município de Biguaçu está subdividido 3 distritos (Sede, Guaporanga e Sorocaba do Sul), bem como em 22 bairros urbanos (oficializados em 2011):

Bairros urbanosEditar

  1. Centro;
  2. Praia João Rosa;
  3. Saveiro;
  4. Morro da Bina;
  5. Mar das Pedras;
  6. Bom Viver;
  7. Universitário;
  8. Jardim Janaína;
  9. Fundos;
  10. Rio Caveiras;
  11. Boa Vista;
  12. Vendaval;
  13. Beira Rio;
  14. Encruzilhada;
  15. Saudade;
  16. Prado;
  17. Prado de Baixo;
  18. São Miguel;
  19. Tijuquinhas;
  20. Cachoeiras;
  21. Areias de Cima; e,
  22. Estiva.

Ainda já instalados e amplamente conhecidos, embora sem reconhecimento oficial, há os bairros da região do Alto Biguaçu (entre o bairro Vendaval e a divisa com o município de Antônio Carlos): Rússia, Santa Catarina, Santa Cruz e Alto Biguaçu. Bem como, as localidades de Três Riachos e Sorocaba.

DistritosEditar

1. SedeEditar

Localizado no centro do município, encobre o perímetro urbano central, tendo por volta de 50 mil habitantes. Principais localidades: Centro, Praia João Rosa, Rio Caveiras, Fundos, Bom Viver, Jardim Janaína, Prado, Saudade, Vendaval, Universitário, Morro da Bina, Mar das Pedras.

2. GuaporangaEditar

Localizado as margens da Baia Norte em direção a Tijucas. Tem por volta de 5 mil habitantes. Principais localidades: São Miguel, Praia de baixo, Pitangueiras, Cachoeiras, Areias de Cima, Tijuquinhas, Estiva do Inferninho.

3. Sorocaba do SulEditar

Localizado no centro-norte do município. Há cerca de três mil habitantes, principalmente localizados no vale de Três Riachos. Principais Localidades: Sorocaba de Dentro, Sorocaba de Fora, Três Riachos, Limeira, São Marcos, Fazenda.

Ver tambémEditar

Referências

  1. a b «Divisão Territorial do Brasil». Divisão Territorial do Brasil e Limites Territoriais. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 1 de julho de 2008. Consultado em 11 de outubro de 2008 
  2. IBGE (2017). «Território e Ambiente». IBGE Cidades. Consultado em 14 de novembro de 2018 
  3. «Contagem da população 2019». Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Consultado em 11 de setembro de 2019 
  4. «Ranking decrescente do IDH-M dos municípios do Brasil». Atlas do Desenvolvimento Humano. Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). 2013. Consultado em 4 de setembro de 2013 
  5. a b «Produto Interno Bruto dos Municípios 2015». Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Consultado em 14 de novembro de 2018 
  6. Vilson Francisco de Farias. De Portugal ao Sul do Brasil: 500 anos. Página 477.
  7. Vilson Francisco de Farias. De Portugal ao Sul do Brasil: 500 anos. Página 477.
  8. G1 SC (10 de dezembro de 2014). «Prefeito de Biguaçu pede renúncia do cargo por problemas de saúde». G1 SC. Consultado em 12 de dezembro de 2014 
  9. «Estudantes fazem limpeza do Rio Biguaçu» 
  10. «Academia de Letras de Biguaçu - Santa Catarina - Brasil». www.academiadeletrasdebiguacu.com.br. Consultado em 20 de março de 2018 

Ligações externasEditar