Santana do Matos

Santana do Matos
  Município do Brasil  
Símbolos
Bandeira de Santana do Matos
Bandeira
Brasão de armas de Santana do Matos
Brasão de armas
Hino
Apelido(s) "Coração do Rio Grande do Norte"
Gentílico santanense
Localização
Localização de Santana do Matos no Rio Grande do Norte
Localização de Santana do Matos no Rio Grande do Norte
Mapa de Santana do Matos
Coordenadas 5° 57' 28" S 36° 39' 21" O
País Brasil
Unidade federativa Rio Grande do Norte
Região intermediária[1] Mossoró
Região imediata[1] Açu
Municípios limítrofes Angicos, Fernando Pedroza, Itajá, São Vicente, Florânia, Tenente Laurentino Cruz, Lagoa Nova, Bodó, Cerro Corá, São Rafael (Rio Grande do Norte) e Jucurutu
Distância até a capital 191 km[2]
História
Fundação 1827 (193 anos)
Emancipação 6 de agosto de 1855
Aniversário 27 de outubro
Administração
Distritos
Prefeito(a) Maria Alice Silva (PR, 2017 – 2020)
Vereadores 9
Características geográficas
Área total [3] 1 425,364 km²
População total (IBGE/2012[4]) 13 809 hab.
 • Posição RN: 38º
Densidade 9,7 hab./km²
Clima Semiárido (BSh)
Altitude 141 m
Fuso horário Hora de Brasília (UTC−3)
CEP 59520-000
Indicadores
IDH (PNUD/2010[5]) 0,591 baixo
PIB (IBGE/2008[6]) R$ 124,269 73 mil
PIB per capita (IBGE/2017[6]) R$ 9 351,32
Outras informações
Padroeiro(a) Senhora Sant'Ana
Website www.santanadomatos.rn.gov.br (Prefeitura)
www.santanadomatos.rn.leg.br (Câmara)

Santana do Matos, é um município brasileiro situado na Região Central do estado potiguar. De acordo com o Censo de 2010 do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), o município contava com uma população de 13.798 habitantes, dos quais 6.905 viviam no meio rural.[7] O município é o 3º maior do estado possuindo uma área territorial de 1.420 km², e é historicamente conhecido como Coração do RN, por causa de sua localização estratégica no mapa do Rio Grande do Norte.

GeografiaEditar

Santana do Matos está localizado no centro do Rio Grande do Norte e possui um clima do tipo semiárido. A vegetação predominantemente arbustiva, típica da Caatinga, é composta por elementos caducifólios - que perdem suas folhas no período da seca - salvo as Algarobas, Pereiros, Oiticicas, Carnaúbas, Craibeiras e Juazeiros que permanecem verdes em meio a paisagem acinzentada.

Todos os rios do Município são intermitentes, ou seja, secam durante os períodos de estiagem. Santana do Matos está inserido na Bacia Hidrográfica do Rio Piranhas-Açu e Sua zona urbana é abastecida pelo Açude Rio da Pedra, que comporta 13.602.215,00 m³. A má distribuição do regime de chuvas e o solo em sua maior parte pedregoso não permitem o desenvolvimento da agricultura e da pecuária intensiva, somente familiar e/ou de subsistência. Apesar disso, o município se destaca na região pelos números da sua produção de leite bovino.

Dados climatológicos para Santana do Matos
Mês Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez Ano
Temperatura máxima média (°C) 36,6 36,3 37 36,5 35,5 35 34,5 36 35 36 36 36,5 37
Temperatura média (°C) 30,1 29,7 29,4 30,2 29,4 29,3 27,4 27,1 26,9 29,1 28,9 30,1 28,9
Temperatura mínima recorde (°C) 21 22 21 21 22 19 20 20 22 22 22 22 19
Precipitação (mm) 155 130,7 260,9 278,8 47,7 3,6 20 0 0 0 0 1 897,7
Dias com chuva 6 8 13 12 4 2 2 0 0 0 0 1 48
Fonte: [8] 2020-05-14
Fontes: EMPARN Meteorologia 2019

HistóriaEditar

Cronologia

Período Pré-Colonial: O sertão nordestino é habitado por grupos humanos (paleoameríndios) há pelo menos 9 mil anos. Os primeiros habitantes do sertão potiguar foram, provavelmente, povos nômades, caçadores e coletores de alimentos. Deixaram registros gravados e pintados em pedras e paredões ao longo de rios, riachos e lagoas onde deviam caçar e coletar alimentos no período pré-colonial. Na região de Santana, a arte rupestre, como são chamados esses registros pré-históricos, é rica e diversificada. Pesquisas recentes do Professor Valdeci dos Santos Junior [9], da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte, revelaram a existência de 75 sítios arqueológicos na região central do RN denominada "Área Arqueológica de Santana". Apenas dois daqueles sítios estão registrados pelo IPHAN como patrimônio histórico. Esses valiosos registros da ocupação humana pré-histórica da região, ainda que pouco estudados, vêm sendo depredados por vândalos e turistas ignorantes.

Chegada dos Portugueses: Quando os portugueses chegaram à região, ao longo do século XVI, encontraram pelo menos três grupos culturais distintos, os Cariri, os Tarairiu e os Jê, e um grande número de grupos isolados e ainda sem classificação, dentro da denominação de Tapuia predominante no período colonial:.[10] O conflito com os colonizadores/invasores portugueses foi inevitável. Ao adentrar o sertão com a pecuária e as campanhas de aprezamento de índios para trabalho escravo, ao longo do século XVII, os portugueses logo se viram confrontados com povos arredios e valentes. O historiador Pedro Puttoni, em seu livro "A Guerra dos Bárbaros", retrata muito bem esse período de enfrentamento que resultou, como era de se esperar, na aniquilação de populações inteiras de índios do sertão. As tribos restantes, pacificadas por bandeirantes paulistas, foram aldeadas e os primeiros assentamentos de colonos brancos criados ao final do século XVII. A pecuária pode retomar seu crescimento ao final dos conflitos, desenvolvendo-se rapidamente e tornando-se importante atividade econômica. Nesse período, as oficinas de carne seca e a indústria de extração da cera de carnaúba representavam a base da economia da região. Em 1696, Bernardo Vieira de Melo, então Governador da Capitania do Rio Grande do Norte, colocou-se à frente de uma pequena expedição e fundou à margem esquerda do Rio Açu (ou Piranha) o Arraial de Nossa Senhora dos Prazeres, ponto de reforço para a conquista do sertão. Bernardo Vieira instalou-se com seus soldados no novo arraial, iniciando o aldeamento dos índios e assegurando o estabelecimento dos colonos. Surgiu daí o povoado conhecido como povoação de São João Batista da Ribeira do Céu. O município de Açu foi criado por Ordem Régia em 22 de julho de 1766. Inicialmente foi denominado de Vila Nova da Princesa. A Lei provincial nº 124, de 16 de outubro de 1845, concedeu à Vila Nova da Princesa foros de cidade com o nome de Açu. O município foi posteriormente desmembrado entre os municípios de Santana, Jucurutu, Angicos, São Rafael, Lages, Bodó, Itajá e Fernando Pedroza. O povoado do que hoje é a cidade de Santana do Matos teve início na Fazenda Bom Bocadinho, de propriedade do português Manoel José de Matos. Quando a fazenda começava a dar sinais de prosperidade, uma forte seca prejudicou seriamente a lavoura e dizimou o gado. Manoel José, homem religioso, prometeu erguer uma capela em homenagem a Nossa Senhora de Santana se a seca terminasse. A seca passou, a Fazenda Bom Bocadinho voltou a crescer e a capela foi construída, recebendo o nome de Santana do Matos, numa referência à santa milagrosa e ao dono da fazenda. A exemplo de outras cidades sertanejas, cujos territórios − municipais foram delineados pelos limites da freguesia primeva, Santana do Matos tem seu mito de origem na intervenção da avó de Cristo, nos vexames sofridos pelos primeiros vaqueiros. Câmara Cascudo explica essa "história que se enovela em lenda": Manoel José de Matos – daí o sobrenome da cidade – desesperado pelas tribulações por que passava, prometeu cultuar Sant’Ana, com capela e imagem votivas; agraciado, cumpre a promessa, lançando em terra o que seria a semente urbana. Da − construção da capela à instituição da freguesia, foi um movimento natural; em 1821, a povoação santanense assim tinha sido reconhecida. (Cascudo, 1955-a: 15.)

O povoado foi iniciado nas proximidades da capela com o nome de Santana do Pé de Serra, passando posteriormente a ser chamado de Santana do Matos, num vínculo direto com a capela que lhe deu origem. A agricultura e a pecuária foram se desenvolvendo nas terras da localidade, fazendo com que o povoado crescesse rapidamente. − −

 
Pintura rupestre

No dia 13 de outubro de 1836, de acordo com a lei n° 9, Santana do Matos desmembrou-se de Açu, tornando-se município. Mas no dia 6 de agosto de 1855, pela Resolução Provincial de nº 314, o município voltou à condição de povoado, sendo restabelecido definitivamente como município um mês depois, no dia 5 de setembro do mesmo ano. −

EconomiaEditar

Produção agrícolaEditar

PecuáriaEditar

IBGE (2015)[11]
Rebanho Efetivo (cabeças)
Bovino 23.415
Suíno 1.530
Equinos 374
Caprinos 10.375
Ovinos 13.637
Galinhas 7.570
Leite produzido 2.684.000 litros
Ovos de galinha 22.000 dúzias

EsporteEditar

Em Santana do Matos, assim como na maior parte do Brasil, os esportes mais praticados pela população são o futebol e o futsal, assim como o vôlei que também tem a preferência de um grande número de adeptos. Além de quadras poliesportivas situadas nos principais distritos e no Conjunto Lavoisier Maia, as principais estruturas para a prática de atividades esportivas encontram-se na cidade, onde a população conta com o Ginásio Poliesportivo Vereador David Azevedo de Araújo e o Estádio Municipal João Tavares da Silva, ambos reparados recentemente.

Destaca-se, nesse seguimento, a Associação Desportiva Santanense, projeto voluntário que usa o futebol como meio de transformação e apoio social a dezenas de jovens do município. A ADS, fundada em 01 de julho de 2013, depende de doações para manter as suas atividades. O projeto já foi destaque do programa Resenhas do RN, da InterTV Cabugi, afiliada da Rede Globo. Frequentemente, avaliadores de clubes do Nordeste são levados à cidade com o objeto de captar talentos locais que possam ser usados nas categorias de base de equipes profissionais da região.

O Campeonato de Blocos, realizado durante o carnaval, e o Torneio do Trabalhador, geralmente organizado no dia 1º de maio, são as principais competições esportivas que acontecem no município a cada ano. Além dessas, jovens mobilizam-se para participar do Seridosão de Futsal e Vôlei Masculino e Feminino, importante campeonato que ocorre todo ano na Região Seridó.

EducaçãoEditar

Santana do Matos tem uma bonita e importante história na área da educação. Ao longo dos anos, apesar dos diversos desafios impostos aos gestores e educadores, o município tem perseguido importantes avanços nessa área. Devido a sua extensa área territorial, faz-se necessária uma constante (re)organização do sistema de ensino com transporte de alunos, distribuição de servidores e a gestão dos estabelecimentos de ensino. A Zona Rural possui escolas-pólo que surgiram a partir da nuclearização de unidades escolares das comunidades menores com o objetivo de levar ensino especializado aos discentes, uma vez que nas pequenas escolas o ensino se dá de forma multisseriada.

Escola Localização Total de Alunos
E. M. Professora Maria Letícia Damasceno Zona Urbana 331
E. M. Professora Maria Dagmar Delmiro Zona Urbana 237
E. M. Professor Osvágrio Rodrigues de Carvalho Zona Urbana 167
E. M. José Félix da Silva Júnior Zona Rural 107
E. M. Professor Luiz Pereira Zona Rural 201
E. M. Francisca Mendes da Silva Zona Rural 176
E. M. Professora Maria Antônia de Lima Zona Rural 74
Fonte: www.qedu.org.br - Censo Escolar/INEP 2018.

Na rede estadual de ensino, o município conta com duas escolas que atendem alunos dos ensinos fundamental e médio.

Escola Localização Total de Alunos
E. E. Meira e Sá Zona Urbana 177
E. E. Aristófanes Fernandes Zona Urbana 505
Fonte: www.qedu.org.br - Censo Escolar/INEP 2018.

Duas escolas oferecem ensino privado em Santana do Matos: Educandário Senhora Santana e Escola Kairós.

Dados Educacionais
Taxa de escolarização de 6 a 14 anos de idade [2010] 97,6 %
IDEB – Anos iniciais do ensino fundamental (Rede pública) [2017] 4,5
IDEB – Anos finais do ensino fundamental (Rede pública) [2017] 3,1
Matrículas no ensino fundamental [2018] 1.562 matrículas
Matrículas no ensino médio [2018] 317 matrículas
Docentes no ensino fundamental [2018] 109 docentes
Docentes no ensino médio [2018] 16 docentes
Número de estabelecimentos de ensino fundamental [2018] 17 escolas
Número de estabelecimentos de ensino médio [2018] 1 escolas
Fonte: IBGE

Após muita luta dos profissionais da educação, em 2008 foi sancionada a Lei Municipal nº 621/2008, que instituiu o Plano de Cargos, Carreira e Remuneração do Magistério Público do Município de Santana do Matos/RN, estabelecendo uma tabela de remuneração do magistério, proporcional a uma jornada de trabalho de 30 horas. Desde então, os professores passarão a contar com respaldo legal de vários direitos, entre eles, o piso nacional do magistério.

 
Em 2010, Rômulo Gomes da Silveira foi campeão estadual do Soletrando e representou o RN no Caldeirão do Huck, da Rede Globo.

Depois, mais uma importante conquista para a educação local. No dia 23 de junho de 2015, foi aprovada e sancionada a Lei 796/2015, posteriormente publicada no diário Oficial da FEMURN, instituindo o Plano Municipal de Educação de Santana do Matos. O PME trouxe objetivos, metas e estratégias para a educação municipal no decênio 2015/2025. Desde então, as políticas educacionais devem ser pautadas tomando por base o referido instrumento normativo, o qual foi construído democraticamente por técnicos, educadores e sociedade civil em geral.

Entre as muitas conquistas de santanenses por meio da educação, uma delas tem uma relevância grande para a população. Em 2009, o aluno Rômulo Gomes da Silveira (04/01/1995) conquistou a etapa estadual do Soletrando, reality de soletração do programa Caldeirão do Huck, da Rede Globo. O jovem foi o único aluno da região a conseguir tal feito. À época, o fato muito comemorado pelos habitantes da cidade. Depois, em 2010, o santanense participou da edição nacional do campeonato e, embora não tenha sido finalista, deixou todos orgulhosos.

Referências

  1. a b Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (2017). «Base de dados por municípios das Regiões Geográficas Imediatas e Intermediárias do Brasil». Consultado em 10 de fevereiro de 2018 
  2. FEMURN. «Distâncias dos Municípios do Rio Grande do Norte a Natal-RN». Consultado em 29 de março de 2011. Arquivado do original em 16 de dezembro de 2010 
  3. https://cidades.ibge.gov.br/brasil/rn/santana-do-matos/panorama)  Em falta ou vazio |título= (ajuda)
  4. https://cidades.ibge.gov.br/brasil/rn/santana-do-matos/panorama  Em falta ou vazio |título= (ajuda)
  5. «Ranking decrescente do IDH-M dos municípios do Brasil». Atlas do Desenvolvimento Humano. Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). 2010. Consultado em 4 de setembro de 2013 
  6. a b «Produto Interno Bruto dos Municípios». Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Consultado em 01 de abril de 2020  Verifique data em: |acessodata= (ajuda)
  7. «Título ainda não informado (favor adicionar)» (PDF). www.ibge.gov.br 
  8. = http://meteorologia.emparn.rn.gov.br:8181/monitoramento/2019/graficos/d11401.html  Em falta ou vazio |título= (ajuda)
  9. «Título ainda não informado (favor adicionar)». www.uern.br 
  10. «Título ainda não informado (favor adicionar)» (PDF). pe.anpuh.org 
  11. «Título ainda não informado (favor adicionar)». www.ibge.gov.br 

Ligações externasEditar