Edifício Joseph Gire

O Edifício Joseph Gire, mais conhecido como A Noite, é um arranha-céu localizado na Praça Mauá, no centro do Rio de Janeiro, no Brasil. Construído nos finais da década de 1920, é considerado um marco arquitetônico do país, sendo, na época de sua inauguração, o maior arranha-céu da América Latina[1] e "o mais alto edifício do mundo construído em concreto armado".[2]

Edifício Joseph Gire
("A Noite")
Vista do edifício "A Noite"
Estilo arquitetônico Art déco
Construção
Arquiteto Joseph Gire e Elisário Bahiana

HistóriaEditar

O edifício foi levantado numa das extremidades da Avenida Central (hoje Avenida Rio Branco), na Praça Mauá, próximo ao Porto do Rio de Janeiro.[3][4] O local havia sido ocupado anteriormente pelo Liceu Literário Português, que se mudou para o Largo da Carioca, onde ainda se encontra.[5]

Os responsáveis pelo projeto arquitetônico foram o arquiteto francês Joseph Gire (também responsável pelo hotel Copacabana Palace) e o arquiteto brasileiro Elisário Bahiana.[6][7] Foi construído entre 1927 e 1929[8] utilizando a nova tecnologia do concreto armado, dando grande impulso à engenharia praticada no Brasil de então.[9] Os cálculos estruturais foram realizados pelo engenheiro Emílio Henrique Baumgart, mais tarde responsável pelo Ministério da Educação e Saúde.[6][7] Com 22 andares e uma altura de 102 metros,[3][7][8] foi o mais alto da América Latina na década de 1930 até ser ultrapassado pelo Edifício Martinelli, inaugurado em 1934.[7] Tanto as fachadas como as áreas internas comuns revelam influências do estilo Art déco, ainda que o interior tenha sido descaracterizado por reformas modernas.[3]

O edifício foi inicialmente sede do jornal vespertino A Noite. Servia também de mirante que oferecia uma vista privilegiada da cidade e da Baía de Guanabara.[7][9] A partir de 1937, já sem o jornal, sediou a Rádio Nacional, de grande popularidade graças aos programas de auditório e novelas de rádio.[7] Pelo auditório da rádio passaram grandes cantores como Sílvio Caldas, Francisco Alves e Orlando Silva, além do arranjador Radamés Gnattali.[7] Foi também sede de empresas e restaurantes, um deles no terraço.[3]

Com o tempo, a zona circundante d'A Noite e o próprio edifício entraram em decadência,[3] mas há planos para um restauro.[7][9] Antigamente era sede do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), hoje, no entanto, o INPI se encontra alocado em dois outros prédios próximos.

ImportânciaEditar

Além da relevância cultural, por ter abrigado a Rádio Nacional no auge da Era do Rádio, o edifício "A Noite" foi um marco arquitetônico e urbanístico. Em termos formais, o edifício aproximava-se dos modelos de arranha-céus norte-americanos como os que compunham a paisagem de Chicago, muito longe dos modelos europeus até então favorecidos no Brasil.[3] Na zona da Praça Mauá, o "A Noite" era tão alto que uma composição urbanística harmônica com os edifícios circundantes era impossível.[3] A partir da construção do edifício "A Noite" começou o processo de verticalização da cidade, que continuou durante décadas.

LeilãoEditar

O leilão do edifício foi anunciado pelo Governo Federal no dia 7 de julho de 2020, com avaliação inicial de R$ 90 milhões.[10]

Ver tambémEditar

 
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Precedido por
Edifício Sampaio Moreira
Edifício mais alto do Brasil
1929–1934
102 m
Sucedido por
Edifício Martinelli

Referências

  1. Na época, o maior arranha-céu do mundo era o Woolworth Building de Nova York, construído em estrutura de aço.
  2. A Noite, 7 de setembro de 1929, "A NOITE inaugura, hoje, as suas novas instalações no mais alto edifício da América do Sul". Mas, ao contrário do que se costuma propalar, não foi o primeiro edifício em concreto armado inaugurado no Brasil. A estação da Leopoldina e o Palácio Tiradentes, inaugurados em 1926, utilizaram o concreto armado, como consta, respectivamente, do jornal Beira-Mar de 12/4/1925 e da revista Architectura no Brasil de junho e julho de 1926, acessíveis na Hemeroteca Digital. Também o Edifício Guinle, primeiro arranha-céu da Av. Rio Branco, com 16 andares, e o Edifício OK, atual Ribeiro Moreira, primeiro arranha-céu de Copacabana, ambos inaugurados em 1928, possivelmente utilizaram o concreto armado.
  3. a b c d e f g O Edifício A Noite Arquivado em 25 de dezembro de 2012, no Wayback Machine. no sítio do INPI
  4. Praça Mauá Arquivado em 2 de abril de 2017, no Wayback Machine. no sítio O Turista Aprendiz
  5. Milton de Mendonça Teixeira. Liceu Literário Português no sítio do Museu das Migrações e das Comunidades de Fafe
  6. a b Elisário Bahiana na Enciclopédia Itaú Cultural de Artes Visuais
  7. a b c d e f g h Rogério Daflon. Primeiro arranha-céu do Brasil, A Noite passará por obra O Globo, 12 de maio de 2012.
  8. a b Ítalo Nogueira. Edifício A Noite. Folha de S.Paulo, 29 de outubro de 2012
  9. a b c Ítalo Nogueira. Gigante abandonado. Folha de S.Paulo, 29 de outubro de 2012
  10. Raphael Fernandes (1 de maio de 2021). «Custando R$ 98 milhões, Edifício A Noite não recebe propostas em seu 1º leilão». Diário do Rio de Janeiro. Consultado em 9 de dezembro de 2021