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Como ler uma infocaixa de taxonomiaSiboglinidae
Classificação científica
Reino: Animalia
Filo: Annelida
Classe: Polychaeta
Ordem: Canalipalpata
Subordem: Sabellida
Família: Siboglinidae
Caullery, 1914
Subfamílias e géneros

Siboglinidae é uma família de animais triblásticos, vermiformes e tubícolas, pertencente à ordem Canalipalpata da classe Polychaeta (poliquetas). Os primeiros organismos desta família, que agrupa cerca de 100 espécies extantes validamente descritas,[1] foram descobertos no ano 1900, quando foram encontrados alguns exemplares entre os dragados obtidos a grandes profundidades na costa da Indonésia pelo navio oceanográfico neerlandês Siboga. O táxon inclui actualmente os organismos anteriormente conhecidos como Pogonophora.

Índice

DescriçãoEditar

A família Siboglinidae agrupa mais de 100 espécies actuais,[1] com distribuição natural nos fundos marinhos das regiões tropicais e subtropicais, geralmente a profundidades superiores a 200 metros. Esta circunstância, a que se junta a sua extrema fragilidade dificulta o seu estudo.

São animais sésseis, que vivem em tubos verticais compostos por uma mistura de proteínas e quitina que segregam a partir da epiderme. Os tubos apresentam uma consistência sólida e rígida, mas no género Riftia são flexíveis.

Excluindo o tubo, do ponto de vista morfológico estes organismos apresentam aspecto vermiforme, com corpo cilíndrico dividido longitudinalmente em regiões diferenciadas: (1) a região tentacular; (2) a região anterior; (3) a região média; e (4) a região posterior. Na região anterior apresentam um número variável de tentáculos. As diferentes regiões apresentam as seguintes características morfológicas:

  • Região tentacular: constitui a estrutura anterior do animal, designada por prosoma ou lóbulo cefálico no agrupamento Perviata e por penacho tentacular nos Vestimentifera. Nos Perviata o lobo cefálico apresenta tentáculos em número variável, comprendido entre 1 no género Siboglinum e 200 no género Polybrachia, sendo que os tentáculos possuem pequenas ramificações, ou pínulas, orientadas em direcção ao interior da cavidade delimitada pelos mesmos. Nos Vestimentifera esta região é composta por vários milhares de tentáculos, mais ou menos fundidos entre si, que delimitam uma cavidade que contém duas estruturas de suporte fundidas e dirigidas anteriormente, formando o órgão conhecido como obturáculo;
  • Região anterior: designada por mesosoma nos Perviata e por região vestimental nos Vestimentifera. Nos Perviata apresentam um sulco denominado frénulo e nos Vestimentifera existe uma estrutura em forms de túnica, o vestimento, formado por uma prega tegumentária em forma de capa;
  • Região média: designada por metassoma ou tronco, é uma região alargada, muito rica em glândulas, com uma grande quantidade de papilas e em que também aparecem tractos ciliados. Esta estruturas é similar em ambos os grupos, ainda que nos Perviata possam nela aparecer cerdas forma de gancho;
  • Região posterior: designada por opistosoma ou região caudal, é uma estruturas segmentada com cerdas similares às que dos restantes anelídeos, cuja função é manter o animal fixo nas paredes do tubo. Externamente esta região é similar em ambos os grupos, ainda que difira internamente.

A anatomia interna destes animais segue o seguinte padrão:

  • Parede do corpo: formada por uma epiderme monoestratificada que contém muitas células do tipo glandular. Inclui o sistema nervoso intraepidérmico e músculos longitudinais que permitem que o animal se recolha por retração no seu tubo;
  • Cavidades celomáticas: existem diversas cavidades celomáticas distribuídas pelas diferentes zonas do corpo:
    • Região tentacular: nos Perviata existe únicamente uma cavidade celomática da que partem ramos para os tentáculos, mas nos Vertimentifera existem duas cavidades que se ramificam para os tentáculos e para o obturáculo;
    • Região anterior: existem duas cavidades em ambos os grupos, ainda que esteja mais desenvolvida nos Perviata que entre os Vestimentifera;
    • Região media: duas cavidades celomáticas em ambos os grupos;
    • Região posterior: nos Perviata existe apenas uma cavidade por segmento, enquanto que nos Vestimentifera existem duas cavidades por segmento.

Uma das principais características do grupo é a ausência de boca e de tubo digestivo, o que leva a que na realidade estes organismos se alimentem graças ao mutualismo com bactérias quimioautotróficas do enxofre. Estas bactérias oxidam sulfureto de hidrogénio, com o que proporcionam a energia precisa para o metabolismo do hospedeiro. As bactérias estão presentes no trofossoma, um órgão derivado da região média do tubo digestivo do embrião (o resto do tubo digestivo perde-se quando o animal atinge a maturidade). Devido a esta dependência em relação aos compostos de enxofre, necessitam de viver em zonas ricas em sulfureto de hidrogénio, ambientes considerados desfavoráveis para quase todos os seres vivos, como sejam as vizinhanças das fontes hidrotermais.

Taxonomia e filogeniaEditar

A posição filogenética dos Siboglinidae tem-se mostrado controversa,[2] tendo durante muito tempo os pogonóforos constituído um filo próprio. Apesar do termo ter caído em desuso, estando os antiguos pogonóforos classificados como parte da família Siboglinidae dentro dos Annelida, ainda persiste considerável incerteza sobre as relações filogenéticas do grupo com os restantes anelídeos.

Na actual classificação, a família Siboglinidae consta de três grupos:

O grupos dos Vestimentifera são morfologicamente muito distintos e alcançam tamanhos maiores (até 1,5 metros no caso de Riftia pachyptila) e vivem a maior profundidade, razão pela qual alguns autores defendem que este organismos constituem um filo aparte.[3] Através da observação recente dos opistossomas (que em geral se perdem durante a captura), a família Siboglinidae foi incluída dentro da ordem Sabellidae da classe Polychaeta, o que foi confirmado por sequenciação do ADN.[4]

Estudos morfológicos e moleculares recentes[5][6][7] vieram contudo confirmar que a família Siboglinidae forma um táxon monofilético, partilhando um ancestral comum exclusivo ao grupo. Dentro do táxon, a maioria dos cientistas aceita quatro linhagens monofiléticas:

Siboglinidae 


 Perviata (Frenulata)





 Osedax




 Sclerolinum (Monilifera)



 Vestimentifera





Apesar disso, persiste a incerteza se o grupo dos Vestimentifera, constituído por espécies grandes e predominantemente distribuídas pelas zonas de rift, é verdadeiramente monofilético. A descoberta de um tipo semelhante ao género Osedax numa carcaça de baleia em decomposição no fundo do mar sugere uma possível ligação entre as espécies saprófagas das grandes profundidades e as espécies dependentes dos sulfuretos das fontes hidrotermais.[8]

Com base na actual classificação, são os seguintes os géneros incluídos na família Siboglinidae:

Referências

  1. a b Rouse, Greg W. (2001). «A cladistic analysis of Siboglinidae Caullery, 1914 (Polychaeta, Annelida): formerly the phyla Pogonophora and Vestimentifera». Zoological Journal of the Linnean Society (em inglés). 132: 55-80 
  2. a b c d G.W. Rouse (2001). «A cladistic analysis of Siboglinidae Caullery, 1914 (Polychaeta, Annelida): formerly the phyla Pogonophora and Vestimentifera». Zoological Journal of the Linnean Society. 132 (1): 55–80. doi:10.1006/zjls.2000.0263 
  3. Brusca, R. C. & Brusca, G. J.. Segunda edición: 2002. Invertebrados. Sinauer Associates, Sunderland.
  4. McHugh, D. (1997). «Molecular evidence thet echiurans and pogonophorans are derived annelids». Prodeedings of the National Academy of Sciences of the United States of America (em inglés). 94: 8006-8009 
  5. G. W. Rouse and K. Fauchald (1997): Cladistics and polychaetes. Zoologica Scripta 26(2): 139-204.
  6. Eve C. Southward, Anja Schulze, Stephen L. Gardiner (2005): Pogonophora (Annelida): form and function. Hydrobiologia 535/536: 227-251.
  7. Kenneth M. Halanych (2005): Molecular phylogeny of siboglinid annelids (a.k.a. pogonophorans): a review. Hydrobiologia 535/536: 297–307
  8. Feldman, R.A., Shank, T.M., Black, M.B., Baco, A.R., Smith, C.R., Vrijenhoek, R.C. (1998). Vestimentiferan on a whale fall Biological Bulletin 194(2): 116-119. open access
  9. Ana Hilário and Marina R. Cunha, On some frenulate species (Annelida: Polychaeta: Siboglinidae) from mud volcanoes in the Gulf of Cadiz (NE Atlantic)
  10. Southward et al, Vestimentiferans (Pogonophora) in the PaciŽ c and Indian Oceans: a new genus from Lihir Island (Papua New Guinea) and the Java Trench, with the Ž rst report of Arcovestia ivanovi from the North Fiji Basin, J. Nat. Hist. 36: 1179-1197 (2002)

BibliografiaEditar

 
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