Abrir menu principal
Bíblia dos Jerónimos, frontispício do Vol. I
Frontispício do Vol. I - painel com Nicolau de Lira na cátedra

A chamada Bíblia dos Jerónimos é uma Bíblia manuscrita em sete volumes, produzida na última década do século XV em Florença para o futuro rei D. Manuel I de Portugal. Decorada com iluminuras de extremo luxo e requinte, a sua qualidade ímpar têm levado especialistas a tecer os mais altos elogios a esta Bíblia, considerando-a um dos mais ricos exemplares alguma vez saído das oficinas de iluminação florentinas do Renascimento. Foi legada pelo monarca em testamento ao Mosteiro dos Jerónimos, em Lisboa, onde permaneceu até o século XIX. É hoje guardada no arquivo nacional da Torre do Tombo, na capital portuguesa.

Índice

HistóriaEditar

 
Prólogo do Vol. I - Incipit da Epístola de São Jerónimo a Paulino presbítero

A obra foi produzida pela oficina de Attavante degli Attavanti, auxiliado pelos irmãos Gherardo e Monte del Fora, por encomenda do mercador florentino Clemente Sernigi, para ser oferecida ao príncipe herdeiro D. Manuel, então ainda Duque de Beja. O contrato para a execução da obra foi firmado entre o encomendante e Attavante em 23 de abril de 1494. D. Manuel subiria ao trono no ano seguinte.

Discute-se quem era a Bíblia uma oferta. Teria sido da comunidade de mercadores florentinos em Lisboa? Ou teria Clemente Sernigi sido apenas um intermediário? A obra inclui um oitavo volume adicional contendo as Sentenças de Pedro Lombardo. Aqui podem ser vistas as armas da rainha D. Leonor, mulher de D. João II (1481-1495) e irmã de D. Manuel I. Infelizmente não sabemos hoje se terá sido a rainha a responsável pela oferta ao irmão, ou se a encomenda se deveu aos mercadores italianos, ou ainda a alguma outra pessoa.

Aquando da primeira invasão francesa de Portugal em 1808 a obra foi confiscada por Junot e levada para Paris. Retornaria a Portugal apenas graças à intervenção do rei Luís XVIII, que fazendo jus ao tradicional título dos reis da França de majestade Cristianíssima comprou a magnífica Bíblia à viúva do marechal para que pudesse ser devolvida. A obra regressou a Portugal em 1815, pela mão do ministro dos Negócios Estrangeiros, D. Miguel Pereira Forjaz, 9.º Conde da Feira.

A Bíblia foi ameaçada novamente aquando das Guerras Liberais (1832-1834), cujo desfecho levaria à extinção das ordens religiosas em Portugal em 1834. O tesouro do Mosteiro dos Jerónimos – incluindo a Bíblia e o monumento histórico que é a Custódia de Belém – foi em parte salvo pela coragem de seu depositário Frei Diogo do Espírito Santo, que com risco de morte o fez guardar no Erário Público quando estava em andamento um plano de assalto ao mosteiro.

Do Erário ela passou para o Banco de Lisboa, e deste para a Casa da Moeda. Os seus oito volumes, intactos, foram finalmente depositados na Torre do Tombo em 1883, onde estão até hoje entre os mais preciosos bens ali guardados.

CaracterísticasEditar

 
Vol. I - Incipit do Êxodo

A Bíblia dos Jerónimos encontra-se dividida em sete volumes de dimensões ligeiramente diferentes entre si. Para além de comentários de Nicolau de Lira, a obra inclui um volume adicional contendo as Sentenças de Pedro Lombardo. O texto está em latim, dividido em 2 colunas, com letra da Renascença italiana. As páginas são de velino da melhor qualidade. Originalmente estava encadernada com pesadas guarnições de prata, mas hoje sua capa é de marroquim.

O tema de alguns dos frontispícios da obra é a vida de São Jerónimo (ca. 347-420). O tema parece bem escolhido, por duas razões: em primeiro lugar, porque o santo teve uma enorme importância enquanto reformador dos textos Bíblicos, nomeadamente a sua edição da Vulgata, o texto oficial da Igreja Católica; e a Bíblia dos Jerónimos é certamente uma edição digna da Vulgata. Em segundo lugar, porque São Jerónimo iniciou as suas primeiras revisões dos textos Bíblicos por iniciativa do Papa Dâmaso I, papa de 362 a 384; São Dâmaso era tido como lusitano, tendo possivelmente nascido em Egitânia, na então província romana da Lusitânia. Assim, as imagens do duplo frontispício do penúltimo volume da obra, em que o Papa Dâmaso encarrega São Jerónimo de escrever a Vulgata, pode ser encarada como uma alusão à oferta da própria Bíblia dos Jerónimos ao rei D. Manuel I: ecce opera.

Diversos fólios dos vários volumes da obra encontram-se digitalizados pela Biblioteca Nacional de Portugal, que os disponibiliza online. A obra encontra-se ainda microfilmada na íntegra; ver as várias cotas na lista de conteúdos infra.

Volume IEditar

 
Página do Vol. I

DataEditar

1495

Extensão e DimensõesEditar

516 fólios, 408 x 283 mm

ConteúdoEditar

Duplo frontispício: painel com Nicolau de Lira na cátedra. Escrito por Segismundi de Segismundis.

  • Prólogo

O Pentateuco:

Cota ActualEditar

Ordem de São Jerónimo, Mosteiro de Santa Maria de Belém, liv. 67. Cópia microfilmada. Portugal, Torre do Tombo, mf. 265.

Volume IIEditar

 
Frontispício do Vol. II - São Jerónimo na gruta

DataEditar

1495

Extensão e DimensõesEditar

398 fólios, 409 x 383mm

ConteúdoEditar

Duplo frontispício: painel com São Jerónimo na gruta. Texto escrito por Alexander Verzanus.

Livros históricos:

Livros proféticos:

Cota ActualEditar

Ordem de São Jerónimo, Mosteiro de Santa Maria de Belém, liv. 68 Cópia microfilmada. Portugal, Torre do Tombo, mf. 795

Volume IIIEditar

 
Frontispício do Vol. III - São Jerónimo na cátedra com um grupo de frades

DataEditar

1496

Extensão e DimensõesEditar

503 fólios, 401 x 278 mm

ConteúdoEditar

Duplo frontispício: painel de São Jerónimo na cátedra com um grupo de frades. Texto escrito por Nicolau Mangona.

Livros históricos:

Livros sapienciais:

Salmos

Cota ActualEditar

Ordem de São Jerónimo, Mosteiro de Santa Maria de Belém, liv. 69 Cópia microfilmada. Portugal, Torre do Tombo, mf. 6134

Volume IVEditar

 
Vol. IV - Incipit do Cântico dos Cânticos

DataEditar

1497

Extensão e DimensõesEditar

498 fólios, 407 x 273 mm

ConteúdoEditar

Duplo frontispício: painel de São Jerónimo a escrever. Texto escrito por Nicolau Mangona.

Livros sapienciais:

Livros proféticos:

Cota ActualEditar

Ordem de São Jerónimo, Mosteiro de Santa Maria de Belém, liv. 70 Cópia microfilmada. Portugal, Torre do Tombo, mf. 796

Volume VEditar

 
Vol. V - Incipit de Naum

DataEditar

1495

Extensão e DimensõesEditar

369 fólios, 402 x 272 mm

ConteúdoEditar

Duplo frontispício: painel de São Jerónimo no seu estúdio entre frades. Na parte inferior: o escudo das armas de Portugal.

Livros dos profetas maiores:

Livros dos profetas menores:

Livro histórico:

Cota ActualEditar

Ordem de São Jerónimo, Mosteiro de Santa Maria de Belém, liv. 71 Cópia microfilmada. Portugal, Torre do Tombo, mf. 6127

Volume VIEditar

 
Frontispício do Vol. VI - o Papa Dâmaso I encarrega São Jerónimo de traduzir a Bíblia

DataEditar

1496

Extensão e DimensõesEditar

402 fólios, 408 x 275 mm

ConteúdoEditar

Duplo frontispício – esq.: painel de São Jerónimo com o Papa Dâmaso I; dir.: o Papa encarrega São Jerónimo de traduzir a Bíblia. Iluminuras dos irmãos Gherardo e Monte del Flora.

Os Evangelhos:

Epístola:

Cota ActualEditar

Ordem de São Jerónimo, Mosteiro de Santa Maria de Belém, liv. 72 Cópia microfilmada. Portugal, Torre do Tombo, mf. 6264

Volume VIIEditar

 
Vol. VII - Incipit da Epístola de Tiago
 
Vol. VII - Incipit do Livro do Apocalipse

DataEditar

1497

Extensão e DimensõesEditar

389 fólios, 410 x 278 mm

ConteúdoEditar

Duplo frontispício: painel de São Jerónimo na cátedra e um grupo de frades. Iluminadores: Attavante, os irmãos Gherardo e Monte del Flora.

Epístolas de Paulo:

Epístola aos Hebreus

Os Actos dos Apóstolos

Epístolas Católicas:

Profecia:

Libelo de Nicolau de Lyra: «Quaestiones contra Hebreo»

Cota ActualEditar

Ordem de São Jerónimo, Mosteiro de Santa Maria de Belém, liv. 73 Cópia microfilmada. Portugal, Torre do Tombo, mf. 269

GaleriaEditar

Bíblia dos Jerónimos, Torre do Tombo, LisboaEditar

Ver tambémEditar

Ligações externasEditar

BibliografiaEditar


 
O Commons possui uma categoria contendo imagens e outros ficheiros sobre Bíblia dos Jerónimos