Abrir menu principal
IgrejaCatólicaEmblem of the Papacy SE.svg
Flag of Egypt.svg
Egito
Catedral de Santa Catarina de Alexandria, em Alexandria, no Egito.
Ano 2015[1]
Santo padroeiro São Marcos[1]
Cristãos ≅ 10.000.000 (10%)[1]
Católicos 232.700 (0,3%)[2]
População 97.0410.072[1]
Paróquia 213[3]
Presbíteros 494[3]
Seminaristas 98[3]
Diáconos permanentes 3[3]
Religiosos 323[3]
Religiosas 727[3]
Presidente da Conferência dos Bispos Católicos Pierbattista Pizzaballa[4]
Núncio apostólico Bruno Musarò[5]
Códice EG

A Igreja Católica no Egito é parte da Igreja Católica universal, em comunhão com a liderança espiritual do Papa, em Roma, e da Santa Sé. Segundo algumas pesquisas, cerca de 90% da população egípcia é muçulmana, e o islã é a religião oficial do Estado. Ainda assim, o país acolhe a maior comunidade cristã do mundo árabe, os coptas.[6]

HistóriaEditar

O país é palco de narrativas bíblicas do Novo Testamento, sendo uma das mais notáveis a fuga da Sagrada Família ao território egípcio.[7] O texto pode ser encontrado no Evangelho de Mateus, capítulo 2, versículos 13 a 15. É narrada após a adoração dos magos e antes do massacre dos inocentes.

Depois que [os reis magos] partiram, um anjo do Senhor apareceu em sonhos a José e lhe disse: 'Levanta-te, pega o menino e a mãe, foge para o Egito e fica aí até que eu te avise, porque Herodes vai procurar o menino para matá-lo'. Levantou-se, pegou o menino e a mãe ainda de noite, e se refugiou no Egito, onde residiu até a morte de Herodes. Assim se cumpriu o que o Senhor anunciou pelo profeta: Chamei meu filho que estava no Egito.
 
Mt 2, 13-15. Tradução da Bíblia do Peregrino.

Acreditando no sonho, José parte com sua família para uma viagem de muitos quilômetros, no deserto do Sinai, a fim de salvar Jesus de um rei que queria matá-lo, por medo de perder seu posto político. A fuga foi de grande sofrimento, já que neste deserto, a temperatura à noite, chega a zero grau e durante o dia a cinquenta graus positivos. O interessante é que por volta do ano 1250 a.C., os judeus saíram do Egito perseguidos pelo Faraó. Desta vez, aquela estrutura do governo egípcio torna-se proteção ao Menino.[8] A tradição não é unânime sobre o lugar da residência da Sagrada Família no Egito: Mênfis, Heliópolis, Leontópolis..., pois no amplo delta do Nilo já haviam comunidades judaicas. Lá José teria de encontrar um trabalho que lhe permitisse sustentar sua Família. De acordo com os cálculos mais comuns, viveram no Egito pelo menos um ano, até que, de novo, um anjo anunciou a José que já podia regressar a Israel.[9] O retorno está no mesmo Evangelho de Mateus, capítulo 2, nos versículos 19 a 21:

Quando Herodes morreu, o anjo do Senhor apareceu em sonhos a José no Egito e lhe recomendou: 'Levanta-te, toma o menino e a mãe e dirige-se para Israel, pois morreram os que atentavam contra a vida do menino'. Levantou-se, pegou o menino e a mãe e se dirigiu para Israel.
 
Mt 2, 19-21. Tradução da Bíblia do Peregrino.

A presença católica no país remonta ao início do cristianismo. Em 451 a Igreja Copta Ortodoxa, não aceitando o diofisismo de Jesus, definido pelo Concílio de Calcedônia, rompeu com a Igreja Católica Romana. Em 1666, a Ordem Franciscana, que havia fundado uma missão no Cairo em 1630, e seguida em 1675 pelos jesuítas, estabeleceu-se no país. Deve-se portanto à pregação dos frades franciscanos o surgimento da primeira comunidade copta-católica, isto no século XVIII.[10]

Em 1739 o bispo copta de Jerusalém chamado Atanásio, tendo ido ao Cairo, converteu-se à fé católica e em 1741 foi nomeado Vigário Apostólico dos coptas católicos pelo Papa Bento XIV, que eram então cerca de dois mil. Tal prelado, porém não assumiu atitudes firmes perante os monofisitas, e acabou sendo substituído pelo Mons. Giusto Manghim, que recebeu o título de Vigário Geral.[11]

Somente no século XIX foi decretada plena liberdade religiosa no Egito; para aproveitar a oportunidade de maior expansão, o Papa Leão XIII quis organizar melhor a Igreja Católica no Egito, dando-lhe uma hierarquia; após a Primeira Guerra Mundial de 1927 a 1937, a Igreja começa a se reerguer, e o número de fiéis passou de 20.000 a 47.000. Pouco após a Segunda Guerra Mundial eram 63.000, com 88 presbíteros e 70 igrejas. Em 9 de agosto de 1947 foi de novo nomeado um Patriarca católico para Alexandria e foi criada a Diocese de Assiute, que, com a de Minia (criada em 1938) constituía a Igreja católica copta do Egito.[11]

AtualmenteEditar

Não apenas a Igreja Católica, mas também templos cristãos de outras denominações são alvos frequentes de terrorismo árabe no país, notadamente a Igreja Ortodoxa Copta.[12][13] Em 2010 a comunidade católica comemorou a autorização do governo egípcio para a construção de uma igreja católica e uma escola no país. O bispo de Gizé, Dom Antonios Aziz Mina, explicou que isso alenta e renova a esperança dos fiéis do Egito, onde obter uma permissão deste tipo do governo pode tomar até 30 anos e exigir inclusive a assinatura do presidente.[14]

 
Protestos ocorridos durante a Revolução Egípcia de 2011

A partir do ano de 2011 o Egito sofreu grande instabilidade e agitação política e econômica, juntamente com outros países do Oriente Médio, durante a chamada Primavera Árabe. Em 2011, o então presidente Hosni Mubarak foi derrubado após uma sequência de manifestações em massa. Em 2012, Mohammed Morsi, da Irmandade Muçulmana, foi eleito presidente. Entre os meses de junho e julho de 2013, os militares egípcios retiraram-no do poder após protestos nas ruas por parte de milhões de egípcios. Acusaram-no de islamizar o país e de má gestão. O país também enfrentava uma insurgência islâmica por parte de grupos aliados ao Estado Islâmico na região da Península do Sinai.[6]

Em janeiro de 2014, um referendo promulgou uma nova Constituição com mais de 98% de aceitação do texto. A Igreja Católica acolheu o texto. O bispo católico copta Kyrill William de Assiute fez uma declaração de que a manutenção da lei da sharia como fonte de legislação no Egito não era necessariamente um problema. "Esta é a situação no Egito há muito tempo, mesmo antes de Morsi. Nunca nos fez mal, a nós cristãos. Mas o que é mais importante é que o novo artigo 3.º garante aos cristãos e aos judeus autonomia nas questões do estatuto civil e dos assuntos internos da Igreja".[6] O preâmbulo da Constituição de 2014 descreve o Egito como:

O berço das religiões e o estandarte da glória das religiões reveladas. Na sua terra, Moisés cresceu, a luz de Deus apareceu e a mensagem desceu sobre o Monte Sinai. Na sua terra, os egípcios acolheram a Virgem Maria e o seu filho e ofereceram milhares de mártires em defesa da Igreja de Jesus. Quando o Selo dos Mensageiros de Maomé (Paz e bênçãos estejam com ele) foi enviado a toda a humanidade para aperfeiçoar a moral sublime, os nossos corações e mentes abriram-se à luz do Islã. Fomos os melhores soldados na terra para lutar pela causa de Deus e divulgamos a sua mensagem de verdade e ciências religiosas em todo o mundo.[6]
 
Foto da catedral católica armênia, bem ao lado de uma mesquita.

No dia 15 de fevereiro de 2015, foi terminada a primeira igreja católica da Península do Sinai. O bispo copta católico Dom Makarios de Ismailia, da Diocese de Sharm El-Sheikh, disse durante a cerimônia de consagração da igreja: "Temos alguns locais de adoração no Sinai, mas estes são capelas ou mesmo apenas um cômodo em casas normais. A igreja de Nossa Senhora da Paz é o primeiro edifício adequado para uma igreja, que foi construído com o único propósito de adorar a Deus". A região é conhecida por haver centenas de hotéis em uma região costeira, com espetaculares recifes de coral.[15] No mesmo ano o Papa Francisco enviou suas condolências após um atentado terrorista praticado contra a comunidade ortodoxa copta, no qual sete pessoas foram "mortas pelo simples fato de serem cristãos". O atentado foi reivindicado pelo Estado Islâmico.[16]

De acordo com a Catholic News Agency, o Egito tem cerca de 2.600 igrejas – uma igreja para cada 5.500 cidadãos cristãos –, enquanto há uma mesquita para cada 620 cidadãos muçulmanos.[6]

Visitas pontifíciasEditar

O então Papa João Paulo II fez uma visita ao país entre os dias 24 e 26 de fevereiro de 2000 para uma peregrinação jubilar ao Monte Sinai, rendendo muitos créditos da participação do país nas narrativas bíblicas, dizendo:[17][18]

Hoje, com grande alegria e profunda emoção, o Bispo de Roma é peregrino no Monte Sinai, atraído por este monte santo que se ergue como monumento majestoso àquilo que Deus aqui revelou. Aqui revelou o seu nome! Aqui deu a sua Lei, os Dez Mandamentos da Aliança! Inúmeros foram os que vieram a este lugar antes de nós! Aqui o Povo de Deus acampou (cf. Êx 19, 2); aqui o profeta Elias encontrou refúgio, numa caverna (cf. 1 Rs 19, 9); aqui o corpo da mártir Catarina encontrou o repouso eterno; aqui multidões de peregrinos, ao longo dos séculos, escalaram aquela que São Gregório de Nissa definiu a "montanha do desejo" (Vida de Moisés, II, 232); aqui gerações de monges velaram e oraram. Nós seguimos com humildade as suas pegadas, no "solo santo" onde o Deus de Abraão, de Isaac e de Jacó ordenou a Moisés que libertasse o seu povo (cf. Êx 3, 5-8).
 

Em janeiro de 2017 o Papa Francisco fez uma visita ao Cairo.[19] O padre Rafic Greiche, porta-voz dos bispos egípcios, disse: "A visita do Papa foi uma grande bênção para os egípcios, tanto muçulmanos como cristãos. Levantou o ânimo do povo egípcio, sobretudo depois das explosões do Domingo de Ramos. O Papa transmitiu uma mensagem de amor, paz e esperança". As explosões a que Greiche se referia ocorreram durante uma missa da Igreja Ortodoxa Copta.[6][18][20]

Organização territorialEditar

Conferência EpiscopalEditar

A Conferência dos Bispos Latinos das Regiões Árabes reúne os bispos do país, e foi criada em 1967.[4]

Nunciatura ApostólicaEditar

 Ver artigo principal: Nunciatura Apostólica do Egito

Criada em 1839 como Delegação Apostólica do Egito e Arábia, passou por diversas reestruturações, especialmente em mudanças territoriais:[5]

  • 1928: Renomeada para Delegação Apostólica do Egito, Arábia, Eritreia e Etiópia
  • 1937: Renomeada para Delegação Apostólica do Egito e Arábia (devido à criação da Delegação Apostólica da África Oriental Italiana)
  • 23 de agosto de 1947: Elevada a Internunciatura Apostólica do Egito
  • 1958: Renomeada para Internunciatura Apostólica da República Árabe Unida
  • 1966: Elevada a Nunciatura Apostólica da República Árabe Unida
  • 1971: Renomeada para Nunciatura Apostólica do Egito

Referências

  1. a b c d «Catholic Church in Egypt». GCatholic. Consultado em 15 de março de 2019 
  2. «Egypt / Religions». Looklex Encyclopaedia. Consultado em 15 de março de 2019 
  3. a b c d e f «Egypt». Catholic-Hierarchy. Consultado em 15 de março de 2019 
  4. a b «Conférence des Evêques Latins dans les Régions Arabes». GCatholic. Consultado em 15 de março de 2019 
  5. a b «Apostolic Nunciature - Egypt». GCatholic. Consultado em 15 de março de 2019 
  6. a b c d e f «Egito». Ajuda à Igreja que Sofre. Consultado em 25 de abril de 2019 
  7. Alexandre Versignassi (31 de julho de 2018). «Jesus foi mesmo um refugiado?». SuperInteressante. Consultado em 29 de abril de 2019 
  8. «A FUGA PARA O EGITO Mt 2,13-18». Canção Nova - Homilia Diária. Consultado em 29 de abril de 2019 
  9. J.A. Loarte (7 de fevereiro de 2017). «Vida de Maria (X) - A fuga para o Egito». Opus Dei. Consultado em 29 de abril de 2019 
  10. «As Igrejas Copta Ortodoxa e Copta Católica no Egito». Rádio Vaticana. 28 de abril de 2017. Consultado em 25 de abril de 2019 
  11. a b Felipe Aquino (9 de dezembro de 2013). «Os coptas: Quem são?». Editora Cléofas. Consultado em 25 de abril de 2019 
  12. «Explosões em duas igrejas cristãs no Egito deixam dezenas de mortos». G1. 9 de abril de 2017. Consultado em 25 de abril de 2019 
  13. Gustavo Chacra (27 de abril de 2017). «Quem são os cristãos coptas e os cristãos coptas católicos?». Estadão. Consultado em 25 de abril de 2019 
  14. «Nova igreja no Egito renova esperança dos católicos, afirma Bispo». ACI Digital. 8 de julho de 2010. Consultado em 25 de abril de 2019 
  15. «Primeira igreja católica no Sinai: "Alegria para os católicos do Egito"». Ajuda à Igreja que Sofre. 24 de fevereiro de 2015. Consultado em 25 de abril de 2019 
  16. «Mortos pelo simples fato de serem cristãos, diz Papa sobre atentado no Egito». Vatican News. 4 de novembro de 2018. Consultado em 25 de abril de 2019 
  17. a b Papa João Paulo II (26 de fevereiro de 2000). «PEREGRINAÇÃO JUBILAR DO PAPA JOÃO PAULO II AO MONTE SINAI». Vaticano.va. Consultado em 25 de abril de 2019 
  18. a b «Pequena minoria católica do Egito espera papa Francisco com esperança». Terra. 28 de abril de 2017. Consultado em 25 de abril de 2019 
  19. «Apostolic Journey to Cairo, Egypt». GCatholic. Consultado em 25 de abril de 2019 
  20. «Saiba o que é a Igreja Copta, alvo de ataques a bomba no Egito». O Globo. 9 de abril de 2017. Consultado em 25 de abril de 2019 
  21. GCatholic.org: Catholic Dioceses in Egypt
  22. Catholic-Hierarchy: Current Dioceses in Egypt

Ver tambémEditar