Assur (Assíria)

Disambig grey.svg Nota: Para outros significados, veja Assur.

Assur (em sumério: 𒀭𒊹𒆠; romaniz.: AN.ŠAR2KI; em acádio: Rassam cylinder Anshar-ki.jpg; romaniz.: Aš-šurKI , lit. 'Cidade do deus Assur'; em siríaco: ܐܫܘܪ; em persa antigo: 𐎠𐎰𐎢𐎼; em persa: آشور; em hebraico: אַשּׁוּר; romaniz.: Aššûr) foi uma cidade da Assíria, sua primeira capital.[1] Está situada na atual cidade de Alsarcate [en], no distrito de mesmo nome.

Pix.gif Assur (Qal'at Sherqat) *
Welterbe.svg
Património Mundial da UNESCO

Assur temple.jpg
Planta de um templo parto em Assur
País Iraque
Critérios C (iii) (iv)
Referência 1130 en fr es
Coordenadas 35° 27' 32" N 43° 15' 35" E(Saladino, Iraque)
Histórico de inscrição
Inscrição 2003 (em perigo:2003(? sessão)
* Nome como inscrito na lista do Património Mundial.
Soldados americanos de guarda nas ruínas de Assur.

Localiza-se junto ao rio Tigre no norte da Mesopotâmia, numa zona geoecológica específica, bordejando zonas de agricultura alimentada por chuva e zonas de agricultura de irrigação. A cidade data do terceiro milénio a.C., e entre os séculos XIV e IX a.C. foi a primeira capital do Império Assírio, uma cidade-estado e plataforma de importância internacional. Também serviu como capital religiosa dos assírios, sendo associada ao deus homónimo Assur. A cidade foi destruída pelo Império Neobabilônico, tendo sido reabilitada durante o tempo do Império Parta, por volta dos séculos I e II.

História da pesquisaEditar

A exploração do local de Assur começou em 1898 por arqueólogos alemães. As escavações começaram em 1900 por Friedrich Delitzsch [en] e continuaram em 1903–1913 por uma equipe da Deutsche Orient-Gesellschaft [en] liderada inicialmente por Robert Koldewey e depois por Walter Andrae [en].[2][3][4][5][6] Mais de 16.000 tabuletas de argila com textos cuneiformes foram descobertas. Muitos dos objetos encontrados foram para o Museu de Pérgamo em Berlim.

Mais recentemente, Assur foi escavado por B. Hrouda para a Universidade Luís Maximiliano de Munique e para o Ministério da Cultura da Baviera em 1990.[7] Durante o mesmo período, em 1988 e 1989, o local estava sendo trabalhado por R. Dittmann em nome da Deutsche Forschungsgemeinschaft.[8]

NomeEditar

Assur é o nome da cidade, da terra governada pela cidade e de sua divindade tutelar da qual os nativos tomaram seu nome, assim como toda a nação da Assíria que abrange o que hoje é o norte do Iraque, o nordeste da Síria e o sudeste Turquia. Hoje, os assírios ainda são encontrados em todo o Oriente Médio, particularmente no Iraque, Irã, Síria, Turquia e na Diáspora no mundo ocidental. Assur também é a origem dos nomes Síria e termos para cristãos siríacos, sendo estas originalmente derivações indo-europeias da Assíria, e por muitos séculos aplicando-se apenas à Assíria e aos assírios (ver Etimologia da Síria) antes de também ser aplicada ao Levante e seus habitantes pelo Império Selêucida no século III a.C..

Na BíbliaEditar

De acordo com a Bíblia, Assur foi um filho de Sem, filho de Noé.[9] Foi depois que os semitas adquiriram a supremacia na Acádia que as colônias assírias foram fundadas. Assur, provavelmente, foi um rei que foi deificado (como o deus Assur) e se tornou o deus da cidade de Assur, de onde deriva o nome Assíria.[1]

HistóriaEditar

Período AntigoEditar

Mil anos antes das lutas de Tutemés III contra Mitani pelo norte da Síria, uma onda de colonos de língua ariana ocupou as cidades assírias. Os nomes de reis antigos de Assur, Uspia, Quiquia e Adasi, não são nem semitas nem sumérios. A região se tornou semita por volta do ano 2 000 a.C., com a migração amorita.[1]

 
Planta do templo de Assur por Samsiadade I.

Na época do Antigo Império Assírio, Assur era apenas uma cidade-estado governada por uma oligarquia das principais famílias que controlavam o comércio populacional assírio. Esta organização foi inserida durante o reinado de Samsiadade I, entre 1 813 a 1 780 a.C.. O rei assírio havia estabelecido seu poder na Anatólia, Mesopotâmia e Levante, criando fortificações nas principias colônias comerciais, principalmente Assur. Samsiadade foi responsável por expulsar os amoritas e garantir o seu domínio sobre Assur.[10]

Depois de sua morte, seu filho e sucessor, Ismedagã I, foi derrotado por Hamurabi da Babilônia, e seu filho Mutascur foi vassalo deste rei durante seu reinado. No entanto, após a morte de Hamurabi, o poder babilônico começou a se quebrar, possibilitando a revolta dos assírios contra a Babilônia. Enquanto a guerra civil acabava com os babilônios no decorrer do tempo, Adasi assumia o trono assírio. Ele conseguiu rapidamente estabilizar a região ao redor de Assur e expandir seu reino terrotorialmente.[10]

Período MédioEditar

 
Remontagem de Assur no período Médio Assírio

Quanto Mitani conquistou o norte da Mesopotâmia, várias cidades assírias caíram sob seu domínio, dentre elas Nínive e Assur, além do distrito conhecido, pelos assírios, como Musri [en].[1] Assurbelnisesu [en], rei de Assur, teve força suficiente para lidar com o rei cassita Caraindás [en], com quem celebrou um acordo de fronteiras. Ele foi contemporâneo de Tutemés III, faraó do Egito, que dominou a Síria e a Palestina, reconheceu a Assíria como um poder independente, a quem ajudou com ouro, formando uma aliança contra Mitani, o inimigo comum.[1]

Ao final do reinado de Tutemés III, Saussatar [en], rei de Mitani, temendo o poder da Assíria, a invadiu, e capturou e saqueou Assur, cujo rei, Assurnadinaque I, era aliado do Egito. Por cerca de cem anos, cinco reis de Mitani foram suseranos da Assíria.[1] O domínio de Mitani terminou quando Assurubalite I foi rei de Assur. Ele escreveu a Aquenáton, lembrando da antiga aliança, e que embaixadores não haviam sido enviados desde o reinado de Assurnadinaque.[1]

A capital da Assíria foi mudada por Salmanaser I, que construiu uma nova cidade, Ninrude (Calá na Bíblia) para onde a corte foi transferida.[11]

QuedaEditar

 
Mapa da Assíria.

Nos finais do século VII a.C., a cidade de Nínive passa a ser conquistada pelos babilônios, medos, citas, persas e entre outros. Antes, Assur foi saqueada e incediada pelos medos de Ciaxares, onde permaneceu abandonada por muito tempo[12] até ser revivida pelo Império Parta.

Ver tambémEditar

Referências

  1. a b c d e f g Donald A. Mackenzie, Myths of Babylonia and Assyria (1915), Chapter XII. Rise of the Hittites, Mitannians, Kassites, Hyksos, and Assyrians [em linha]
  2. Walter Andrae, Der Anu-Adad-Tempel in Assur, JC Hinrichs, 1909, (reimpressão de 1984 ISBN 3-7648-1805-0)
  3. Walter Andrae, Die Stelenreihen in Assur, JC Hinrichs, 1913, (reimpressão de 1972 ISBN 3-535-00587-6)
  4. Walter Andrae, Die archaischen Ischtar-Tempel in Assur, JC Hinrichs, 1922, (reimpressão de 1970 ISBN 3-7648-1806-9)
  5. Walter Andrae, Hethitische Inschriften auf Bleistreifen aus Assur, JC Hinrichs, 1924
  6. Walter Andrae, Das wiedererstandene Assur, 1938, JC Hinrichs, (reimpressão de 1977 ISBN 3-406-02947-7)
  7. Excavations in Iraq 1989–1990, Iraque, vol. 53, pp. 169-182, 1991
  8. R. Dittmann, Ausgrabungen der Freien Universitat Berlin in Ashur und Kar-Tukulti-Ninurta in den Jahren 1986-1989, MDOG, vol. 122, pp. 157–171, 1990
  9. Gênesis 10:1-22
  10. a b Bueno et al. 2019, p. 36.
  11. Donald A. Mackenzie, Myths of Babylonia and Assyria (1915), Chapter XV. Conflicts for Trade and Supremacy [em linha]
  12. Bueno et al. 2019, p. 41.

BibliografiaEditar

  • Bueno, André; Estacheski, Dulceli Tonet; Crema, Everton; Neto, José Maria (2019). Oriente Médio Conectado. Rio de Janeiro: Edições Especiais Sobre Ontens. ISBN 978-85-65996-75-4