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FormaçãoEditar

Após concluir seus estudos primários na escola Duval e os secundários no Lycée Faidherbe, ambos em sua cidade natal, Diouf mudou-se para Paris, para estudar na Escola de Agricultura de Grignon, onde formou-se engenheiro agrônomo. Obteve o mestrado em Agronomia Tropical na Escola Nacional de Agronomia Tropical Aplicada, em Nogent-Paris e o doutorado em Ciências Sociais do Mundo Rural na Faculdade de Direito e Ciências Econômicas da Universidade de Sorbonne, também em Paris. Em Nova Iorque, Diouf obteve um Certificado de Gestão e um Certificado Superior de Gestão pela American Management Association.

CarreiraEditar

Diouf começou sua carreira em 1963. Aos 25 anos, tornou-se diretor do escritório europeu do Programa de Comércio Agrícola (OCA), trabalhando entre Paris e Dakar. De 1965 a 1971, trabalhou na Nigéria como diretor do Conselho Africano do Amendoim, em Lagos, e de 1971 a 1977, foi secretário executivo da recém-criada Associação para o Desenvolvimento do Cultivo de Arroz da África Ocidental (WARDA), na cidade liberiana de Monróvia[nota 1] Em 1978, deixou a WARDA para tornar-se Secretário de Estado para Ciência e Tecnologia do governo de Senegal, durante o mandato do primeiro-ministro Abdou Diouf e sob a presidência de Léopold Sédar Senghor. Após a saída de Senghor, continuou no cargo até 1983, quando tornou-se membro do Parlamento do Senegal, presidido por Habib Thiam, e deputado da Confederação da Senegâmbia. Como parlamentar, presidiu o grupo de amizade Senegal-Reino Unido e também a Comissão Parlamentar de Assuntos Estrangeiros. Em Senegal, foi presidente do Comitê de Relações Exteriores. Entre 1984 e 1985, foi conselheiro do presidente e diretor regional do Centro de Pesquisas para o Desenvolvimento Internacional, em Ottawa. De 1985 a 1990, Diouf tornou-se Secretário-Geral do Banco Central dos Estados da África Ocidental (BCEAO), dirigido por Alassane Ouattara e baseado em Dakar. De 1990 a 1991, foi conselheiro especial do diretor Charles Konan Banny, no mesmo banco. Entre maio de 1991 e dezembro de 1993, atuou como embaixador da missão permanente do Senegal junto às Nações Unidas, em Nova Iorque, subordinado ao ministro Djibo Leyti Kâ.

Em 8 de novembro de 1993, foi eleito Diretor-Geral da FAO. Em 1 de janeiro de 1994, deu início em Roma ao seu primeiro mandato de seis anos, sucedendo ao libanês Édouard Saouma. Reeleito por duas vezes, atualmente exerce seu terceiro sexênio, iniciado em janeiro de 2006. Em 13 de setembro de 2006, lançou um apelo em favor de uma "segunda revolução verde", que permitiria o abastecimento de uma população mundial crescente, aliada à preservação dos recursos naturais e do meio ambiente.[2]

Outras funçõesEditar

Durante sua carreira, Diouf também exerceu posições de responsabilidade em diversos conselhos.

Instituição Local
Consultative Group on International Agricultural Research (CGIAR)[nota 2]   Washington D.C.
World Agroforestry Centre (ICRAF)   Nairóbi
International Service for National Agricultural Research (ISNAR)   Haia
International Institute of Tropical Agriculture (IITA)   Ibadan
International Institute of Scientific Research for African Development   Adiopodoumé
International Foundation for Science   Estocolmo
Council of the Islamic Foundation for Science and Technology for Development   Jeddah
Advisory Committee on Medical Research
Organização Mundial da Saúde
  Genebra
Expert Advisory Panel on Public Health Administration and Medical Research
Organização Mundial da Saúde
  Genebra
Committee on Transfer of Technology
Organização Mundial da Saúde
  Genebra
Grupo de Conselheiros Africanos
Banco Mundial
  Washington D.C.
Projeto de Conservação Financeira Internacional
World Resources Institute
  Helsinque
Comitê da Universidade das Nações Unidas
World Institute for Development Economics Research
  Helsinque
Comitê executivo
African Capacity Building Foundation
  Harare
African Regional Centre for Technology (ARCT)[nota 3]   Dakar
Industrial Company for the Uses of Solar Energy[nota 3]   Dakar
Foundation for Development of Science and Technology[nota 3][3]   Dakar

HomenagensEditar

Diouf recebeu de governos e instituições acadêmicas inúmeras homenagens internacionais, como a Legião de Honra da França.

Homenagem País Ano
  Cruz de Comendador
Ordem do Mérito da República da Hungria
  Hungria 2007
  Grã-Cruz
Pro Merito Melitensi
  Ordem Soberana e Militar de Malta 2007
  Grã-Cruz
Ordem Nacional do Cruzeiro do Sul
  Brasil 2006
  Primeira Categoria
Ordem da Independência Jordaniense
  Jordânia 2006
  Comendador
Ordem Nacional de Mali
  Mali 2005
Comenda Hilal   Paquistão 2005
  Grão-Mestre
Ordem Nacional
  Madagáscar 2005
  Grã-Cruz
Ordem do Coração de Ouro
  Filipinas 2004
Ordem Ulises Rojas   Guatemala 2004
  Grã-Cruz
Ordem Vasco Núñez de Balboa
  Panamá 2004
Medalha de Honra do Congresso   Filipinas 2004
  Medalha de Comendador
Ordem do Mérito Nacional
  Mauritânia 2003
Medalha de Saint-Georges
Instituto Golden Fortune
  Ucrânia 2003
 
Ordem do Tosão de Ouro
  Geórgia 2003
  Grã-Cruz de Cavaleiro
Ordem do Elefante Branco
  Tailândia 2003
Grã-Cruz   Peru 2002
  Comendador
Ordem de Saint-Charles
  Mónaco 2002
  Grã-Cruz
Ordem de Quetzal
  Guatemala 2001
 
Ordem Nacional do Mérito de Cooperação e de Desenvolvimento
  Guiné-Bissau 2001
 
Ordem dos Dois Nilos
  Sudão 2000
  1.º Grau
Ordem do Dragoeiro
  Cabo Verde 2000
Medalha de Honra
Ministério da Agricultura e Alimentação
  Geórgia 1999
  Grã-Cruz
Ordem do Mérito de Maio
  Argentina 1998
  Comendador
Legião de Honra
  França 1998
 
Ordem da Solidariedade
  Cuba 1998
  Primeira Classe
Medalha Henri Pittier
  Venezuela 1998
  Grã-Cruz
Ordem Nacional da Grande Estrela
  Djibouti 1998
  Grão-Mestre
Ordem da Estrela Jovem
  Suriname 1998
  Comendador
Ordem da Estrela de Anjouan
  Comores 1997
  Comendador
Ordem Nacional
  Madagáscar 1997
  Grã-Cruz
Ordem do Mérito da Agricultura, da Pesca e da Alimentação
  Espanha 1996
  Grã-Cruz
Ordem de Gedimin
  Lituânia 1996
  Comendador
Medalha de República do Uruguai
  Uruguai 1996
Ordem do Mérito de Madre Teresa   Albânia 1996
Comendador
Ordem do Mérito Agrícola
  Canadá 1995
  Grande Oficial
Ordre de la Valeur
  Camarões 1995
  Comendador
Ordem Nacional
  Costa do Marfim 1995
  Comendador
Ordem do Mérito Centroafricano
  República Centro-Africana 1995
Primeira Classe
Ordem do Estado de Aragua
  Venezuela 1994
  Oficial
Ordem das Palmas Académicas
  França 1979
  Oficial
Legião de Honra
  França 1978
  Grão-Comendador
Ordem da Estrela Africana
  Libéria 1977

Desde 1994, muitas universidades outorgaram-lhe títulos e menções, incluindo 14 títulos de doutor honoris causa.

Tipo Universidade País Ano
Doutor honoris causa Universidade Politécnica de Valencia   Espanha 2009
Doutor honoris causa Universidade de Pérouse 2007
Doutor honoris causa Academia de Agronomia   Azerbaijão 2005
Doutor honoris causa Universidade Szent István   Hungria 2004
Doutor honoris causa Academia Agrícola da Armênia   Armênia 2004
Doutor honoris causa Faculdade de Agronomia e Medicina Veterinária
Universidade de Buenos Aires
  Argentina 2004
Doutor honoris causa Universidade Nacional de Agricultura   Ucrânia 2003
Doutor honoris causa Universidade de São Domingos   República Dominicana
Doutor honoris causa Universidade Nacional Agrícola "La Molina"   Peru 2002
Membro Estrangeiro Academia de Agricultura da França   França 2000
Membro de Honra Academia de Ciências e Tecnologias do Senegal   Senegal 2000
Doutor honoris causa Universidade Tcheca de Agricultura   República Checa 2000
Doutor honoris causa Universidade Agrícola do Estado   Geórgia 1999
Doutor honoris causa Universidade Politécnica de Madri   Espanha 1998
Membro Academia de Ciências Agrícolas   Índia 1998
Doutor honoris causa Universidade Laval   Canadá 1996
Doutor ad honorem Universidade de Tuscia   Itália 1996
Medalha de Honra Universidade de Tartu   Estónia 1996
Professor Honorário Universidade Agrícola da China   China 1995
Doutor honoris causa Universidade de Nitra   Eslováquia 1995
Membro Honorário Academia de Stünte Agricole si Silvice Gheorghe Ionescu Sisesti   Roménia 1994

CríticasEditar

Em 14 de maio de 2006, o jornal britânico The Guardian publicou a carta de demissão de Louise Fresco, Diretor Assistente Geral da FAO. Em sua carta, o respeitado doutor criticou o estilo de gestão de Diouf:

ReligiãoEditar

Em 2009, Diouf tomou parte em um sínodo especial para a África organizado pela Igreja Católica em Roma, apesar de ele ser muçulmano. O sínodo discutiu diversos temas que não estavam diretamente relacionados à religião, e que envolviam a cooperação entre a Igreja e as Nações Unidas, como a segurança alimentar, a situação do sistema de saúde africano e as tentativas de solucionar os conflitos e alcançar a paz no continente.[5]

FamíliaEditar

Desde 1963, é casado com Aïssatou Seye, com quem tem cinco filhos.

FomeEditar

Diouf afirma que a fome é, acima de tudo, um problema político e econômico. Segundo estimativas de 2003 e 2004, dos 6,3 bilhões de habitantes do planeta, dois bilhões de indivíduos passam fome, e a razão, segundo Diouf, é a repartição desigual das riquezas.

Ver tambémEditar

Notas

  1. Atualmente chamada Africa Rice Center.
  2. Representante da África
  3. a b c Presidente do conselho

Referências

  1. «Morre o senegalês Jacques Diouf, diretor-geral da FAO por 18 anos». Istoé. Consultado em 20 de agosto de 2019 
  2. «Jacques Diouf lance un appel pour une deuxième Révolution Verte »» (em francês). FAO. Consultado em 29 de novembro de 2009 
  3. «Dr. Jacques Diouf curriculum vitae» (pdf) (em inglês). Food and Agriculture Organization of the United Nations. 14 de maio de 2006. Consultado em 29 de novembro de 2009 [ligação inativa]
  4. «Resignation letter of Louise Fresco, ADG, FAO» (em inglês). Guardian Unlimited. 14 de maio de 2006. Consultado em 29 de novembro de 2009 
  5. «La Croix article» (em inglês). Consultado em 29 de novembro de 2009. Arquivado do original em 5 de setembro de 2012 

BibliografiaEditar

  • Ndiaye, Babacar; Ndiaye, Waly (2006). Présidents et ministres de la République du Sénégal (em francês) 2 ed. Dacar: [s.n.] 190 páginas 

PublicaçõesEditar

  • Éthique scientifique et problématique alimentaire (em francês). Paris: Discours et notices biographiques de l'Académie des Sciences. 1998 
  • Éloges de Senghor (em francês). Paris: Unesco. 1996 
  • The Challenge of Agricultural Development in Africa (em inglês). Washington D.C.: Consultative Group in International Agricultural Research, World Bank, Sir John Crawford Memorial Lecture. 1989 
  • Intérêts et objectifs de l'Afrique dans les Sommets francophones, nouvel instrument des relations internationales (em francês). Québec: Centre québécois des relations internationales, Collection Choix. 1988 
  • Le fondement du dialogue scientifique entre les civilisations euro-occidentales et négro-africaines (em francês). Viena: Dialogue Westeuropa Schwarzafrica, Verlag Fritz Molden. 1979 
  • La détérioration du pouvoir d'achat de l'arachide (em francês). Paris: Club Nation and Development, Présence africaine. 1972 

Ligações externasEditar