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Anos de chumbo (Itália)

Anos de chumbo (Itália)
Anni di piombo
Stragedibologna-2.jpg
O Ataque a estação ferroviária em Bolonha; foi o episódio mais mortífero dos Anos de Chumbo.
Data final dos anos 1960 - início de 1980
Local Itália (especialmente Norte de Itália e Roma)
Desfecho Fim do terrorismo na Itália
  • Dissolução do terrorismo esquerdista e dos grupos paramilitares direitistas
Beligerantes
Paramilitares de esquerda:

Brigadas Vermelhas
Prima Linea
Gruppo XXII Ottobre
PAC
Autonomia Operaia
Potere Operaio

Lotta Continua
e outras
Forças de segurança italianas:

Itália Carabinieri

Itália SID/SISMI
Paramilitares de direita:

Ordine Nuovo
Avanguardia Nazionale
Ordine Nero
Frente Nacional

NAR
e outras
     

Os Anos de Chumbo (em italiano: Anni di piombo) foram um período de turbulência sócio-política na Itália, que durou do final dos anos 1960 até o fim da década de 1980. Este período foi marcado por uma onda de terrorismo, inicialmente chamado de "extremismos opostos" [carece de fontes?] (Opposti Estremismi) e, mais tarde rebatizado como "Anos de Chumbo" (Anni di piombo). Entre as possíveis origens da denominação são uma referência ao grande número de tiros disparados,[1] ou ao filme de 1981 Die bleierne Zeit de Margarethe von Trotta, de cujo título em italiano é Anni di piombo.[2]

HistóriaEditar

Os "anos de chumbo" iniciaram com o assassinato de Antonio Annarumma em 1969 e o Atentado da Piazza Fontana [carece de fontes?]. Esses eventos historicamente foram atribuídos em diferentes momentos à extrema-direita, à extrema-esquerda, ou aos serviços secretos. Desde 2005, o evento é atribuído ao grupo Ordine Nuovo pela corte italiana. Contudo, os acusados Franco Freda e Giovanni Ventura não foram sentenciados devido ao fato de que em 1987 eles haviam sido absolvidos em sentença definitiva por falta de evidência.[3]

De maneira geral, no período houveram conflitos sociais generalizados e atos de terrorismo sem precedentes realizados tanto pelos grupos paramilitares de direita, pelos de esquerda e envolvidos do serviço secreto e da máfia.[4] Uma tentativa de integrar o Movimento Social Italiano (MSI) neofascista, ao governo de Fernando Tambroni conduziu a tumultos e teve curta duração. Os democratas-cristãos (DC) foram determinantes para que o Partido Socialista Italiano ganhasse o poder na década de 1960 e criaram uma coalizão. O assassinato do líder da Democracia Cristã (DC), Aldo Moro, em 1978 terminou com a estratégia de compromisso histórico entre a DC e o Partido Comunista Italiano (PCI). O assassinato foi realizado pelas Brigadas Vermelhas, então lideradas por Mario Moretti. Entre 1969 e 1981, quase 2.000 homicídios foram atribuídos à violência política sob a forma de atentados, assassinatos e guerra de rua entre facções de militantes rivais. Embora a violência política diminuiu consideravelmente na Itália a partir daquela época, casos esporádicos de crimes violentos continuaram por causa do ressurgimento dos grupos de militantes anti-imigrantes, neofascistas e comunistas.

Grupos e movimentos envolvidosEditar

GovernoEditar

EsquerdaEditar

A esquerda recebeu influências do Autonomismo, caracterizado pela oposição à burocracia, movimento que na Itália durou de 1968 até o final da década de 1970.

DireitaEditar

A direita recebeu influências do Neofascismo seguindo e desenvolvendo ideias do governo de Benito Mussolini que durou até 1945.

Asilo PolíticoEditar

Alguns membros condenados na Itália por atos terroristas de extrema-esquerda foram garantidos asilo político em outros países, principalmente na França, onde aproximadamente 300 italianos foram recebidos sob o pretexto de que deixariam de praticar atos violentos como estabelecido pelo presidente François Mitterrand.[5] Além da França, são de relevância internacional os casos de Alessio Casimirri, no Nicarágua,[6] e de Cesare Battisti, no Brasil.

Referências

  1. Westcott, Kathryn (6 de janeiro de 2004). «Italy's history of terror». BBC News 
  2. Anni di piombo film review Arquivado em 2012-07-22 no Archive.is (em italiano)
  3. Anna Cento Bull, Philip Cooke (2013) Ending Terrorism in Italy (em inglês) (em italiano)
  4. «Itália vai abrir arquivos secretos dos "anos de chumbo"». Reuters. 22 de abril de 2014 
  5. http://www.huyghe.fr/actu_1612.htm François-Bernard Huyghe (2019) Battisti le retour (em francês)
  6. RCS-Corriere della Sera (2014). «Casimirri, una vita ricostruita in Nicaragua - Il Corriere della Sera». Corriere.it. Consultado em 14 de janeiro de 2019 

BibliografiaEditar

  • Giorgio Galli, Il partito armato - Gli "anni di piombo" in Italia, 1968-1986, Rizzoli, 1986
  • AA.VV., La Strage di Stato, Samonà e Savelli, Roma, 1970
  • Camilla Cederna, Pinelli. Una finestra sulla strage, Feltrinelli, Milano 1971
  • Paolo Persichetti, Esilio e Castigo, Ed. La Città del Sole, 2006
  • Giovanni Fasanella e Grippo Antonella, I silenzi degli Innocenti - un libro che racconta le vittime, Rizzoli, 2006
  • Marco Maria Sambo, Contro chi-La primavera spezzata di Ezio Tarantelli, Castelvecchi, 2005
  • Maurizio Calvi, Alessandro Ceci, Angelo Sessa, Guilio Vasaturo. Le date del terrore. La genesi del terrorismo italiano e il microclima dell'eversione dal 1945 al 2003. Roma, Luca Sossella Editore, 2003. ISBN 88-87995-58-3.
  • Mario Calabresi, Spingendo la notte più in là, Mondadori, Milano, 2007.
  • Antonella Beccaria, Pentiti di niente - Il sequestro Saronio, la banda Fioroni e le menzogne di un presunto collaboratore di giustizia, ISBN 978-88-6222-049-1.
  • Anna Cento Bull and Adalgisa Giorgio (dir.) Speaking Out and Silencing: Culture, Society and Politics in Italy in the 1970s (2006) ISBN 978-1-904350-72-9
  • Giovanni Fasanella Giovanni Pellegrino : La guerra civile. A book of President of anti-terrorism Commission of Italian Parliament.
  • Per le vittime del terrorismo nell’Italia repubblicana – Istituto Poligrafico e Zecca dello Stato Libreria dello Stato – Istituto Poligrafico e Zecca dello Stato S.p.A. – I.S.B.N. 978-88-240-2868-4 -Edited from The office of Republic President

Ligações externasEditar