Copa Mercosul

antiga edição da Copa Sul-Americana

A Copa Mercosul (espanhol: Copa Mercosur) foi uma competição oficial organizada pela Conmebol de 1998 a 2001, sendo disputada apenas por clubes dos países-membros plenos do Mercado Comum do Sul (Mercosul), que eram Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai, além do associado Chile. Os clubes dos outros países da Conmebol participavam da também extinta Copa Merconorte.

Copa Mercosul
Copa Mercosur
Dados gerais
Organização CONMEBOL
Edições 4
Local de disputa América do Sul
Sistema Grupos e Eliminatórias
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Em 2002, deixou de ser jogada, quando a Copa Sul-Americana ocupou o posto de torneio secundário da Conmebol.[1][2][3]

HistóricoEditar

BastidoresEditar

A Traffic, empresa especializada em marketing esportivo, era a patrocinadora da competição.[4][5][6] Visando qualidade e público, foram convidados clubes tradicionais de grandes torcidas do Brasil, da Argentina, do Chile, do Paraguai e do Uruguai (com forte histórico de glórias ao menos em nível nacional), convocados sem obedecer critérios técnicos ou classificatórios.[7] Para atrair os clubes a participar, foram oferecidos ótimos prêmios aos melhores lugares. Correspondendo a expectativa, o torneio demonstrou-se um êxito.[8][7] O SBT transmitiu o primeiro ano e a Bandeirantes os demais, além da TV Globo, que mostrou as duas últimas edições. O certame ofuscou as edições de 1998 e 1999 da Copa CONMEBOL, em especial na edição de 1999, que teve times de menor expressão em nível nacional em razão da escolha dos grandes times pela Mercosul e Merconorte.[4]

Segundo o Jornal do Brasil de 21 de novembro de 1996, a competição teria 5 participantes brasileiros: Corinthians, Flamengo, Palmeiras, São Paulo e Vasco da Gama. A matéria do jornal não cita a dimensão das torcidas, mas (por coincidência ou não) estes são os 5 clubes que frequentemente aparecem como os de maior torcida do Brasil, na maioria das pesquisas já realizadas sobre o assunto. O mesmo jornal, em 10 de fevereiro de 1998, afirma que os participantes brasileiros seriam os 5 citados, mais Cruzeiro e Grêmio, e informa que o prêmio para o campeão seria US$ 4,6 milhões, e para o vice, US$ 3,1 milhões. A matéria do jornal não cita, mas naquele momento, Cruzeiro e Grêmio e Santos eram os 3 clubes brasileiros fora das do clubes mais populares, que já haviam vencido a Copa Libertadores e não tendo o Santos incluído no grupo de participantes. O Jornal do Brasil de 10 de maio de 1998 traz declarações de Kléber Leite, então presidente do Flamengo, de que o campeão brasileiro de 1998 teria vaga na Copa Mercosul de 1999, e que, segundo ele: "O campeão entra na vaga de Grêmio ou Cruzeiro, depende de qual for a pior performance. Os outros cinco não podem ser rebaixados".[9]

Considerada uma competição importante, entre o final dos anos 90 e início dos 2000, a Copa Mercosul sofreu algumas críticas, por selecionar apenas os clubes de maiores torcidas de cada país, excluindo a possibilidade de equipes com melhores resultados de participarem de alguma edição, por não terem muitos pontos em pesquisa de torcida, como o São Caetano, sensação do início dos anos 2000.[carece de fontes?]

A Conmebol deu fim a Copa Mercosul junto com a Copa Merconorte, substituídas pela Copa Sul-Americana.

Era considera de melhor nível técnico que a Copa CONMEBOL e superior financeiramente a Supercopa Libertadores.[4]

Dentro de campoEditar

O Palmeiras foi o time com mais finais (3), não disputando apenas a última, tendo enfrentado 3 equipes compatriotas diferentes; logo depois, o Flamengo (2 finais). O argentino San Lorenzo foi o único finalista e campeão não brasileiro, na competição que teve 4 vencedores diferentes.

O lateral-direito Arce, do Palmeiras, marcou gols em todas as finalíssimas disputadas pela equipe brasileira, tendo feito o gol do título em 1998. O tento consagrador do ano seguinte foi feito pelo flamenguista Leandro Coelho Cardoso, o . Destaque também para Romário, campeão e artilheiro na mesma edição duas vezes seguidas e por times diferentes, os rivais Flamengo e Vasco, tendo feito 3 gols (1º, 2º e 4º) na histórica virada de 2000: o time cruzmaltino, fora de casa, perdia por 3 a 0 até os 14 minutos do segundo tempo, mas acabou ganhando por 4 a 3, e com um jogador a menos.[10][11]

A maior goleada foi Palmeiras 7 x 0 Racing (1999).

FormatoEditar

Vinte times jogavam no torneio. Os times eram divididos em cinco grupos de quatro times cada. As partidas eram realizadas em turno e returno. Os vencedores de grupo e os melhores três segundos colocados classificavam-se. As quartas-de-final e as semifinais eram jogadas em ida-e-volta e quem somasse mais gols passava; o critério do gol fora de casa era usado apenas se não houvesse duplo empate. Na final, caso cada finalista vencesse um jogo, independentemente do somatório, seria realizada uma partida desempate, fora o caso de duplo empate, quando haveria cobrança de pênaltis.

A terceira partida decisiva ocorreu em 1998 e 2000, sendo que, ambas vezes, o time com maior agregado nas duas primeiras, curiosamente, se saiu campeão. Em 1999 e 2001, a final foi disputada em apenas duas partidas, sendo que na última ocorreram as penalidades após os dois jogos terminarem em empate.

CampeõesEditar

Ano Final Semifinalistas
Campeão Placar Vice
1998
Detalhes
 
Palmeiras
1 – 2
3 – 1
1 – 0
 
Cruzeiro
 
Olimpia
 
San Lorenzo
1999
Detalhes
 
Flamengo
4 – 3
3 – 3
 
Palmeiras
 
Peñarol
 
San Lorenzo
2000
Detalhes
 
Vasco da Gama
2 – 0
0 – 1
4 – 3
 
Palmeiras
 
River Plate
 
Atlético Mineiro
2001
Detalhes
 
San Lorenzo
0 – 0
1 – 1
(4 – 3 pên.)
 
Flamengo
 
Corinthians
 
Grêmio

TítulosEditar

Por clubeEditar

Clube Títulos Vice-campeonatos Semifinais
  Palmeiras 1 (1998) 2 (1999 e 2000) -
  Flamengo 1 (1999) 1 (2001) -
  San Lorenzo 1 (2001) - 2 (1998 e 1999)
  Vasco da Gama 1 (2000) - -
  Cruzeiro - 1 (1998) -
  Atlético Mineiro - - 1 (2000)
  Corinthians - - 1 (2001)
  Grêmio - - 1 (2001)
  Olimpia - - 1 (1998)
  Peñarol - - 1 (1999)
  River Plate - - 1 (2000)

ArtilhariaEditar

1998: 06 gols - Alex (Palmeiras) e Fabio Júnior (Cruzeiro)

1999: 08 gols - Romário (Flamengo)

2000: 11 gols - Romário (Vasco da Gama)

2001: 10 gols - Bernardo Romeo (San Lorenzo)

Ver tambémEditar

Referências

  1. Stein, Leandro (19 de novembro de 2021). «Um mapa com todos os finalistas da Copa Sul-Americana e dos outros antigos torneios secundários da Conmebol». Trivela. Consultado em 13 de agosto de 2022 
  2. «Flamengo não conquista um título internacional desde 1999». GZH. 10 de agosto de 2011. Consultado em 13 de agosto de 2022. No dia 20 de dezembro deste ano [2011], o Flamengo completará 12 anos da conquista da Copa Mercosul, antecessora da Sul-Americana, diante do Palmeiras 
  3. Stein, Leandro (19 de novembro de 2021). «Um mapa com todos os finalistas da Copa Sul-Americana e dos outros antigos torneios secundários da Conmebol». Trivela. Consultado em 13 de agosto de 2022 
  4. a b c Bueno, Rodrigo. «Conmebol e cartolas opositores colocam suas Superligas na gaveta | Blogs». ESPN. Consultado em 18 de fevereiro de 2022 
  5. «Folha de S.Paulo - Copa Mercosul faz opção pelo lucro - 29/07/98». www1.folha.uol.com.br. Consultado em 18 de fevereiro de 2022 
  6. Castro, Luiz Felipe. «1ª final entre Flamengo e Palmeiras teve brilho de Caio e boicote da Globo | #TBT Placar». Placar. Consultado em 18 de fevereiro de 2022 
  7. a b trivela.com. «Os torneios 'defuntos' da Conmebol». Trivela. Consultado em 16 de junho de 2018. A idéia era simples: para se ter um mínimo de qualidade e atrair a torcida aos estádios, era necessário contar com os principais times sul-americanos, convidados sem obedecer a grandes critérios técnicos. 
  8. Copa Mercosul, no site da Conmebol.
  9. Acervo on-line do Jornal do Brasil, no site Memoria BN da Biblioteca Nacional. Busca pelo termo "Copa Mercosul".
  10. «Romário celebra 20 anos de virada histórica do Vasco: 'Esse dia foi f...'». www.uol.com.br. Consultado em 19 de fevereiro de 2022 
  11. «Palmeiras x Vasco Mercosul 2000: Veja como assistir, horário e escalações». www.uol.com.br. Consultado em 19 de fevereiro de 2022