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História de Portugal (1834–1910)

história entre 1834 e 1910
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Reino de Portugal e dos Algarves
Flag of Portugal (1707).svg
1834 – 1910 Flag of Portugal.svg
Flag Brasão
Bandeira Real Brasão de Armas
Lema nacional
Vis Unita Maior Nunc et Semper (A unidade é a maior força, agora e para sempre)
Hino nacional
Hymno da Carta


Localização de Portugal
Portugal em verde na Europa
Continente Europa
Região Europa meridional
País Portugal
Capital Lisboa
Língua oficial Português
Religião Catolicismo
Governo Monarquia Constitucional
Rei
 • 1834-1853 Dª.Maria II e Fernando II (primeira) (Co-Rei)
 • 1853-1861 D.Pedro V
 • 1861-1889 D.Luís I
 • 1889-1908 D.Carlos I
 • 1908-1910 D.Manuel II
Presidente do Conselho de Ministros
 • 1834-1835 Pedro de Sousa Holstein (primeiro)
 • 1910 António Teixeira de Sousa (último)
Legislatura Cortes
 - Câmara Alta Câmara dos Pares
 - Câmara Baixa Câmara dos Deputados
Período histórico Século XIX-XX
 • 26 de Julho de 1834 Guerras Liberais
 • 4 de Abril de 1838 III Constituição Política da Monarquia Portuguesa
 • 1 de Fevereiro de 1908 Regicídio de 1908
 • 05 de Outubro de 1910 Implantação da república
Área
 • 1910 92,391 km2
Moeda Real

A História de Portugal entre 1834 e 1910 foi um período de grandes mudanças tanto na esfera política como econômica. Depois da derrota dos absolutistas, a política portuguesa do século XIX esteve marcada pelas ideias liberais, ainda que também não conseguiu a tranquilidade desejada. Os liberais eram um grupo heterogéneo que se tinha unido para lutar contra os absolutistas mas que em comum possuíam muitas discrepâncias. Por este motivo dividiram-se em primeiro lugar entre os moderados e  progressistas. O primeiro ponto de desencontro foi a nova constituição política do país. Enquanto os progressistas, denominados Setembristas, queriam voltar a implantar a Constituição de 1821, os moderados, denominados Cartistas, queriam impor a Constituição de 1826.

A Rainha Maria IIEditar

 
O Duque de Saldanha.
 Ver artigo principal: Maria II de Portugal

Governo dos CartistasEditar

 Ver artigo principal: Cartista

A Rainha Dª. Maria II era partidária dos Cartistas. Entre 1834 e 1836 nomeou governos conservadores. Os premiês dessa época foram heróis das Guerras Liberais entre eles, o Marquês de Saldanha, o Duque de Terceira e Pedro de Sousa Holstein, Marquês de Palmela. Estes políticos tentaram levar a cabo reformas para terminar com a legislação absolutista que ainda se mantinha em vigor. A administração e a justiça reorganizou-se seguindo o modelo napoleônico, os monopólios mercantis e as grandes corporações foram abolidas. As ordens religiosas foram dissolvidas, e o patrimônio da Igreja se nacionalizou com o objectivo de melhorar a situação econômica do Estado através de sua venda. Desta forma criaram-se grandes patrimônios a mãos de uma nova classe social. Os bispos partidários de Dom  Miguel foram cessados, e pôs-se uma grande resistência à Igreja Católica. Os governos mudaram rapidamente devido aos escândalos internos bem como à resistência dos Setembristas.

 
Marquês de Sá dá Bandeira.

Setembristas no poderEditar

 Ver artigo principal: Setembrismo

Em 1836 ocorreram eleições forjadas que dão a vitória aos Cartistas provoca o estopim da Revolução Setembrina, que deu o poder aos progressistas. Muito na contramão de seus desejos, a Rainha teve que lhes entregar o poder. Sendo os políticos mais destacados do novo governo Manuel da Silva Passos e o Marquês de Sá dá Bandeira.

Contra o governo dos setembristas ocorreu uma resistência conservadora que, às vezes de forma pública e às vezes clandestina, que estava apoiada pela Rainha. Esta resistência viu-se especialmente nos levantamentos de 1836, 1837 e 1838.

Não obstante, os setembristas levaram a cabo uma importante série de reformas. A educação foi reformada, e criaram-se instituições que se mantêm até hoje em dia como a Academia de Belas Artes e o Teatro Nacional Dona Maria II. A base do sistema fiscal que se mantém na atualidade foi obra destes reformistas. A escravatura, que já tinha sido abolida na metrópole, foi abolida também nas colônias.

Em 1837 elegem-se novas Cortes Constituintes que deram ao país uma nova constituição de corte extremamente democrático.

A partir de 1840 caiu a influência dos setembristas. A Rainha pôde cumprir com seus desejos e nomeou a António Bernardo dá Costa Cabral como ministro de justiça para ter a uma de suas pessoas de confiança dentro do gabinete conservador.

O CabralismoEditar

 Ver artigo principal: Cabralismo
 
Antônio Bernardo dá Costa Cabral, Marquês de Tomar.

A cena política dos anos 1842 até 1846 está vinculada à figura de Antônio Bernardo dá Costa Cabral, o que depois seria convertido em Marquês de Tomar. Por este motivo ao período costuma-se-lhe denominar comumente cabralismo. Costa Cabral, que naquela época era ministro de justiça, terminou em 1842 com um golpe de Estado com o último governo setembrista. A Rainha nomeou-o ministro de justiça, com o que deixou sem força legal à Constituição progressista e se instaurou de novo a antiga Constituição. Governou o país com cortes autoritários até 1846 eliminando muitas das reformas dos governos prévios. A valoração da gestão de Cabral no governo ainda é motivo de disputas entre os historiadores portugueses.

Guerra Civil e RestauraçãoEditar

O descontentamento geral com a ditadura de Costa Cabral provocou em 1846 um o levantamento que terminou com o mandato do ditador. A Rainha, com sumo pesar, teve que o destituir e pouco depois nomeou outro governo conservador encabeçado pelo Duque de Saldanha. Os setembristas criaram em seu principal centro de apoio, Porto um governo paralelo. Isto provocou uma guerra civil. Num princípio o governo não pôde sufocar as revoltas no norte do país, pelo que teve que solicitar ajuda a Reino Unido e Espanha para poder pôr fim à guerra em 1847.

Depois da guerra civil, a política portuguesa entrou numa fase de tranquilidade. Dos Cartistas e os Setembristas surgiram partidos políticos, O Partido Regenerador (conservador) e o Partido Histórico (progressista). As discrepâncias entre ambos partidos seriam solventadas a cada vez mais através de meios políticos, se recusando o uso da força militar. Os governos conservadores sucederam-se até 1856, especialmente baixo a direção do Duque de Saldanha, que foi premiê durante várias legislaturas. Costa Cabral voltaria a ser chefe de governo entre 1849 e 1851.

Casa de Bragança-Saxe-Coburgo e Gota, os últimos Reis PortuguesesEditar

 Ver artigo principal: Casa de Bragança-Saxe-Coburgo-Gota
 
Fernando II, da família nobre alemã Saxônia-Coburgo-Gotha.

Em 1853 morreu a Rainha Maria II dando a luz ao seu undécimo filho com 34 anos. Com o reinado de Maria II terminou em Portugal a Casa de Bragança. A Rainha tinha-se casado em 1836 com o Príncipe Fernando II da Casa de Saxe-Coburgo-Gota. Através desse casal, a Casa de Bragança-Saxe-Coburgo-Gota passou a reinar em Portugal.

O sucessor de Dª.Maria II seria seu filho D. Pedro V, que quando faleceu sua mãe ainda era menor de idade, de modo que seu pai o Rei Consorte Fernando II teve que assumir a regência. Em 1855 chegou à maioridade.

RotativismoEditar

 Ver artigo principal: Rotativismo

Em Portugal instaurou-se uma monarquia parlamentar. Os políticos, tanto do Partido Regenerador como do Partido Histórico, estavam apoiados na alta burguesia. Como se tratava de grupos fechados de pessoas, que tinham o mesmo passado, se criou um sistema de turnismo no governo, denominado em Portugal como Rotativismo. Quando um partido não tinha apoios suficientes para seguir governando, lhe dava o poder ao Monarca e este nomeava Chefe de Governo ao líder da oposição. Uma vez formado o novo governo, o monarca dissolvia o Parlamento, para que assegure que o novo governo tivesse respaldo parlamentar, acompanhando  as eleições, algo que era bastante fácil dado o carácter censitário das mesmas. Com este sistema, os grandes partidos foram-se sucedendo no governo, tentando-se sempre que estivessem a cada um o mesmo tempo.

 
Duque de Loulé.

O turnismo começou quando o novo rei, Pedro V, nomeou premiê ao Duque de Saldanha e, depois dele, ao Duque de Loulé o presidente do Partido Histórico. Pela primeira vez desde a ditadura de Costa Cabral chegavam os Setembristas ao poder. O governo do Duque de Loulé durou até 1859, mudando ao Partido Regenerador (com o governo do Marquês de Terceira, e o de Joaquim António de Aguiar), passando de novo ao Partido Progressista.

O reinado de D. Pedro V terminou tragicamente em 1858. Tinha-se casado coma Princesa Estefânia de Hohenzollern-Sigmaringen, que tinha falecido um ano dantes. O Rei caiu numa profunda depressão, e em 1861 morreu o Rei mais amado do povo, com só 24 anos, como consequência uma epidemia de febres. Junto com ele morreram também dois de seus irmãos, pelo que D. Luis I, o último filho vivo da Rainha Dª. Maria II, subiu ao trono.

Entre 1865 e 1868 governou uma grande coalizão dos dois partidos, sob o mandato de Joaquim António de Aguiar. Devido ao aumento dos impostos, a princípios do ano 1868 teve várias revoltas em Lisboa. O governo passou ao Partido Regeneracionista, primeiro sob Antonio José de Ávila e depois baixo o Marquês de Sá dá Bandeira, que tinha criado seu próprio partido, o Partido Reformista. Finalmente. o governo passou a mãos do Marquês de Loulé, que foi derrocado por um golpe do octogenário Duque de Saldanha. Sá dá Bandeira terminou com o último governo de Saldanha e convocou eleições.

FontismoEditar

 Ver artigo principal: Fontismo
 
Fontes Pereira de Melo.

Depois das novas eleições elegeu-se um novo governo comandado por Fontes Pereira de Melo do partido Regenerador. Fontes Pereira de Melo devia estar no poder até 1877, sendo este o governo mais duradouro deste período. Durante este tempo faleceram vários dos políticos que tinham levado as rédeas do destino de Portugal, em faleceu 1874 Joaquim António de Aguiar, em 1875 o Conde de Loulé e em 1876 o Marquês de Sá dá Bandeira. Nestes anos fundou-se também o partido republicano. O governo de Fontes de Melo foi um dos grandes impulsores da industrialização.

O partido republicano cedo começou com as revoltas, devido à influência da declaração em Espanha da república em 1873.

Com a morte de Sá dá Bandeira desapareceu o partido que ele mesmo tinha fundado o Partido Reformista, uma divisão do Partido Histórico, do que era a base de sua existência. O partido Reformista uniu-se ao Histórico para formar o Partido Progressista. Anselmo José Braamcamp converter-se-ia no porta-voz do novo partido. Os progressistas levaram a cabo grandes reformas entre elas a reforma da Constituição, a descentralização e o impulso de um novo sistema eleitoral, bem como reformas em matéria fiscal. Entre 1877 e 1878 Fontes de Melo teve que entregar o governo a António José dá Ávila (oficialmente devido a uma doença, ainda que os historiadores apontam que foi devido às grandes críticas a seu governo). A volta de Fontes Pereira de Melo, em janeiro de 1878 aumentou os protestos dos progressistas, que não só protestavam pelo premiê sinão também contra o próprio D. Luis I. Nas eleições de novembro de 1878 foi eleito o Partido Progressista. Com estas eleições elegeram-se pela primeira vez a deputados republicanos na Assembleia Portuguesa.

Depois de um escândalo, provocado pelas relações entre o ministro de finanças e o Banco de Ultramar, o governo de Fontes de Melo caiu o 29 de maio de 1879. Os progressistas subiram pela primeira vez ao poder, seguindo o sistema de turnismo, mas agora entre o partido Regenerador e o Partido Progressista.

O partido Regenerador encontra-se numa oposição sem compromisso ante o novo governo, Fontes Pereira de Melo levou a cabo uma moção de censura em 1881 para voltar a converter-se em chefe do governo. O 16 de setembro de 1885 faleceu o chefe do partido Progressista, Baamcamp, seu sucessor foi José Luciano de Castro. Quando o governo de Fontes Pereira de Melo teve que se retirar em fevereiro de 1886 devido a um escândalo sobre fiscalidade, José Luciano de Castro assumiu o poder.

Em 1887 morreu Fontes Pereira de Melo. Nas eleições parlamentares que tiveram lugar nesse mesmo ano, os republicanos conseguiram dois deputados. António Serpa converteu-se no sucessor de Pereira de Melo. Nas eleições de 1888, elege-se deputado ao que seria o primeiro presidente da república portuguesa Teófilo Braga.

Em 1889 morreu o Rei e seu filho Dom Carlos I ascendeu ao trono.

Crise colonialEditar

Durante o seguinte período da história portuguesa, cresce de novo o interesse pelas posses de ultramar, especialmente as colônias africanas. Na Conferência de Berlim de 1884, e dispôs que o exercício do controle real e a soberania sobre as posses em África basear-se-ia na decisão que tomassem as potências coloniais.

Portugal foi à Conferência em 1887 com um plano (o denominado Mapa Cor-de-Rosa) que pretendia unir as suas duas colónias na África meridional (Angola e Moçambique) sob um corredor, o que chocava com os interesses britânicos, que pretendiam um outro corredor desde o Egito até à África do Sul. O exército português começou a ocupar territórios fora de suas colónias para cumprir com o plano da metrópole, ocupando zonas atuais de Malaui; o Reino Unido protestou energicamente contra estas ocupações.

A princípios de 1890, o governo britânico enviou um ultimato a Portugal, no qual se exigia que os soldados que se encontravam entre ambas as colónias se retirassem. Nesta situação, D. Carlos I, nomeia António Serpa Pimentel, do Partido Regenerador, chefe do governo.

O Mapa Cor-de-Rosa tinha criado uma onda de nacionalismo português, que impregnava a política colonial. O enfado da população fez-se visível depois do ultimato britânico, que o feriu. A culpa da derrota política não se abateu só ao governo, senão também à Monarquia, de tal forma que o Rei teve que intervir diretamente na política nacional. Em consequência, a oposição republicana fez-se mais forte. O estudante António José de Almeida, que viria mais tarde a ser eleito Presidente da República, publicou um artigo contra a monarquia titulado "Bragança, o último". No livro Finis Patriae de Guerra Junqueiro fazem-se troças sobre o rei.

As eleições parlamentares de março de 1890 têm um resultado sangrento. Dez pessoas morrem e 40 resultam feridas. Os republicanos obtiveram três assentos, todos pelo círculo de Lisboa. Em 1890, assinala-se pela primeira vez em Portugal o Dia do Trabalhador.

A questão das colónias africanas levou a uma crise política. Depois de longas negociações, assinou-se o Tratado de Londres, onde se fixaram as fronteiras de Moçambique e Angola com as posses britânicas. Quando o governo submeteu o tratado ao Parlamento a ratificação, este entendeu que Portugal se rendia ao ultimato britânico. Sucederam-se vários protestos conseguindo a oposição que não saísse nenhuma proposta do Parlamento. Serpa Pimentel retira-se e o Rei nomeia um novo governo, que pouco dura. Entre 1890 e 1893 suceder-se-ão vários governos instáveis.

A 31 de janeiro de 1891 tem lugar um levantamento republicano no Porto. Chega a proclamar-se a República desde a varanda dos Paços do Concelho do Porto, mas a Guarda Municipal sufoca o movimento revolucionário.

Problemas econômicosEditar

Enquanto isso, os problemas econômicos eram cada vez  maiores. Portugal viu aumentada sua dependência em frente a potências estrangeiras. A moeda se desvalorizou fortemente enquanto a fazenda real a cada vez caía mais. Isto provocou um aumento das correntes republicanas e socialistas. A situação financeira do país  era cada vez mais delicada. Depois da Independência de Brasil, tinha-se perdido a principal fonte de rendimentos do país já que as colônias africanas não podiam suprir a falta de rendimentos. Portugal, pese a que tinha tido tentativas de industrialização, seguia sendo um país eminentemente rural. O 7 de maio de 1891 produziu-se a bancarrota do Estado. O valor dos bilhetes portugueses caiu um 10 %. A bancarrota do Estado implicou que a popularidade do Rei e do Estado português caísse entre a população. A soberania portuguesa viu-se limitada (em 1901 o Rei impôs um poder de veto para (Inglaterra, França e Alemanha) a câmbio de dinheiro para manter a Fazenda). Propuseram-se vários planos para recuperar a economia do país. O Rei recusou até o 20 % de seus rendimentos e no Parlamento debateu-se a possibilidade de vender as colônias.

Com a nomeação de Ernesto Rodolfo Hintze Ribeiro do Partido Regenerador como premiê em 1893 termina a fase de governos eleitos pelo Parlamento, o país volta ao sistema de turnismo entre os dois grandes partidos. Depois de Hintze governou José Luciano de Castro do Partido Progressista.

Na política governava o caos, quantas mais eleições mais deputados eleitos eram republicanos, ainda que ainda seguiam sendo uma pequena minoria no Parlamento. Tentaram-se reformas na lei eleitoral, para debilitar aos republicanos. Através de uma reforma constitucional, que se fez através de um Real Decreto sem contar com a participação do Parlamento, o Rei tirou poder ao Parlamento.

Solução da crise colônial, problemas com a IgrejaEditar

Em 1899 assina-se o Tratado de Windsor, que terminara com a crise colonial entre Reino Unido e Portugal. Ambos reconhecem suas posses, se obrigando Grã-Bretanha a respeitar as colônias portuguesas, mas ganhando o direito a que seus exércitos atravessassem o território português em África. Dantes de que se tivesse assinado, tinha tido contatos entre Alemanha e o Reino Unido, nos que se dispunha a delimitação das colônias alemãs e britânicas no sul de África. Nesses acordos tinha-se em conta que, dada a situação financeira de Portugal, este ver-se-ia obrigado a vender suas colônias, e começaram a se repartir as posses portuguesas. Os Estados Unidos, que naquela época se encontravam em guerra contra Espanha, também pensaram em ocupar, aparte de Cuba, Porto Rico e Filipinas os Açores. O Tratado de Windsor terminou com esse perigo, e a soberania portuguesa sobre Moçambique e Angola se reafirmou.

Outro tema que afetava de sobremaneira à política interna de Portugal eram as relações com a Igreja Católica. O processo de Calmon, no que uma jovem de 32 anos, filha do cônsul brasileiro em Porto, se enfrentou a seu pai, que a queria obrigar a ingressar num convento, provocou revoltas anticlericais em Lisboa. O Partido Regenerador, que era anticlerical, reagiu com uma série de decretos contra a Igreja: permitiam-se as ordens religiosas que se dedicavam evangelizar nas colônias, mas em Portugal se fecham várias instituições religiosas, entre as que se encontrava um jornal católico. O Rei apoiou estas reformas, com o que se ganhou um pouco de afeto entre seus súditos.

O FrancismoEditar

Em Porto, os republicanos venceram nas eleições municipais. Essas eleições foram declaradas nulas e repetiram-se, ainda que o resultado não variou. O representante do Partido Regenerador e chefe da oposição, Antonio Serpa Pimentel, morreu em 1900, Hintze Ribeiro assumiu a liderança do partido e do governo.

Dentro do Partido Regenerador começou a ter discrepâncias, as quais se complicavam conforme se complicava a situação política. Ao lado de Hintze Ribeiro encontrava-se João Franco o político mais prestigiado do partido. Na contramão de Hintze Ribeiro e seus seguidores, em 1901 João Franco fundou o Partido Regenerador Liberal.

Entre 1905 e 1906 o política interior do país voltou a ressentir-se. O governo proibiu umas publicações republicanas e como reação teve protestos de rua e levantamentos. Quando o presidente francês visitou o país, foi recebido por uma grande manifestação de republicanos. Os progressistas e os regeneracionistas assinaram um acordo de paz, para poder terminar, junto com o Rei, com os levantamentos republicanos. Tanto Luciano de Castro do partido progressista como Hintze Ribeiro do regenerador foram presidentes do governo durante esse ano mas não foram capazes de controlar os levantamentos.

Em 1906 o Rei chamou a João Franco para ser Presidente do Governo. Franco foi o último premiê da Monarquia Portuguesa que teve algo de importância. Seu governo denominou-se "Francismo" no contexto da história de Portugal.

 
João Franco, um dos últimos Chefes de Governo da Monarquia Portuguesa.

O novo premiê tentou desde o governo acercar ao Rei  e ao povo. Sua divisa de governo seria “Tolerância e Liberdade, isso é o que deve assumir o povo através do governo do rei”. Uma das primeiras ações do novo governo foi uma grande anistia, da que resultaram beneficiados muitos republicanos encarcerados por publicações contra do Rei. O chefe dos republicanos, Bernardino Machado, pôde dar um discurso em público, sem que a polícia lho impedisse. O Rei tentou melhorar sua imagem trabalhando no governo e começou a assistir aos conselhos de ministros. Nas eleições de 1906 o governo conseguiu uma maioria, ainda que não se conseguiu integrar aos republicanos na política do país. Enquanto, desde uma cadeira, um deputado republicano, Afonso Costa disse: “Por menos do que nos fez o Rei Carlos, em França perdeu a cabeça Luís XVI”. Com isto se romperam as relações entre os republicanos e o governo. Os republicanos são expulsos por três meses do Parlamento. Nas manifestações, nas quais se apoiava a Afonso Costa, se prendem 63 pessoas. Em Porto reúnem-se 12 mil pessoas num grande congresso republicano. 45 mil pessoas assinam uma petição, na que se solicitava a volta dos republicanos ao Parlamento, o que teve lugar o 21 de dezembro de 1906. Em 1907 ditou-se uma nova Lei de Imprensa que instaurava a censura. O 8 de maio de 1907 Franco começa a governar de forma ditatorial, também através de um decreto no que não participou o Parlamento. Os dissidentes dentro do Partido Regenerador unem-se aos republicanos. A princípios de janeiro de 1908, detém-se e julga a muitos dirigentes republicanos e dissidentes regeneracionistas. Franco solicita e obtém do Rei um decreto, no que se dita a deportação dos republicanos às colônias de ultramar.

 
O Rei D. Carlos I de Portugal morre de um tiro em Lisboa em 1908.

O 1 de fevereiro de 1908 morrem o Rei e seuherdeiro num atentado na Praça do Comércio de Lisboa.

O fim da MonarquiaEditar

Dom Manuel II, o filho caçula do Rei assassinado, ascende ao trono com 18 anos. Seria o último Rei de Portugal. O Rei não pôde manter a Monarquia em Portugal. A primeira medida que tomou foi destituir a João Franco, já que lhe acuso de ter tido que ver no assassinato de seu pai e de seu irmão. Nomeou ao almirante Ferreira do Amaral como premiê, que tentou, com uma série de medidas liberais, acalmar a situação. A esta política chamou-lha em Portugal a "Política de Acalmação". Com isso se repetiram muitos dos processos que tinham tido lugar sob o mandato de Franco e se abriram jornais proibidos. Também se ditou uma anistia geral. As Cortes dissolveram-se e convocaram-se eleições. Os republicanos conseguiram vencer nas eleições municipais de Lisboa.

 
Manuel II o último Rei de Portugal do século XX.

A Monarquia Portuguesa teria outros 6 premiês nos últimos 2 anos de existência. Os monárquicos estão totalmente divididos, o Partido Regenerador divide-se em duas facções no final de 1909.

No mesmo ano, num congresso geral republicano impôs-se a área radical impondo a revolução armada como objetivo do partido. Em 1910 Miguel Bombarda, um psiquiatra e cabeça do movimento republicano foi assassinado por um paciente. Ainda que o acontecimento não teve conotações políticas, se produziram levantamentos em Lisboa e nas grandes cidades do país. Dois dias mais tarde instaurou-se um governo provisório a nome do republicano Teófilo Braga. O 6 de outubro de 1910 instaura-se a república portuguesa em Porto. Um dia antes, o rei tinha marchado ao exílio na Inglaterra. A Monarquia Portuguesa, que tinha começado em 1139 quando Afonso Henriques tomou o título de Rei, terminava 771 anos depois.

Em 1932, após a morte do último Rei de Portugal, uma alegada filha bastarda do Rei Dom Carlos I e portanto supostamente irmã do Rei D. Manuel II, conhecida como Maria Pia de Saxe-Coburgo-Gota e Bragança, de acordo com o texto das Cortes de Lamego que dizia que "se o Rei morre sem filhos, no caso de ter irmão este possuirá o Reino em sua vida", reclamou o título de Duquesa de Bragança (pelo ramo constitucional) e defendeu ser a legítima Rainha de Portugal.[1][2]

NotasEditar

  1. Lisboa: Bertrand, 2006.
  2. Lisboa: Minerva, 1983.

Ver tambémEditar