Little Richard

Richard Wayne Penniman, mais conhecido por Little Richard (Macon, 5 de dezembro de 1932Tullahoma, 9 de maio de 2020), foi um cantor, compositor e pianista estadunidense. Foi eleito pela Rolling Stone como o 8º maior artista da música de todos os tempos.[1]

Little Richard
Little Richard em 2007.
Informação geral
Nome completo Richard Wayne Penniman
Também conhecido(a) como
  • The Architect of Rock 'n' Roll
  • The Originator
  • The Georgia Peach
Nascimento 5 de dezembro de 1932
Local de nascimento Macon, Geórgia
Estados Unidos
Morte 9 de maio de 2020 (87 anos)
Local de morte Tullahoma, Tennessee
Nacionalidade norte-americano
Gênero(s)
Ocupação(ões)
Progenitores Mãe: Leva Mae Stewart
Pai: Charles "Bud" Penniman
Cônjuge Ernestine Campbell (c. 1959–63)
Filho(s) Danny Jones Penniman
Instrumento(s)
Extensão vocal Tenor
Período em atividade 1947–2013
Gravadora(s)
Afiliação(ões)

Uma figura influente na música e cultura populares por sete décadas, ele foi apelidado de "The Innovator", "The Originator" e "The Architect of Rock and Roll". O trabalho mais célebre de Penniman data de meados da década de 1950, quando seu carismático espetáculo e música dinâmica, caracterizada por tocar piano frenético, bater violão e vocais estridentes, lançaram as bases para o rock and roll. Suas inovadoras vocalizações emotivas e música ritmada também desempenharam um papel fundamental na formação de outros gêneros musicais populares, incluindo soul e funk. Ele influenciou inúmeros cantores e músicos em todos os gêneros musicais, do rock ao hip hop; sua música ajudou a moldar o rhythm and blues nas próximas gerações.

Tutti Frutti" (1955), uma das músicas de assinatura de Penniman, tornou-se um sucesso instantâneo, passando para as paradas pop nos Estados Unidos e no Reino Unido. Seu próximo single de sucesso, "Long Tall Sally" (1956), alcançou o primeiro lugar na lista de best-sellers da Billboard Rhythm and Blues, seguido por uma sucessão rápida de mais 15 singles de sucesso em menos de três anos. Suas performances durante esse período resultaram em integração entre americanos brancos e afro-americanos em sua audiência. Em 1962, durante um período de cinco anos em que Penniman abandonou o rock and roll pelo cristianismo nascido de novo, o promotor de shows Don Arden o convenceu a fazer uma turnê pela Europa. Durante esse período, Arden abriu os Beatles para Penniman em algumas datas da turnê, capitalizando sua popularidade. Penniman os aconselhou sobre como tocar suas canções e ensinou a Paul McCartney suas vocalizações distintas.[2] Outro de seus sucessos foi "Keep a Knockin'" (cuja introdução de bateria influenciou o Led Zeppelin na canção "Rock and Roll").

Penniman é citado como um dos primeiros artistas negros crossover, atingindo o público de todas as raças. Suas músicas e shows quebraram a linha de cores, juntando pretos e brancos, apesar das tentativas de sustentar a segregação. Seus contemporâneos, incluindo Elvis Presley, Buddy Holly, Bill Haley, Jerry Lee Lewis, The Everly Brothers, Cliff Richard, Gene Vincent e Eddie Cochran, todos gravaram covers de seus trabalhos. Tomado por sua música e estilo, e pessoalmente fanzendo cover quatro de suas canções de Penniman em seus dois álbuns inovadores em 1956, Presley disse a Penniman em 1969 que sua música era uma inspiração para ele e que ele era "o melhor".[3]

Penniman foi homenageado por muitas instituições. Ele foi introduzido no Hall da Fama do Rock and Roll como parte de seu primeiro grupo de indicados em 1986. Ele também foi introduzido no Hall of Fame dos compositores. Ele recebeu um Lifetime Achievement Award da Recording Academy e um Lifetime Achievement Award da Rhythm and Blues Foundation. Em 2015, Penniman recebeu um Rhapsody & Rhythm Award do Museu Nacional de Música Afro-Americana por seu papel fundamental na formação de gêneros de música popular e por ajudar a acabar com a divisão racial nas paradas musicais e em concertos em meados de 1950, mudando significativamente a cultura americana. "Tutti Frutti" foi incluída no Registro Nacional de Gravação da Biblioteca do Congresso em 2010, que afirmou que sua "vocalização única sobre o ritmo irresistível anunciava uma nova era na música".

Little Richard teria injetado funk no rock and roll durante este período, através de bateristas de sua banda The Upsetters, em meados da década de 1950, influenciando bastante desenvolvimento desse gênero musical quando acompanhavam seu amigo James Brown.[4][5]

Richard tornou-se um astro, mas era atormentado por questões religiosas ligadas à sua bissexualidade, pois cresceu numa cultura cristã e conservadora. Por fim, em 1958, largou a carreira após uma excursão à Austrália para dedicar-se à religião. Tornou-se pastor e gravou canções gospel. Em 1962, entretanto, voltou aos palcos em uma turnê com shows de abertura dos Beatles e do Rolling Stones.

O interesse da cultura pop britânica pelos pioneiros do rock americano fez com que realizasse diversos shows em clubes ingleses, ao longo dos anos 60, sempre interpretando seus grandes sucessos. Também nos Estados Unidos, buscou revitalizar sua carreira gravando canções de padrão soul, mas sempre foi mais reconhecido pelo seu repertório de seus anos iniciais. Nos anos 70, embora sempre respeitado por seu pioneirismo, dedicou-se mais a eventos nostálgicos celebrando as "origens" do rock 'n' roll do que a uma carreira artística efetiva, gravando poucas canções inéditas.

BiografiaEditar

 
Little Richard sendo entrevistado na entrega do Óscar de 1988.

InfânciaEditar

Richard Wayne Penniman nasceu em Macon, Geórgia, terceiro de doze filhos de Charles "Bud" Penniman, fabricante clandestino de bebidas alcoólicas,[6] e Leva Mae. Cresceu em uma família religiosa na qual cantar fazia parte integral de suas vidas, eles se apresentavam em igrejas locais como "The Penniman Singers", e chegaram a entrar em competições com outras famílias cantoras. Sua família o chamava de "War Hawk" (br: Falcão de Guerra) por causa de sua maneira de cantar alto e gritado. Seu avô, Walter Penniman, era um pastor, e os pais de sua família eram membros da fundação templária "African Methodist Episcopal" (AME) na igreja de Macon. Sua avó materna era membro do "Macon's Holiness Temple Baptist Church". Ele frequentava a "New Hope Baptist Church" em Macon com sua mãe. As preferidas de Richard eram as igrejas pentecostais por causa da música e a diversão que tinha fazendo a dança sagrada e fazendo glossolalia com os membros da congregação. Quando tinha dez anos se tornou um curador pela fé, cantando canções gospel e tocando nas pessoas, que testemunhavam que sentiam melhor após a prática. Inspirado pelo Irmão Joe May, um cantor evangelista conhecido como "The Thunderbolt of the West" (br: "Raio trovejante do oeste"), Richar queria ser um pastor.[7]

O fraseado dramático e mudanças rápidas de voz de Richard eram inspiradas nos artistas negros de gospel das décadas de 1930 e de 1940. Richard disse que Sister Rosetta Tharpe era a sua cantora preferida na infância. Ela convidou-o para cantar uma canção no palco do auditório da cidade de Macon em 1945, depois de o ouvir cantando antes do show. A plateia aplaudiu com entusiasmo e ela pagou-lhe uma quantidade de dinheiro que ele nunca havia visto na vida.[8] Também foi influenciado por Mahalia Jackson, Brother Joe May e Marion Williams de quem ele pegou a marca registrada "whoooo" em seus vocais. Seu visual e som foram inspirados no estilo gospel e jump blues do final dos anos 40 do cantor Billy Wright conhecido como "Príncipe do Blues".[9] Billy apresentou Richard ao DJ Zenas Sears, que conseguiu para o novato seu primeiro contrato de gravação em 1951.[10]

Uma das principais influências de Richard ao tocar piano foi Esquerita (Eskew Reeder, Jr.), que lhe mostrou como tocar notas altas sem comprometer o baixo. Richard conheceu Esquerita quando viajou por Macon com uma pastora chamada Irmã Rosa.

Richard vivia em uma vizinhança negra, e tinha algum contato com brancos, mas devido à segregação racial ele não podia cruzar a linha para onde os brancos viviam.[11] Enquanto estava no colegial, Richard tocou saxofone na banda da escola. Começou a perder o interesse na escola e tocar em várias bandas itinerantes durante sua adolescência.[12] Aos 14 anos se juntou ao show do intérprete Sugarfoot Sam do Alabama, onde aparecia vestido de mulher e era chamado de "Princesa Lavonne - A excentricidade do ano".

Anos 50Editar

Em outubro de 1951, Richard começou suas gravações de jump blues pela RCA Camden. Em 1952 enquanto Richard estava em uma de suas gravações, seu pai levou um tiro e morreu, o assassino foi preso mas pouco tempo depois as acusações acabaram sendo retiradas. Com as vendas pobres de suas primeiras gravações e seu pai morto, Richard foi forçado a trabalhar como lavador de pratos em Macon.

Suas próximas gravações com a Peacock Records em 1953 não estavam satisfazendo Richard com sua carreira solo, ele então formou uma nova banda de R&B chamada "The Upsetters". A banda começou com o baterista de Nova Orleans Charles "Chuck" Connors e dois saxofonistas, incluindo Wilbert "Lee Diamond" Smith.[13] Em 1955 se juntaram à banda os saxofonistas Clifford "Gene" Burks e Grady Gaines, o guitarrista Nathaniel "Buster" Douglas e o baixista Olsie "Baysee" Robinson.[14][15]

Como sugestão de Lloyd Price, Richard gravou uma demo para o selo gospel/R&B Specialty Records em 9 de fevereiro de 1955.[16] O dono da Specialty, Art Rupe, o emprestou dinheiro para comprar seu contrato da Peacock Records e colocar sua carreira nas mãos de Robert "Bumps" Blackwell da Specialty A&R.

Rupe e BlackWell primeiramente enxergavam Richard como sendo um rival comercial de Ray Charles, que estava experimentando sucesso pela Atlantic Records cantando canções gospel e desenvolvendo canções com uma batida blues.[17] Richard disse à Rupe que gostava do som de Fats Domino, então Rupe e Blackwell reservaram o estúdio de gravação J & M de Cosimo Matassa em Nova Orleans, e contrataram músicos de estúdio que haviam trabalhado com Fats Domino (incluindo Earl Palmer na bateria e Lee Allen no sax) que logo depois se tornaram músicos da banda de Richard durante turnês nos meio dos anos 50.

Após seguidas gravações que não agradaram Blackwell, Richard começou a espancar no piano um ritmo boogie woogie e gritar a improvisadamente "Tutti Frutti", uma canção que ele havia escrito e apresentado no palco durante anos. Blackwell estava tão impressionado com aquele som que fez Richard gravar a canção. No entanto, para deixar a canção comercialmente aceitável, Richard teve que reescrever a letra. Blackwell achou que a letra com humor homossexual e modos de menestrel precisavam ser limpos.[18] Por exemplo, "Tutti Frutti, good booty"[19] foi substituído por "Tutti Futti, aw-rooty". A canção já tinha a introdução a capella "A-wop-bop-a-loo-lop-a-lop-bam-boom!" que também foi ligeiramente alterada para ficar comercialmente aceitável. A gravação foi lançada pela Specialty em outubro de 1955. A expressão "A-wop-bop-a-loo-lop-a-lop-bam-boom!", que virou seu grito de guerra, foi inventada por ele na época em que trabalhava como lavador de pratos na lanchonete da rodoviária de Macon. Ele a usava como resposta às ofensas raciais que seu então patrão dirigia a ele.[20]

MorteEditar

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Richard morreu no dia 9 de maio de 2020, aos 87 anos, de tumor ósseo.[21]

DiscografiaEditar

  • 1957: Here's Little Richard (Specialty)
  • 1959: Little Richard (Specialty)
  • 1959: The Fabulous Little Richard (Specialty)
  • 1960: Pray Along with Little Richard, Volume 1 (End)
  • 1960: Pray Along with Little Richard, Volume 2 (End)
  • 1962: The King of the Gospel Singers (Mercury)
  • 1964: Little Richard Is Back (And There's A Whole Lotta Shakin' Goin' On!) (Vee-Jay)
  • 1965: Little Richard's Greatest Hits (Vee-Jay)
  • 1967: The Incredible Little Richard Sings His Greatest Hits - Live! (Modern)
  • 1967: The Wild and Frantic Little Richard (Modern)
  • 1967: The Explosive Little Richard (Okeh)
  • 1967: Little Richard's Greatest Hits: Recorded Live! (Okeh)
  • 1970: The Rill Thing (Reprise)
  • 1971: Mr. Big (Joy)
  • 1971: The King of Rock and Roll (Reprise)
  • 1972: The Second Coming (Reprise)
  • 1974: Right Now! (United)
  • 1974: Talkin' 'bout Soul (Dynasty)
  • 1976: Little Richard Live (K-Tel)
  • 1979: God's Beautiful City (Word)
  • 1986: Lifetime Friend (WEA Records)
  • 1992: Shake It All About (Disney)
  • 2005: Southern Child (gravado em 1972) (Reprise)

Notas

  • Este artigo foi inicialmente traduzido do artigo da Wikipédia em inglês, cujo título é «Little Richard».

Referências

  1. Little Richard. «100 Greatest Artists: Little Richard» (em inglês). Consultado em 3 de setembro de 2011 
  2. Harry, Bill (2000). The Beatles Encyclopedia: Revised and Updated. London: Virgin. p. 600 ISBN 978-0-7535-0481-9.
  3. White, Charles (2003). The Life and Times of Little Richard: The Authorized Press. Omnibus Press. p. 227 ISBN 978-0-306-80552-3.
  4. http://www.rockhall.com/inductee/little-richard
  5. Rj Smith (2012). James Brown : sua vida, sua música. [S.l.]: Leya Brasil. 9788580445466 
  6. White (2003), p. 3.
  7. White (2003), pp. 15-17.
  8. White (2003), p. 17.
  9. White (2003), p. 25.
  10. Dahl, Bill. «((( Billy Wright > Biography )))». allmusic. Consultado em 18 de setembro de 2010 
  11. «Crossing racial lines: Meeting friends they never had - CNN.com». CNN. 12 de novembro de 2009. Consultado em 11 de maio de 2010 
  12. «BBC - h2g2 - Little Richard». Feeds.bbc.co.uk. Consultado em 18 de setembro de 2010 
  13. White (2003), p.38-39.
  14. Dahl, Bill. «Grady Gaines». Allmusic. Consultado em 15 de fevereiro de 2010 
  15. White (2003), p. 82 (veja a página 5, seção de fotos).
  16. White (2003), p. 43.
  17. White (2003), pp. 45-6.
  18. Lhamon, W.T.. Deliberate Speed: The Origins of a Cultural Style in the American 1950s. USA: The Smithsonian Institution, 1990.
  19. White, Charles. The Life and Times of Little Richard: The Quasar of Rock". New York: Harmony, 1984
  20. Gabriel Pillar Rossi, ed. (2004). «Rock 'n' Roll». Mundo Estranho apresenta Rock!. São Paulo: Editora Abril. p. 18 
  21. Browne, David (9 de maio de 2020). «Little Richard, Founding Father of Rock Who Broke Musical Barriers, Dead at 87». Rolling Stone (em inglês). Consultado em 9 de maio de 2020 

Ligações externasEditar

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