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Fábio da Silva Prado

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Fábio da Silva Prado (São Paulo, 25 de junho de 1887 — São Paulo, 3 de março de 1963) foi um político e engenheiro brasileiro, prefeito do município de São Paulo entre 7 de setembro de 1934 e 31 de janeiro de 1938.

Fábio da Silva Prado
Nascimento 25 de junho de 1887
São Paulo
Morte 3 de março de 1963 (75 anos)
São Paulo

Sobrinho do primeiro prefeito de São Paulo Antônio da Silva Prado (1899-1911), era filho de Martinico Prado, um ferrenho militante republicano. Engenheiro formado pela Universidade de Lieja, em Lieja, na Bélgica, herdou do pai a veia humanística, plenamente manifestada na gestão municipal que mais se empenhou pela cultura em toda a história da cidade. Isto sem descuidar da administração da cidade e da realização de grandes melhoramentos. Tal como seu pai - e posteriormente seu sobrinho Caio Prado Júnior - Fábio era um transgressor do conservadorismo de sua poderosa família.

Em 1914 era anunciado o seu casamento com Renata Crespi, filha do imigrante italiano Rodolfo Crespi, dono da maior tecelagem de São Paulo, o Cotonifício Crespi. Isto numa época em que os chamados barões do café só se casavam com moças de tradicionais famílias luso-brasileiras aparentadas entre si, as famílias quatrocentonas. Tendo tido muita resistência entre a sua família para aceitar o casamento.

A sua ousadia iria muito mais além. Partilhando o entusiasmo pela cultura existente desde o início do ano de 1934 - quandoArmando de Sales Oliveira assinou o decreto de criação da Universidade de São Paulo, endossando uma proposta de Júlio de Mesquita Filho, Fábio Prado criou o Departamento de Cultura, convidando Mário de Andrade e seus amigos modernistas para dirigi-lo.

"Graças à sua compreensão, homens tidos como iconoclastas, homens que na véspera escandalizavam por terem uma inteligência afinada com o ritmo do tempo, foram chamados a renovar a cultura desta cidade", diria Antônio Cândido em uma homenagem póstuma em 1963, ano em que Fábio da Silva Prado faleceu. Ou como disse Sérgio Milliet na mesma ocasião: "foram esses idealistas uns loucos para a época, pois não é que se preocupavam com bibliotecas, divulgação da música, do teatro, com parques infantis e pesquisas de padrão de vida?".

O Arquivo Municipal de São Paulo foi entregue ao próprio Sérgio Milliet, quando foi iniciada a Revista do Arquivo, que se tornou a publicação cultural mais importante do país, onde eram publicados artigos dos chamados "modernistas" e de professores da Universidade de São Paulo (USP), com uma assídua colaboração de Claude Lévi-Strauss, Pierre Monbeig, Florestan Fernandes e muitos outros. O bibliófilo Rubens Borba de Morais ficou responsável pela área de bibliotecas, iniciando a formação da Biblioteca Municipal e da inovadora Biblioteca Circulante. Em 1984, numa entrevista concedida ao número comemorativo do cinquentenário da Revista do Arquivo, Rubens Borba disse:

"O Departamento de Cultura não era propriamente uma coisa separada. Era um grupo. Nós trabalhávamos em conjunto. E era uma coisa fácil porque nós éramos amigos de vinte anos. Tínhamos feito 22 (a Semana de Arte Moderna)… e discutíamos os nossos problemas quase que diariamente na casa de Paulo Duarte, que trabalhava no gabinete com o Fábio"…

Fábio Prado concretizou uma ideia do urbanista e ex-prefeito Luís Inácio de Anhaia Melo (1930-31): a criação dos parques infantis. Além disso, prosseguiu com a maior parte das obras da avenida 9 de Julho, deixando os túneis sob a avenida Paulista quase prontos. Iniciou e realizou a maior parte de outras obras importantes que deixou para seu sucessor inaugurar: o novo viaduto do Chá e os demais viadutos sobre a avenida 9 de Julho, o Estádio do Pacaembu, a avenida Rebouças, o Parque do Ibirapuera e o Hospital da Prefeitura.

Em abril de 1938 deixou o cargo logo após a indicação de Ademar de Barros como interventor estadual. A política não lhe interessava mais, agora marcada pelo obscurantismo da ditadura: no fim do ano anterior, Getúlio Vargas havia dado o golpe do Estado Novo (1937-1945), fechando o Congresso Nacional do Brasil e anulando a eleição presidencial na qual Armando de Sales Oliveira despontava como franco favorito. Armando Sales, seu cunhado Júlio de Mesquita Filho e outros adversários da ditadura foram presos.

Nunca mais voltou à política, passando a dedicar-se aos negócios da família e a inúmeras atividades voltadas para o interesse público. Juntamente com sua esposa Renata Crespi dirigiu diversas obras assistenciais para pobres e deficientes. Também em parceria com a esposa, instituiu prêmios de estímulo à produção cultural que serviram de apoio a diversos intelectuais em início de carreira, tais como Florestan Fernandes, Jorge Andrade, Francisco de Assis Barbosa e Paulo Emílio Sales Gomes. Após a morte de Fábio da Silva Prado em 1963, Dna. Renata doou todas as coleções artísticas e a mansão onde hoje se localiza o Museu da Casa Brasileira para o poder estadual, o qual até hoje não deu um destino digno a tão valioso acervo.

O prefeito Fábio da Silva Prado dá nome a uma avenida no bairro de Chácara Klabin, distrito de Vila Mariana, cidade de São Paulo e da Escola Municipal de Ensino Fundamental situada dentro do Parque da Moóca.


Precedido por
Antônio Carlos de Assunção
Prefeito de São Paulo
19341938
Sucedido por
Paulo Barbosa de Campos Filho
Precedido por
Paulo Barbosa de Campos Filho
Prefeito de São Paulo
1938
Sucedido por
Prestes Maia