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Margraviato da Morávia

Markgrafschaft Mähren (de)

Terras da Coroa da Boêmia
(1348–1918)
Estado Imperial do Sacro Império (1198–1806)
Terras da Coroa da Monarquia de Habsburgo
(1526–1804)
Terras da Coroa do Império Austríaco (1804-1867)
Terras da Coroa da Cisleitânia
(1867–1918)
Parte da Áustria-Hungria
(1867–1918)

Přemyslovci erb.svg
1182 — 1918 
Flag of the Czech Republic.svg
Bandeira   Brasão de armas
Bandeira Brasão de armas
Locator Moravia within the Holy Roman Empire (1618).svg
A Morávia no Sacro Império Romano-Germânico, em 1618
Verwaltungsgliederung der Markgrafschaft Mähren 1893.svg
Margraviato da Morávia, em 1893
Continente Europa
Capitais Olomouc (1182 - 1641)
Bruno (1641 - 1918)

Línguas oficiais Dialetos Moravianos
Checo
Polonês
Alemão
Religiões Católica Romana
Luterana
Hussita
Anabatista
Judia

Forma de governo Margraviato
Margrave
• 1182–1191 (primeiro)  Conrado II da Boêmia
• 1916–1918 (último)  Carlos I da Áustria

História  


• 1182  Fundação
• 1918  Extinção

Área
 • 1918  22 222 km²

População
 • 1918   2 662 000  (est.)
     dens. pop. 119,8 hab./km²

O Margraviato da Morávia ou Marca da Morávia foi uma marca de fronteira existente de 1182 a 1918 e uma das Terras da Coroa da Boêmia. Ele foi oficialmente administrado por um margrave em cooperação com uma dieta provincial. Ele foi diversamente um estado independente, de facto, e também sujeito ao Ducado, mais tarde, Reino da Boêmia. Ele compreende a região chamada de Morávia, dentro da atual República Checa.

Índice

GeografiaEditar

O Margraviate se localiza a leste da Boêmia, com uma área de cerca de metade da região. Ao norte, as Montanhas dos Sudetos, que se estendem até a Porta Morávia, formava a fronteira com o polonês Ducado da Silésia, incorporada como uma Terra da Coroa Boêmia, no Tratado de Trenčín, de 1335. A leste e sudeste, o oeste dos Montes Cárpatos a separavam da atual Eslováquia. Ao sul, o torutuoso Rio Thaya marcava a fronteira com o Ducado da Áustria.

Os morávios, geralmente considerados um povo checo que falava dialetos morávios, formavam a maior parte da população. De acordo com um senso cisleitânio de 1910, 27,6% se identificaram como morávios alemães.[1] Os alemães desta etnia seriam expulsos, após a Segunda Guerra Mundial. Outros grupos étnicos minoritários incluíam polacos, ciganos e eslovacos.

HistóriaEditar

Após o início medieval Grande Morávia reino tinha sido finalmente derrotado pelos príncipes arpades da Hungria, em 907, e oque é hoje a Eslováquia foi incorporada como "Alta Hungria" (Felső-Magyarország), enquanto a adjacente Morávia passou à autoridade do Ducado da Boêmia. O rei Otão I da Germânia, oficialmente a concedeu ao Duque Boleslau I, em troca de seu apoio contra as forças húngaras na Batalha de Lechfeld, em 955. Temporariamente governada pelo Rei Bolesłau I, o Bravo, da Polônia, de 999 até 1019, a Moravia foi re-conquistada pelo Duque Oldrique da Boêmia e, finalmente, tornou-se uma terra da Coroa de São Venceslau, mantida pela Dinastia Premislida.

 
Sessão da Dieta Moraviana, século XVII

Em 1182, o Margraviato foi criado a mando do Imperador Frederico Barba Ruiva, pela fusão dos três principados premislidas (Bruno, Olomouc e Znojmo) e cedidos a Conrado II, filho do Príncipe de Conrado de Znojmo. Como herdeiro aparente, o futuro Rei Otacar II da Boêmia foi nomeado Margrave da Morávia por seu pai Venceslau I, em 1247. Junto com a Boêmia, a Morávia foi governada pela Casa de Luxemburgo, desde a extinção da Dinastia Premislida, até 1437. Jobst, sobrinho do Imperador Carlos IV, herdou o Margraviato em 1375, governou de forma autônoma, e foi até eleito Rei dos Romanos, em 1410. Abalados pelas Guerras Hussitas, os nobres moravianos permaneceram leais apoiadores do imperador luxemburgo, Sigismundo.

Em 1469, a Morávia foi ocupada pelo rei húngaro Matias I, que tinham aliado com a nobreza católica contra o governo de Jorge de Poděbrady, e eleito a si mesmo como Rei Rival da Boêmia, em Olomouc. A rivalidade com o Rei Vladislau II foi apaziguada na Paz de Olomouc, de 1479, na qual Matias renunciou ao título real, mas manteve o governo sobre as terras da Morávia.[2]

Com as outras Terras da Coroa da Boêmia, o Margraviato foi incorporado à Monarquia dos Habsburgo, na morte do Rei Luís II, em 1526, na Batalha de Mohács. A Morávia foi governada como uma terra da coroa, dentro do Império Austríaco, a partir de 1804, e dentro da Áustria cisleitânia, a partir de 1867.[3]

Durante a fundação da Checoslováquia, após a Primeira Guerra Mundial, o Margraviato foi transformado em "Terra da Morávia", depois em "Terra da Morávia-Silésia", em 1918. Esta autonomia foi eliminada em 1949, pelo governo comunista e não foi restabelecida desde então.

GovernoEditar

 
O antigo prédio da Dieta Moraviana. Agora, Tribunal Constitucional da República Checa.

O Margrave manteve autoridade suprema na Morávia, por toda a história do margraviato. Isto significava que, enquanto seus Margraves se tornavam cada vez mais estrangeiros, assim também se tornava o margraviato.

A Morávia possuía uma legislação conhecida como Dieta Moraviana. A assembleia tem suas origens em 1288, com o colloquium generale, ou curia generalis.[4] Esta era uma reunião da alta nobreza, cavaleiros, o bispo de Olomouc, abades e embaixadores das cidades reais. Estas reuniões evoluíram gradualmente para a Dieta.

O poder desta dieta aumentou e diminuiu ao longo da história. Ao fim do margraviato, a dieta estava quase impotente. A dieta consistia de três estamentos do reino: a alta nobreza, a baixa nobreza e os prelados e burgueses.[5] Com a Patente de Fevereiro, de 1861, a dieta foi reformada, e se tornou um corpo mais igualitário. Ela ainda mantinha a mesma estrutura, mas os membros mudaram. Ela consistia de lugares na assembleia para proprietários de terras, cidadãos urbanos e produtores rurais. Isso foi mantido até a dieta ser abolida, após a queda da Monarquia Dual.

A águia moravianaEditar

 
Brasão de armas não oficial da Morávia, por Hugo Gerard Ströhl

O brasão de armas da Morávia é gravado com uma coroada águia xadrez  prata e vermelha, com garras e língua dourados. Ele apareceu pela primeira vez ,o selo do Margrave Premislida (1209-1239), o filho mais novo do Rei Otacar I da Boêmia. Depois de 1462, é uma águia moraviana xadrez dourada e vermelha, mas nunca aceita pela assembleia moraviana.


AdministraçãoEditar

Até 1848Editar

Na metade do século XIV, o Imperador Carlos IV, também Rei da Boêmia e Margrave de Morávia, estabeleceu divisões administrativas chamadas kraje. Essas subdivisões foram nomeadas pelas sua capitais, algumas das quais eram:

Depois de 1848Editar

 
Morávia e distritos silesianos-austríacos, 1897

Após as revoluções de 1848, os kraje foram substituídos por distritos políticos (politický okres), que foram, em grande parte, mantidas pela administração da Checoslováquia, depois de 1918:


Governantes de MoráviaEditar

Duques de MoráviaEditar

Dinastia PremislidaEditar

Governante Nascimento Reinado Morte Território Governado Cônjuge Notas
Bretislau I   1002/1005 1019/29-1033 10 de janeiro de 1055 Morávia Judith de Schweinfurt
1020
quatro filhos
Filho de Oldrique da Boêmia. Primeira vez que a Morávia se separa da Boêmia. Seu pai usurpou seu lugar por um ano.
Oldrique I   975 1033-1034 9 de novembro de 1034 Morávia Esposa desconhecida
sem filhos

Bozena
em torno de 1002
(morganático)
um filho
Após sua morte, seu filho retomou a Morávia.
Bretislau I   1002/1005 1034-1055 10 de janeiro de 1055 Morávia Judith de Schweinfurt
1020
quatro filhos
Após sua morte, seus filhos dividiram sua herança.
Conrado I   em torno de1035 1055-1056 6 de setembro de 1092 Bruno Vilpirca de Tengling
1054
dois filhos
Recebeu Bruno depois da partilha de 1055. No ano seguinte, seu irmão Espitigneu ascendeu ao trono da Boêmia e reuniu todas as terras moravianas.
Vratislau I   em torno de 1035 1055-1056 14 de janeiro de 1092 Olomouc Maria
antes de 1057
sem filhos

Adelaide I da Hungria
1057
quatro filhos

Sietoslava da Polônia
1062
cinco filhos
Recebeu Olomouc depois da partilha de 1055.
Otão I o Justo   1045 1055-1056 9 de junho de 1087 Znojmo Eufêmia da Hungria
antes de 1073
dois filhos
Recebeu Znojmo depois da partilha de 1055.
Espitigneu I   1031 1056-1061 28 de janeiro de 1061 Morávia Ida de Wettin
em torno de 1054
um filho
Uniu as terras da Boêmia e da Morávia.
Conrado I   em torno de 1035 1061-1092 6 de setembro de 1092 Bruno e Znojmo Vilpirca de Tengling
1054
dois filhos
Recebeu Bruno e Znojmo. Em 1092, dividiu a terra entre seus dois filhos.
Otão I o Justo   1045 1061-1087 9 de junho de 1087 Olomouc Eufêmia da Hungria
antes de 1073
dois filhos
Recebeu Olomouc depois da partilha de 1061.
Boleslau 1062 1087-1091 11 de agosto de 1091 Olomouc não se casou Recebeu Olomouc depois da partilha de 1061.
Svatopluk I o Leão   1075 1091-1109 21 de setembro de 1109 Olomouc esposa desconhecida
um filho
Foi assassina na tenda de Henrique V, por um membro da nobra família Vršovci, da Boêmia.
Leopoldo I ? 1092-1112 15 de março de 1112 Znojmo Ida da Áustria
um filho
Filho de Conrado I. Recebeu Znojmo depois da partilha de 1092. Não deixou descendentes e suas terras foram unidas a Bruno
Oldrique II   em torno de 1035 1092-1112 5 de janeiro de 1113 Bruno Adelaide
dois filhos

Sofia de Berga
1113
três filhos
Filho de Conrado I. Recebeu Bruno depois da partilha de 1092. Em 1112, uniu Bruno e Znojmo.
1112-1113 Bruno e Znojmo
Sobeslau I   em torno de 1075 1113-1123 14 de fevereiro de 1140 Bruno e Znojmo Adelaide II da Hungria
1123
cinco filhos
Filho de Bretislau I.
Conrado II   em torno de 1075 1123-1161 14 de fevereiro de 1140 Znojmo Maria da Sérvia
1132
quatro filhos
Filho de Vratislau I.
Otão II o Negro 1085 1109-1123 18 de fevereiro de 1126 Olomouc esposa desconhecida
um filho
Governou Olomouc, a partir de 1091, com seu irmão Svatopluk. Adquiriu Bruno em 1123.
1123-1126 Olomouc e Bruno
Venceslau Henrique   1107 1126-1130 1 de março de 1130 Olomouc não se casou
Vratislau II em torno de 1111 1126-1146 1146 Bruno Uma princesa russa
1132
três filhos
Leopoldo II 1102 1130-1137 1143 Olomouc não se casou Filho de Borivoi II da Boêmia.
Vladislau ? 1137-1140 1165 Olomouc nao se casou Filho de Sobeslau I.
Otão III 1122 1140-1160 12 de maio de 1160 Olomouc Durância
cinco filhos
Filho de Otão II.
Espitigneu II ? 1146?-1182 1199 Bruno não se caou Em 1182 abdicou em favor de Conrado III.
Frederico I   1142 1160-1173 25 de março de 1189 Olomouc Isabel da Hungria
1157
seis filhos
Filho de Vladislau II.
Oldrique III 1134 1173-1177 18 de outubro de 1177 Olomouc Cecília da Turíngia
sem filhos

Sofia da Mísnia
sem filhos
Filho de Vladislau II.
Venceslau 1137 1177-1178 depois de 1192 Olomouc não se casou Filho de Sobeslau I. Abdicou em favor de Conrado III.
Conrado III   em torno de 1136 1161-1178 9 de setembro de 1191 Znojmo Hellicha de Wittelsbach
antes de 1176
sem filhos
Filho de Conrado II. Uniu Znojmo e Olomouc. Bruno foi unida em 1182, quando ele também se tornou o primeiro Margave da Morávia.
1178-1182 Znojmo e Olomouc
1182-1191 Morávia

Margraves da MoráviaEditar

Dinastia PremislidaEditar

(unido com a Boêmia 1189-1197)

(mantida diretamente pelo Rei Rodolfo I da Germânia 1278-1283)

Habsburgo e GoriziaEditar

LuxemburgoEditar

JagelãoEditar

HabsburgoEditar

(sob o governo unido dos reis boêmios a partir de 1611 (ver Lista de governantes da Boêmia)

ReferênciasEditar

  1. Pánek, Jaroslav; Tůma, Oldřich (2009). A History of the Czech Lands. Prague: Charles University Press. ISBN 978-80-246-1645-2 
  2. Prinz, Friedrich (1993). Deutsche Geschichte in Osten Europas: Böhmen und Mähren. Berlin: Wolf Jobst Siedler Verlag GmbH. p. 381. ISBN 3-88680-200-0. Consultado em 25 de fevereiro de 2013 
  3. Urban, Otto (1998). «V.». Czech Society 1848–1918. United Kingdom: Cambridge University Press. ISBN 0-521-43155-7. Consultado em 25 de fevereiro de 2013 
  4. Válka, Josef (1995). Dějiny Moravy: Morava reformace, renesance a baroka (em Czech). Brno: Muzejní a vlastivědná společnost v Brně. ISBN 9788085048629. Consultado em 7 de março de 2013 
  5. David, Jiří (2009). «Moravian estatism and provincial councils in the second half of the 17th century». Folia historica Bohemica. 1. 24: 111–165. ISSN 0231-7494 

Ligações externasEditar