Partido da Causa Operária

partido político brasileiro
(Redirecionado de PCO)
Partido da Causa Operária
PCO29.jpg
Número eleitoral 29[1]
Presidente Rui Costa Pimenta
Fundação 7 de dezembro de 1995 (24 anos)
Registro 30 de setembro de 1997 (22 anos)[2]
Sede São Paulo, SP
Espectro político extrema-esquerda[3][4]
Membros 3 580 filiados[5]
Cores      Amarelo

     Vermelho

Página oficial
PCO — Partido da Causa Operária
Política do Brasil

Partidos políticos

Eleições

O Partido da Causa Operária (PCO) é um partido político brasileiro de extrema-esquerda. Suas cores são o vermelho e o amarelo e seu número eleitoral é o 29. Foi fundado em 1995 por dissidentes da Causa Operária (CO) filiados ao Partido dos Trabalhadores (PT). No movimento sindical milita na Central Única dos Trabalhadores (CUT)[6], e atualmente possui 3.580 filiados[7]. No seu símbolo constam a foice e o martelo, que representam a classe trabalhadora (o trabalho agrícola e o trabalho industrial, respectivamente).[8]

História

Causa Operária

Em 1979 foi fundada Causa Operária (CO), uma organização de esquerda marxista, de orientação trotskista, atuante no Brasil entre os anos 1980 e 1990, dando origem posteriormente ao Partido da Causa Operária.[9] Surgiu a partir de dissidência da então clandestina Organização Socialista Internacionalista (OSI), ligada ao dirigente trotskista francês Pierre Lambert, com o nome de Tendência Trotskista do Brasil, como uma organização de esquerda marxista, de orientação trotskista. O motivo da separação envolve leituras divergentes em relação à situação argentina no âmbito da IV Internacional liderada pelo francês Pierre Lambert, em que se referenciava a OSI. Inicialmente denominada Organização Quarta Internacional, posteriormente o grupo passou a ser reconhecido pela denominação de seu jornal porta-voz (então mensal), Causa Operária, publicado desde junho de 1979.

Expulsão do PT e fundação do PCO

Em 1992, após sua expulsão do PT, a CO integrou-se à Frente Revolucionária, composta principalmente pela Convergência Socialista, e que resultou na fundação do Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado (PSTU). Vetada na Frente antes da formação do PSTU, os militantes da corrente Causa Operária reorganizaram-se como partido político legal a partir de 1995, mudando seu nome para Partido da Causa Operária para marcar a continuidade organizativa, política e ideológica. Os militantes da corrente Causa Operária reorganizaram-se como partido político legal a partir de 1995, mudando seu nome para Partido da Causa Operária para marcar a continuidade organizativa, política e ideológica. O PCO obteve seu registro definitivo em 30 de novembro de 1997. Seu código eleitoral é o 29.[1]

Ideologias e posições políticas

O PCO é conhecido por suas posições socialistas revolucionárias de extrema-esquerda, defendendo as ideologias de Karl Marx e Leon Trótsky, além da doutrina marxista-lenilista.[10][11]

São posições políticas do PCO: [12]
Assunto Posição
Desarmamento  
Democracia  
Descriminalização das drogas  
Neoliberalismo  
Revolução do proletariado  
Aborto  
Reforma agrária  
Privatização  

Economia [13]

- Nenhum imposto sobre os trabalhadores;

- Imposto único sobre o capital e as grandes fortunas;

- Cancelamento da dívida interna do Estado devida aos grandes capitalistas, preservação dos pequenos investidores e poupadores;

- Não pagamento da dívida externa e interna;

- Fim das privatizações e cancelamento de todos os processos em andamento ou já realizados;

Reforma agrária [13]

- Expropriação do latifúndio: terra para quem nela trabalha;

- Controle operário das grandes empresas agrícolas;

- Imediato assentamento de todas as ocupações, organizado por meio de um plano nacional de ocupações;

- Fim da repressão aos sem-terra;

Segurança pública [13]

- Dissolução da Polícia Militar;

- Fim das ocupações das comunidades pela PM e tropas federais;

- Direito da população a se armar;

- Substituição da polícia e do exército permanente e controlado pelo Estado por um sistema de milícias populares;

Organizações sindicais [13]

- Direito irrestrito de greve;

-Plena liberdade de organização sindical;

- Fim da censura;

Política para as mulheres [13]

- Descriminação do aborto;

- Atendimento adequado na rede pública;

- Pelo amplo direito de divórcio;

- Implantação de creches públicas em todo o país;

Educação [13]

- Ensino público, gratuito, laico e de qualidade para todos, em todos os níveis;

- Estatização das escolas privadas;

- Autonomia escolar: educacional, política e administrativa. Colocar as escolas sob o controle da comunidade escolar (educadores, pais e alunos) ;

- Redução do número de alunos por sala de aula: máximo de 25 alunos por sala de aula no ensino médio e no ciclo II do ensino fundamental e máximo de 15 alunos no ciclo I do EF;

- Piso salarial acima de R$ 5 mil para os professores, com jornada máxima de 26 horas-aula semanais;

Saúde[13]

- Expropriação dos grandes laboratórios farmacêuticos;

- Atendimento público e de boa qualidade em todas as áreas da saúde;

- Plano Nacional de Emergência.


O partido também defende uma nova Assembleia Constituinte, considera que o impeachment de Dilma Rouseff em 2016 foi um golpe e que a prisão do ex-presidente Lula foi uma fraude para que ele não disputasse as eleições de 2018[14]. Atualmente o PCO, junto com Rui Costa Pimenta, realiza diversas manifestações e campanhas pelo Brasil com o lema "Fora Bolsonaro".

Participação e desempenho eleitoral

O PCO começou a participar das eleições em 1996, quando lançou alguns candidatos às eleições municipais. Nas eleições de 1998, o partido lançou candidatos a governos estaduais e senadores em São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Distrito Federal, Paraíba e Rio Grande do Sul. Em 2004, no município amazonense de Benjamin Constant, o PCO elegeu seu primeiro e único vereador no país até hoje: João Vieira da Silva recebeu 635 votos e compôs uma coligação com PSC, PPS e PRP.[15]

Nas eleições municipais de 2012, o PCO participou apenas em 6 cidades em todo o país. Em Belo Horizonte, João Pessoa, Rio de Janeiro e São Paulo, o partido teve candidatos a prefeito e vice-prefeito.[16][17] Em Teresina, junto somente com o PCB, formou a frente Esquerda Revolucionária, tendo uma candidatura para o cargo de vice-prefeito.[17][18] O partido sempre teve como princípio não realizar coligações.

Participação em eleições presidenciais

Em 2018, o partido decidiu apoiar de maneira crítica a candidatura do presidenciável do PT, Luíz Inácio Lula da Silva, o partido, no entanto, recusou entrar na coligação por diferenças programáticas.[19]

Ano Imagem Candidato a Presidente Candidato a Vice-Presidente Coligação Votos % Colocação
2002   Rui Costa Pimenta Pedro Paulo de Abreu sem coligação 38.619 0,04
2006   Rui Costa Pimenta Pedro Paulo de Abreu sem coligação 0,0 0,00 Candidatura Indeferida
2010   Rui Costa Pimenta Edson Dorta Silva sem coligação 12.206 0,01
2014   Rui Costa Pimenta Ricardo Machado sem coligação 12.324 0,01 11º


Mídia e cursos

O PCO ministra palestras e cursos de formação teórica e política marxista como o Universidade de Férias e o Universidade Marxista, apresentando temas de história, economia e política, além do curso Marxismo, em que discute assuntos históricos sob a perspectiva do marxismo, como a questão do negro, as universidades e a questão da mulher.[10][20]

Um de seus cursos já foi inclusive notícia no jornal Folha de São Paulo.[10]

Ver também

Referências

  1. a b «Partidos políticos registrados no TSE». TSE. Consultado em 25 de julho de 2007 
  2. Tribunal Superior Eleitoral (TSE). «TSE - Partidos políticos registrados no TSE». Consultado em 7 de novembro de 2015 
  3. «Partidos de Extrema Esquerda lideram ações na USP». Globo. 10 de Junho de 2007 
  4. «Nanicos de extrema esquerda desistem de candidaturas próprias e fazem as pazes com o PT». O Globo. 10 de agosto de 2018 
  5. Predefinição:Http://www.tse.jus.br/eleitor/estatisticas-de-eleitorado/filiados
  6. «As 7 vezes que você não teve vergonha de concordar com o PCO». Spotniks. 7 de junho de 2015 
  7. «Estatísticas do eleitorado – Eleitores filiados». www.tse.jus.br. Consultado em 20 de dezembro de 2019 
  8. «Foice e martelo». Wikipédia, a enciclopédia livre. 15 de outubro de 2019 
  9. MENEGOZZO, Carlos Henrique Metidieri. Causa Operária. In: FERREIRA, M. M.; FORTES, A. (Org.). Muitos Caminhos, uma estrela: memórias de militantes do PT. 1 ed. São Paulo: Editora Fundação Perseu Abramo, 2008, p
  10. a b c «Depois de Réveillon 'sem tio coxinha', PCO faz curso marxista de verão». Folha de S.Paulo. 14 de fevereiro de 2018. Consultado em 20 de janeiro de 2020 
  11. «Folha de S.Paulo - Banho de Marx: Esquerda decide ler "O Capital" na praia - 28/01/2002». www1.folha.uol.com.br. Consultado em 20 de janeiro de 2020 
  12. «Batemos um papo com Rui Costa Pimenta, candidato à presidência pelo Partido da Causa Operária». Spotniks. 29 de setembro de 2014. Consultado em 29 de julho de 2019 
  13. a b c d e f g LeiaJá. «Conheça as principais propostas de Rui Costa Pimenta». www.leiaja.com. Consultado em 20 de janeiro de 2020 
  14. Afiada, Conversa. «A burguesia brasileira não tolera desenvolvimento nacional». Conversa Afiada. Consultado em 16 de janeiro de 2020 
  15. «Resultado da eleição 2004». www.tse.jus.br. Consultado em 14 de abril de 2017 
  16. «Candidatos a prefeito pelo PCO em 2012». TSE. Consultado em 30 de dezembro de 2013. Arquivado do original em 30 de dezembro de 2013 
  17. a b «Candidatos a vice-prefeito pelo PCO em 2012». TSE. Consultado em 30 de dezembro de 2013. Arquivado do original em 31 de dezembro de 2013 
  18. «Coligação PCB-PCO em Teresina». UOL. Consultado em 30 de dezembro de 2013 
  19. do Diário Causa Operária, Redação (17 de agosto de 2018). «A posição do PCO sobre a candidatura Lula». Diário Causa Operária. Consultado em 18 de agosto de 2018 
  20. «Folha de S.Paulo - Banho de Marx: Esquerda decide ler "O Capital" na praia - 28/01/2002». www1.folha.uol.com.br. Consultado em 20 de janeiro de 2020 

Ligações externas

 
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