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Demétrio de Faleros

(Redirecionado de Demétrio de Falero)
Demétrio de Faleros
Nascimento 350 a.C.
Falero, Atenas
Morte 282 a.C. (68 anos)
Egito
Cidadania Atenas
Ocupação político, filósofo, bibliotecário

Demétrio de Faleros[1] ou Faleron[2][3] (em grego: Δημήτριος Φαληρεύς, transl. Dēmétrios Phalēreus; ca. 350 a.C.280 a.C.[4][5]) foi um orador da Grécia Antiga, discípulo de Teofrasto, responsável por organizar a primeira coleção de fábulas mencionada pelos antigos, chamada de "Coletânea de Discursos Esópicos".

VidaEditar

Segundo Diógenes Laércio, Demétrio foi filho de Fanôstratos e discípulo de Teofrasto[6]. Entre 317 e 307 a.C. governou Atenas e, após uma reviravolta política, entre 298 e 296 a.C. foge para Tebas e, finalmente, imigra para Alexandria[7]. Demétrio não era nobre de nascimento e foi um dos serviçais da casa de Cônon, todavia conviveu com uma cidadã de família nobre chamada Lamia[8].

Em um documento judaico chamado "carta de Arísteas" (passagem nr. 9)[9], escrito entre 180 e 145 a.C.[10], é atribuido a Demétrio a fundação da Biblioteca de Alexandria sob Ptolomeu I Sóter [11]. Na corte de Ptolomeu I Sóter permaneceu durante um longo período, e entre outras coisas aconselhou Ptolomeu a conferir o poder real aos filhos tidos de Euridice. Todavia, Ptolomeu não aceitou a sugestão e transmitiu o diadema ao filho tido de Berenice, que, após a morte de Ptolomeu, achou conveniente reter Demétrio como prisioneiro[8]. Lá permaneceu Demétrio e, segundo nos informa Diógenes Laércio, viveu dominado por um profundo desalento e não se sabe como recebeu a picada de uma serpente na mão enquanto dormia e perdeu a vida[8].

Entre as frases atribuídas a Demétrio, uma afirma que "os jovens deviam respeitar em casa os pais, na rua todos que encontrassem, e quando sós deveriam respeitar-se a si mesmos" e outra "na prosperidade os amigos aparecem somente quando chamados, mas na adversidade acorrem espontaneamente"[12].

ObrasEditar

Segundo Diógenes Laércio algumas de suas obras foram[12]:

  • Da Legislação Ateniense, em cinco livros
  • Da Constituição dos Atenienses, em dois livros
  • Da Demagogia, em dois livros
  • Da Política, em dois livros
  • Das Leis, em um livro
  • Da Retórica, em dois livros
  • Da Estratégia, em dois livros
  • Sobre a Ilíada, em dois livros
  • Sobre a Odisséia, em quatro livros
  • Ptolomaios, em um livro
  • Do Amor, em um livro
  • Faidondas, em um livro
  • Máidon, em um livro
  • Clêon, em um livro
  • Sócrates, em um livro
  • Artaxerxes, em um livro
  • Sobre Homero, em um livro
  • Aristeides, em um livro
  • Aristômacos, em um livro
  • Exortação à filosofia, em um livro
  • Da Constituição, em um livro
  • Do Decênio de Governo, em um livro
  • Dos Iônios, em um livro
  • Da crença, em um livro
  • Da Gratidão, em um livro

Referências

  1. Forma registrada pelo Dicionário Onomástico Etimológico da Língua Portuguesa, de José Pedro Machado (verbete "Faleros").
  2. Ribeiro, João. A língua nacional e outros estudos lingüísticos, p. 94. Hildon Rocha (ed.), Editora Vozes, 1979.
  3. O professor brasileiro Mário da Gama Kury utiliza a forma Demétrios Fáleron em sua tradução da obra de Diógenes Laércio (Diôgenes Laêrtios, Vidas e doutrinas dos filósofos ilustres. Brasília: UnB, 1987, p. 146)
  4. Tiziano Dorandi, Chapter 2: Chronology, in Algra et al. (1999) The Cambridge History of Hellenistic Philosophy, p. 49-50. Cambridge.
  5. Alfred Gudemann, Grundriss der Geschichte der klassischen Philologie. Leipzig: B.G. Teubner, 1909, p. 25.
  6. Diôgenes Laêrtios (ou Diógenes Laércio), Vidas e doutrinas dos filósofos ilustres (Trad. Mário da Gama Kury). Brasília: UnB, 1987, p. 146-148
  7. Benjamin Knör, Die Bibliothek von Alexandria. Norderstedt: Grin, 2008, p. 7
  8. a b c Diôgenes Laêrtios (ou Diógenes Laércio), Vidas e doutrinas dos filósofos ilustres (Trad. Mário da Gama Kury). Brasília: UnB, 1987, p. 147
  9. A carta de Arísteas], tradução online para o espanhol de Jaume Pòrtulas (Universidade de Barcelona)
  10. Ellen Brundige, The decline of Library and Museum of Alexandria, em inglês online
  11. Edward Alexander Parsons, The Alexandrian Library. Londres: Clever-Hume Press, 1952, pp. 94 e 96
  12. a b Diôgenes Laêrtios (ou Diógenes Laércio), Vidas e doutrinas dos filósofos ilustres (Trad. Mário da Gama Kury). Brasília: UnB, 1987, p. 148

Ver tambémEditar