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Lourenço Soares de Ribadouro

Senhor de Fontelo, Vila Cova, Fonte Arcada e Caria
Lourenço Soares de Ribadouro
Rico-homem/Senhor
Senhor de Fontelo, Vila Cova e Caria
Reinado 1191-1222
Predecessor Bermudo Soares
Sucessor Urraca Sanches de Portugal
Senhor de Fonte Arcada
Reinado 1208-1222
Predecessor Sancha Bermudes de Trava
Sucessor Urraca Sanches de Portugal
Tenente régio
Reinado
Cônjuge Urraca Sanches de Portugal
Dinastia Ribadouro
Nascimento Antes de 1189
Morte 28 de setembro de 1222
Enterro Mosteiro de Salzedas, Tarouca, Viseu, Portugal
Pai Soeiro Viegas de Ribadouro
Mãe Sancha Bermudes de Trava
Religião Catolicismo romano

Lourenço Soares de Ribadouro (antes de 1189 - 28 de setembro de 1222), foi um fidalgo, rico-homem e cavaleiro medieval português, e senhor de várias honras. De entre os vários cargos tenenciais que ocupou, encontra-se a familiar tenência de Lamego, "herdada" do pai e do irmão[1].

Índice

Primeiros anosEditar

Lourenço Soares era filho do magnate Soeiro Viegas de Ribadouro, filho mais novo de Egas Moniz, o Aio, e da sua sua esposa Sancha Bermudes de Trava, sobrinha do primeiro rei de Portugal, Afonso Henriques. Estava, portanto, estreitamente aparentado à família real portuguesa, laço que viria a aumentar pelo casamento.

Batalha de Ervas TenrasEditar

Lourenço começa a surgir na documentação a partir da Batalha de Ervas Tenras, sensivelmente por volta de 1190/91, na qual terá perecido o irmão mais velho de Lourenço, Bermudo Soares de Ribadouro. Lourenço terá inclusive participado na batalha[2], que opunha as forças beirãs a Afonso IX de Leão, que, com as suas tropas, invadia a região do Ribacoa[2].

Entre a corte e os seus bensEditar

A sua ascendência privilegiada deu-lhe acesso a uma grande quantidade de haveres, que Sancho I e Afonso II de Portugal fizeram questão de aumentar, dando-lhe assim alguma autoridade na maior parte da atual Beira Alta, uma região com a qual até os monarcas procuravam manter uma sólida amizade[2]. Talvez possa ser essa a razão do matrimónio de Lourenço com uma das filhas bastardas de Sancho I de Portugal, Urraca Sanches[3].

Sucessão tenencial e gestão fundiáriaEditar

Lourenço terá "herdado" a tenência de Lamego do seu irmão até porque este havia falecido solteiro e sem descendência. Sabe-se que frequentou a corte várias vezes, pois surge em documentação curial. Em 1199, figurava já como rico-homem e tenente de Lamego, na doação de Idanha por Sancho I à Ordem Templária, posição reforçada com a sua aparição no foral da Guarda[2]. Acumulou as tenências nas regiões da Guarda, Trancoso, Marialva e Pinhel (as duas últimas confirmadas num documento do Mosteiro de Salzedas[2]). Também conseguiu a tenência de Viseu, embora não dominasse esta região[2].

Parece ter herdado da mãe algumas propriedades na Galiza, pois a 11 de fevereiro de 1219, Lourenço e a sua mulher doaram A Deus, a Santa Maria, ao abade D. Henrique e ao convento de Sobrado, a terça parte das propriedades que detinham em Nogueirosa, com os seus coutos e termos. Por esta doação, os religiosos deveriam participar em todas as orações pelas suas almas, e no dia da festa de Santiago se fizesse memória deles no Capítulo. Após a morte de ambos, os sacerdotes deveriam pregar missas pelo primeiro membro do casal a falecer[4]

O testamento de Sancho I e o conflito sucessórioEditar

Antecedentes: o testamento e a divergência nobiliárquicaEditar

Lourenço foi, juntamente com Gonçalo Mendes II de Sousa, Gonçalo Soares, Pedro Afonso de Ribadouro, e Martim Fernandes de Riba de Vizela, executor testamentário daquele rei. Teria de fazer valer os direitos do rei no caso de o seu testamento não se cumprisse como o mesmo havia estipulado. O infante não concordou com o testamento deixado pelo pai, no qual teria de ceder terras às suas irmãs, equiparadas a ele em título, e recusou cumpri-lo.

Desta forma, os primeiros anos do reinado do sucessor, Afonso II de Portugal, foram marcados por violentos conflitos internos entre o rei e as suas irmãs Mafalda, Teresa e Santa Sancha de Portugal, a quem Sancho legara em testamento, sob o título de rainhas, a posse dos castelos de Montemor-o-Velho, Seia e Alenquer, com as respectivas vilas, termos, alcaidarias e rendimentos. Ora, Afonso, tentando evitar a supremacia da influência dos nobres no seu governo, pretendia centralizar o seu poder, mas para isso incorria contra as irmãs e em último caso contra o testamento paterno. Este, como executor testamentário, e talvez por ter sido um grande companheiro do rei, foi o que mais agiu em defesa das últimas vontades de Sancho, empenhando-se em fazê-las cumprir e jurá-las solenemente[5].

O conflitoEditar

O poder de Lourenço Soares, como testamenteiro, era tal que Afonso II, desagradado com o testamento paterno que aquele e os restantes ricos-homens juraram fazer cumprir, tentou fazer dele, se não um aliado, ao menos um indiferente na repulsa que o rei ia traduzir em guerra contra as irmãs por motivo do testamento paterno.

Em sentido contrário, uma grande parte da aristocracia, por entre os quais estava Gonçalo Mendes II de Sousa, por esta altura casado já com a irmã de Lourenço, Teresa Soares de Ribadouro, fez frente ao monarca e protegeu os direitos das infantas-rainhas, mas alguns deles, como é o caso de Lourenço, permaneceram do lado do rei, posição, neste caso específico, compreensível, dado o estreito vínculo que unia a Casa de Ribadouro à Casa Real: Afonso I de Portugal fora pupilo de Egas Moniz, o Aio; e mais tarde várias damas daquela família haviam educado infantes (como o caso de Urraca Viegas de Ribadouro, tia de Lourenço, que educara a Rainha Mafalda). A posição do cunhado acabou por a sua destituição da mordomia e substituição por Martim Fernandes de Riba de Vizela, ato que o Sousão interpretou como uma afronta pessoal.

No ano seguinte, em 1212, Afonso II intimou as irmãs para que que lhe fizessem restituição das terras herdadas. Em respostas, as três infantas-rainhas, Teresa, Sancha e Mafalda, recolheram-se ao fortíssimo e quase inexpugnável castelo de Montemor-o-Velho, que era da primeira e estava guardado pelo cunhado de Lourenço, Gonçalo. As tropas reais, chefiadas Martim Anes de Riba de Vizela, chegaram mesmo a combater as hostes das infantas, chefiadas pelo Sousão nos pântanos junto ao castelo[6].

Este conflito seria resolvido apenas com intervenção do Papa Inocêncio III; o rei indemnizaria as infantas com uma soma considerável de dinheiro, e a guarnição dos castelos foi confiada a cavaleiros templários, mas era o rei que exercia as funções soberanas sobre as terras e não as infantas. Porém os Sousas (e com eles a irmã de Lourenço) seriam renegados durante todo o reinado, e assim sendo saíram de Portugal, refugiando-se em outras cortes peninsulares.

Na corte de Afonso IIEditar

Com o magnate beirão nada disto se passou, nem com os outros testamenteiros; no entanto, para segurança de Afonso, foram mencionados os castelos que lhe eram fiéis, de entre os quais estavam alguns que pertenciam a Lourenço: Marialva, Pinhel, Trancoso, Penedono, Castreição, Paredes da Beira, Sebadelhe, Moreira de Rei, Sernancelhe, Lamego e São Martinho de Mouros[6].

Terá sido sob este rei que terá recebido a tenência de Viseu, comprovada por uma entrega por ele efetuada a Gonçalo de Sá de reguengos em Sirgueiros (do Dão). Também passará a surgir em vários forais do monarca[6]. Como tenente de Tarouca (ou Castro Rei), ele próprio aforou algumas terras em 1214, com o seu conselho e juiz[6]. Instituiu também quatro maravedis no foro de Meijinhos, a título de colheita para o rico-homem, um procedimento pouco habitual[6].

Morte e posteridadeEditar

Lourenço não chegou ao fim do reinado de Afonso II, pois faleceu, sem descendência, uns meses antes deste, a 28 de setembro de 1222, segundo o obituário do mosteiro de Salzedas, onde se sepultou[7], deixando os seus bens à viúva. A autoridade que detivera na Beira Alta foi em parte, através da sua irmã, herdada pelo belicoso Gonçalo Mendes II de Sousa, regressado da corte leonesa após a morte de Afonso II de Portugal, em 1223.

Referências

  1. Mattoso 1981, p. 194-195.
  2. a b c d e f GEPB 1935-57, p. 335, vol.29.
  3. Sottomayor-Pizarro 1997.
  4. López-Sangil 2002, p. 56 e 65.
  5. GEPB 1935-57 vol.17, p. 889.
  6. a b c d e GEPB 1935-57 vol.17, p. 889.
  7. Reis 1934.

BibliografiaEditar

Lourenço Soares de Ribadouro
Casa de Riba Douro
Herança familiar
Precedido por
Bermudo Soares
Senhor de Caria
Senhor de Fontelo
Senhor de Vila Cova

1191-1222
Sucedido por
Urraca Sanches de Portugal
Precedido por
Sancha Bermudes de Trava
Senhor de Fonte Arcada
1208-1222