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Disambig grey.svg Nota: Para outros significados, veja Integralismo (desambiguação).
Bandeira da Ação Integralista Brasileira

Integralismo ou integrismo é um termo usado para, no contexto do catolicismo, se referir a uma organização do Estado que rejeita a separação liberal entre a política e "os fins da vida humana", sustentando que todo governo deve ordenar o homem ao seu objetivo final.[1]Embora o uso do termo não seja muito popular na teologia moderna, o integralismo define a ordem social da cristandade medieval e faz parte do ensino social da Igreja Católica. [2]

Dentre vários aspectos, defende princípios de uma sociedade que só pode funcionar em ordem e paz e no respeito das hierarquias sociais, fundamentando-se para isso nas aptidões e nos méritos pessoais demonstrados (em oposição às doutrinas igualitárias saídas da Revolução Francesa, daí a oposição liberal), e na harmonia e união social.

Índice

IdeiasEditar

O integralismo defende, na linha do pensamento tradicionalista, que cada nação necessita de um sistema político adequado à sua própria história, cultura, religião e pensamento. Dá prioridade à preservação da cultura local, da tradição, dos costumes e ao desenvolvimento das zonas rurais, como forma de vencer o cosmopolitismo e o multiculturalismo.

O integralismo é contrário ao modernismo filosófico e prático, que é entendido como massificador e uniformizador.

Também, os integralistas defendem uma forma de governo baseada na ligação do Estado com a família, defendendo princípios éticos, religiosos e morais para os homens.

No BrasilEditar

 Ver artigo principal: Ação Integralista Brasileira
 
Gustavo Barroso, um dos principais líderes do integralismo no Brasil, vestindo o uniforme integralista. 1933

Nos anos 1930, surgiu também um integralismo brasileiro. Diferentemente do seu inspirador francês e português, este era republicano - embora tenha sido também predominantemente inspirado pela Doutrina Social da Igreja Católica, conforme orientação do chefe do movimento Plínio Salgado e, portanto, em alguns aspectos diferente do estatismo modernista ou do fascismo; coincidentemente, o integralismo foi contemporâneo ao efervescente movimento nazista no Brasil.

 
Integralistas da cidade de Viçosa do Ceará na década de 1930. Da esquerda para direita: João Evangelista de Miranda (comerciante), Afonso Deocleciano Marques (dentista), Bastos Sampaio (tabelião), José Vitor Fontenele Filho (professor Juca), Vicente Miranda Filho (comerciante)

Tentativa de golpeEditar

O integralismo teve forte influência durante o longo período em que Getúlio Vargas ocupou a presidência (1930-1945) e inicialmente deu sustentação e ele; Vargas, porém, não se revelou o que os integralistas esperavam. Logo tentaram um golpe em 10 de maio 1938, o Levante integralista. Com o fracasso, diversas lideranças integralistas acabaram presas, assassinadas ou exiladas.

Cerca de 80% da marinha do Brasil era adepta da ideologia integralista[carece de fontes?], porém, durante a tentativa de golpe, houve falhas na comunicação, o que pode ter sido uma das causas do fracasso desse golpe (supõe-se que a marinha poderia ter colaborado com aplicação do Estado Integral no Brasil. O almirante negro João Cândido, que liderara a Revolta da Chibata (1910), tornou-se integralista.

O movimento também teve grande participação na derrota da Intentona Comunista (1935), uma tentativa de golpe por militares brasileiros de esquerda. Luiz Carlos Prestes encontrou dificuldades para seu golpe de estado, também levando em conta que os integralistas foram ativamente contra seu movimento e o enfrentaram, através de ampla contrapropaganda, ou mesmo em combate, comandando milícias paramilitares em diversas oportunidades.

Ao contrário do que muitos acreditam, o movimento integralista não morreu após a ditadura varguista, e tem seguidores até hoje. A Frente Integralista Brasileira (FIB) procura manter a ideologia integralista original e mantém núcleos e atividades por todo país..[3]

Em PortugalEditar

 Ver artigo principal: Integralismo Lusitano

O integralismo em Portugal foi inicialmente uma reação ao anticlericalismo da 1.ª República Portuguesa implantada em 1910. O municipalismo e o sindicalismo de inspiração católica constituem a matriz. A ideologia defende a proteção dos valores nacionais (ex: passado histórico, tradição, cultura, costumes, religião), e a cooperação das diferentes classes sociais para atingir a harmonia e a união social. Actualmente engloba pessoas de quase todas as religiões.

O integralismo, no caso lusitano, defendeu a monarquia, a liberdade sindical e corporativa, e a livre competição entre grupos econômicos e empresas. A doutrina económica não era porém a política liberal partidocrática (aquela que aceita a existência de partidos políticos apenas na gestão da governação), defendendo antes o organicismo e o municipalismo. O integralismo opôs-se à luta de classes e às greves, sendo também contrário aos sindicatos estatais como os da Itália fascista da década de 1930. Como forma de resolver os conflitos laborais, defendia o recurso aos tribunais de trabalho.

Em Portugal, os críticos e adversários, como Raul Proença e Carlos Ferrão, associaram as ideias integralistas às da Acção Francesa de Charles Maurras. As ideias maurrasianas influenciaram muitos políticos na época, como por exemplo António de Oliveira Salazar, fundador do Estado Novo.

Os integralistas lusos, mais tarde, demarcaram-se do "maurrasianismo".[4] e do salazarismo, a quem inclusivamente este último combateram, sofrendo alguns deles a deportação (Hipólito Raposo) e a prisão (idem, Francisco Rolão Preto)[5]

Ver tambémEditar

BibliografiaEditar

  • ARAÚJO, Ricardo Benzaquen de. Totalitarismo e revolução: o integralismo de Plínio Salgado. Rio de Janeiro: Zahar, 1988.
  • CHASIN, Jean. O Integralismo de Plínio Salgado: forma de regressividade no capitalismo hipertardio. São Paulo: Ciências Humanas, 1978.
  • CHAUÍ, Marilena. Apontamentos para uma crítica da Ação Integralista Brasileira. In: CHAUÍ, Marilena; FRANCO, Maria S. Carvalho. Ideologia e mobilização popular. Rio de Janeiro: CEDEC/Paz e Terra, 1978.
  • FIGUEIRA, Guilherme Jorge. As eleições de 1955: Ensaio sobre a participação de Plínio Salgado nas eleições presidenciais. Revista do Arquivo, Rio Claro-SP. n. 11, p. 60-63, jun. 2013. Disponível em: [1]. Acesso em 10.01.2014.
  • MAIO, Marcos Chor; CYTRYNOWICZ, Roney. Ação Integralista Brasileira: um movimento fascista no Brasil (1932-1938). In: FERREIRA, Jorge; DELGADO, Lucília de Almeida. O tempo do nacional-estatismo: do início da década de 1930 ao apogeu do Estado Novo. 2. ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2007. (O Brasil republicano, v. 2).
  • SANTANA, Márcio Santos de. O Integralismo, as novas gerações e o problema da consciência histórica. Esboços, v. 18, p. 213-232, 2011. Disponível em: [2]. Acesso em 10.01.2014.
  • SILVA, Helio. 1938: terrorismo em Campo Verde. O Ciclo Vargas. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1964.
  • TRINDADE, Hélgio. Integralismo (O fascismo brasileiro na década de 30). São Paulo: Difusão Européia do Livro, 1974.
  • TRINDADE, Hélgio. Integralismo, em Dicionário Histórico Biográfico Brasileiro. Rio de Janeiro: FGV/CPDOC, 2001.
  • VASCONCELLOS, Gilberto. A ideologia curupira: análise do discurso integralista. São Paulo: Brasiliense, 1977.
  • VICTOR, Rogério Lustosa. Getúlio Vargas e o Integralismo: histórias de pescador. Artigo. Disponível em: http://www.usp.br/ran/ojs/index.php/angelusnovus/article/view/129 Acesso em: 01/02/2018.
  • VICTOR, Rogério Lustosa. O integralismo nas águas do Lete: história, memória e esquecimento. Ficha informativa de dissertação de mestrado. Disponível em: https://pos.historia.ufg.br/n/20553-2004-rogerio-lustosa-victor Acesso em: 01/02/2018
  • VICTOR, Rogério Lustosa. O labirinto integralista: o PRP e o conflito de memórias (1938 – 1962). Tese de doutoramento. Disponível em: https://pos.historia.ufg.br/up/113/o/Rog%C3%A9rio_Lustosa_Victor.pdf Acesso em: 01/02/2018.

Referências

  1. «O Integralismo em três fases». The Josias. 3 de setembro de 2018. Consultado em 4 de outubro de 2018. 
  2. «Integralism and Gelasian Dyarchy (Integralismo e Diarquia Gelasiana)». The Josias. 3 de março de 2018. Consultado em 4 de outubro de 2018. 
  3. «- Integralismo - Frente Integralista Brasileira». www.integralismo.org.br 
  4. José Hipólito Raposo, Dois Nacionalismos - L'Action française e o Integralismo Lusitano, Lisboa, Férin, 1929.
  5. José Manuel Quintas, Filhos de Ramires - As origens do Integralismo Lusitano, Lisboa, Editorial Nova Ática, pp. 17-18.

Ligações externasEditar