Estação Ferroviária de Vidago

estação ferroviária em Portugal
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A Estação Ferroviária de Vidago é uma interface ferroviária encerrada da Linha do Corgo, que servia a localidade e a estância termal de Vidago, no concelho de Chaves, em Portugal.

Vidago
Antigo edifício da estação de Vidago, em 2012
Antigo edifício da estação de Vidago, em 2012
Linha(s): Linha do Corgo (PK 76,535)
Coordenadas: 41° 37′ 58,92″ N, 7° 34′ 14,23″ O
Município: Chaves
Inauguração: 20 de Março de 1910
Encerramento: 1990
Plano da Rede Ferroviária Complementar ao Norte do Mondego, decretado em 15 de Fevereiro de 1900. Uma das linhas programadas era a do Corgo, da Régua até à fronteira Espanhola, passando por Vidago, onde entroncaria o prolongamento da Linha de Guimarães, e Chaves.

História editar

 Ver artigo principal: História da Linha do Corgo

Antecedentes editar

O primeiro caminho de ferro a ser planeado nesta região foi o prolongamento da Linha do Porto à Póvoa e Famalicão até Chaves, que porém não passava por Vidago, indo directamente na direcção de Chaves.[1]

Planeamento e inauguração editar

Em 1887, foi estudado o troço da Linha do Valle do Tamega entre Livração e Vidago, onde iria entroncar com a Linha de Regoa a Chaves, devendo ambas as linhas ser de via larga.[2] Com efeito, ficou estabelecido que a Linha deveria forçosamente passar por Vidago, devido à sua importante estância termal,[3] que criaria um elevado tráfego de passageiros e mercadorias.[1] Assim, quando a linha foi planeada, procurou-se um traçado de forma a melhor servir a estância, sem obras de grande vulto que pudessem prejudicar as nascentes de águas minerais.[1] Por outro lado, como se previa que esta estação seria o ponto de entroncamento da Linha do Corgo com a Linha do Tâmega, pelo que deveria ser construída num local com espaço para futuramente se fazer a ligação entre ambas as Linhas.[1]

Um diploma de 24 de Maio de 1902 autorizou o estado a adjudicar a construção do caminho de ferro da Régua até à fronteira; as bases da autorização determinaram que a terceira secção seria de Vila Pouca de Aguiar a Vidago, e a quarta secção desde aquela estação até Chaves.[4]

Em Outubro de 1905, já se estava a estudar a ligação entre Pedras Salgadas e Vidago.[5] Em 15 de Julho de 1907, entrou ao serviço o troço de Vila Real a Pedras Salgadas,[6] reduzindo desde logo o percurso por estrada até Vidago e Chaves.[7] Em Abril de 1908, o plano para o troço de Pedras Salgadas a Vidago já tinha sido enviado ao Conselho Superior de Obras Públicas.[8] Este troço foi inaugurado em 20 de Março de 1910, pela operadora Caminhos de Ferro do Estado, tendo o lanço seguinte, até Tâmega, entrado ao serviço em 20 de Junho de 1919.[6]

Década de 1910 editar

 
Avenida de acesso às termas do Vidago, com a estação ao fundo, nos inícios da Década de 1910

Por volta de 1913, os Caminhos de Ferro do Estado, depois de várias reclamações, modificaram os horários do comboio Rápido de Medina, de forma a que na Régua desse ligação aos comboios para Pedras Salgadas e Vidago, medida que teve grande sucesso entre os utilizadores daquelas duas estâncias termais.[9]

Em 1913, a estação de Vidago era servida por carreiras de diligências até Boticas, Chaves e Montalegre.[10]

Em 6 de Janeiro de 1919, chegou à Régua a coluna do major Alberto Margaride da Junta Militar do Norte, com o objectivo de conquistar Vila Real.[11] em 25 de Janeiro, os monárquicos causam vários distúrbios em Vila Real, tendo o inspector Francisco d'Almeira Guimarães dado ordem para que o material circulante fosse retirado para Vidago, para dificultar o avanço realista sobre Chaves.[11]

Décadas de 1920 e 1930 editar

Em 1927, os Caminhos de Ferro do Estado foram integrados na Companhia dos Caminhos de Ferro Portugueses, que por sua vez os arrendou a outras companhias, tendo a exploração da Linha do Corgo sido entregue à Companhia Nacional de Caminhos de Ferro.[12]

Em 1939, a Companhia Nacional de Caminhos de Ferro realizou obras de reparação no reservatório de Vidago.[13]

Integração na CP editar

Em 1945, foi publicada a Lei n.º 2008, que determinou que todas as empresas ferroviárias em Portugal deviam ser fundidas numa só, tendo no ano seguinte sido assinada a escritura de transferência da concessão da Companhia Nacional para a Companhia dos Caminhos de Ferro Portugueses, que começou a explorar as antigas linhas daquela empresa em 1947.[12]

Encerramento editar

O lanço da Linha do Corgo entre Chaves e Vila Real foi encerrado em 2 de Janeiro de 1990, pela empresa Caminhos de Ferro Portugueses.[14][15]

Ver também editar

Referências

  1. a b c d SOUSA, José Fernando de (16 de Setembro de 1905). «A linha da Regoa a Chaves» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. Ano 18 (426). p. 273-275. Consultado em 23 de Março de 2013 – via Hemeroteca Digital de Lisboa 
  2. «Linhas Transmontanas» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. Ano 16 (366). 16 de Março de 1903. p. 85. Consultado em 13 de Outubro de 2015 – via Hemeroteca Digital de Lisboa 
  3. SOUSA, José Fernando de (1 de Março de 1903). «A linha da Régua a Chaves e à fronteira» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. Ano 16 (365). p. 65-67. Consultado em 23 de Março de 2013 – via Hemeroteca Digital de Lisboa 
  4. «Parte Official» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. Ano 15 (348). 16 de Junho de 1902. p. 181-182. Consultado em 9 de Janeiro de 2016 – via Hemeroteca Digital de Lisboa 
  5. «Linhas Portuguezas» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. Ano 18 (427). 1 de Outubro de 1905. p. 298-299. Consultado em 23 de Março de 2013 – via Hemeroteca Digital de Lisboa 
  6. a b TORRES, Carlos Manitto (16 de Fevereiro de 1958). «A evolução das linhas portuguesas e o seu significado ferroviário» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. Ano 70 (1684). p. 91-95. Consultado em 23 de Março de 2013 – via Hemeroteca Digital de Lisboa 
  7. «Há 50 anos» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. Ano 67 (1613). 1 de Março de 1955. p. 477. Consultado em 9 de Janeiro de 2016 – via Hemeroteca Digital de Lisboa 
  8. «Efemérides» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. Ano 51 (1229). 1 de Março de 1939. p. 158-159. Consultado em 19 de Setembro de 2015 – via Hemeroteca Digital de Lisboa 
  9. MAIO, José da Guerra (1 de Maio de 1951). «O «Porto-Medina»» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. Ano 64 (1521). p. 87-88. Consultado em 9 de Janeiro de 2016 – via Hemeroteca Digital de Lisboa 
  10. «Serviço de Diligencias». Guia official dos caminhos de ferro de Portugal. Ano 39 (168). Outubro de 1913. p. 152-155. Consultado em 25 de Fevereiro de 2018 
  11. a b AIRES, 2010:37-39
  12. a b REIS et al, 2006:62
  13. «O que se fez em caminhos de ferro no ano de 1939» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. Ano 52 (1249). 1 de Janeiro de 1940. p. 35-40. Consultado em 19 de Setembro de 2015 – via Hemeroteca Digital de Lisboa 
  14. «CP encerra nove troços ferroviários». Diário de Lisboa. Ano 69 (23150). Lisboa: Renascença Gráfica. 3 de Janeiro de 1990. p. 17. Consultado em 5 de Dezembro de 2020 – via Casa Comum / Fundação Mário Soares 
  15. CARDOSO, José António (27 de Dezembro de 2010). «Linha do Corgo parada e sem obras vítima da crise». Diário de Notícias. Consultado em 28 de Março de 2013. Arquivado do original em 24 de setembro de 2015 

Bibliografia editar

  • AIRES, Joaquim Ribeiro (2010). Vila Real. Roteiros Republicanos. Matosinhos: Quidnovi, Edição e Conteúdos, S. A. 128 páginas. ISBN 978-989-554-737-1 
  • REIS, Francisco; GOMES, Rosa; GOMES, Gilberto; et al. (2006). Os Caminhos de Ferro Portugueses 1856-2006. Lisboa: CP-Comboios de Portugal e Público-Comunicação Social S. A. 238 páginas. ISBN 989-619-078-X 
 
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Ligações externas editar



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