Gurbanguly Berdimuhammedow

Ditador do Turcomenistão
(Redirecionado de Gurbanguly Berdimuhamedow)

Gurbanguly Mälikgulyýewiç Berdimuhammedow (Babarab, 29 de junho de 1957) é um político turquemeno que serviu como presidente do Turquemenistão de 21 de dezembro de 2006, após a morte de Saparmyrat Nyýazow, até 19 de março de 2022, quando foi sucedido por seu filho, Serdar Berdimuhamedow.[1]

Arkadag
Gurbanguly Berdimuhammedow
Berdimuhamedow em 2019
2.º Presidente do Turquemenistão
Período 21 de dezembro de 2006
a 19 de março de 2022
Vice-presidente Raşit Meredow
Antecessor(a) Saparmyrat Nyýazow
Sucessor(a) Serdar Berdimuhamedow
Presidente do Conselho Popular
Período 14 de abril de 2021
a atualidade
Antecessor(a) Cargo criado
3.º Vice-presidente do Turquemenistão
Período 3 de abril de 2001
a 21 de dezembro de 2006
Presidente Saparmyrat Nyýazow
Antecessor(a) Orazgeldi Aýdogdyýew
Sucessor(a) Raşit Meredow
Dados pessoais
Nome completo Gurbanguly Mälikgulyýewiç Berdimuhammedow
Nascimento 29 de junho de 1957 (64 anos)
Babarap, Ahal, Turquemenistão Soviético
Nacionalidade turquemeno
Alma mater Universidade Médica Estatal do Turquemenistão
Cônjuge Ogulgerek Berdimuhammedova
Filhos 4, incluindo Serdar
Partido Independente (2013-)
TDP (1992-2013)
Profissão Dentista
Ocupação Político
Residência Asgabade

Assim como seu antecessor, o governo perpetuou um culto de personalidade ao redor de Berdimuhammedow. De acordo com a Human Rights Watch, ele, seus parentes e associados governaram o país de forma autoritária, controlando cada aspecto da vida do povo do Turquemenistão, que é conhecido como um dos países mais corruptos do mundo.[2]

BiografiaEditar

Carreira políticaEditar

Berdimuhammedow nasceu em Babarab, no atual distrito de Gökdepe, na província de Ahal. Licenciou-se no Instituto Médico Estatal do Turquemenistão e começou uma carreira de dentista. Em 1992 passou a fazer parte da faculdade de medicina dentária do instituto onde se tinha formado.

Em 1995, sob o regime de Saparmyrat Nyýazow, tornou-se responsável pelo centro de medicina dentária do Ministério da Saúde e da Indústria Médica. Em 1997 foi nomeado Ministro da Saúde, e em 2001, vice-presidente.

Como Ministro da Saúde foi supostamente responsável por cumprir as decisões de Nyýazow e fechar todos os hospitais fora da capital, Asgabade, em 2005. O sistema de saúde do Turquemenistão é considerado um dos piores da antiga União Soviética. De acordo com a Anistia Internacional, "os cuidados de saúde tornaram-se financeiramente inacessíveis para a maior parte da população."

Depois da morte de Nyýazow (em dezembro de 2006), que não nomeara sucessor, Berdimuhammedow tornou-se o líder da comissão que organizou o seu funeral de estado. Isso levantou imediatamente especulações de que Berdimuhammedow estaria na corrida para a sucessão de Nyýazow.

O Conselho de Segurança do Turquemenistão nomeou-o como presidente interino. O Conselho anunciou que a escolha recaíra em Öwezgeldi Ataýew, presidente da Assembleia do Turquemenistão, mas este não foi nomeado por o Procurador-Geral ter levantado um processo criminal contra ele.

De acordo com o segundo parágrafo do Artigo 60º da Constituição turquemena, não seria permitido a Berdimuhammedow concorrer às próximas eleições presidenciais. De qualquer forma, uma recente decisão do "Conselho do Povo" removeu essa decisão e tornou-o elegível, como um dos seis candidatos.

Berdimuhammedow apareceu como o candidato da atual elite. A oposição descreve-o como um homem de poucas ambições que move poucas influências, o que terá contribuído para a sua longa carreira como vice-presidente.

PresidênciaEditar

No dia 14 de fevereiro de 2007, Berdimuhammedow foi declarado vencedor das eleições presidenciais realizadas três dias antes, e imediatamente empossado no cargo.[3]

Após assumir o cargo de presidente, Berdimuhamedow reverteu várias das políticas de Nyýazow, incluindo várias consideradas excêntricas. Cafés com acesso livre à Internet e sem censura foram abertos em Asgabade,[4] a escolaridade obrigatória foi alargada de nove para dez anos e reintroduziram-se no currículo aulas de esportes e línguas estrangeiras, com o governo anunciando ainda planos para a abertura de várias escolas especializadas em artes.[5] Ele pediu por reformas nos sistemas de educação, saúde e pensões, e funcionários do governo de origem étnica não turquemena que foram demitidos por Nyýazow foram autorizados a retornar ao trabalho.[6] Ele também restaurou as pensões de 100 000 idosos cujas pensões Nyýazow havia reduzido diante de uma crise orçamentária não especificada.[7] Mais tarde, ele reabriu a Academia Turquemena de Ciências, que havia sido fechada por Nyýazow.[8]

Apesar do caráter inicialmente progressista do governo de Gurbanguly Berdimuhammedow, as reformas tiveram um caráter limitado. A repressão política permaneceu (com entidades internacionais acusando o governo turquemeno de diversas violações dos direitos humanos), o país continuou a figurar entre uma das nações mais corruptas do mundo e a concentração de riquezas nas mãos de Berdimuhammedow e seus associados também continuou. Não havia liberdades políticas no Turquemenistão, com a mídia sendo controlada pelo Estado e o acesso ao país por estrangeiros sendo severamente limitado.[9][10][11] A Human Rights Watch observou que Berdimuhamedow não apenas detinha o controle total sobre a vida pública e a mídia, mas também presidia um regime que não tolerava "expressão política ou religiosa alternativa".[12] A associação Repórteres sem fronteiras (RSF) ranqueou o Turquemenistão como um dos piores no seu "Índice de Liberdade de Imprensa" durante todo seu governo, como também havia sido com Nyýazow. Em 2017, o RSF ranqueou o país na 178ª posição (de 180) na sua lista de liberdade, apenas ultrapassado pela Eritreia e pela Coreia do Norte. A RSF observou que o acesso à Internet era fortemente censurado e que antenas parabólicas foram removidas por funcionários do governo.[13]

SucessãoEditar

Em fevereiro de 2022, foi reportado pela agência de notícias Reuters que Berdimuhamemdow planejava renunciar após a eleição presidencial em 12 de março,[14] o que aumentou especulações de que ele estava preparando seu filho Serdar para sucedê-lo como presidente.[15] Berdimuhamedow cumpriu essa promessa e endossou seu filho ao cargo, tendo este vencido a eleição,[16] fazendo do Turquemenistão a primeira dinastia política da Ásia Central.[17] Serdar assumiu o cargo de presidente em 19 de março, encerrando quinze anos do regime de Gurbanguly Berdimuhammedow.[18]

Referências

  1. «Filho de líder do Turquemenistão vence eleições presidenciais». Notícias ao Minuto. 15 de março de 2022. Consultado em 20 de março de 2022 
  2. «World Report 2014: Turkmenistan». Hrw.org. Consultado em 28 de janeiro de 2015 
  3. "New Turkmen President Sworn In", Radio Free Europe/Radio Liberty, 2007-02-14. Acesso em 2007-03-06.
  4. «A crack in the isolation of Turkmenistan: Internet cafes». USA Today. Associated Press. 16 de fevereiro de 2007. Consultado em 26 de abril de 2007. Cópia arquivada em 27 de fevereiro de 2007 
  5. «1 апреля в Туркмении откроются школы искусства» (em russo). Gündogar. 21 de fevereiro de 2007. Consultado em 26 de abril de 2007. Cópia arquivada em 3 de abril de 2007 
  6. Leila (20 de fevereiro de 2007). «Internet in Turkmenistan: A sign of hope?». New Eurasia. Consultado em 26 de abril de 2007. Cópia arquivada em 16 de maio de 2007 
  7. «New Turkmen president restores pensions to more than 100,000». International Herald Tribune. 19 de março de 2007. Cópia arquivada em 13 de outubro de 2008 
  8. «Гундогар :: NEWS». Gundogar.org. Consultado em 5 de setembro de 2015. Cópia arquivada em 24 de setembro de 2015 
  9. «Meet the dictator who rules secretive Turkmenistan, who portrays himself as an action hero and shows off by lifting gold bars in parliament». Business Insider. Consultado em 19 de março de 2022 
  10. «Turkmenistan's horse-loving dictator is grooming his son». The Economist. Consultado em 19 de março de 2022 
  11. «Populists and Autocrats: The Dual Threat to Global Democracy». Freedom House. Consultado em 19 de junho de 2020. Cópia arquivada em 6 de outubro de 2019 
  12. World Report 2017: Turkmenistan. [S.l.]: Human Rights Watch. 12 de janeiro de 2017. Consultado em 30 de junho de 2017. Cópia arquivada em 30 de junho de 2017 
  13. Turkmenistan Arquivado 2020-04-06 no Wayback Machine
  14. Gurt, Marat; Auyezov, Olzhas; Donovan, Kirsten (12 de fevereiro de 2022). «Turkmenistan to hold early presidential election on March 12» (em inglês). Reuters. Consultado em 12 de fevereiro de 2022. Cópia arquivada em 12 de fevereiro de 2022 
  15. Putz, Catherine (15 de fevereiro de 2022). «Turkmenistan Set for Dynastic Succession: Early Election March 12, President's Son Running». thediplomat.com (em inglês). The Diplomat. Consultado em 14 de fevereiro de 2022. Cópia arquivada em 14 de fevereiro de 2022 
  16. «Turkmenistan leader's son wins presidential election». www.aljazeera.com (em inglês). Al Jazeera English. 15 de março de 2022. Consultado em 15 de março de 2022 
  17. Putz, Catherine (16 de março de 2022). «A New Berdimuhamedov Will Soon Be Turkmenistan's President». thediplomat.com (em inglês). The Diplomat 
  18. «Turkmenistan: New president, old ideas | Eurasianet». eurasianet.org (em inglês). Eurasianet. 15 de março de 2022