Estação Ferroviária de Régua

estação ferroviária em Peso da Régua, Portugal
(Redirecionado de Estação de Régua)

A estação ferroviária de Régua (nome anteriormente grafado como "Regoa"),[4][5] é uma gare da Linha do Douro, que serve a localidade de Peso da Régua, no Distrito de Vila Real, em Portugal. Foi inaugurada em 1879,[6] e serviu igualmente como ponto de entroncamento com a Linha do Corgo, que funcionou entre 1906[7] e 2009.[8][9]

Régua
edifício da estação de Régua, em 2009
Identificação: 10009 REG (Régua)[1]
Denominação: Estação de Régua
Administração: Infraestruturas de Portugal (norte)[2]:3.3.3.2
Classificação: E (estação)[3]
Tipologia: B [2]5.3.1.1
Linha(s):
Altitude: 75 m (a.n.m)
Coordenadas: 41°9′30.57″N × 7°47′0.82″W

(≍+41.15849;−7.78356)

(mais mapas: 41° 09′ 30,57″ N, 7° 47′ 00,82″ O)
Concelho: bandeiraPeso da Régua
Serviços: R IR
Conexões:
Ligação a autocarros
 
Serviço de táxis
PRG
Equipamentos: Bilheteiras Sala de espera Telefones públicos Restaurante Acesso para pessoas de mobilidade reduzida Parque de estacionamento Lavabos adaptados Lavabos Bar ou cafetaria Informações - Gabinete de Apoio ao Cliente
Endereço: Largo da Estação, s/n
PT-5050-237 Pedrógão Grande
Inauguração:
Website:
Disambig grey.svg Nota: Para outras interfaces ferroviárias com nomes semelhantes ou relacionados, veja Estação Ferroviária de Rego.
Veículos ferroviários estacionados na Régua, históricos e modernos.

DescriçãoEditar

 
Vista geral da estação, em 2010.

Localização e acessosEditar

Situa-se junto à localidade de Peso da Régua, tendo acesso pelo Largo da Estação.[10][11]

Caracterização físicaEditar

Em Janeiro de 2011, apresentava quatro vias de circulação, com 379, 438, 350 e 319 m de comprimento; as plataformas tinham 255 e 216 m de comprimento, e 35 cm de altura.[12] Em Outubro de 2004 podiam-se realizar aqui manobras e abastecimento de gasóleo, e a estação tinha um sistema de informação ao público; nesta data esta interface era de tipologia D da Rede Ferroviária Nacional,[13] que mudaria para B em 2020.[2] O edifício de passageiros situa-se do lado sul da via (lado direito do sentido ascendente, a Barca d’Alva).[14][15]

ServiçosEditar

Em 1994, era servida por comboios Regionais com a modalidade Auto Expresso, de transporte de automóveis particulares, da operadora Caminhos de Ferro Portugueses.[16]

HistóriaEditar

 Ver artigo principal: Linha do Douro § História
 
Vista da estação da Régua, na década de 1880.

AntecedentesEditar

Antes da construção dos caminhos de ferro, a região do Douro tinha grandes deficiências em termos de comunicações, sendo o Rio Douro a principal via; no entanto, o transporte por barco era muito difícil e moroso, demorando cerca de 6 a 8 dias na viagem do Porto à Régua.[17] Nos finais da Década de 1880, o filólogo Leite de Vasconcelos relatou que o percurso da Régua a Miranda do Douro levou cerca de 5 dias.[18]

InauguraçãoEditar

A estação foi inaugurada em 15 de Julho de 1879, como estação terminal provisória da Linha do Douro; o troço seguinte, até ao Ferrão, entrou ao serviço em 4 de Abril de 1880.[6]

Século XXEditar

Ligação à Linha do CorgoEditar

Ainda no Século XIX, o empresário alemão Maximiliano Schreck foi autorizado a construir um caminho de ferro do tipo americano entre Vila Real, Régua, Lamego e Viseu.[19]

Um decreto de 18 de Fevereiro de 1903 ordenou a construção de um caminho de ferro entre a Régua e a fronteira com Espanha.[20] Em Setembro de 1905, já tinha sido elaborado e apresentado ao Conselho Superior de Obras Públicas um plano para a ampliação desta estação, de forma a se acolher tanto a Linha do Corgo, então em construção, como a planeada Linha de Régua a Vila Franca das Naves.[4] A primeira secção da Linha do Corgo, entre a Régua e Vila Real, foi aberta à exploração em 12 de Maio de 1906.[7][21]

 
Comboio real na Régua, em 1907.

Em 1913, existia um serviço de diligências desde a estação da Régua até Lamego e Moimenta da Beira.[22]

Em 1919, a circulação no troço entre Vila Real e a Régua foi temporariamente suspensa, devido às incursões monárquicas.[23]

AmpliaçãoEditar

Devido a ser o ponto de entroncamento de duas linhas ferroviárias[24] e um importante nó rodoviário, a localidade da Régua assumiu-se como um grande centro de comunicações entre as regiões da Beira e de Trás-os-Montes.[25] A estação em si também se assumiu como um importante centro de transporte do Vinho do Porto.[26][27] Ainda assim, em 1934 a estação não possuía condições para assegurar as exigências do tráfego, mas não podia ser suficientemente alargada devido ao reduzido espaço disponível, pelo que resolveu-se ampliar o então Apeadeiro de Godim, situado nas proximidades.[28] Ainda nesse ano, a estação da Régua foi alvo de obras de reparação parcial, pela Companhia dos Caminhos de Ferro Portugueses.[29] Em Abril de 1935, estavam quase terminadas as obras de ampliação da estação,[30] que incluíram a instalação de um dormitório para o pessoal de Via e Obras.[31]

Um decreto de 18 de Novembro de 1911 modificou as regras para o transporte de vinho pela Linha do Douro, continuando o vinho que era transportado por comboio até Barqueiros, Rede e Moledo a ser verificado no posto de Barqueiros, mas o restante passou a ser verificado na Régua.[32]

 
 
Plano da Rede Ferroviária Complementar ao Norte do Mondego, decretado em 1900. Além da Linha do Corgo, também estava projectada uma linha da Régua a Vila Franca das Naves.

Ligações planeadas a outras linhasEditar

Em 1885, foi planeada uma ligação em via larga entre Viseu e Chaves, que não teve seguimento devido às consideráveis dificuldades que iriam ser encontradas na sua construção; desta forma, foram propostas duas alternativas, também em via larga, tendo as autoridades militares apoiado a linha da Régua a Viseu por Lamego.[33] No entanto, a Régua não apresentava condições para suportar o entroncamento da via larga, e continuava o problema de se construir em terreno muito difícil, pelo que uma comissão formada em 1927 para estudar e elaborar o plano da rede ferroviária ao Norte do Rio Douro propôs a instalação de duas linhas em via estreita, uma da Régua a Lamego, e a outra a partir desta localidade até São Pedro do Sul, passando por Castro Daire.[33] Estas duas linhas foram inseridas no Plano Geral da Rede Ferroviária, documento oficializado pelo Decreto n.º 18190, de 28 de Março de 1930, tendo a Linha de Lamego sido projectada até Pinhel, passando por Vila Franca das Naves.[33][34] Uma ligação ferroviária entre a Régua e Vila Franca das Naves já tinha sido anteriormente apresentada, em via estreita, pelo Plano da Rede Complementar ao Norte do Mondego, aprovado por um decreto de 15 de Fevereiro de 1900.[33]

 
Automotora 9507 a ser transferida para um vagão de via larga na sequência do encerramento da Linha do Corgo.
 
Via algaliada da Linha do Corgo na Linha do Douro junto à estação da Régua, vista da cabina de comando em 2008.

ModernizaçãoEditar

Em 1996, previa-se que a instalação de sinalização electrónica seria prolongada até à Régua, no âmbito do projecto do Gabinete Ferroviário do Nó do Porto.[35]

Século XXIEditar

O troço da Linha do Corgo entre a Régua e Vila Real foi encerrado pela Rede Ferroviária Nacional a 25 de Março de 2009.[8][9] Em 2016 foi desmantelada toda a infraestrutura ferroviária em via algaliada entre a estação da Régua e a de Corgo, que permitia a ligação entre o tronco da Linha do Corgo e as instalações de manutenção, manobras, e atividade comercial (passageiros e carga) na Régua, inviabilizando assim uma futura reabertura da operação em via estreita.[36]

 
Locomotiva a vapor n.º E1, que serviu em 1922-1948, monumentalizada na Régua.

Referências literáriasEditar

A escritora Horacel Lopes descreveu a estação e a povoação da Régua, quando percorreu a Linha do Douro na década de 1950:

Régua, na confluência das linhas do Alto-Douro, representa o centro vinícola dessa região, notável por seus afamados vinhos. Todas as estradas têm, aí, ligação e junção, servindo para escoamento da formidável produção do néctar do Alto-Douro, dessa terra privilegiada dos vinhos, das frutas e os cereais. É uma vila em pleno desenvolvimento e em extremo pitoresca, edificada ao lado do grande rio, que tanta exuberância e beleza dá a êsse ponto favorecido pela natureza.
— Horacel Lopes, O que vi em Portugal (1956): p. 260
Regionais da Linha do Douro na Régua, em 2010 (esq.) e 2015 (d.ta).

Ver tambémEditar

Referências

  1. (I.E.T. 50/56) 56.º Aditamento à Instrução de Exploração Técnica N.º 50 : Rede Ferroviária Nacional. IMTT, 2011.10.20
  2. a b c Diretório da Rede 2021. IP: 2019.12.09
  3. Instrução de exploração técnica nº 2 : Índice dos textos regulamentares em vigor. IMTT, 2012.11.06
  4. a b SOUSA, José Fernando de (16 de Setembro de 1905). «A linha da Regoa a Chaves» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. Ano 18 (426). p. 273. Consultado em 1 de Março de 2013 – via Hemeroteca Digital de Lisboa 
  5. Horário de 1905
  6. a b «Troços de linhas férreas portuguesas abertas à exploração desde 1856, e a sua extensão» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. Ano 69 (1652). 16 de Outubro de 1956. p. 528-530. Consultado em 6 de Maio de 2013 – via Hemeroteca Digital de Lisboa 
  7. a b TORRES, Carlos Manitto (16 de Fevereiro de 1958). «A evolução das linhas portuguesas e o seu significado ferroviário» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. Ano 70 (1684). p. 91-95. Consultado em 1 de Março de 2013 – via Hemeroteca Digital de Lisboa 
  8. a b CARDOSO, Almeida (3 de Abril de 2011). «Exigem regresso dos comboios». Correio da Manhã. Consultado em 6 de Julho de 2016 
  9. a b LUZIO, Margarida (25 de Março de 2009). «Falta de segurança fecha Linha do Corgo». Jornal de Notícias. Consultado em 6 de Julho de 2016 
  10. «Régua». Comboios de Portugal. Consultado em 27 de Novembro de 2014 
  11. «Régua - Linha do Douro». Infraestruturas de Portugal. Consultado em 22 de Janeiro de 2020 
  12. «Linhas de Circulação e Plataformas de Embarque». Directório da Rede 2012. Rede Ferroviária Nacional. 6 de Janeiro de 2011. p. 71-85 
  13. «Directório da Rede Ferroviária Portuguesa 2005». Rede Ferroviária Nacional. 13 de Outubro de 2004. p. 65, 81 
  14. (anónimo): Mapa 20 : Diagrama das Linhas Férreas Portuguesas com as estações (Edição de 1985), CP: Departamento de Transportes: Serviço de Estudos: Sala de Desenho / Fergráfica — Artes Gráficas L.da: Lisboa, 1985
  15. Diagrama das Linhas Férreas Portuguesas com as estações (Edição de 1988), C.P.: Direcção de Transportes: Serviço de Regulamentação e Segurança, 1988
  16. «Beira alta, Beira baja y los Ramales de Cáceres y Badajoz». Maquetren (em espanhol). Ano 3 (30). 1994. p. 4-9 
  17. ORTIGÃO, 1986:115
  18. JACOB e ALVES, 2010:112
  19. SERRÃO, 1986:238
  20. MARTINS et al, 1996:251
  21. REIS et al, 2006:12
  22. «Serviço de Diligencias». Guia official dos caminhos de ferro de Portugal. Ano 39 (168). Outubro de 1913. p. 152-155. Consultado em 25 de Março de 2018 – via Biblioteca Nacional de Portugal 
  23. AIRES, 2010:37
  24. «Los Ferrocarriles Portugueses». Via Libre (em espanhol). Ano 5 (58). Madrid: Red Nacional de Ferrocarriles Españoles. 1 de Outubro de 1968. p. 23 
  25. ALCOBAÇA, Visconde de (1 de Dezembro de 1932). «Estradas Afluentes à Linha do Douro: Troço da Régua a Barca D'Alva» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. Ano 45 (1079). p. 559-561. Consultado em 1 de Fevereiro de 2013 – via Hemeroteca Digital de Lisboa 
  26. REIS et al, 2006:31
  27. VIEGAS, 1988:27
  28. «Conselho Superior de Caminhos de Ferro» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. Ano 46 (1113). 1 de Maio de 1934. p. 248. Consultado em 1 de Março de 2013 – via Hemeroteca Digital de Lisboa 
  29. «O que se fez nos Caminhos de Ferro Portugueses, durante o ano de 1934» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. Ano 47 (1130). 16 de Janeiro de 1935. p. 50-51. Consultado em 1 de Março de 2013 – via Hemeroteca Digital de Lisboa 
  30. «Caminhos de Ferro Nacionais» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. Ano 47 (1136). 16 de Abril de 1935. p. 172. Consultado em 1 de Março de 2013 
  31. «Os nossos Caminhos de Ferro em 1935» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. Ano 48 (1154). 16 de Janeiro de 1936. p. 52-55. Consultado em 6 de Julho de 2016 – via Hemeroteca Digital de Lisboa 
  32. MARTINS e BARRETO, 1990:368
  33. a b c d SOUSA, José Fernando de (1 de Março de 1935). «"O Problema da Defesa Nacional" pelo Coronel Raúl Esteves» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. Ano 47 (1133). p. 101-103. Consultado em 1 de Março de 2013 – via Hemeroteca Digital de Lisboa 
  34. PORTUGAL. Decreto n.º 18190, de 28 de Março de 1930. Ministério do Comércio e Comunicações - Direcção Geral de Caminhos de Ferro - Divisão Central e de Estudos - Secção de Expediente, Publicado no Diário do Governo n.º 83, Série I, de 10 de Abril de 1930.
  35. MARTINS et al, 1996:167
  36. António João Pinto Pires: “Desmantelamento da via estreita na estação da RéguaEntroncamento Online (2016.06.15)
 
Comboio histórico a vapor na estação da Régua, em 2012.

BibliografiaEditar

  • AIRES, Joaquim (2010). Vila Real: Roteiros Republicanos. Col: Roteiros republicanos. Matosinhos: Quidnovi, Edição e Conteúdos, S. A. e Comissão Nacional para as Comemorações do Centenário da República. 128 páginas. ISBN 978-989-554-737-1 
  • JACOB, João; ALVES, Vítor (2010). Bragança: Roteiros Republicanos. Col: Roteiros republicanos, 15. Matosinhos: Quidnovi, Edição e Conteúdos, S. A. 127 páginas. ISBN 978-989-554-722-7 
  • LOPES, Horacel (1956). O que vi em Portugal. Rio de Janeiro: Emp. Gráf. Ouvidor S. A. 341 páginas 
  • MARTINS, Conceição; BARRETO, António (1990). Memória do Vinho do Porto. Lisboa: Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa. 508 páginas 
  • MARTINS, João; BRION, Madalena; SOUSA, Miguel; et al. (1996). O Caminho de Ferro Revisitado: O Caminho de Ferro em Portugal de 1856 a 1996. Lisboa: Caminhos de Ferro Portugueses. 446 páginas 
  • ORTIGÃO, Ramalho (1986). As Farpas: O País e a Sociedade Portuguesa. Volume 1. Lisboa: Clássica Editora. 276 páginas 
  • REIS, Francisco; GOMES, Rosa; GOMES, Gilberto; et al. (2006). Os Caminhos de Ferro Portugueses 1856-2006. Lisboa: CP-Comboios de Portugal e Público-Comunicação Social S. A. 238 páginas. ISBN 989-619-078-X 
  • SERRÃO, Joaquim (1986). História de Portugal: O Terceiro Liberalismo (1851-1890). [S.l.]: Verbo. 423 páginas 
  • VIEGAS, Francisco (1988). Comboios Portugueses: Um Guia Sentimental. Lisboa: Círculo de Editores. 185 páginas 
 
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Ligações externasEditar

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