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Ribeirão Caladão

O ribeirão Caladão é um curso de água que nasce e deságua no município brasileiro de Coronel Fabriciano, no interior do estado de Minas Gerais. Sua nascente se encontra na Serra dos Cocais, zona rural de Fabriciano, percorrendo cerca de 10 quilômetros até sua foz no rio Piracicaba, ao atravessar de norte a sul o perímetro urbano municipal. Sua sub-bacia conta com 53 km² e abrange o distrito Senador Melo Viana, que é a região mais populosa da cidade, e parte do Distrito-Sede.

Ribeirão Caladão
Ribeirão Caladão entre os bairros dos Professores e Bom Jesus com as montanhas da Serra dos Cocais em segundo plano, onde se encontra sua nascente.
Comprimento 10 km
Nascente Serra dos Cocais
Foz Rio Piracicaba, entre os bairros Santa Helena e Santa Terezinha
Área da bacia 53 km²
Afluentes
principais
Córregos Melo Viana, dos Camilos e São Domingos
País(es)  Brasil

O curso hídrico é utilizado para o despejo do esgoto sanitário produzido em quase todo o perímetro urbano localizado às suas margens. A poluição e a ocupação desordenada das áreas adjacentes, ocorrida principalmente no decorrer do século XX, resultaram em uma tendência a enchentes durante eventos de cheias. Tais situações começaram a ser amenizadas mediante projetos de educação ambiental nas escolas da cidade e com as obras de contenção de encostas, drenagem e revegetação.

Índice

História e ocupação das margensEditar

 
Trecho do Ribeirão Caladão no bairro Melo Viana.

O ribeirão Caladão fora originalmente denominado ribeirão "Calado", cujo termo seria uma provável referência ao silêncio necessário para não se chamar atenção de índios escondidos na região no começo do século XIX.[1] Também existe a hipótese de que o termo seja derivado do silêncio com que as águas corriam pelo leito do ribeirão, dando origem mais tarde ao primeiro nome da atual região central da cidade e de sua antiga estação ferroviária, a Estação do Calado.[2]

Em sua foz no rio Piracicaba havia um movimento associado à presença de um pequeno porto, onde eram embarcadas mercadorias transportadas por tropeiros que percorriam uma estrada aberta por Guido Marlière em 1825, ligando Antônio Dias ao rio Santo Antônio através da Serra dos Cocais. No começo do século XX, a existência desse caminho foi a responsável pelo início da formação do povoado de Santo Antônio de Piracicaba, o primeiro núcleo urbano do atual município de Coronel Fabriciano, correspondente à atual região do bairro Melo Viana.[1]

Na ocasião do estabelecimento dos pioneiros, as águas límpidas e fartas de peixes e capivaras foram muito utilizadas para a pesca e para o lazer.[3] Os primeiros loteamentos estavam situados às margens dos cursos hidrográficos, incluindo o Caladão, ao redor do qual se estabeleceu o distrito Senador Melo Viana e parte do perímetro urbano do Distrito-Sede, onde se encontra sua foz. A ocupação sem planejamento das áreas adjacentes resultou na poluição e em uma tendência a enchentes durante eventos de cheias, em especial em Senador Melo Viana, que corresponde à área mais populosa da cidade.[4][5] A região dos bairros Giovannini e Melo Viana normalmente é uma das mais atingidas, uma vez que constituem bairros populosos e que estão situados em uma área plana, a chamada baixada do Melo Viana.[6][7]

Enchentes e "Parque Linear"Editar

 
Ribeirão Caladão à esquerda da praça do Parque Linear, construída em 2015, no bairro Santa Helena.

Entre janeiro e fevereiro de 1979, o nível elevado do rio Piracicaba fez com que a água do ribeirão Caladão fosse represada após cerca de 40 dias seguidos de chuvas intensas, gerando alagamentos por toda a parte mais baixa do perímetro urbano situada às margens de ambos os cursos.[8] Em 15 de dezembro de 2005, uma enxurrada afetou todos os bairros banhados pelo ribeirão (exceto o Santa Helena) e deixou dezenas de desabrigados.[9][10] Na madrugada de 27 de dezembro de 2013, durante as enchentes daquele ano, uma tempestade de mais de 100 mm em menos de quatro horas após duas semanas de chuvas interruptas elevou subitamente o nível do ribeirão para 2,8 metros de altura, provocando uma nova enxurrada na cidade.[11] Dezenas de pessoas ficaram desalojadas e bairros e ruas inteiras foram cobertas de lama.[12][13]

Entre 2011 e 2016, foi desenvolvido o projeto do "Parque Linear", que previu inicialmente intervenções em todo o leito e desapropriações de áreas de risco.[6][14] Houve obras em redes de drenagem em bairros como Giovannini, Nossa Senhora do Carmo e Manoel Domingos, mas somente um trecho menor do ribeirão recebeu contenção, espaços de lazer e pista de caminhada em suas margens, entre os bairros Santa Terezinha, Santa Helena e Professores, além da chamada Praça do Parque Linear no bairro Santa Helena, próxima à foz.[15][16]

Durante esse período houve serviços de desassoreamento e limpeza, substituições de pontes e implantações de passarelas[17][18] e alguns trechos foram alargados para facilitar o escoamento da água durante tempestades.[19] Apesar das melhorias, a obra foi marcada por atrasos em sua execução[20] e desconfiança da Câmara Municipal com os gastos e a qualidade, o que levou o Poder Legislativo a fiscalizar as despesas por meio de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) exclusiva para o Parque Linear.[21] Em 1º de dezembro de 2015, uma tempestade de 82 mm em seis horas voltou a provocar enchentes, que apesar de proporções minimizadas, ainda atingiu áreas tradicionalmente afetadas, com agravamento do despejo irregular de lixo.[22][23]

GeografiaEditar

 
Foz do Ribeirão Caladão no rio Piracicaba.

A nascente do ribeirão Caladão está situada na Serra dos Cocais, em meio a uma área de mata fechada. A cerca de 1 km da nascente, adentra o bairro Caladão, a norte do perímetro urbano de Coronel Fabriciano.[24] O curso cruza então toda a zona urbana municipal, percorrendo mais 9 km em direção sul em um total de 10 km até a sua foz no rio Piracicaba, entre os bairros Santa Helena e Santa Terezinha.[25][26] Banha total ou parcialmente os bairros Caladão, Contente, Jardim Primavera, Judith Bhering, Frederico Ozanan, Manoel Maia, Residencial Fazendinha, Gávea, Floresta, Santo Antônio, Alipinho, Surinan, Sílvio Pereira I, Melo Viana, Júlia Kubitschek, Giovannini, Bom Jesus, Professores, Santa Helena e Santa Terezinha.[25][26]

O ribeirão Caladão tem como principais afluentes o córrego Melo Viana na zona rural e os córregos dos Camilos e São Domingos em perímetro urbano.[24][26] Sua sub-bacia possui cerca de 53 km² e faz parte da sub-bacia do rio Piracicaba que, por sua vez, está inserida na bacia do rio Doce. Limita-se com as sub-bacias dos ribeirões Ipanema, Cocais Pequeno e Caladinho,[27] abrangendo uma população de aproximadamente 70 mil moradores.[25] Com um fator de forma de 0,48 e tempo de concentração de 4,48 horas, a princípio não há condições propensas à ocorrência de cheias ao longo de seu curso, no entanto as enchentes são favorecidas pela poluição, pela macrodrenagem deficiente e pelo predomínio de relevo montanhoso e/ou ondulado na cidade, sendo que apenas 5% das terras são planas.[5][12]

Ecologia e meio ambienteEditar

 
Ribeirão Caladão entre os bairros dos Professores e Bom Jesus.

O Plano Diretor de Coronel Fabriciano, aprovado em dezembro de 2012, prevê, dentre outras medidas, a revegetação da cabeceira e das margens dos cursos hidrográficos da zona urbana, o aumento da capacidade de vazão e o controle de cheias.[28] Entretanto, apesar da existência de redes coletoras e interceptores em toda a sua sub-bacia, o curso do ribeirão Caladão ainda é utilizado para o despejo do esgoto sanitário produzido em quase todo o perímetro urbano localizado às suas margens. Desde 2004, é especulada a construção de uma estação de tratamento de esgoto, que estaria situada entre os bairros Mangueiras e Santa Terezinha II e atenderia à demanda dos cursos hidrográficos de Coronel Fabriciano, porém o processo foi interrompido devido ao temor de odores por parte dos moradores dessa região. Dessa forma, o esgoto despejado no Caladão também alcança o rio Piracicaba.[29]

Em longos períodos secos as águas ficam escuras e a sujeira mais concentrada, sendo comuns fortes odores e mosquitos em vários trechos,[30] enquanto que durante o período chuvoso, que normalmente vai de outubro até abril, as áreas mais baixas são afetadas pelas enchentes.[28][6] Além da poluição, impactos como assoreamento, erosão e danos à biodiversidade também foram registrados no curso do ribeirão,[25] sendo que não existem matas ciliares em suas margens.[31] Há locais demarcados como áreas de proteção permanente (APPs), muitos dos quais sofreram ocupações irregulares.[32] Para amenizar esse quadro, recorrentemente são realizados projetos de educação ambiental nas escolas da cidade ou que envolvam a população em geral, como a organização de palestras, exposições fotográficas, apresentações de vídeo e reuniões nas comunidades. Tais eventos são ministrados tanto pela prefeitura quanto por instituições ambientais.[25][33]

Ribeirão Caladão entre os bairros Floresta e Santo Antônio após um longo período de estiagem em 2015.
O ribeirão no mesmo ponto da imagem à esquerda, uma semana mais tarde, depois de uma chuva forte.
Ribeirão Caladão entre os bairros JK e Giovannini durante a estação das chuvas de 2012.
Pista de caminhada na Avenida Julita Pires Bretas, no bairro Santa Helena, na margem direita do ribeirão.

Ver tambémEditar

Referências

  1. a b Revista Caminhos Gerais, nº 35, pag. 22.
  2. Circuito Turístico Mata Atlântica de Minas Gerais. «Coronel Fabriciano». Consultado em 20 de novembro de 2015. Cópia arquivada em 20 de novembro de 2015 
  3. Jornal Diário do Aço (23 de janeiro de 2011). «Distrito tem motivos para comemorar». Consultado em 20 de novembro de 2015. Cópia arquivada em 20 de novembro de 2015 
  4. PDDI 2014, p. 113–117
  5. a b PDDI 2014, p. 462
  6. a b c Jornal Vale do Aço (23 de março de 2011). «Obras começam e moradores temem desapropriações». Consultado em 1º de abril de 2011. Cópia arquivada em 27 de fevereiro de 2013 
  7. Assessoria de Comunicação (20 de outubro de 2009). «Defesa Civil realiza vistorias e registra ocorrências». Prefeitura. Consultado em 1º de abril de 2011. Cópia arquivada em 27 de fevereiro de 2013 
  8. Manuel Roberto Souto (2013). História Global de Coronel Fabriciano - Uma História em permanente construção/reconstrução. [S.l.]: Gráfica Nacional. p. 27 
  9. PDDI 2014, p. 264
  10. Roberta Abreu (16 de dezembro de 2005). «Tragédia no Vale do Aço». Ministério da Integração Nacional. Consultado em 20 de novembro de 2015. Cópia arquivada em 20 de novembro de 2015 
  11. O Tempo (27 de dezembro de 2013). «Mais de 70 casas ficam danificadas em Coronel Fabriciano com as chuvas». Consultado em 20 de novembro de 2015. Cópia arquivada em 20 de novembro de 2015 
  12. G1 (27 de dezembro de 2013). «Após chuvas, Coronel Fabriciano tem cenário de destruição». Consultado em 20 de novembro de 2015. Cópia arquivada em 20 de novembro de 2015 
  13. Assessoria de Comunicação (11 de maio de 2012). «Parque Linear: a obra que vai mudar o curso da nossa cidade». Prefeitura de Coronel Fabriciano. Consultado em 20 de novembro de 2015. Cópia arquivada em 31 de julho de 2013 
  14. Jornal Diário do Aço (11 de junho de 2016). «Parque Linear tem 48% de suas obras concluídas, segundo prefeitura». Consultado em 16 de outubro de 2017. Cópia arquivada em 16 de outubro de 2017 
  15. Jornal Diário do Aço (9 de setembro de 2015). «Praça no Parque Linear ganha forma». Consultado em 16 de outubro de 2017. Cópia arquivada em 16 de outubro de 2017 
  16. Jornal Diário Popular (17 de março de 2015). «Fabriciano instala vigas de travessia do Parque Linear». Consultado em 20 de novembro de 2015. Cópia arquivada em 20 de novembro de 2015 
  17. Assessoria de Comunicação (2 de outubro de 2015). «Obras do Parque Linear avançam com construção de praça e passarela». Prefeitura. Consultado em 20 de novembro de 2015. Cópia arquivada em 20 de novembro de 2015 
  18. Jornal Diário Popular (28 de dezembro de 2012). «Obra de drenagem põe fim a inundações». Consultado em 20 de novembro de 2015. Cópia arquivada em 20 de novembro de 2015 
  19. Jornal Diário do Aço (17 de janeiro de 2013). «Vereador critica atraso e qualidade de obra». Consultado em 23 de novembro de 2016. Cópia arquivada em 23 de novembro de 2016 
  20. Jornal Diário Popular (17 de maio de 2016). «Rosângela entrega documentos à Câmara e cobra análise rápida». Consultado em 23 de novembro de 2016. Cópia arquivada em 23 de novembro de 2016 
  21. Plox (4 de dezembro de 2015). «Prefeitura de Fabriciano orienta moradores para que não joguem lixo no ribeirão». Consultado em 23 de novembro de 2016. Cópia arquivada em 23 de novembro de 2016 
  22. G1 (1º de dezembro de 2015). «Chuva forte provoca alagamentos em Coronel Fabriciano, MG». Consultado em 23 de novembro de 2016. Cópia arquivada em 23 de novembro de 2016 
  23. a b Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (1980). «Folha SE-23-Z-D-II». Biblioteca IBGE. Consultado em 21 de novembro de 2014. Cópia arquivada em 21 de novembro de 2014 
  24. a b c d e Assessoria de Comunicação (19 de outubro de 2009). «Expedição traça um retrato do Ribeirão Caladão». Prefeitura. Consultado em 1º de abril de 2011. Cópia arquivada em 27 de fevereiro de 2013 
  25. a b c Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (16 de novembro de 2011). «Sinopse por setores». Consultado em 21 de novembro de 2014 
  26. PDDI 2014, p. 457–458
  27. a b PDDI 2014, p. 464–465; 468–469
  28. PDDI 2014, p. 410–411; 414
  29. Jornal Vale do Aço (27 de setembro de 2010). «Pernilongos atormentam moradores». Consultado em 1º de abril de 2011. Cópia arquivada em 27 de fevereiro de 2013 
  30. PDDI 2014, p. 369
  31. Plox (5 de junho de 2012). «Audiência Pública sobre Parque Linear nesta quarta-feira (6) em Coronel Fabriciano». Consultado em 20 de novembro de 2015. Cópia arquivada em 20 de novembro de 2015 
  32. Jornal Diário do Aço (24 de outubro de 2014). «Fotografia Solidária». Consultado em 20 de novembro de 2015. Cópia arquivada em 20 de novembro de 2015 

BibliografiaEditar

Ligações externasEditar