Pedro Simon

político brasileiro, 35° Governador do Rio Grande do Sul
Disambig grey.svg Nota: Se procura pelo bairro brasileiro homônimo, veja Pedro Simon (Sapucaia do Sul).

Pedro Jorge Simon (Caxias do Sul, 31 de janeiro de 1930) é um advogado, professor universitário e político brasileiro. Governou o Rio Grande do Sul de 1987 a 1990. Também foi Senador pelo Estado de 1979 a 1987 e de 1991 a 2015 e Ministro da Agricultura do Brasil de 1985 a 1986.

Pedro Simon
30.º Governador do Rio Grande do Sul
Período 15 de março de 1987
a 1 de abril de 1990
Vice-governador(a) Sinval Guazzelli
Antecessor(a) Jair Soares
Sucessor(a) Sinval Guazzelli
Ministro da Agricultura do Brasil
Período 15 de março de 1985
a 14 de fevereiro de 1986
Presidente José Sarney
Antecessor(a) Nestor Jost
Sucessor(a) Iris Rezende
Senador pelo Rio Grande do Sul
Período 1.º - 1º de fevereiro de 1979
a 1º de fevereiro de 1987
2.º - 1º de fevereiro de 1991
a 1º de fevereiro de 1999
3.º - 1º de fevereiro de 1999
a 1º de fevereiro de 2007
4.º - 1º de fevereiro de 2007
a 1º de fevereiro de 2015
Deputado Estadual do Rio Grande do Sul
Período 31 de janeiro de 1963
a 31 de janeiro de 1979
Dados pessoais
Nascimento 31 de janeiro de 1930 (91 anos)
Caxias do Sul, Rio Grande do Sul
Alma mater PUC-RS
Cônjuge Tânia Simon (fal.)
Ivete Simon
Partido PTB (1958-1965)
MDB (1966-1980)
MDB (1980-presente)
Religião Católico romano
Profissão Professor, Advogado

BiografiaEditar

Pedro Simon é descendente de imigrantes libaneses[1] que chegaram a Caxias do Sul em 1922, originários de El Kufur, junto com outras famílias como Sehbe, Kalil e David, todas católicas. Estudou no Colégio Nossa Senhora do Carmo, em Caxias do Sul, e no Colégio Rosário, em Porto Alegre, onde foi presidente do grêmio estudantil.

Formado em Direito pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS) com pós-graduação em Economia Política, sendo também especialista em Direito Penal, Pedro Simon foi professor da Universidade de Caxias do Sul (UCS). Em sua vida acadêmica teve passagens pela Sorbonne e pela Faculdade de Direito de Roma. Graças à sua militância no movimento estudantil, não apenas fundaria a Ala Moça do PTB em 1945 junto com Leonel Brizola, Sereno Chaise e Fernando Ferrari, mas ocuparia as funções de presidente da União Gaúcha dos Estudantes Secundários, presidente do Centro Acadêmico Maurício Cardoso, presidente da Federação de Estudantes de Faculdades e Escolas Superiores Católicas do Brasil, presidente do I Congresso de Estudantes de Direito da América Latina e diretor do primeiro curso de formação de lideranças sindicais realizado em Porto Alegre, além de ter sido o secretário geral da 5ª reunião penitenciária brasileira, organizada pelo Governo do Estado do Rio Grande do Sul. Em outubro de 1956 foi eleito presidente da Junta Governativa da UNE, ainda nos idos de sua atuação na Mocidade Trabalhista do PTB. Presidiu ainda a implementação da Aços Finos Piratini e a comissão de implantação do III Polo Petroquímico do Rio Grande do Sul.

É viúvo de Tânia Simon (falecida em 1985), com quem morava em cima da loja de sua família, a Salem, na Avenida Protásio Alves, em Porto Alegre, do outro lado do extinto Cinema Ritz. Tiveram três filhos: Tiago e Tomaz, ambos egressos da Escola de Direito da PUC-RS, e Mateus (falecido num acidente em 1984). Hoje é casado com Ivete, com quem teve mais um filho, Pedro, também formado em Direito pela PUC-RS.

Em seu discurso de despedida no Senado, em 2014, creditou Alberto Pasqualini como seu grande mestre e inspirador maior da sua trajetória na política e na vida social.[2]

Política partidáriaEditar

Sua estreia na política aconteceu quando filiado ao PTB e eleito vereador em Caxias do Sul, em 1958, sendo eleito deputado estadual, em 1962. Implantado o bipartidarismo pelo regime militar através do Ato Institucional Número Dois de 27 de outubro de 1965, fez opção pelo MDB. Sua trajetória no partido foi marcada pela oposição à ditadura militar.[3] Foi reeleito deputado estadual em 1966, 1970 e 1974, sendo o mais votado nesta última.

Apesar da herança trabalhista, foi um opositor de Leonel Brizola. Emérito colaborador de Ulysses Guimarães, foi presidente do diretório regional do MDB em seu estado, sendo eleito senador em 1978. Na disputa pelo governo do Rio Grande do Sul, no ano de 1982, foi derrotado graças à divisão de votos entre as correntes oposicionistas representadas por ele e pelo deputado federal Alceu Collares, então candidato pelo PDT, e assim a vitória coube a Jair Soares, do PDS. Seu candidato ao Senado, Paulo Brossard, foi derrotado por Carlos Chiarelli, também do PDS, mas que, posteriormente, fundaria o PFL. A seguir foi alçado à primeira vice-presidência do PMDB em 1983 e ao posto de coordenador nacional das Diretas Já, em 1984. Com a rejeição da emenda, articulou com seu partido e os dissidentes da Frente Liberal a formação da Aliança Democrática que elegeu Tancredo Neves e José Sarney para a presidência e vice-presidência da República em 1985.

Escolhido Ministro da Agricultura por Tancredo Neves, foi confirmado no cargo por José Sarney após o falecimento do primeiro em 21 de abril de 1985, permanecendo na Esplanada dos Ministérios até o início de 1986, quando renunciou para poder se candidatar ao governo do Rio Grande do Sul.

Na eleição de novembro de 1986, Simon foi eleito governador do Rio Grande do Sul, tendo como principal adversário o candidato Aldo Pinto, da Aliança Popular, formada pelo PDT e PDS. Encerrando seu mandato no Senado em janeiro de 1987, no mês seguinte defendeu a manutenção da Aliança Democrática até a promulgação da nova Constituição do país. Empossado no governo gaúcho em março de 1987, definiu como uma das metas de sua administração a rolagem da dívida do estado, prometendo racionalizar os custos e cortar excessos. Com esse objetivo, proibiu a contratação de funcionários públicos e determinou o preenchimento mínimo necessário de cargos de confiança e comissionados.[3]

Renunciou ao governo do estado em abril de 1990, sendo substituído pelo seu vice Sinval Guazzelli e seis meses mais tarde foi novamente eleito senador. De volta à Câmara Alta do país, foi coordenador e membro titular da comissão parlamentar mista de inquérito que levou ao impeachment do presidente Fernando Collor (CPI do Impeachment) em 1992, sendo escolhido para seguir como líder do governo Itamar Franco no Senado Federal. Foi membro da CPI do Orçamento (CPI dos anões do orçamento), instituída após denúncias feitas por José Carlos Alves do Santos. Vice-líder de sua bancada, foi reeleito senador em 1998 e chegou a ter seu nome cogitado pelo PMDB como alternativa à sucessão presidencial de 2002, fato que não se consumou. Em 2006 conquistou seu quarto mandato como senador, sendo o terceiro consecutivo, perdendo apenas para José Sarney em número total de mandatos.

Atuação parlamentarEditar

 
Senador Pedro Simon fala sobre episódios de violência no Rio de Janeiro, durante sessão plenária (José Cruz/ABr).

Como Senador, Simon foi membro titular da comissão mista especial destinada a estudar as causas estruturais e conjunturais das desigualdades sociais e apresentar soluções legislativas para erradicar a pobreza e marginalização e reduzir as desigualdades sociais e regionais. Atuou como relator da lei nº 8.429, de 2 de junho de 1992, que dispõe sobre o enriquecimento ilícito. Foi autor do requerimento de criação e relator da comissão especial destinada a analisar a programação de rádio e TV do país em 1994 quando membro desta subcomissão. Também foi autor o requerimento de constituição da comissão parlamentar de inquérito destinada a apurar as denúncias sobre agentes corruptores (CPI dos corruptores), em complementação às CPIs do impeachment e do orçamento. Foi, ainda, membro da comissão mista destinada a avaliar o programa nacional de desestatização em 1994, bem como membro das comissões de Relações Exteriores e Defesa Nacional, Assuntos Econômicos e Constituição, e Justiça e Cidadania. Foi também indicado para as comissões de Economia, Finanças e Legislação Social.

Com a eclosão, em julho de 2005, do episódio do Mensalão – que veio a tona após a denúncia de existência de um esquema de mesada que seria paga pelo governo a parlamentares para que estes votassem favoravelmente aos seus projetos -, Pedro Simon defendeu a investigação do caso e, em julho daquele ano, defendeu a unificação de todas as investigações em curso numa CPMI da Corrupção. Além da CPI do Mensalão, as outras investigações diziam respeito à CPMI dos Correios (formada para averiguar denúncias de corrupção nas estatais, especialmente nos correios) e à CPI dos Bingos (formada no Senado para investigar um suposto esquema de cobrança de propina feita por integrantes do governo aos donos de casas de jogos).[3]

Em agosto de 2009, discutiu com Fernando Collor de Mello e Renan Calheiros por conta do apoio a José Sarney na presidência do Senado. Collor lembrou que Simon havia defendido seu impeachment em 1992 e apoiou Calheiros.[4]

No dia 21 de novembro de 2013, o Senado aprovou e votou projeto de sua autoria, juntamente com o senador Randolfe Rodrigues, declarando nula a contestada sessão do Congresso que em 2 de abril de 1964 havia declarado vago o cargo presidencial, permitindo assim a deposição, por vias institucionais, do presidente João Goulart, que então sofria o golpe militar iniciado em 31 de março daquele ano. Simon comemorou a anulação, que segundo ele constituiu um “momento histórico”.[3]

Eleições de 2014Editar

Em entrevista gravada pelo programa Dossiê da Globonews no mês de maio de 2013, que foi exibida em julho do mesmo ano, ao ser questionado pelo jornalista Geneton Moraes Neto se iria disputar um novo mandato nas eleições do senado federal em 2014, Simon anunciou que se retiraria das disputas eleitorais quando findado seu mandato em dezembro de 2014, ao completar 85 anos de idade. Com a morte prematura do candidato à presidência da República Eduardo Campos (PSB), em um acidente aéreo, no mês de agosto de 2014, o candidato ao senado do Rio Grande do Sul, Beto Albuquerque, deixou sua vaga em aberto para concorrer à vice-presidente da república na chapa encabeçada pela então vice de Campos, Marina Silva. A convite da presidenciável Marina Silva, Simon concorreu novamente ao senado para seu quinto mandato consecutivo, apesar do alerta feito pelo seu médico cardiologista Fernando Lucchese de que não deveria concorrer.

Não conseguiu a reeleição para o seu quinto mandato, ficando na terceira colocação com 922.143 votos (16,08%), perdendo para o jornalista Lasier Martins, que acabou eleito, e para o ex-governador Olívio Dutra, segundo colocado.

Formação profissionalEditar

  • Bacharel em Ciências Jurídicas e Sociais pela Faculdade de Direito da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS).
  • Curso de Pós-Graduação de Economia Política no Instituto de Economia da PUC-RS.
  • Especialização em Economia Política e Direito Penal - Universidade de Paris - Sorbonne.
  • Estudos sobre Direito na Faculdade de Direito em Roma - Itália.
  • Professor licenciado de Economia Política da Faculdade de Direito de Caxias do Sul.
  • Professor licenciado de Sociologia da Faculdade de Caxias do Sul.

Carreira políticaEditar

  • 1960 - Vereador e Líder da Bancada do PTB em Caxias do Sul (1960-1962).
  • 1962 - Deputado estadual no período de 1962 a 1978, sendo Líder das bancadas do PTB, MDB e do PMDB.
  • 1978 - Eleito senador da República em 1978 para o período 1979 - 1987.
  • 1985 - 1986 - Ministro da Agricultura.
  • 1987 - Governador do Estado do Rio Grande do Sul (1987 - 1990).
  • 1990 - Reeleito senador da República com 1.576.664 votos para o mandato das 49ª e 50ª Legislaturas no período de 1991 a 1999.
  • 1992 - 1994 - Líder do Governo Itamar Franco no Senado. Membro das Comissões de Educação, Assuntos Econômicos, Assuntos Sociais e Constituição, Justiça e Cidadania.
  • 1993 - Presidente da Subcomissão do Senado de Análise das Causas da Impunidade, e como tal, participou da Ação Conjunta dos Três Poderes contra a impunidade.
  • 1995 - 1997 - Membro das Comissões de Assuntos Sociais, Relações Exteriores e Defesa Nacional, Assuntos Econômicos e Constituição, Justiça e Cidadania.
  • 1998 - Reeleito senador da República com 2.485.111 votos para o mandato das 51ª e 52ª Legislaturas no período de 1999 a 2007.
  • 1999 - 2003 - Membro titular das Comissões de Constituição, Justiça e Cidadania, Educação e Assuntos Sociais.
  • 1999 - 2003 - Membro suplente das Comissões de Assuntos Econômicos, Relações Exteriores, Defesa Nacional e Comissão Conjunta do Mercosul.
  • 2007 - Reeleito senador da República com 1.862.250 votos para o mandato das 53ª e 54ª Legislaturas no período 2007 a 2015.[5]

Referências

  1. «Dinheiro, diploma e voto: a saga da imigração árabe». Veja. 4 de outubro de 2000. Consultado em 20 de abril de 2014. Arquivado do original em 2 de novembro de 2007 
  2. «Pronunciamento de Pedro Simon em 10/12/2014 - Pronunciamentos - Senado Federal». www25.senado.leg.br. Consultado em 10 de maio de 2021 
  3. a b c d VELOSO, Verônica; SOUSA, Luís Otávio de; URBINATI, Inoã. «SIMON, PEDRO». CPDOC - Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil. Fundação Getúlio Vargas. Consultado em 10 de maio de 2021 
  4. Em plenário, Collor diz para Simon 'engolir as palavras' Arquivado em 5 de agosto de 2009, no Wayback Machine. O Povo, acessado em 7 de agosto de 2009
  5. Eleições 2006 - Resultados Arquivado em 28 de abril de 2014, no Wayback Machine. Tribunal Regional Eleitoral do Rio Grande do Sul, acessado em 4 de outubro de 2006

BibliografiaEditar

  • DUARTE, José Bacchieri. A fascinante história de Pedro Simon. Porto Alegre: Editora Age, 2001.
  • GRILL, Igor Gastal. Parentesco, redes e partidos: as bases das heranças políticas no Rio Grande do Sul. Porto Alegre: UFRGS, 2003.

Ligações externasEditar

 
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