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Estação Ferroviária de Mirandela

(Redirecionado de Estação de Mirandela)
Mirandela IPcomboio2.jpg
Plataformas da nova estação de Mirandela.
Inauguração 29 de Setembro de 1887
Linha(s) Linha do Tua (PK 54,200)
Coordenadas 41° 28′ 55,76″ N, 7° 10′ 57,48″ O
Concelho Mirandela
Serviços Ferroviários Sem Serviço
Horários em tempo real
Serviços Serviço de táxis
Acesso para pessoas de mobilidade reduzida


Logos IP.png
BSicon CONTfa grey.svg
BSicon HST grey.svgTarana (Sentido Carvalhais)
BSicon BHF grey.svgMirandela
BSicon HST grey.svgLatadas (Sentido Cachão)
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A Estação Ferroviária de Mirandela, originalmente denominada de Mirandella, é uma gare da Linha do Tua, que serve a cidade de Mirandela, no Distrito de Bragança, em Portugal. Entrou ao serviço em 29 de Setembro de 1887.[1]

Postal dos finais do Século XIX, mostrando a gare e as oficinas de Mirandela.

HistóriaEditar

 
Estação de Mirandela, nos primeiros anos.

InauguraçãoEditar

O troço da Linha do Tua entre as estações de Tua e Mirandela foi inaugurado em 27 de Setembro de 1887, tendo sido organizado um comboio especial para a cerimónia,[2] que foi acolhido na gare por uma grande multidão, composta por habitantes de Mirandela e da região em redor.[3] A família real saiu do comboio e foi em cortejo até à Câmara Municipal, enquanto que a locomotiva dirigiu-se à placa giratória para inverter a marcha, de forma a rebocar o comboio no sentido inverso.[3] Quando passou pelas oficinas, o fogueiro abriu as portas para proceder à limpeza da caixa do fumo, operação que impressionou a população reunida no local.[3] Na cerimónia, que também contou com a presença do ministro das Obras Públicas, Barjona de Freitas, foram feitos vários discursos e a recitação de versos, escritos por Joaquim Belchior de Azevedo e dedicados a D. Luís I e à Linha do Tua.[4] Também tocou uma banda de música,[4] e foram lançados foguetes.[3] Foi igualmente oferecido um jantar no armazém de mercadorias da estação.[2] Este troço abriu à exploração dois dias depois,[5] pela Companhia Nacional de Caminhos de Ferro.[6] O primeiro chefe de estação em Mirandela foi Jerónimo Maria Cardoso.[4]

A construção da linha até Mirandela inseriu-se um período de grande desenvolvimento das linhas de via estreita em Portugal, iniciado na Década de 1880, que também incluiu as linhas do Dão, do Vouga e do seu Ramal para Aveiro, do Tâmega, do Corgo, e do Sabor.[7]

 
Edifício da antiga Estação de Mirandela.

Século XXEditar

Décadas de 1900 e 1910Editar

Ainda em 1897, o empresário Moses Zagury propôs a construção de um caminho de ferro de via estreita de Mirandela a Bragança, seguindo a Estrada Real.[8]

Em finais de 1904, já decorriam as obras no lanço da via férrea entre Mirandela e Bragança.[9] Em 16 de Junho de 1905, a Gazeta dos Caminhos de Ferro noticiou que se previa para breve a inauguração do primeiro lanço daquela linha, até Quintela.[10]

Com efeito, em 28 de Julho desse ano o governo autorizou a Companhia Nacional a abrir de forma provisória o primeiro tramo da linha além de Mirandela, mas que ia apenas até Romeu.[11][12] Este troço entrou ao serviço em 2 de Agosto de 1905.[5] Em 17 de Outubro de 1905, entrou ao serviço o troço seguinte, até Macedo de Cavaleiros, tendo o primeiro comboio saído desta estação por volta das 8 horas da manhã, com destino a Mirandela.[11] O comboio chegou a Sendas em 18 de Dezembro do mesmo ano, a Rossas a 14 de Agosto de 1906,[5] e finalmente a Bragança em 1 de Dezembro de 1906, completando a Linha do Tua.[11]

Nos princípios do Século XX, a Companhia Nacional criou um serviço rápido de Bragança a Tua, com paragens em várias estações, incluindo Mirandela; o objectivo era dar ligação ao Comboio Porto - Medina, que percorria a Linha do Douro no seu trajecto entre São Bento e a cidade espanhola de Medina del Campo.[13]

Em 1913, existiam serviços de diligências ligando a estação de Mirandela a Torre de Dona Chama, Valpaços, Vilarandelo, Chaves e Boticas.[14]

 
Entrada Noroeste da estação de Mirandela, em 2009.

Década de 1930Editar

O Plano Geral da Rede Ferroviária, introduzido pelo Decreto n.º 18:190, de 28 de Março de 1930, aludiu à necessidade de construir uma rede de vias que ligassem as várias linhas de via estreita a Norte do Rio Douro entre si e a Leixões, de forma a expandir a zona de influência daquele porto[15] e melhorar as condições de funcionamento.[16] Esta rede, que deveria estender-se de Caniços a Mirandela, era conhecida como Transversal de Trás-os-Montes, e um dos seus troços seria a Transversal de Valpaços, com cerca de 67 km de extensão,[16] que ligaria Mirandela à Linha do Corgo nas estações de Vila Pouca de Aguiar ou de Pedras Salgadas, de acordo com estudos posteriores.[15]

Em 1933, a Companhia Nacional realizou várias intervenções na estação de Mirandela, incluindo a cobertura e o calcetamento do cais descoberto, a construção de um muro de vedação, o ajardinamento do recinto, a construção de um hangar para o serviço de revisão do material circulante, a modificação de parte do segundo piso do edifício para instalar os Serviços de Exploração, e a ampliação da casa do guarda da passagem de nível, para servir de habitação ao capataz geral da 1.ª Secção de Via e Obras.[17] No ano seguinte, foi assente uma via de acesso ao cais do carvão,[18] e em 1935 realizaram-se obras de conservação no edifício da estação.[19]

Em 1939, o edifício voltou a ser alvo de obras, tendo sido modificada a residência do director de exploração, feitas várias reparações nas dependências públicas e nos escritórios da exploração; também foram feitos trabalhos de reparação na casa do guarda da passagem de nível e no dormitório do pessoal de trem, ampliada a habitação do chauffeur, e construído um alpendre para servir como depósito de lenhas e de serração mecânica.[20]

Em 1938, foi montada nas oficinas de Mirandela a primeira locomotiva diesel em Portugal, baptizada de Lydya.[21]

 
Dresina estacionada na estação de Mirandela.

Década de 1940Editar

Em 1 de Janeiro de 1947, a Companhia Nacional foi integrada na Companhia dos Caminhos de Ferro Portugueses.[22]

Década de 1990Editar

Em 1990, a locomotiva 9006 estava adjudicada ao depósito de Mirandela.[23]

Em 15 de Dezembro de 1991, a operadora Caminhos de Ferro Portugueses encerrou o troço entre Mirandela e Bragança, e em 13 de Outubro do ano seguinte retirou o material circulante daquela estação e levou-o até Mirandela, numa operação que atraiu considerável polémica.[24]

Na Década de 1990, iniciou-se o projecto do Metro de Mirandela, que pretendia aproveitar parte do traçado da Linha do Tua para um sistema ferroviário ligeiro, tendo o primeiro troço, de Carvalhais até Mirandela, sido inaugurado em 28 de Julho de 1995.[25]

 
Vista de rua do edifício da antiga estação de Mirandela, em 2013.

Século XXIEditar

Os serviços do Metro de Mirandela foram prolongados até à estação ferroviária do Tua em 21 de Outubro de 2001.[26] No entanto, em 22 de Agosto de 2008 foi suspensa a circulação dos comboios no lanço entre as estações de Cachão e Tua, devido à ocorrência de um grave acidente.[26]

Em 26 de Março de 2010, um grupo de cidadãos enviou um pedido ao Instituto de Gestão do Património Arquitectónico e Arqueológico, onde foi proposta a classificação do troço da linha entre Tua e Mirandela como Património de Interesse Nacional, alegando a sua importância como uma componente única do património ferroviário português, e que estava em risco de ser alagada com a futura construção da Barragem do Tua.[27] No entanto, este processo não teve seguimento, tendo sido arquivado pelo IGESPAR no dia 4 de Novembro desse ano, deixando assim a Linha do Tua de ter protecção legal.[28]

Ver tambémEditar

Referências

  1. MARTINS et al, 1996:249
  2. a b JACOB et al, p. 15
  3. a b c d «Para a história dos Caminhos de Ferro Portugueses» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 62 (1485). 1 de Novembro de 1949. p. 659-660. Consultado em 29 de Dezembro de 2014 
  4. a b c ORNELLAS, Carlos de (1 de Outubro de 1949). «Há 62 anos inaugurou-se a linha de Tua a Mirandela» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 62 (1483). p. 615-618. Consultado em 29 de Dezembro de 2014 
  5. a b c «Troços de linhas férreas portuguesas abertas à exploração desde 1856, e a sua extensão» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 69 (1652). 16 de Outubro de 1956. p. 528-530. Consultado em 26 de Dezembro de 2014 
  6. REIS et al, p. 35
  7. «Centenário dos Caminhos de Ferro Portugueses» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 67 (1612). 16 de Fevereiro de 1955. p. 449-450. Consultado em 4 de Março de 2017 
  8. «Há Quarenta Anos» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 49 (1184). 16 de Abril de 1937. p. 203. Consultado em 31 de Dezembro de 2014 
  9. «Há 50 anos» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 67 (1607). 1 de Dezembro de 1954. p. 339. Consultado em 4 de Março de 2017 
  10. «Há 50 anos» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 68 (1620). 16 de Junho de 1955. p. 197. Consultado em 4 de Março de 2017 
  11. a b c JACOB et al, p. 23
  12. «Parte Official» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 18 (423). 1 de Agosto de 1905. p. 228-230. Consultado em 26 de Dezembro de 2014 
  13. MAIO, José da Guerra (1 de Maio de 1951). «O «Porto-Medina»» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 64 (1521). p. 87-88. Consultado em 30 de Dezembro de 2014 
  14. «Serviço de Diligencias». Guia official dos caminhos de ferro de Portugal. 39 (168). Outubro de 1913. p. 152-155. Consultado em 25 de Fevereiro de 2018 
  15. a b PORTUGAL. Decreto n.º 18:190, de 28 de Março de 1930. Ministério do Comércio e Comunicações - Direcção Geral de Caminhos de Ferro - Divisão Central e de Estudos - Secção de Expediente, Publicado no Diário do Governo n.º 83, Série I, de 10 de Abril de 1930.
  16. a b SOUSA, José Fernando de (1 de Junho de 1935). «A Crise Actual de Viação e os nossos Caminhos de Ferro de Via Estreita» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 47 (1139). p. 235-237. Consultado em 28 de Novembro de 2013 
  17. «O que se fez nos Caminhos de Ferro em Portugal no Ano de 1933» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 47 (1106). 16 de Janeiro de 1934. p. 49-52. Consultado em 26 de Dezembro de 2014 
  18. «O que se fez nos caminhos de ferro em Portugal, em 1934» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 47 (1129). 1 de Janeiro de 1935. p. 27-29. Consultado em 14 de Janeiro de 2015 
  19. «Os nossos caminhos de ferro em 1935» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 48 (1155). 1 de Fevereiro de 1936. p. 96. Consultado em 26 de Dezembro de 2014 
  20. «O que se fez em caminhos de ferro no ano de 1939» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 52 (1249). 1 de Janeiro de 1940. p. 35-40. Consultado em 26 de Dezembro de 2014 
  21. REIS et al, p. 92
  22. AGUILAR, Busquets de (1 de Junho de 1949). «A Evolução História dos Transportes Terrestres em Portugal» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 62 (1475). p. 383-393. Consultado em 12 de Fevereiro de 2015 
  23. «El Ferrocarril del Tajuña». Maquetren (em espanhol). 5 (42). 1996. p. 15-26 
  24. «CP retira automotoras de Bragança». Público. 3 (955). Lisboa: Público, Comunicação Social, S. A. 15 de Outubro de 1992. p. 56 
  25. CIPRIANO, Carlos (28 de Julho de 1995). «Metro de Mirandela é hoje inaugurado». Público. 6 (1967). Lisboa: Público, Comunicação Social, S. A. p. 54 
  26. a b SILVA, Teixeira da (2 de Fevereiro de 2013). «Metropolitano Ligeiro de Mirandela». Farol da Nossa Terra. Consultado em 12 de Fevereiro de 2015 
  27. «Querem a Linha do Tua a Património Nacional». TVI24. 26 de Março de 2010. Consultado em 12 de Fevereiro de 2015 
  28. PORTUGAL. Anúncio n.º 10853/2010, de 4 de Novembro de 2010. Ministério da Cultura - Instituto de Gestão do Património Arquitectónico e Arqueológico, I. P. , Publicado no Diário da República n.º 219/2010, Série II, de 11 de Novembro de 2010
Metro de Mirandela
 
Carvalhais
 
Jean Monnet
 
São Sebastião
 
Jacques Delors
 
Tarana
 
Mirandela(ant. Piaget)
 
Mirandela(est. original)
 
Latadas
 
Frechas
 
Cachão
 
Vilarinho
 
Ribeirinha
 
Abreiro
 
Codeçais
 
Brunheda
 
Tralhão
 
São Lourenço
 
Santa Luzia
 
Castanheiro
 
Tralhariz
 
Tua
Ver diagrama detalhado

BibliografiaEditar

  • JACOB, João; ALVES, Vítor (2010). Bragança: Roteiros Republicanos. Col: Roteiros republicanos, 15. Matosinhos: Quidnovi, Edição e Conteúdos, S. A. e Comissão Nacional para as Comemorações do Centenário da República. 127 páginas. ISBN 978-989-554-722-7 
  • MARTINS, João; BRION, Madalena; SOUSA, Miguel et a (1996). O Caminho de Ferro Revisitado: O Caminho de Ferro em Portugal de 1856 a 1996. Lisboa: Caminhos de Ferro Portugueses. 446 páginas 
  • REIS, Francisco; GOMES, Rosa; GOMES, Gilberto; et al. (2006). Os Caminhos de Ferro Portugueses 1856-2006. Lisboa: CP-Comboios de Portugal e Público-Comunicação Social S. A. 238 páginas. ISBN 989-619-078-X 

Leitura recomendadaEditar

  • FONTE, José Rodrigues da; PEREIRA, Hugo Silveira Pereira (2015). A linha de Foz-Tua a Bragança. Col: Projecto FozTua. Vila Nova de Gaia: Inovatec, D.L. 150 páginas. ISBN 978-150-77884-0-0 
  • LAGE, Maria Otília Pereira; VISEU, Albano; BEIRA, Eduardo; et al. (2016). Memória oral e história do Vale do Tua: materiais de um projeto. Col: Projecto FozTua. Vila Nova de Gaia: Inovatec, D.L. 168 páginas. ISBN 978-153-01709-0-6 
  • LAGE, Maria Otília Pereira (2016). Tua: colectânea literária: o vale, o rio e a linha férrea. Col: Projecto FozTua. Vila Nova de Gaia: Inovatec, D.L. 241 páginas. ISBN 978-989-98659-7-6 
  • LOPES, Roger Teixeira (2002). Mirandela. Mirandela: João Azevedo. 148 páginas. ISBN 972-9001-55-3 
  • MCCANTS, Anne; et al. (2016). Railroads in historical context: construction, costs and consequences / FOZTUA International Conference. Col: Projecto FozTua (em inglês). Volume 1 de 3. Vila Nova de Gaia: Inovatec, D.L. 462 páginas. ISBN 978-989-97134-5-1 
  • MCCANTS, Anne; et al. (2016). Railroads in historical context: construction, costs and consequences / FOZTUA International Conference. Col: Projecto FozTua (em inglês). Volume 2 de 3. Vila Nova de Gaia: Inovatec, D.L. 490 páginas. ISBN 978-989-97134-8-2 
  • MCCANTS, Anne; et al. (2016). Railroads in historical context: construction, costs and consequences / FOZTUA International Conference. Col: Projecto FozTua (em inglês). Volume 3 de 3. Vila Nova de Gaia: Inovatec, D.L. 538 páginas. ISBN 978-989-98659-6-9 
  • MCCANTS, Anne; et al. (2016). New uses for old railways: Tua. Col: Projecto FozTua (em inglês). Vila Nova de Gaia: Inovatec, D.L. 277 páginas. ISBN 978-153-36963-0-4 
  • MONTEIRO, António; LOPES, Roger Teixeira (2003). Guia de Mirandela. Mirandela: Câmara Municipal de Mirandela. 122 páginas. ISBN 972-9021-09-0 
  • SALES, Ernesto Augusto Pereira de (1983). Mirandela: apontamentos históricos. Bragança: Junta Distrital de Bragança. 297 páginas 
 
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Ligações externasEditar