Yara Lins

actriz brasileira

Yara Lins, nome artístico de Orasília Severina da Silveira (Frutal, 26 de fevereiro de 1930São Paulo, 28 de junho de 2004), foi uma atriz brasileira, pioneira da televisão.

Yara Lins
Nome completo Orasília Severina da Silveira
Outros nomes Iara Lins
Nascimento 26 de fevereiro de 1930
Frutal, MG
Nacionalidade brasileira
Morte 28 de junho de 2004 (74 anos)
São Paulo, SP
Ocupação atriz

A atriz iniciou sua carreira nas radionovelas, migrou para a televisão ainda no seu início e foi o primeiro rosto a aparecer na tela da TV brasileira na inauguração da extinta Rede Tupi de Televisão em 18 de Setembro de 1950.[1][2]

Fez rádio por muitos anos, principalmente rádio novela. Trabalhou na Rádio de Uberaba, Excelsior, Rádio Nacional e Difusora de São Paulo. E aí veio a televisão. Começou na TV Tupi, a pioneira, depois foi para a TV Paulista, Globo, SBT, Bandeirantes. Yara Lins esteve em todas as principais emissoras e foi uma das pessoas que mais apareceu na tela da televisão brasileira.[1]

Até hoje em quantidade de novelas , séries e minisséries que participou só perde para a atriz Ana Rosa, seu melhores papéis foram como a Madame Mercedes Mogliani de Vitória Bonelli, Dona Berenice da segunda versão de Selva de Pedra,[3] a Irene de Pai Herói,[4] Dona Josefa em O Machão, a dona Maria em Éramos Seis, a Mãe Cândinha da novela A História de Ana Raio e Zé Trovão, a Zulmira de Kananga do Japão e a dona Nilda mãe de Miguel Soriano (Tony Ramos) em Laços de Família que foi seu último trabalho.

CarreiraEditar

Yara Lins foi o primeiro rosto a aparecer na televisão brasileira,[5] isso exatamente no dia 18 de setembro de 1950. Ela foi convocada para dizer o prefixo da emissora: "PRF-3 Emissora Associada de São Paulo orgulhosamente apresenta, neste momento, o primeiro programa de televisão da América Latina", quando era levada ao ar a extinta Rede Tupi de Televisão a primeira emissora do Brasil e da América Latina e a quarta do mundo. Em uma entrevista dada na década de 1990 em comemoração aos 45 anos da televisão, Yara declarou: “não era uma palavra, era um palavrão! A gente vinha do rádio onde se lia um script, onde se falava várias vezes ao dia a palavra ouvintes, e de repente eu tinha que falar ao vivo, sem nenhum papel na mão e de forma calma e tranquila aquela palavra imensa: telespectadores. Eu acho que fiquei quase uma semana para conseguir falar toda a frase sem pestanejar e ficando calma”.[6]

Ainda bem garota, a filha de uma família de 5 irmãos, assistiu a um espetáculo de circo, e viu que aquilo tinha tudo a ver com ela. A parte do circo-teatro, a “pantomina”, mexeu com a garota.[7]

No rádioEditar

Yara iniciou a carreira ainda em Minas Gerais, transferindo se para São Paulo em 1949 e ingressando na Rádio Excelsior, um ano depois transfere para a Rádio São Paulo, mas teve curta permanência, tendo assinando contrato com a Emissoras Associadas.[8]

Ela fez rádio por muitos anos e principalmente radionovelas. Começou na Rádio de Uberaba, em Minas Gerais, passando depois pela Rádio Excelsior, Rádio Nacional de São Paulo e Difusora de São Paulo como atriz e apresentadora.

Na televisãoEditar

Yara esteve presente na Televisão desde o primeiro dia em sua inauguração, atuou em um total de 60 títulos dentre séries, minisséries, teleteatros, programas e principalmente telenovelas. Depois de trabalhar na Rede Tupi, ela se transfere para a TV Paulista canal 5, pertencente a Organização Victor Costa, onde se torna uma das entrevistadora do programa O mundo e das mulheres, apresentado por Hebe Camargo na década de 1950, Yara chegou a entrevistar o famoso pintor Di Cavalcanti.[9] Grande atriz Yara esteve em todas as maiores emissoras do país: Rede Tupi, TV Paulista, TV Excelsior, TV Cultura, Rede Record, Rede Globo, TV Manchete, Band e SBT.

Até hoje, Yara Lins só perde para a atriz Ana Rosa na quantidade de telenovelas, séries e seriados que participou na televisão.

Na década de 1960, já com as transmissões da telenovela diária, seus trabalhos eram de "ingênua" e de "mocinha", trabalhou em várias novelas na TV Excelsior que se despontava como grande produtora do gênero, também esteve nas primeiras novelas da Rede Globo quando a emissora ainda era em São Paulo, lá protagonizou a novela Paixão de Outono.

Já em 1968 atuou na novela revolucionária Beto Rockfeller ao lado de Luis Gustavo, Ana Rosa, Bete Mendes, Irene Ravache dentre outros no elenco, depois de uma curta passagem pela Rede Bandeirantes, voltou a Rede Tupi aonde permaneceu por toda a década de 1970, atuando em várias novelas, sendo seu papel de maior destaque na emissora foi a Madame Mercedes Mogliani em Vitória Bonelli escrita pelo novelista Geraldo Vietri, já em 1979 fez uma passagem pela TV Globo participando de Pai Herói de Janete Clair com quem já trabalhava desde os tempos de rádio.[9]

Em 1980 estava no elenco de Drácula, Uma História de Amor, apesar de ter 4 capítulos exibidos a Rede Tupi fecha o departamento de teledramaturgia e retira a novela do ar, meses depois a emissora foi fechada. A história desta novela e os atores no entanto foram aproveitados para uma versão na Rede Bandeirantes, nesta versão Yara também fez a mesma personagem assim como os demais do elenco. Movida a novos desafios profissionais, Yara reencontra Vietri em sua volta a Bandeirantes em 1982, em sua novela “Renúncia”, novamente outra novela que ficou incompleta, e no mesmo ano faz duas novelas na TV Cultura, baseadas na obra de dois escritores: Ondina Ferreira (“Nem Rebeldes Nem Fieis”) e Antonio de Alcântara Machado (“As Cinco Panelas de Ouro”). Na mesma década faz alguns trabalhos na TV Globo como as minisséries Avenida Paulista (que foi a primeira minissérie exibida pelo canal), Rabo de Saia, O Pagador de Promessas e a segunda versão de Selva de Pedra, que foi uma novela de sucesso. Ainda nos anos 1980 ela participa das primeiras novelas da recém inaugurada SBT, dentre elas foram A Força do Amor, Acorrentada, Pecado de Amor, Vida Roubada todas estas baseadas do textos originais da escritora de novelas mexicana Marissa Garrido e também de Uma esperança no Ar de Amilton Monteiro e Dulce Santucci.

No inicio da década de 1990, na Rede Manchete ela esteve em duas produções de sucesso, que foram Karanga do Japão e A História de Ana Raio e Zé Trovão, interpretando Dona Zulmira e Mãe Candinha respectivamente, sendo Ana Raio e Zé Trovão seu trabalho mais lembrado, em seguida atua em duas minisséries na Rede Globo e de um episódio de Você Decide, em seguida vai para o SBT que iniciaria uma nova fase em sua Teledramaturgia e retomaria a produção de novelas após um período hiato, estando nos remakes de Éramos Seis; sendo esta uma das novelas mais bem sucedidas da emissora que chegou a ganhar o Troféu Imprensa de melhor novela do ano e depois Sangue do Meu Sangue e Os Ossos do Barão, e por fim depois de algumas participações em programas como Você Decide e o seriado Sandy & Júnior ela participa de Laços de Família escrita por Manoel Carlos que foi seu ultimo trabalho na televisão.

No cinema e teatroEditar

Sua carreira tanto no cinema quanto no teatro foi pequena, por concentrar-se à televisão. Atuou em oito filmes, sendo os de maior destaque "Geração em Fuga" e "Xuxa Requebra". Já no teatro atuou em "Você tem medo do Ridículo Clark Gable?".

MorteEditar

Faleceu aos 74 anos, devido a problemas relacionados à Insuficiência respiratória.[10] Ela tinha câncer de pulmão devido ao fumo e estava internada no Hospital Oswaldo Cruz, em São Paulo vindo a falecer aos 28 de junho de 2004, Yara foi sepultada no Cemitério do Morumbi.[11]

Foi casada e deixou duas filhas: Mônica e Monalisa.[7]

FilmografiaEditar

TelevisãoEditar

Ano Título
2000 Laços de Família
1999 Você Decide
Sandy & Junior
1997 Uma Janela para o Céu
Os Ossos do Barão
1996 Sangue do Meu Sangue
1994 Éramos Seis
1993 Contos de Verão
1992 As Noivas de Copacabana[12]
Você Decide
1991 Terça Nobre
1990 A História de Ana Raio e Zé Trovão
La Mamma
1989 Kananga do Japão
O Cometa
1988 O Pagador de Promessas
1986 Selva de Pedra
1985 Uma Esperança no Ar
1984 Rabo de Saia
1983 Vida Roubada
Pecado de Amor
Acorrentada
1982 A Força do Amor
Avenida Paulista
Renúncia
As Cinco Panelas de Ouro
Nem Rebeldes, nem Fiéis
Caso Verdade
1981 Morte e Vida Severina
1981 Dona Santa
1980 Um Homem muito Especial
Drácula, Uma História de Amor
1979 Pai Herói
1978 João Brasileiro, o Bom Baiano
1977 Um Sol Maior
1976 Canção para Isabel
Os Apóstolos de Judas
1975 O Velho, o Menino e o Burro
1974 Ídolo de Pano
O Machão[13]
1973 Estúdio A[14]
A Volta de Beto Rockfeller
O Conde Zebra
1972 Vitória Bonelli
1971 O Preço de um Homem
Hospital
1970 Simplesmente Maria
1969 João Juca Jr.[15]
Era Preciso Voltar
1968 Beto Rockfeller
Os Diabólicos
Os Tigres
O Terceiro Pecado
Os Fantoches
1966 O Sheik de Agadir
Eu Compro Esta Mulher
1965 Paixão de Outono
A Menina das Flores
A Indomável
Aquele Que Deve Voltar
Pecado de Mulher
1964 Melodia Fatal
Ilsa (telenovela)
1963 Quando menos se espera
Conflito[16]
1962 A Pequena Lady
1960 Teleteatro Mesbla
Oliver Twist
1959 A Noite É de Garbo
Romance e Melodia
1958 Casa de Bonecas
1957 Na Noite do Passado
1955 Teledrama
O Mundo é das Mulheres
1952 TV de Vanguarda
Rosas Para o Meu Amor[17]
1951 O Único Obstáculo
1950 A vida por um fio[18]

CinemaEditar

Ano Título
1999 Xuxa Requebra
1981 Post Scriptum
1978 O Jeca e seu filho preto
1977 Tiradentes, o Mártir da Independência
1976 Senhora
1972 Geração em Fuga [19]
1968 Nas Trevas da Obsessão [18]
1963 Terra sem Deus

TeatroEditar

Ano Título
1952 A Cabra Cabriola [20]
Mãe da Lua
A Caipora
1958 Vale Sem Sol
1961 A Farsa da Esposa Perfeita
1972 A Ilha das Cabras [21]
1973 Paixão de Cristo
1980 A Carta de Somset Maughan
1985 Assim É ... (Se Lhe Parece)
1988 O Burguês e o Fidalgo
1998 Você Tem Medo do Ridículo Clark Gable? [22]

Referências

  1. a b «TV brasileira completa 48 anos». Folha de S.Paulo. 13 de setembro de 1998 
  2. «Folha de S.Paulo - Dá-lhe novela - 12/5/1996». www1.folha.uol.com.br. Consultado em 4 de setembro de 2020 
  3. «jcorreiodopovo.com.br». www.jcorreiodopovo.com.br. Consultado em 10 de março de 2020 
  4. «Pai Herói». Teledramaturgia 
  5. «A televisão brasileira entra no ar». 21 de setembro de 2010 
  6. «Telespectadores, a palavra que deixou em pânico Yara Lins - PRÓ-TV». www.museudatv.com.br. Consultado em 15 de janeiro de 2018 
  7. a b «Pró-TV - Associação dos Pioneiros, Profissionais e Incentivadores da TV Brasileira». www.museudatv.com.br. Consultado em 17 de outubro de 2017. Arquivado do original em 17 de outubro de 2017 
  8. «recantodasletras.com.br» 
  9. a b «museudatv.com.br» 
  10. «Folha Online - Ilustrada - Morre aos 74 anos a atriz Yara Lins - 28/06/2004». www1.folha.uol.com.br. Consultado em 25 de fevereiro de 2018 
  11. «Morre em São Paulo a atriz Yara Lins, aos 74 anos | Notícias | Tribuna PR - Paraná Online». Tribuna PR - Paraná Online. 28 de junho de 2004 
  12. «As Noivas de Copacabana». Teledramaturgia 
  13. «O Machão». Teledramaturgia 
  14. «Estúdio A». Teledramaturgia 
  15. «João Juca Jr.». Teledramaturgia 
  16. «CONFLITO I - PRÓ-TV». www.museudatv.com.br. Consultado em 24 de abril de 2018 
  17. «ROSAS PARA O MEU AMOR». PRÓ-TV. Consultado em 10 de março de 2020 
  18. a b «FILMOGRAFIA - NAS TREVAS DA OBSESSÃO». bases.cinemateca.gov.br. Consultado em 2 de setembro de 2018 
  19. «Geração em Fuga». Cinemateca Brasileira. Consultado em 2 de abril de 2017 
  20. Cultural, Instituto Itaú. «Yara Lins | Enciclopédia Itaú Cultural». Enciclopédia Itaú Cultural 
  21. Cultural, Instituto Itaú. «A Ilha das Cabras». Enciclopédia Itaú Cultural. Consultado em 24 de maio de 2020 
  22. «Folha de S.Paulo - Teatro: "Cramulhão' abre projeto "3 em Cena" - 15/04/98». www1.folha.uol.com.br. Consultado em 10 de abril de 2018 

Ligações externasEditar