Vila Real

município e cidade de Portugal
Disambig grey.svg Nota: Para outros significados, veja Vila Real (desambiguação).

Vila Real (por vezes dita Vila Real de Trás-os-Montes) é uma cidade portuguesa e capital do Distrito de Vila Real, situada na Região Norte, sub-região do Douro e na antiga província de Trás-os-Montes e Alto Douro, com cerca de 29 624 habitantes no seu perímetro urbano (2012).[1] É capital da província tradicional de Trás-os-Montes e Alto Douro.

Vila Real
Brasão de Vila Real Bandeira de Vila Real

Vila Real (111937636).jpg
Vista da Sé Catedral de Vila Real (Igreja do Convento de S. Domingos) e Avenida Carvalho Araújo.
Localização de Vila Real
Mapa de Vila Real
Gentílico Vila-realense
Área 378,80 km²
População 51 850 hab. (2011)
Densidade populacional 136,9  hab./km²
N.º de freguesias 20
Presidente da
câmara municipal
Rui Santos (PS)
Fundação do município
(ou foral)
7 de Dezembro de 1272 (?)

4 de Janeiro de 1289

Região (NUTS II) Norte
Sub-região (NUTS III) Douro
Distrito Vila Real
Província Trás-os-Montes
e Alto Douro
Orago Santo popular:
Santo António
Padroeira oficial:
Nossa Senhora da Conceição
Feriado municipal 13 de Junho (Dia de Santo António)
Código postal 5000 Vila Real
Sítio oficial www.cm-vilareal.pt
Municípios de Portugal Flag of Portugal.svg

É sede de um município com 378,80 km² de área[2] e 51 850 habitantes (2011), subdividido desde a reorganização administrativa de 2012/2013 em 20 freguesias.[3] O município é limitado a norte pelos municípios de Ribeira de Pena e de Vila Pouca de Aguiar, a leste por Sabrosa, a sul pelo Peso da Régua, a sudoeste por Santa Marta de Penaguião, a oeste por Amarante e a noroeste por Mondim de Basto.

Crescida num planalto situado na confluência dos rios Corgo e Cabril, a cidade está enquadrada numa bela paisagem natural (Escarpas do Corgo), tendo como pano de fundo as serras do Alvão e, mais distante, do Marão. Com mais de setecentos anos de existência, Vila Real foi outrora conhecida como a "Corte de Trás-os-Montes", devido ao elevado número de casas brasonadas que então tinha.[4]

HistóriaEditar

Santuário Rupestre de Panóias, em Vale de Nogueiras.

A região de Vila Real possui indícios de ter sido habitada desde o paleolítico. Vestígios de povoamentos posteriores, como o Santuário Rupestre de Panóias, revelam a presença romana. Porém com as invasões bárbaras e muçulmanas verifica-se um despovoamento gradual.

Nos finais do século XI, em 1096, o conde D. Henrique atribui foral a Constantim de Panóias, como forma de promover o povoamento da região. Em 1272, como novo incentivo ao povoamento, atribuiu D. Afonso III foral para a fundação — sem sucesso — de uma Vila Real de Panoias, que alguns autores[5] defendem ter sido prevista para um local diferente do actual (provavelmente o lugar da aldeia de Ponte na freguesia de Mouçós). Somente em 1289, por foral do rei D. Dinis, é fundada efectivamente a Vila Real de Panóias, que se tornará a cidade actual. No entanto, ao que parece,[5] já em 1139 se chamava «Vila Rial» ao promontório onde nasceu a Vila Real actual, na altura pertencente à freguesia de Vila Marim.

A localização privilegiada, no cruzamento das estradas Porto-Bragança e Viseu-Chaves, permite um crescimento sustentado. A presença, a partir do século XVII, da Casa dos Marqueses[6] faz com que muitos nobres da corte também se fixem, facto comprovado pelas inúmeras pedras-de-armas com os títulos de nobreza dos seus proprietários que ainda hoje se vêem na cidade.

Com o aumento da população, Vila Real adquiriu, no século XIX, o estatuto de capital de distrito e, já no século XX, o de capital de província. Em 1922 foi criada a Diocese de Vila Real, territorialmente coincidente com o respectivo distrito, por desanexação das de Braga, Lamego e Bragança-Miranda, e em 1925 a localidade foi elevada a cidade.

Foi a terceira cidade portuguesa a receber abastecimento de energia pública e a primeira a produzir energia hidrelétrica, no ano de 1894.

Conheceu um grande incremento com a criação da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, em 1986 (embora esse já viesse a acontecer desde 1979, com o Instituto Universitário de Trás-os-Montes e Alto Douro, sucessor do Instituto Politécnico de Vila Real, criado em 1973), que contribuiu para o aumento demográfico e revitalização da população.

Nos últimos anos, foram criados em Vila Real vários equipamentos culturais, que trouxeram novo dinamismo à cidade, como o Teatro de Vila Real e o Conservatório de Música, e a transferência da Biblioteca Municipal e do Arquivo Municipal para edifícios específicos para esse fim. Foram também valorizadas várias áreas da cidade, como o antigo Bairro dos Ferreiros e a área envolvente do Rio Corgo.

Actualmente, Vila Real vive uma fase de crescente desenvolvimento, a nível industrial, comercial e dos serviços, com relevo para a saúde, o ensino, o turismo, etc, apresentando-se como local de eleição para o investimento externo.

Heráldica do Município de Vila RealEditar

De acordo com a Portaria publicada no Diário do Governo n.º 26, II Série, de 31 de Janeiro de 1962, a heráldica municipal de Vila Real é a seguinte:[7]

Armas — De ouro, com uma coroa de carrasco folhados e frutados de sua cor, enfiada por uma espada de prata, empunhada por uma mão de carnação movente do pé do escudo, estando ao centro da coroa a palavra «Aleu», a vermelho.

Bandeiras — Gironada de verde e de branco com um listel branco e os dizeres «Vila Real» de negro.

Selo — Circular, tendo ao centro as peças das armas sem indicação dos esmaltes. Em volta, dentro de círculos concêntricos, os dizeres «Câmara Municipal de Vila Real».

Evolução da heráldica municipalEditar

Desde o foral de D. Afonso III (1272) que o brasão de Vila Real ostentava uma mão segurando uma espada com a ponta virada para cima, tendo-lhe sido acrescentado a inscrição "ALLEO" (grafia moderna: ALEU) após a conquista de Ceuta (ver Lenda da origem da palavra Aleu). No entanto, em 1641, na sequência da Restauração da Independência (1 de Dezembro de 1640), os Marqueses de Vila Real abraçaram a causa da união com Espanha, pelo que, como castigo, D. João IV ordenou que daí em diante a espada figurasse com a ponta virada para baixo, em sinal de desonra. Só em 1941, na sequência de um requerimento da Câmara Municipal ao Ministro do Interior, é que a espada voltou à sua posição original, terminando com 300 anos de vergonha.[8]

Um sinal ainda existente desses 300 anos de vergonha é a posição invertida em que se encontra o brasão de armas que encima a chamada Fonte Nova. Tendo ela sido construída em 1588 (logo, antes do castigo imposto por D. João IV), a espada figurava naturalmente com a ponta virada para cima. Em virtude do édito de 1641, e dado que a pedra do escudo é independente do resto da construção, nomeadamente da coroa real em timbre, o escudo pôde ser invertido de forma a que a ponta da espada ficasse virada para baixo, passando assim a parte redonda do escudo a estar em cima. Esta configuração estranha não foi alterada com o regresso oficial da espada à posição de honra, nem sequer mais recentemente, quando obras ditaram o total desmantelamento da fonte e a sua posterior remontagem. De facto, algumas personalidades locais, entre os quais o poeta A. M. Pires Cabral, manifestaram-se a favor da manutenção da posição invertida, com o argumento de que, apesar de lembrar um episódio de vergonha da história da cidade, ainda assim era uma memória dessa mesma história.

Lenda da origem da palavra AleuEditar

 
A escultura de Pedro de Meneses em Ceuta

Enquanto João I de Portugal estava a ivestigar os governadores de Ceuta, depois de Conquista de Ceuta em 2 de setembro de 1415 (comemorado no Dia de Ceuta). o jovem Pedro estava por perto, jogando distraidamente à choca (uma espécie de hóquei medieval) com um taco de zambujeiro ou Aleo (oliveira silvestre). O jovem Pedro de Meneses, 1.º Conde de Vila Real deu um passo em frente e aproximou-se do rei com seu taco de jogo (Aleo) na mão e lhe disse que, com apenas esse taco, ele poderia defender Ceuta de todo o poder do Marrocos. Como resultado dessa história, todos os futuros governadores portugueses de Ceuta receberiam um zambujeiro como símbolo de seu cargo após a investidura. O Aleo usado por Pedro é mantido na Igreja de Santa María de África em Ceuta.[9][10]

'Aleu' ou 'Aleo' podem ser vistos no brasão de armas de Alcoutim e Vila Real, onde os descendentes de Pedro foram feitos conde de Alcoutim ou conde de Vila Real, respectivamente.

 
Escrito no túmulo de Pedro de Menezes aleo. Igreja da Graça (Santarém), Portugal

PopulaçãoEditar

Número de habitantes [11]
1864 1878 1890 1900 1911 1920 1930 1940 1950 1960 1970 1981 1991 2001 2011
32 146 33 489 34 032 35 976 37 111 34 952 37 951 43 142 46 782 47 773 44 550 47 020 46 300 49 957 51 850

(Obs.: Número de habitantes "residentes", ou seja, que tinham a residência oficial neste concelho à data em que os censos se realizaram.)

Número de habitantes por Grupo Etário [12]
1900 1911 1920 1930 1940 1950 1960 1970 1981 1991 2001 2011
0-14 Anos 12 541 13 642 12 383 13 100 15 080 15 603 16 164 14 940 13 566 9 803 8 075 7 714
15-24 Anos 7 008 6 557 6 438 7 126 8 126 8 964 8 561 8 125 8 786 8 425 7 516 5 639
25-64 Anos 14 580 14 806 13 920 14 998 17 056 18 924 19 744 18 085 19 741 22 129 26 631 29 156
= ou > 65 Anos 1 845 2 085 2 064 2 075 2 349 2 992 3 304 3 400 4 927 5 943 7 735 9 341
> Id. desconh 78 88 187 92 191

(Obs: De 1900 a 1950 os dados referem-se à população "de facto", ou seja, que estava presente no concelho à data em que os censos se realizaram. Daí que se registem algumas diferenças relativamente à designada população residente)

ClimaEditar

O clima de Vila Real é mediterrânico (Csb, segundo a classificação climática de Köppen-Geiger), de verão moderadamente quente, mas já de transição para o clima temperado marítimo, dada a temperatura média anual de 13,3 °C e a precipitação anual acumulada superior a 1000 mm.

Devido à sua situação geográfica (as Serras do Marão e Alvão actuam como barreiras naturais), tem um clima com alguma continentalidade quando comparada com a costa ocidental portuguesa. O inverno é relativamente prolongado, chegando as temperaturas ocasionalmente abaixo dos 0 °C, havendo em média 25,5 dias por ano nesta condição. É comum nevar pelo menos uma vez por ano em cotas acima de 600 metros de altitude. O verão é moderadamente quente, com temperaturas máximas elevadas mas noites notavelmente frescas, tendo por vezes diferenças bruscas de temperatura. Estas características deram origem ao provérbio "Nove meses de Inverno, três meses de inferno", ainda que esta dicotomia seja claramente mais acentuada no nordeste transmontano.

Dados climatológicos para Vila Real
Mês Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez Ano
Temperatura máxima média (°C) 9,5 11,8 14,5 16,4 19,7 25 28,7 28,7 26 18,9 13,6 10,4 18,6
Temperatura média (°C) 5,8 7,7 9,5 11,3 14,1 18,6 21,5 21,3 19,4 14 9,5 7,4 13,3
Temperatura mínima média (°C) 2,1 3,5 4,6 6,2 8,5 12,2 14,4 13,9 12,7 9 5,4 3,5 8
Precipitação (mm) 144,1 158,7 82,6 82,3 66,5 54,1 17,1 17,1 49 116,9 110,7 174,6 1 073,7
Fonte: Instituto Português do Mar e da Atmosfera[13] 13 de maio de 2020

FreguesiasEditar

 
Freguesias do concelho de Vila Real.

Desde a reorganização administrativa de 2012/2013,[3] o concelho de Vila Real é composto por 20 freguesias, sendo uma delas urbana:

PolíticaEditar

Resultados eleitoraisEditar

Eleições autárquicasEditar

Partido % V % V % V % V % V % V % V % V % V % V % V % V
1976 1979 1982 1985 1989 1993 1997 2001 2005 2009 2013 2017
PPD/PSD 33,1 3 61,5 5 55,0 5 42,9 3 41,6 3 54,8 4 57,0 5 48,6 4 51,4 4 42,2 3 25,4 2
PS 26,4 2 21,5 2 30,6 2 27,9 2 24,9 2 38,5 3 37,0 3 31,8 2 42,3 3 34,8 3 44,0 4 64,4 7
CDS-PP 21,1 2 23,3 2 12,4 1 2,9 - 4,4 - 2,3 - 5,8 - 4,8 - 3,7 -
AD 52,4 5

Eleições legislativasEditar

Partido %
1976 1979 1980 1983 1985 1987 1991 1995 1999 2002 2005 2009 2011 2015
PPD/PSD 33,54 39,48 38,96 59,63 57,40 41,71 42,52 50,39 37,79 38,17 51,03
PS 26,61 23,76 23,91 33,04 23,62 22,83 27,84 43,24 41,52 33,40 44,58 34,68 27,29 33,69
CDS-PP 20,91 13,55 11,28 4,50 5,52 8,88 7,60 9,13 6,81 11,08 9,19
PCP/APU/CDU 5,08 8,49 7,39 6,80 6,73 5,25 3,45 2,48 3,41 2,64 2,94 3,60 3,85 3,53
UDP 1,57 1,95 0,88 0,68 0,77 0,36 0,35
AD 57,04 59,37
PRD 12,47 2,02 0,41
PSN 1,42 0,29 0,32
B.E. 1,28 1,31 3,42 8,11 3,38 6,64
PAN 0,69 0,93
PàF 48,06

Equipamentos, infraestrutura e instituiçõesEditar

 
Complexo Recreativo de Codessais (visto do Parque de Campismo).
 
Kartódromo AMF de Vila Real.
 
Quartel dos Bombeiros Voluntários da Cruz Verde.
 
Parque do Corgo e Centro Comercial Nosso Shopping.
 
Biblioteca Municipal Dr. Júlio Teixeira.
 
Teatro de Vila Real

DesportivosEditar

Forças de Segurança e MilitaresEditar

Medicina e SaúdeEditar

  • Unidade de Saúde Familiar Nuno Grande
  • Unidade de Saúde Familiar Corgo
  • Unidade de Saúde Familiar Fénix
  • Unidade de Cuidados de Saúde Personalizados Mateus
  • Unidade de Cuidados Continuados Integrados - Santa Casa da Misericórdia de Vila Real
  • Hospital de S. Pedro, pertencente ao Centro Hospitalar de Trás-os-Montes e Alto Douro (CHTMAD, EPE)
  • Hospital da Luz - Vila Real (Privado)
  • Trofa Saúde - Hospital de Vila Real (Privado)

NaturaisEditar

EducaçãoEditar

  • Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro
  • Escola Profissional Agostinho Roseta
  • Escola Profissional Nervir
  • Escola Secundária Camilo Castelo Branco (ex-Liceu)
  • Escola Secundária de São Pedro (ex-Escola Industrial e Comercial)
  • Escola Secundária Morgado de Mateus
  • Escola EB2/3 Diogo Cão (ex-Ciclo Preparatório)
  • Escola EB2/3 Monsenhor Jerónimo do Amaral
  • Colégio Nossa Senhora da Boavista
  • Colégio Moderno de São José
  • Escola EB1 nº2 de Vila Real (S. Vicente de Paula)
  • Escola EB1 nº3 de Vila Real (Corgo)
  • Escola EB1 nº4 de Vila Real (Árvores)
  • Escola EB1 nº6 de Vila Real (Flores)
  • Escola EB1 nº7 de Vila Real (Araucária)
  • Escola EB1 do Douro - Centro Escolar da Zona Sudoeste
  • Escola EB1 de Mouçõs - Centro Escolar Abade De Mouçós
  • Escola EB1 de Agarez
  • Escola EB1 de Arrabães
  • Escola EB1 de Lordelo
  • Escola EB1 de Mondrões
  • Escola EB1 de Parada de Cunhos
  • Escola EB1 do Prado
  • Escola EB1 da Campeã
  • Escola EB1 de Vila Marim
  • Escola EB1 de Vilarinho da Samardã

OutrosEditar

  • Centro Comercial Nosso Shopping
  • Biblioteca Municipal Dr. Júlio Teixeira
  • Teatro de Vila Real

TransportesEditar

Vias de ComunicaçãoEditar

Vila Real é uma cidade estrategicamente colocada no interior Norte de Portugal, sendo servida por excelentes vias de comunicação que a ligam ao resto do País e a Espanha

  • A4 - Liga ao Porto a oeste, e a Bragança a nordeste (e daí à fronteira com Espanha), correspondendo ao traçado do IP4 e IP9 (Castelões - Vila Real).
  • A24 - Liga a Chaves (e daí à fronteira com a Galiza, Espanha) a norte, e a Viseu a sul, correspondendo ao traçado do IP3.
  • A7 - Ligação indirecta à região do Minho (Braga, Guimarães, etc.) a partir de Vila Pouca de Aguiar.
  • Outras estradas nacionais importantes, nomeadamente a EN2 e a EN15 (que perderam importância nas deslocações a média/longa distância após a conclusão da A24 e A4, respetivamente).

AeroportosEditar

A cerca de 4 km da cidade o Aeródromo Municipal de Vila Real possui 950x30m com pista em asfalto. O Aeroporto Francisco Sá Carneiro, principal aeroporto a servir a região Norte, situa-se a apenas 100km.

FerroviáriosEditar

Passava na cidade a Linha do Corgo. O troço Vila Real-Chaves foi extinto em 1991. O troço Régua-Vila Real manteve-se activo até 2009, tendo sido encerrado alegadamente para obras de remodelação; a linha foi desmantelada, tendo as obras sido suspensas após essa fase dos trabalhos, não estando prevista a sua reinstalação.[14]

Transportes PúblicosEditar

A rede de transportes rodoviários da cidade de Vila Real é gerida e explorada pela empresa Urbanos de Vila Real (anteriormente designada por Corgobus). Iniciou a actividade em Novembro de 2004, com 4 linhas (L1-4) a funcionarem em regime diurno nos dias úteis e aos sábados de manhã, abrangendo quase totalmente a zona urbana da cidade e algumas zonas suburbanas (Zona Industrial de Constantim, Lordelo, Parada de Cunhos). A rede foi desde o início sendo sujeita a pequenos ajustes, tendo sido o mais significativo a criação de um pequeno ramal de ligação a Constantim (L5), de horário muito restrito.

Em Fevereiro de 2008 a rede e o horário de funcionamento foram alargados: todas as linhas (com excepção do ramal L5) passaram a funcionar também ao sábado à tarde, com uma variante da linha 1 a operar aos domingos e feriados, surgindo ainda uma linha circular de serviço nocturno (LN) até à meia-noite. Atualmente os Urbanos de Vila Real apresentam 5 linhas, fazendo ligações a diferentes pontos da cidade.

Principais DistânciasEditar

Património e TurismoEditar

 
Casa dos Marqueses de Vila Real
 
Casa onde nasceu Diogo Cão.

EdifíciosEditar

Património histórico edificado:

  • Capela da Misericórdia
  • Capela de São Brás e o túmulo de Teixeira de Macedo
  • Capela do Espírito Santo ou Capela do Bom Jesus do Hospital
  • Casa de Diogo Cão, construída na segunda metade do século XV e onde, supostamente, nasceu o navegador, Diogo Cão, que descobriu a foz do rio Zaire
  • Casa de Carvalho Araújo, (onde ele viveu durante a sua infância) importante marinheiro que se destacou na sua profissão, por ter impedido que o barco que escoltava (o vapor S. Miguel) fosse afundado por um submarino alemão, sacrificando o draga-minas que comandava (NRP Augusto de Castilho) e a sua própria vida.
  • Casa dos Brocas, construída pelo avô de Camilo Castelo Branco e onde ele residiu durante algum tempo.
  • Casa dos Marqueses de Vila Real, com uma bela janela em estilo manuelino, onde esses residiram até caírem em desgraça devido ao seu envolvimento na conjura contra D. João IV, em 1641.
  • Igreja de São Domingos/Sé de Vila Real
  • Igreja de São Pedro
  • Igreja de Bom Jesus do Calvário
  • Igreja dos Clérigos/Capela Nova, de traço barroco, cuja autoria é atribuída a Nicolau Nasoni
  • Pelourinho de Vila Real
  • Solar de Mateus, esse já na freguesia com o mesmo nome, cujo autor é Nicolau Nasoni
  • Torre de Quintela, localizada na freguesia de Vila Marim
  • Vários solares brasonados que existem na parte mais antiga da cidade
  • Bairro da Judiaria de Vila-Real, um dos conjuntos habitacionais mais interessantes; a entrada para esse sítio encantador e colorido faz-se antes da ponte "nova" sobre o rio Corgo e por ali passa a antiquíssima estrada romana e medieval, com a primitiva ponte.

MuseusEditar

PercursosEditar

Vários percursos de interesse estão presentes na zona da Vila Velha, parte mais antiga da cidade, nomeadamente o percurso intramuros e os passadiços extramuros, de onde se podem ver as escarpas escavadas pelos rios Corgo e Cabril. Toda a parte da cidade que se expandiu para fora dos muros antigos é possóvel de ser percorrida a pé, tendo a Câmara Municipal desenvolvido o projeto "Vila Real aos Nossos Pés", que pretende promover as deslocações pedonais, demonstrando as curtas distâncias que separam vários pontos importantes da cidade. O percurso ao longo do Rio Corgo, principalmente o pertencente ao Parque do Corgo é também interessante de ser feito. O percurso feito ao longo da antiga Linha do Corgo, que pode ser feito de forma pedonal ou ciclável, entre o Peso da Régua e Vila Real, desenvolvendo-se na margem esquerda do rio Corgo, destaca-se pelas vistas de um grande número de quintas de vinho do Porto e seus vinhedos. Vila Real é também um dos pontos de passagem do Caminho Português Interior de Santiago ao longo de um itinerário medieval de peregrinação a Santiago de Compostela recuperado (com início em Viseu e término junto a Chaves), estando este sinalizado ao longo do seu percurso.

ArtesanatoEditar

 
Barro preto - Bisalhães.
 
Barro preto - Artesão - Bisalhães.

Típico de Vila Real, o barro preto de Bisalhães é um dos seus principais produtos de artesanato, sendo considerado Património da Humanidade pela UNESCO, destacando-se de entre as várias a chamada "Bilha dos Segredos". Também se destaca o linho de Agarez e a tecelagem.

GastronomiaEditar

A gastronomia vila-realense é rica em doces conventuais, como os "Toucinho do Céu", os "Pitos de Santa Luzia", as "Ganchas de S. Brás". Estes dois últimos têm uma tradição: no dia 13 de Dezembro, as raparigas compram pitos para oferecer aos rapazes, e dia 3 de Fevereiro, dia de S. Brás, os rapazes retribuem, oferecendo a gancha. Como pratos típicos, servem-se em Vila Real, tripas aos molhos, cabrito assado com arroz de forno, vitela assada (Maronesa), joelho da porca e diversos pratos de bacalhau, etc. Tradicionais são também as bolas de carne, os covilhetes, as cristas de galo, as tigelinhas de laranja e os cavacórios.

Locais de interesse arqueológicoEditar

  • Mamoas de Justes, sepulturas megalíticas
  • Mão do Homem, um altar rupestre, presente em Adoufe
  • Necrópole de S. Miguel da Pena, um santuário proto-histórico, na serra do Alvão, na aldeia da Pena
  • Santuário de Panóias, um santuário rupestre da época romana, único na Península Ibérica, localizado em Vale de Nogueiras

NaturezaEditar

Devido à sua situação geográfica, há vários locais a visitar: as Serras do Marão e do Alvão (Parque Natural do Alvão), sendo que na primeira vale a pena observar a vista do alto desta, e na segunda, as aldeias de Vila Marim e Lamas de Olo, perto da qual se encontra a barragem com o mesmo nome.

Tradições e festividadesEditar

  • São Brás, dias 2 e 3 de Fevereiro
  • São Daniel, 10 de Fevereiro
  • São Lázaro, no Domingo anterior ao Domingo de Ramos
  • Semana Académica, em finais de Abril
  • Santo António, dia 13 de Junho (feriado municipal)
  • São João, noite de 23 para 24 de Junho, com arraiais por toda a cidade
  • São Pedro, dias 28 e 29 de Junho, em que se realiza a tradicional Feira dos Pucarinhos, com venda de objectos de barro preto e produtos de linho
  • Procissão do Corpo de Deus, em Maio/Junho (dia santo móvel, feriado nacional)
  • Nossa Senhora de Almodena, dia 8 de Setembro
  • Nossa Senhora da Pena, no segundo fim de semana de Setembro
  • Santa Luzia, dia 13 de Dezembro
  • Semana do Caloiro, em Outubro ou Novembro

Circuito Internacional de Vila RealEditar

Vila Real é uma das cidade portuguesas com mais tradições no Desporto Automóvel, realizando corridas urbanas desde 1931 até 1991. As chamadas "Corridas de Vila Real", constituíram durante muitos anos o mais importante cartaz turístico de Vila Real, sendo sem dúvida a marca distintiva desta Cidade no panorama Nacional e Internacional. Este circuito nasceu em 1931, aproveitando as características de algumas estradas que ligavam o centro de Vila Real às imediações do famoso Palácio de Mateus, estabelecendo assim um primeiro circuito com 7.150 m, que com algumas ligeiríssimas alterações e algumas interrupções, nomeadamente durante a 2ª Guerra Mundial e na crise petrolífera de meados dos anos 1970, se manteve até 1991.

As décadas de 60 e 70 marcaram uma era dourada com a participação de diversos pilotos de grande prestígio a nível mundial, como Stirling Moss, David Pipper, John Miles, entre outros.

Entre 2007 e 2010 o circuito foi retomado, com um novo traçado, mais curto e com melhorias ao nível da segurança. Após novo interregno, em 2014 a competição automóvel voltou ao Circuito de Vila Real.

HistóriaEditar

Desde que em 1902 apareceu o primeiro carro em Vila Real, os vila-realenses mostraram interesse pelos automóveis, e em 1926 e 1927, no Campo do Grupo Desportivo de Salvação Pública realizaram os primeiros concursos de automóveis, por ocasião das Festas da Cidade.

O Circuito de Vila Real, ainda hoje considerado por muitos amantes do desporto automóvel, um dos mais belos e míticos circuitos europeus, configurou-se a partir do sonho de um grupo de homens Vila-realenses, liderados Aureliano de Almeida Barrigas, tendo o seu pai, Manuel Lopes Barrigas, o representante local da marca Ford e delegado do Automóvel Clube de Portugal, Luís Taboada e o presidente da autarquia à época, Dr. Emídio Roque da Silveira, tido também um papel preponderante para o arranque do projecto.

A primeira edição teve lugar a 15 de Junho de 1931, também pela ocasião das frestas da cidade, e contou com uma dezena de competidores, consagrando-se Gaspar Gameiro o vencedor, no seu Ford A. Em 1936 o Circuito de Vila Real captou, pela primeira vez, pilotos estrangeiros para competir, e nesse mesmo ano expandiu-se para os dois dias de provas. No primeiro decorriam as corridas de motos, entretanto introduzidas, e automóveis da categoria sport, e no segundo dia entrevam em competição os automóveis para a categoria “corrida”.

Até 1938 o circuito decorreu anualmente, de forma regular, mas no final da década de trinta, com o eclodir da Segunda Grande Guerra Mundial, a organização do Circuito é interrompida durante uma década, vindo em 1948 a tornar-se mo primeiro Circuito pós-guerra a ser realizado. Até aos anos 50, as corridas foram essencialmente disputadas pelos principais pilotos nacionais, como Vasco Sameiro e Casimiro de Oliveira, mas em 1950 teve lugar a vitória do primeiro estrangeiro no Circuito de Vila Real, o italiano Piero Carini. A chegada e adaptação destes de pilotos internacionais elevou o nome e o nível da competição, que viveu, nas décadas de 60 e 70, no seu período de ouro. Em 1969, a 5 e 6 de Julho realizou-se a prova «6horas de Vila Real» e a 4 e 5 de Junho de 1970 teve lugar a prova «500km de Vila Real», e nesta fase chegaram também os carros de Fórmula 3 e os sport-protótipos, alternando entre si as corridas rainhas de cada ano, e fazendo jus à fase auspiciosa que o circuito vivia.

A partir de 1973, com a crise política e a revolução de Abril, o Circuito entra em declínio, acolhendo só corridas nacionais e perdendo o êxtase de outros tempos. Num esforço para salvar o evento, em 1978 um grupo de homens uniu-se formando o “grupo dos cinquenta”, mas não conseguindo mais do organizar algumas provas de motociclismo nacional. Este mesmo grupo obteve a legalização do Clube Automóvel de Vila Real e, num esforço para dinamizar e revitalizar a glória de outros tempos, alcançou novamente, em 1989, a internacionalização das provas. Porém, com as dificuldades económicas vividas na época, a subida do preço dos combustíveis, e devido a um grave acidente na Araucária que levantou questões quanto à segurança, a última grande corrida que se realizou no Circuito de Vila Real no século XX foi em 1991, em que só as motos cativaram atenções internacionais. De facto, em Julho de 1991 o piloto Pedro Carvalho despistou-se na chamada "curva da Ford", na zona da Araucária, provocando quatro mortos entre a assistência e ferimentos graves em diversos espectadores.

A Organização do Evento, "O Antes":

1931 marca o início do Circuito de Vila Real, sendo para o efeito criada uma Direcção, que deveria assegurar continuidade das provas, e cujos elementos eram eleitos pelos residentes locais. No início dos anos 50 institui-se uma Comissão Permanente, cujos elementos só eram substituídos em caso de doença ou de morte, passando a “herança” da organização de geração em geração, situação esta que se manteve até à época de ouro do circuito.

A iniciativa para realização do primeiro Circuito de Vila Real esteve intimamente ligada à Câmara Municipal de Vila Real e ao Automóvel Clube de Portugal, e era destes, bem como dos comerciantes vila-realenses, que o Circuito recebia o maior apoio económico, associado à receita da venda de bilhetes. Para ajudar a financiar o Circuito eram criadas taxas específicas, às quais a população não se opunha, e aderia de bom grado, não se podendo desvalorizar a existência de um regime político ditatorial até 1974. Foi, por exemplo, lançado em Vila Real um imposto de $40 por quilo de carne e taxas de circulação em vias específicas, que todos deveriam pagar.

O Apoio técnico era dado pelo Automóvel Clube de Portugal. Antes do início das corridas os carros de competição faziam testes no Jardim da Carreira, para verificações de segurança e normas, e depois de concluídos, recebiam os respectivos selos para colocar nos vidros, e desciam para a Avenida Almeida para dar início as corridas. À data da criação do circuito, as preocupações com segurança diferiam muito das actuais, bem como o conceito de risco. Os Fiscais de Pista eram geralmente membros do ACP. Distribuíam-se pela pista a distancias a que cada um pudesse ver o seguinte, e no caso de haver um acidente levantavam, sem mais comunicação, a bandeira correspondente de modo a que os pilotos compreendessem a mensagem. Do hospital eram destacados enfermeiros e uma ou duas Ambulâncias, e durante os anos inicias os Bombeiros da Cruz Verde asseguravam o controlo da situação para o caso de acidentes com mortos e feridos e até incêndios. À medida que o circuito cresceu, bem como as preocupações com segurança, incluíram-se Bombeiros da Cruz Branca, dividindo o Circuito em turnos: da meta até a escola de Abambres pertencia aos Bombeiros da Cruz Verde o resto do Circuito pertencia á Cruz Branca.

O Renascimento Do Circuito

O Circuito renasceu na sua 40 edição, em 2007. O ano de 2009, com a 42ª Edição nos dias 25 e 26 de Julho, marcou o regresso da internacionalização do Circuito de Vila Real. Do programa, incluído no calendário anual da modalidade, fizeram parte pela primeira vez, na gama de clássicos, os campeonatos GTC’71, Campeonato de GT Histórico de Carros Turismo e GTS fabricados até 1971 e o GTC’81, bem como Viaturas Sport-protótipos da mesma época. Ainda em 2009, pela primeira vez desde a realização do circuito, a pista de Vila Real recebeu um veículo monolugar de fórmula um. Tratou-se de um Surtees TS9B de 1971, ano em que começou a sua carreira no Mundial de Fórmula 1, e foi pilotado por pilotos conhecidos no meio automóvel, como John Surtees e Derek Bell.

Circuito Internacional de Vila Real – Edição 2010, "O Depois”Editar

O 43º Circuito Automóvel de Vila Real decorreu de 19 a 20 de Junho de 2010, e pretendia ser um dos maiores eventos a realizar no Norte de Portugal em 2010, esperando atrair à região cerca de 150 mil pessoas. A organização foi ao encargo do Clube Automóvel de Vila Real, a Câmara Municipal e a Global Sport, empresa de gestão Eventos, Marketing e Comunicação, especializada em eventos desportivos.

Cidades Geminadas e AmigasEditar

O concelho de Vila Real está geminado com as seguintes cidades:

Visão panorâmica de Vila Real

Ilustres de Vila RealEditar

Galeria de imagens (Cidade e arredores)Editar

Notas e Referências

  1. INE (2013). Anuário Estatístico da Região Norte 2012. Lisboa: Instituto Nacional de Estatística. p. 31. ISBN 978-989-25-0218-2. ISSN 0871-911X. Consultado em 13 de março de 2014 
  2. Instituto Geográfico Português (2013). «Áreas das freguesias, municípios e distritos/ilhas da CAOP 2013». Carta Administrativa Oficial de Portugal (CAOP), versão 2013. Direção-Geral do Território. Consultado em 28 de novembro de 2013. Arquivado do original (XLS-ZIP) em 9 de dezembro de 2013 
  3. a b Lei n.º 11-A/2013, de 28 de janeiro: Reorganização administrativa do território das freguesias. Anexo I. Diário da República, 1.ª Série, n.º 19, Suplemento, de 28/01/2013.
  4. Câmara Municipal de Vila Real: Concelho: História. Acedido a 04/09/2011.
  5. a b Editorial Verbo, Enciclopédia Luso-Brasileira de Cultura
  6. «Marquês de Vila Real» 
  7. «Heráldica e documentos antigos (1,68 MB)» (PDF)  Colectânea de documentos digitalizados sobre a heráldica municipal disponibilizada pela Câmara Municipal de Vila Real (pág. 5).
  8. «Heráldica e documentos antigos (1,68 MB)» (PDF)  (págs. 9-11).
  9. "Eu só com este páu, sou capaz de defender Ceuta, de todo o poder dos mouros" Portugal antigo e moderno, 1878, p.495. Z.N. Gonçalves Brandão, 1883, Monumentos e lendas de Santarem , p.514
  10. Horizontes da Memória - A Tomada de Ceuta - 2002
  11. Instituto Nacional de Estatística (Recenseamentos Gerais da População) - https://www.ine.pt/xportal/xmain?xpid=INE&xpgid=ine_publicacoes
  12. INE - http://censos.ine.pt/xportal/xmain?xpid=CENSOS&xpgid=censos_quadros
  13. «Ficha Climatológica - 1971-2000 - Vila Real» (PDF). Instituto Português do Mar e da Atmosfera. Consultado em 13 de maio de 2020 
  14. "O golpe de misericórdia na Linha do Corgo", notícia de A Voz de Trás-os-Montes reproduzida pelo semanário Expresso. 20 de agosto de 2010. Acedida a 16 de setembro de 2011.

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