Operação Condor

Operação Condor
Parte de Guerra Fria
Países participantes da Operação Condor. Em verde: membros ativos (Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Paraguai, Uruguai). Em verde claro: membros esporádicos (Colômbia, Peru, Venezuela). Em azul: Estados Unidos
Tipo Operação secreta
Localização América do Sul
Planejado por  Argentina
 Bolívia
 Brasil
 Chile
 Estados Unidos[1][2][3]
 Paraguai
Uruguai
Comandado por Argentina Jorge Rafael Videla
Bolívia Hugo Banzer
Brasil Costa e Silva
Brasil Emílio Médici
Brasil Ernesto Geisel
Brasil João Figueiredo
Chile Augusto Pinochet
Estados Unidos Henry Kissinger[4]
Paraguai Alfredo Stroessner
Uruguai Aparicio Méndez
Alvo Comunistas, socialistas e opositores às juntas militares e governos de direita na América do Sul
Data 1968-1989
Executado por Agências de inteligência dos respectivos países participantes
Resultado Concluída após a queda do Muro de Berlim
Baixas 60.000 a 80.000 suspeitos de simpatizantes de esquerda mortos[5]
mais de 400.000 prisioneiros políticos[6]

A Operação Condor foi uma aliança político-militar entre os diferentes regimes militares da América do Sul - Brasil, Argentina, Chile, Bolívia, Paraguai e Uruguai, com presença esporádica de Peru, Equador, Colômbia e Venezuela[7] - com a CIA dos Estados Unidos,[8] fundada em 1975, sendo o chefe do Departamento de Estado dos Estados Unidos, Henry Kissinger, designado como seu ideólogo.

O Plano Condor foi elaborado no marco da estratégia dos Estados Unidos na Guerra Fria, orientada pela Doutrina de Segurança Nacional que promoveu ditaduras para suprimir setores políticos de esquerda. Isto envolveu, oficial e diretamente, o monitoramento, vigilância, detenção, interrogatório com tortura, transferência entre países, estupro e desaparecimento ou assassinato de pessoas consideradas por tais regimes como “subversivas da ordem estabelecida, ou contrárias à sua política ou ideologia”.[8] Em entrevista concedida em março de 2001, o ex-governador de Pernambuco, Miguel Arraes declarou que a Operação Condor decorreu do impasse na Guerra do Vietnã, que fez os Estados Unidos temerem confrontos semelhantes com o movimento guerrilheiro da América Latina.[9]

Montada por iniciativa do governo chileno,[10] a Operação Condor durou até a onda de redemocratização, na década seguinte. A operação, liderada por militares da América do Sul, foi batizada com o nome do condor, abutre típico dos Andes que se alimenta de carniça, como os urubus.

Antecedentes históricosEditar

Revolução cubana e intervencionismo cubanoEditar

Poucos meses após o triunfo da revolução cubana, em 1959, Cuba liderou intervenções militares no Panamá, Nicarágua, República Dominicana e Haiti.[11] Com a deterioração das relações entre Cuba e os Estados Unidos, o governo cubano estabeleceria relações com a União Soviética. Cuba se tornaria um centro de treinamento ideológico que daria lugar à formação de vários grupos guerrilheiros e terroristas de ideologia comunista na América Latina.[12]

Organização Latino-americana de SolidariedadeEditar

Em 1966, foi realizada a Primeira Conferência Tricontinental na qual participaram cerca de 500 representantes e delegados de movimentos políticos, organizações revolucionárias, sindicatos, estudantes, mulheres e algumas organizações internacionais da América Latina, Ásia e África com o objetivo de unir as forças revolucionárias contra ao imperialismo.[13] Após o sucesso da conferência, e por iniciativa de Salvador Allende[14], surge a Organização Latino-Americana de Solidariedade (OLAS), na qual se postulava a luta armada e a guerra de guerrilhas como meios de tomada do poder na América Latina.

Naquela época acontecia em Havana a conferência da Organização Latino-Americana de Solidariedade (OLAS), que buscava coordenar os movimentos revolucionários do continente, como uma espécie de internacional revolucionária na América Latina.[14]

A morte prematura de Ernesto “Che” Guevara na Bolívia frustra objetivos previamente planejados.[15] "Che" Guevara tentou emular a revolução cubana transformando os Andes na Sierra Maestra para promover a revolução em toda a América Latina.[16]

Junta de Coordenação RevolucionáriaEditar

A Junta de Coordenação Revolucionária (JCR) em Santiago do Chile nasceu em novembro de 1972 com o propósito de articular os movimentos guerrilheiros comunistas no cone sul da América Latina,[17] embora já existissem vínculos entre esses grupos desde 1968.[18] Entre os integrantes do JCR estavam o Movimento de Esquerda Revolucionária do Chile, o MLN - Tupamaros do Uruguai, o Exército de Libertação Nacional da Bolívia e o Exército Revolucionário do Povo da Argentina.[18][19]

O JCR proporcionou às organizações agrupadas uma coordenação tática e estratégica com a possibilidade de desenvolver uma infraestrutura clandestina, contatos internacionais e divulgação de seus programas[19] a desenvolver a luta armada seguindo o exemplo de Ernesto “Che” Guevara e a doutrina do foquismo.[20]

Escola das Américas e golpes de estadoEditar

Durante a década de 1960, a Escola das Américas ensinou às autoridades latino-americanas ações "preventivas" (tortura, suborno, extorsão, ameaças) para agir na região diante de ameaças percebidas de dissidentes políticos.[21]

Na década de 1970, os alunos da Escola das Américas participariam ativamente dos golpes realizados na Bolívia (golpe de Hugo Banzer) e na Argentina (junta militar comandada por Jorge Rafael Videla) além de prestar apoio logístico em as ditaduras de Pinochet no Chile e Stroessner no Paraguai.[22]

HistóriaEditar

Reuniões militaresEditar

Durante uma conferência realizada em Caracas em 3 de setembro de 1973, o general brasileiro Breno Borges Fortes propôs "estender a troca de informações" entre vários serviços para "lutar contra a subversão".[23]

Em maio de 1974, representantes das polícias chilena, uruguaia e boliviana se reuniram com Alberto Villar, co-fundador do esquadrão da morte Triple A, para implementar as diretrizes de cooperação. Seu objetivo era destruir a ameaça "subversiva" representada pela presença de milhares de exilados políticos na Argentina.[23] De acordo com um documento da CIA desclassificado de 23 de junho de 1976, explica que "no início de 1974, oficiais de segurança da Argentina, Chile, Uruguai, Paraguai e Bolívia se reuniram em Buenos Aires para preparar ações coordenadas contra alvos subversivos".[24]

Estabelecimento da Operação CondorEditar

O Plano Condor foi estabelecido oficialmente em 25 de novembro de 1975 em uma reunião realizada em Santiago do Chile entre Manuel Contreras, chefe da DINA (polícia secreta chilena) e os líderes dos serviços de inteligência militar da Argentina, Bolívia, Chile, Paraguai e Uruguai.[25]

O objetivo principal da Operação Condor era lutar contra o comunismo e impedir sua expansão na região por meio do intercâmbio de informações sobre subversivos entre os países envolvidos[26] para reprimir movimentos guerrilheiros armados como Tupamaros no Uruguai, Montoneros na Argentina, MIR no Chile, ALN no Brasil, ou mesmo lideranças políticas civis e militares como os casos de Orlando Letelier ou Carlos Prats e oponentes políticos de regimes militares. O primeiro passo da Operação Condor foi executar a imediata unificação de esforços de todos os aparatos repressivos dos países participantes que se moviam livremente entre os territórios dos países para sequestrar, desaparecer ou assassinar seus concidadãos.[26]

A ação foi conjunta e o governo norte-americano dela tinha conhecimento, conforme demonstram documentos secretos divulgados pelo Departamento de Estado dos Estados Unidos em 2001.[27] Entretanto, o governo dos EUA alega que dentre todos os papéis liberados, nada há que comprove a participação ativa dos Estados Unidos na Operação Condor.

Fases da Operação CondorEditar

A Operação Condor foi realizada em três fases:

  • Primeira fase: foi criada uma base de dados compartilhada para melhorar o intercâmbio de informações e a cooperação entre os serviços de inteligência. Nos dados estavam guerrilheiros, partidos de esquerda, grupos políticos, movimentos sociais sindicais.[28]
  • Segunda fase: começam as operações coordenadas de espionagem, prisão, interrogatório ou tortura dos alvos que foram estabelecidos na fase anterior. Em alguns casos, eles foram assassinados ou desapareceram.[28]
  • Terceira fase: foram coordenados ataques a pessoas específicas dentro e fora da região. Segundo um cabograma do agente do FBI, Robert Scherrer, esta fase "envolve a formação de grupos especiais de países membros que devem viajar em qualquer parte do mundo para países terceiros, para cumprir sanções, incluindo assassinato, contra terroristas ou simpatizantes de organizações terroristas".[28]

Casos notáveisEditar

Na ArgentinaEditar

Assassinato de Carlos PratsEditar

 
O corpo do ex-general Prats destruído pela explosão do carro-bomba. Buenos Aires, 30 de setembro de 1974.

Em 30 de setembro de 1974, o general aposentado do exército chileno e amigo de Salvador Allende, Carlos Prats, foi assassinado junto com sua esposa por uma bomba controlada por controle remoto em Buenos Aires.[29]

Segundo documentos divulgados à imprensa, o agente da DINA, Juan Morales Salgado, estava monitorando os detalhes da vida de Prats e sua esposa.[30] O autor material do ataque foi o agente da CIA, Michael Townley.[31]

No BrasilEditar

O sequestro dos uruguaiosEditar

 
Lilian Celiberti, sequestrada pela Operação Condor, em 1978, discursa no Fórum Social Mundial, 2010.

O episódio com maior reconhecimento internacional, envolvendo a Operação Condor, aconteceu em novembro de 1978, numa colaboração entre as ditaduras do Uruguai e Brasil, mais tarde conhecida como "O sequestro dos uruguaios". Nesta ocasião, sob consentimento do regime militar brasileiro, altos oficiais do exército uruguaio viajaram clandestinamente a Porto Alegre, capital do Estado do Rio Grande do Sul. Alí sequestraram um casal de militantes da oposição política uruguaia, Universindo Rodríguez Díaz e Lilian Celiberti, junto com seus dois filhos, Camilo e Francesca, de 8 e 3 anos de idade, respectivamente.

A operação ilegal fracassou quando dois jornalistas brasileiros, o repórter Luiz Cláudio Cunha e o fotógrafo João Baptista Scalco, da sucursal da revista Veja em Porto Alegre -RS — alertados por um telefonema anônimo, foram ao apartamento onde vivia o casal, no bairro Menino Deus da capital gaúcha.[32] Alí, confundidos com companheiros dos uruguaios, os jornalistas foram recebidos por homens armados que mantinham Lílian presa. Universindo e os filhos de Lílian já haviam sido levados ao Uruguai clandestinamente.[33] A inesperada chegada dos jornalistas quebrou o sigilo da operação, obrigando os militares a levarem rapidamente Lílian a Montevidéu.

Em 1980, dois inspetores do DOPS (Departamento de Ordem Político e Social, uma ramificação oficial da polícia a serviço da repressão política durante o regime militar), e que haviam participado da prisão dos jornalistas no apartamento de Lilian em Porto Alegre, foram condenados pela Justiça brasileira. Eram João Augusto da Rosa e Orandir Portassi Lucas (um ex jogador de futebol conhecido como Didi Pedalada), ambos identificados pelos jornalistas e pelo casal de uruguaios como sendo participantes na operação de sequestro, o que confirmou a participação do governo do Brasil na Operação Condor. Em 1991, através da iniciativa do governador Pedro Simon, o Estado do Rio Grande do Sul reconheceu oficialmente o sequestro dos uruguaios e indenizou-os, inspirando o governo democrático do presidente Luis Alberto Lacalle do Uruguai a fazer o mesmo um ano depois. Lilian, Universindo e as duas crianças são os únicos sobreviventes conhecidos a terem sofrido uma ação da Operação Condor.[34][35]

João Goulart e as circunstâncias pouco claras da sua morteEditar

Segundo o ex-governador do Rio de Janeiro, Leonel Brizola disse que os ex-presidentes brasileiros João Goulart e Juscelino Kubitschek foram assassinados no âmbito da Operação Condor e pediu a abertura de investigações sobre suas mortes. Juscelino Kubitschek morreu em um acidente de carro.[36][37]

A família do ex-presidente João Goulart entrou com ação na Procuradoria Geral da República em que pede a investigação sobre o suposto complô que teria levado ao assassinato por envenenamento do ex-presidente, deposto pelo golpe de 1964 e morto no exílio, na Argentina, em 1976.

O pedido foi acompanhado pela gravação de uma entrevista feita pelo filho de João Goulart, João Vicente Goulart, com o uruguaio Mario Neira Barreiro, de 53 anos, que atualmente cumpre pena em penitenciária gaúcha, por roubo, formação de quadrilha e posse ilegal de armas. Barreiro descreve seu trabalho no Grupo Gama, o serviço de inteligência uruguaio, nos anos 1970, e detalha a Operação Escorpião (subordinada à Condor), que teria levado ao assassinato de João Goulart por envenenamento, mediante a adulteração de seus medicamentos de uso contínuo. Ele era cardiopata. "Não me lembro se colocamos no Isordil, no Adelpan ou no Nifodin. Conseguimos colocar um comprimido nos remédios importados da França. Ele não poderia ser examinado por 48 horas, aquela substância poderia ser detectada" - contou Barreiro. Jango morreu na madrugada de 6 de dezembro de 1976, oficialmente de ataque cardíaco, aos 57 anos, em sua Fazenda La Villa, na cidade de Mercedes, Argentina. Seu corpo foi enterrado em São Borja, no Rio Grande do Sul, sem passar por autópsia.[38]

Porém no dia 13 de novembro de 2013 o corpo do ex-presidente brasileiro foi exumado com o objetivo de tentar esclarecer as causas de sua morte. A urna com os restos mortais de Jango saiu de São Borja com destino a Brasília, capital federal, onde foi recebida pela presidente Dilma Roussef. O trabalho de exumação do corpo de João Goulart durou cerca de 18 horas[39] e resultou inconclusivo quanto à causa de sua morte, pois a substância que haveria causado o possível envenenamento do ex-presidente poderia já haver se deteriorado.[40]

 
Informe 334/77, do Centro de Informações do Exterior (CIEX), órgão subordinado ao Ministério das Relações Exteriores do Brasil. O informe trata da operação do governo uruguaio contra o Partido Comunista do Uruguai. Este documento é um dos poucos registros oficiais do governo brasileiro sobre a Operação Condor. Arquivo Nacional.

Segundo João Vicente, "surgiram depois informações sobre o serviço secreto do Itamaraty, e a colaboração entre esse serviço e os de outros países, que dão veracidade ao que ele disse. Essa colaboração já existia antes da Operação Condor". João Vicente refere-se à divulgação de documentos sobre o Centro de Informações do Exterior, o serviço secreto do Itamaraty criado nos anos 60 e que vigiava os exilados brasileiros. O CIEX foi revelado numa séria de reportagens do jornalista Claudio Dantas Sequeira publicada em julho de 2007 no Correio Braziliense. Claudio Dantas Sequeira ganhou os prêmios Esso e Embratel, os mais importantes do jornalismo brasileiro. Também foi homenageado com o prêmio Resgate Histórico, do Movimento Nacional de Justiça e Direitos Humanos. Sequeira, que prepara um livro sobre o tema, descobriu mais de 20 mil páginas de informes produzidos entre 1966, ano de criação do CIEX, até 1984, quando foi desativado, que não estavam catalogadas no Arquivo do Itamaraty. Depois da publicação da reportagem, toda a documentação foi enviada ao Arquivo Nacional pelo chanceler Celso Amorim. Pesquisadores têm tentado pesquisá-lo, mas enfrentam limitações de acesso àqueles documentos que contém informações de vítimas do regime militar, cuja consulta só é permitida a familiares.[41][42]

No ChileEditar

Assassinato de Orlando LetelierEditar

Em 21 de setembro de 1976, Orlando Letelier, que havia sido chanceler do governo de Salvador Allende, morreu em uma explosão com seu assistente Ronni Moffitt e o marido dela.[43]

O responsável pelo ataque foi Michael Townley, extraditado para os Estados Unidos em 1978 e condenado a dez anos de prisão, sendo libertado pouco depois como parte do programa de proteção a testemunhas.[43]

No PeruEditar

Rapto de Javier Diez CansecoEditar

Durante o mandato do ditador peruano Francisco Morales Bermúdez, Javier Diez Canseco junto com outros 12 oponentes foram sequestrados e entregues ao exército argentino.[44][45]

Vítimas da Operação CondorEditar

O número de vítimas da Operação Condor não é claro. O Centro Internacional para a Promoção dos Direitos Humanos recolhe um total de 377 vítimas da Operação Condor que foram oficialmente comprovadas.[28]

Arquivo do TerrorEditar

Em 22 de dezembro de 1992, veio à tona uma série de informações sobre a Operação Condor, quando José Fernández, um juiz do Paraguai, visitou uma delegacia de polícia para buscar os arquivos de um ex-preso político.[46] Em vez disso, ele encontrou o que mais tarde seria conhecido como "Arquivos do Terror", onde são detalhados a tortura, sequestro e assassinato de milhares de latino-americanos pelos serviços de segurança da Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Paraguai e Uruguai.[46] Os documentos comprovam a existência de um acordo entre esses países para a troca de informações e o assassinato de cerca de 50.000 opositores políticos na América Latina.[47]

JulgamentosEditar

Justiça italianaEditar

Existem documentos que comprovam que o procurador Giancarlo Capaldo, magistrado italiano, investigou a ação de militares argentinos, paraguaios, chilenos e brasileiros que torturaram e assassinaram cidadãos italianos na época das ditaduras militares da América Latina. No caso de acusados brasileiros de assassinato, sequestros e torturas, havia uma lista com o nome de onze brasileiros além de muitos militares de altas patentes dos outros países envolvidos na operação.[carece de fontes?]

Segundo as palavras do Magistrado, em 26 de outubro de 2000, "(...) Nada posso confirmar nem desmentir porque até dezembro militares argentinos, brasileiros, paraguaios e chilenos serão submetidos a julgamento penal..."[carece de fontes?]

Ainda em dezembro de 2000 a Justiça italiana iniciou o julgamento dos onze brasileiros, todos militares e policiais. Eram acusados pelo desaparecimento de três argentinos descendentes de italianos. Os brasileiros eram atuantes da Operação Condor . Por segredo de justiça, os resultados dos julgamentos e as punições dos criminosos, se houve, não foram noticiados.[48] Em dezembro de 2007 foram decretadas por autoridades italianas, prisões preventivas de diversos envolvidos, entre ele os já falecidos João Figueiredo (ex-presidente) e Octávio Aguiar de Medeiros (ex-chefe do SNI).[49][50]

Representações na culturaEditar

  • A Operação Condor foi retratada, ainda que de forma especulativa, no filme Estado de Sítio, do cineasta grego Costa-Gavras.
  • Em 2007, foi lançado o documentário "Condor" de Roberto Mader.[51]
  • Documentário "Escadrons de la mort, l'école française" de 2003 (original em francês com legendas em espanhol) . Em português: "Os Esquadrões da morte: A escola francesa"- O documentário que trata da transferência das técnicas francesas de tortura pelo Serviço secreto francês para os sistemas de tortura de outros países, incluindo os países latinos - da documentarista francesa Marie-Monique Robin.[52]
  • Documentário Tortura Made in USA - 2009 - de Marie-Monique Robin.[53]
  • DINGES, John. Os anos do Condor. São Paulo: Companhia das Letras, 2005.
  • FAUSTO, Boris & DEVOTO, Fernando. Brasil e Argentina. Um ensaio de história comparada (1850-2002). São Paulo: Editora 34, 2004.

Ver tambémEditar

ReferênciasEditar

  1. McSherry, J. Patrice (2011). "Chapter 5: "Industrial repression" and Operation Condor in Latin America". In Esparza, Marcia; Henry R. Huttenbach; Daniel Feierstein. State Violence and Genocide in Latin America: The Cold War Years (Critical Terrorism Studies). Routledge. p. 107. ISBN 0415664578.
  2. Greg Grandin (2011). The Last Colonial Massacre: Latin America in the Cold War. University of Chicago Press. p. 75. ISBN 9780226306902
  3. Walter L. Hixson (2009). The Myth of American Diplomacy: National Identity and U.S. Foreign Policy. Yale University Press. p. 223. ISBN 0300151314
  4. Greg Grandin. Kissinger's Shadow: The Long Reach of America's Most Controversial Statesman Metropolitan Books, 2015. p. 151. ISBN 1627794492
  5. «Victims of Operation Condor, by Country». Ben Norton (em inglês). 28 de maio de 2015. Consultado em 8 de outubro de 2017 
  6. Society, National Geographic (17 de dezembro de 2013). «Archives of Terror Discovered». National Geographic Society (em inglês). Consultado em 8 de outubro de 2017 
  7. «PARTICIPO ECUADOR EN LA OPERACION CONDOR 1978 | HOY | Noticias del Ecuador y el mundo | Ecuador - Quito - Guayaquil». web.archive.org. 15 de dezembro de 2013. Consultado em 14 de outubro de 2020 
  8. a b «Plan Cóndor formaba parte de la política estatal». LARED21 (em espanhol). 23 de outubro de 2009. Consultado em 14 de outubro de 2020 
  9. Arraes foi avisado sobre a Operação Condor. JC OnLine, 11 de março de 2001.
  10. Muñoz, Heraldo. A sombra do ditador: Memórias políticas do Chile sob Pinochet. [S.l.]: Zahar. ISBN 9788537805053 
  11. «Así fueron las intervenciones armadas del régimen castrista en América Latina». Cubanet (em espanhol). 29 de março de 2019. Consultado em 14 de outubro de 2020 
  12. de 2019, Por Sebastiana Barráez10 de Septiembre. «La historia de las injerencias e intervencionismos de Cuba sobre varios países hasta llegar a Venezuela». infobae (em espanhol). Consultado em 14 de outubro de 2020 
  13. «Primera Conferencia de la Organización Latinoamericana de Solidaridad «» (em espanhol). Consultado em 14 de outubro de 2020 
  14. a b «::: Evocación de la Memoria del Pasado Reciente :::». www.pasadoreciente.com. Consultado em 14 de outubro de 2020 
  15. «Amnesia siniestra: OLAS, La Habana, 1967». El Mercurio (em inglês). Consultado em 14 de outubro de 2020 
  16. «Buscándole sentido al fracaso - Revista Anfibia». Consultado em 14 de outubro de 2020 
  17. «Junta Coordinadora Revolucionaria (JCR) - Memoria Chilena, Biblioteca Nacional de Chile». www.memoriachilena.gob.cl. Consultado em 14 de outubro de 2020 
  18. a b Historia 70, Nuestra (11 de abril de 2008). «NUESTRA HISTORIA 70: B014- Junta Coordinadora Revolucionario . (JCR)». NUESTRA HISTORIA 70. Consultado em 14 de outubro de 2020 
  19. a b Sujatt, Julio Andrés (27 de julho de 2016). «La Junta de Coordinación Revolucionaria (1972- 1979). Una experiencia de internacionalismo armado en el Cono Sur de América Latina.». Cuadernos de Marte (em espanhol) (10): 107–145. ISSN 1852-9879. Consultado em 14 de outubro de 2020 
  20. Sandoval, Marco A. «Los internacionalistas del Che Guevara: la primera Junta de Coordinación Revolucionaria (JCR)». pacarinadelsur.com (em espanhol). Consultado em 14 de outubro de 2020 
  21. «La terrible historia de la Escuela de las Américas». www.lanacion.com.ar (em espanhol). Consultado em 14 de outubro de 2020 
  22. Romero, Rafael. «¿Escuela de las Américas o Escuela de violadores de Derechos Humanos?» (PDF). Estudios Centroamericanos 
  23. a b Abramovici, Pierre (1 de agosto de 2001). «Latin America: the 30 years' dirty war». Le Monde diplomatique (em inglês). Consultado em 14 de outubro de 2020 
  24. McSherry, J. Patrice (2005). Predatory States: Operation Condor and Covert War in Latin America (em inglês). [S.l.]: Rowman & Littlefield Publishers, Incorporated 
  25. «Condor legacy haunts South America» (em inglês). 8 de junho de 2005. Consultado em 14 de outubro de 2020 
  26. a b www.telesurtv.net https://www.telesurtv.net/news/Cinco-preguntas-para-entender-que-fue-el-Plan-Condor-20151105-0007.html. Consultado em 14 de outubro de 2020  Em falta ou vazio |título= (ajuda)
  27. «Localizar y detener al Dr. Goiburú». www.gwu.edu. Consultado em 8 de outubro de 2017 
  28. a b c d UNESCO (2016). Operación Cóndor: 40 años después. [S.l.]: Centro Internacional para la Promoción de los Derechos Humanos (CI-PDH) Categoría II UNESCO. 
  29. Clarín.com. «Cómo fue el asesinato del general Prats en la Argentina». www.clarin.com (em espanhol). Consultado em 14 de outubro de 2020 
  30. «Documento clave revela cómo la DINA investigó a Prats». web.archive.org. 19 de julho de 2007. Consultado em 14 de outubro de 2020 
  31. [https://www.pagina12.com.ar/2000/00-05/00-05-10/pag12.htm «P�gina/12»]. www.pagina12.com.ar. Consultado em 14 de outubro de 2020  replacement character character in |titulo= at position 2 (ajuda)
  32. CUNHA, Luiz Cláudio. Sucesso de investigação. In: Fernando Molica (org.) 10 reportagens que abalaram a ditadura. Sao Paulo: Record, 2005, pp. 117-248. Veja também as seguintes edições da revista VEJA: 20 out 1978; 29 nov 1978; 27 dez 1978; 17 jan 1979; 15 fev 1979; 18 jul 1979; 24 out 1979; e 11 jun 1980
  33. CUNHA, Luiz Cláudio. Por que sou testemunha de acusação deste sequestro. Playboy, No. 52, nov 1979, pp. 127-131 e 164-168.
  34. CUNHA, Luiz Cláudio. "O sequestro de Lilian e Universindo - 15 anos depois. A farsa desvendada". Zero Hora. Caderno Especial, 22 de novembro de 1993, 8 p. Ver também "O Sequestro dos Uruguaios - 15 anos depois". RBS Documento. Video produced and presented by RBS TV, Porto Alegre, novembro de 1993
  35. CUNHA, Luiz Cláudio. Operação Condor. O sequestro dos uruguaios. Uma reportagem dos tempos da ditadura. Porto Alegre: L&PM, 2008.
  36. «EL MOSTRADOR: Mundo». web.archive.org. 30 de setembro de 2007. Consultado em 14 de outubro de 2020 
  37. Clarín.com. «Operación Cóndor: presión de Brizola sobre la Argentina». www.clarin.com (em espanhol). Consultado em 14 de outubro de 2020 
  38. «Página/12 :: El mundo :: La verdad sobre Goulart sale a la luz». www.pagina12.com.ar (em espanhol). Consultado em 14 de outubro de 2020 
  39. «Entenda como será feita a exumação de João Goulart - CNV - Comissão Nacional da Verdade». cnv.memoriasreveladas.gov.br. Consultado em 14 de outubro de 2020 
  40. AlvarengaBrasília, Flávia; DF (1 de dezembro de 2014). «Laudo da exumação de Jango não consegue esclarecer causa da morte». Jornal Hoje. Consultado em 14 de outubro de 2020 
  41. «CMI Brasil - EX-PRESIDENTE JANGO FOI ASSASINADO PELA OPERAÇÃO CONDOR». www.midiaindependente.org. Consultado em 8 de outubro de 2017 
  42. Há fortes indícios de que Jango foi assassinado com conhecimento de Geisel. Por Marco Aurélio Weissheimer. Carta Maior, 17 julho de 2008.
  43. a b «Atentado contra Orlando Letelier, una historia de persecución y muerte». Museo de la Memoria y los Derechos Humanos (em espanhol). Consultado em 14 de outubro de 2020 
  44. «Javier Diez Canseco: "Plan Cóndor debe ser investigado hasta el final"». redaccion.lamula.pe (em espanhol). Consultado em 14 de outubro de 2020 
  45. PERÚ, Empresa Peruana de Servicios Editoriales S. A. EDITORA. «Diez Canseco: Investigación hasta el final del Plan Cóndor dará importante señal al mundo». andina.pe (em espanhol). Consultado em 14 de outubro de 2020 
  46. a b «Paraguay's archive of terror» (em inglês). 11 de março de 2002. Consultado em 14 de outubro de 2020 
  47. Serpaj, Comunicación (21 de dezembro de 2018). «Los Archivos del Terror, contra la desmemoria y la cultura autoritaria de hoy». Serpaj Paraguay (em espanhol). Consultado em 14 de outubro de 2020 
  48. «Cliping de Notícias da EBC». Empresa Brasileira de Notícias. 26 de outubro de 2000. Consultado em 8 de Outubro de 2017. Arquivado do original em 7 de agosto de 2011 
  49. «Morre o general Octávio Medeiros, ex-chefe do SNI». Terra 
  50. Justiça que vem de fora. Arquivado em 25 de novembro de 2011, no Wayback Machine. Revista Veja, Edição 2041 , 29 d Dezembro de 2007.
  51. «Acessado em 20/06/10». Consultado em 20 de junho de 2010. Arquivado do original em 5 de fevereiro de 2009 
  52. - Escadrons de la mort, l'école française - em francês acesso 14 de maio de 2014
  53. - Internet Archives - Torture Made in USA (2009)- em francês - Dirigido por Marie-Monique Robin acesso 14 de maio de 2014

BibliografiaEditar

Ligações externasEditar