Barroso (cruzador)

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Nota: Este artigo é sobre o navio tipo cruzador protegido Barroso de 1896; para outros navios, veja Barroso (desambiguação).

Barroso foi um cruzador protegido operado pela Marinha do Brasil entre os anos 1896 e 1931. Foi o primeiro navio brasileiro a dispor de radiotelegrafia. Representou o Brasil na Argentina e no Chile, além de outras comissões. Foi um dos navios do governo que desafiaram os rebeldes na Revolta da Chibata. Foi desativado em 1931.

Barroso
Barroso antes de 1900
 Brasil
Operador Marinha do Brasil
Fabricante W. C. Armstrong Whitworth & Co.
Homônimo Almirante Barroso
Batimento de quilha setembro de 1895
Lançamento 25 de agosto de 1896
Comissionamento 25 de agosto de 1896
Descomissionamento 28 de julho de 1931
Características gerais
Tipo de navio Cruzador protegido
Deslocamento 3,437 t (3 440 kg)
Comprimento 107,98 m (354 ft)
Boca 13,10 m (43,0 ft)
Pontal 7,74 m (25,4 ft)
Propulsão Duas máquinas de tríplice expansão
Duas hélices
7,512 hp (5,60 kW)
Velocidade 22 nós (40,74 km/h)
Armamento 6 canhões Armstrong de 152 mm
4 canhões Armstrong 120 mm
10 canhões Maxim Nordenfelt de 57 mm
6 canhões Maxim Nordenfelt de 37 mm
Tripulação 389 oficiais e praças

ConstruçãoEditar

O Barroso foi construído nos estaleiros da W. C. Armstrong Whitworth & Co., em Elswick, na Inglaterra. A quilha foi batida em setembro de 1895 e o lançamento e incorporação ocorrendo em 25 de agosto de 1896. Foi a terceira embarcação a levar o nome Barroso, em homenagem ao almirante Francisco Manoel Barroso da Silva, Barão de Amazonas.[1]

CaracterísticasEditar

O cruzador protegido foi construído em chapa de aço de 5/8 polegadas. Tinha 14 compartimentos estanques, convés couraçado, cinta blindada do tipo Cofferdam para proteção de áreas vitais do navio, fundo duplo, aríete e dois mastros. Tinha um deslocamento de 3 437 t, 107 989 m de comprimento total; 100 580 m de comprimento entre perpendiculares; 13 330 m de boca externa; 13 101 m de boca moldada; 7 742 m de pontal; 4 990 m de calado à vante; 5 527 m de calado a meio navio; 5,257 m de calado à ré. Seu sistema de propulsão consistia de duas máquinas de tríplice expansão Humprheis, 7 512 HP, que acionavam duas hélices de três pás e impulsionavam a uma velocidade máxima de 22 nós. Tinha um raio de ação em velocidade econômica de 5 500 milhas.[1]

Possuía seis canhões Armstrong de 152 mm e raiamento progressivo. Quatro canhões Armstrong de 120 mm, acoplados dois de cada bordo entre os canhões principais. Dez canhões de 57 mm Maxim Nordenfelt, situados de vante para ré; seis canhões de tiro rápido 37 mm Maxim Nordenfelt situados nas plataformas dos mastros. Dispunha de nove embarcações: uma lancha a vapor; uma lancha a remos; quatro escaleres; duas canoas; um bote; uma chalana, além de 27 coletes salva-vidas e 19 boias, para uma guarnição de 389 homens.[1]

HistóriaEditar

 
O naufrágio de 21 de janeiro de 1906, na Baía de Jacuecanga: explosão e submersão do Aquidabã, à vista dos cruzadores Barroso e Tiradentes (gravura de Angelo Agostini, publicada em O Malho, 1906).

Barroso foi a primeira embarcação brasileira a dispor de radiotelegrafia, promovendo, assim, as primeiras experiências com esse sistema no país. No ano de 1900, compôs a Divisão Branca junto com o encouraçado Riachuelo e o cruzador Tamoyo, responsável por levar o então presidente Campos Salles à Argentina em retribuição ao mesmo gesto do presidente General Roca. Entre algumas de suas comissões se destacam a ida ao Chile em 1903, em retribuição à vinda de navios dessa nação ao Brasil. Em 1904, foi nau capitânia da Divisão Naval do Norte, em Manaus, em período de tensão entre Brasil e Peru por questões fronteiriças. Quando do desastre do Aquidabã em 1906, auxiliou no resgate dos náufragos, feridos e mortos. Em 1908, trouxe os restos mortais dos almirantes Barroso e Saldanha da Gama do Uruguai.[1] Por ocasião da Revolta da Chibata, em 1910, o Barroso esteve entre as embarcações que desafiaram os amotinados, porém o poder de fogo do cruzador e dos outros navios legalistas era ínfimo se comparado a apenas um dos dreadnoughts dos rebeldes.[2][3]

Era considerado pela marinha um navio de destaque, "por sua impecável apresentação e pelo rigor e disciplina, ordem e eficiência mantida a bordo". A embarcação esteve em serviço ativo até 28 de julho de 1931.[1]

Ver tambémEditar

Referências

  1. a b c d e «Barroso Cruzador» (PDF). Marinha do Brasil. Diretoria do Patrimônio Histórico e Documentação da Marinha. Consultado em 8 de junho de 2021 
  2. Love, Joseph LeRoy (2012). The Revolt of the Whip. Stanford, Calif.: Stanford University Press. pp. 30–31. OCLC 787844594 
  3. Morgan, Zachary R. (2014). Legacy of the lash: race and corporal punishment in the Brazilian Navy. Bloomington: Indiana University Press. p. 220. OCLC 892699882