Eleições presidenciais portuguesas de 1991

As quartas eleições presidenciais portuguesas após o 25 de Abril de 1974 tiveram lugar a 13 de Janeiro de 1991.

Eleições presidenciais de Portugal de 1991
  1986 ← Flag of Portugal.svg → 1996
13 de janeiro de 1991
Mário Soares em Brasília 1988.jpg Basilio Horta na Exponor.jpg
Candidato Mário Soares Basílio Horta
Partido PS CDS
Votos 3 459 521 696 379
Porcentagem 70,35% 14,16%
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Candidato Carlos Carvalhas Carlos Marques
Partido PCP UDP
Votos 635 373 126 581
Porcentagem 12,92% 2,57%


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Presidente de Portugal

A reeleição do presidente em exercício, Mário Soares, nunca esteve em dúvida, especialmente depois de o primeiro-ministro Cavaco Silva ter anunciado o apoio tácito do PSD à sua candidatura. Soares obteve uma esmagadora maioria de quase 71%, tendo os restante três candidatos (Basílio Horta, pelo CDS, Carlos Carvalhas pelo PCP e Carlos Marques pela UDP), obtido votações muito pouco expressivas.

CandidaturasEditar

Candidaturas admitidasEditar

Candidato (nome e idade) Histórico político Detalhes
Mário Soares (66)
Partido Socialista (PS) e Partido Social Democrata (PSD)
  Presidente da República Portuguesa
(Desde 1986)
Primeiro-ministro de Portugal
(1976-1978; 1983-1985)
Secretário-Geral do Partido Socialista
(1973-1985)
Fundador do Partido Socialista, antigo Primeiro-Ministro e Presidente da República em exercício, Mário Soares obtém o apoio tanto do Partido Socialista como do Partido Social Democrata para uma segunda eleição.
Basílio Horta (47)
Centro Democrático Social (CDS) e Partido Popular Monárquico (PPM)[1]
  Vice-Presidente do CDS
(desde 1988)
Secretário-geral do CDS
(desde 1990)
Deputado à Assembleia da República
(1975-1980; 1983-1985; desde 1987)
Ministro de vários governos e Vice-Presidente e Secretário-Geral do CDS, Basílio Horta é o único candidato vindo do espectro político da direita a apresentar-se a estas eleições presidenciais.
Carlos Carvalhas (49)
Partido Comunista Português (PCP)
  Secretário-Geral Adjunto do PCP
(desde 1990)
Deputado à Assembleia da República
(1976-1980; desde 1983)
Deputado ao Parlamento Europeu
(1989-1990)
Secretário de Estado do Trabalho
(1974-1975)
Licenciado em Economia pelo Instituto de Ciências Económicas e Financeiras da Universidade Técnica de Lisboa, Carvalhas adere ao Partido Comunista Português em 1969, tendo apoiado o movimento estudantil de oposição ao salazarismo, nas campanhas eleitorais de 1965, 1969 e 1973. Após a licenciatura, desenvolveu a sua atividade profissional na Profabril, empresa do Grupo CUF, onde chegou a director financeiro. Paralelamente envolveu-se na atividade sindical dos metalúrgicos. Após o 25 de Abril de 1974, foi Secretário de Estado do Trabalho nos I, II, III, IV e V Governos Provisórios, vice-presidente do Conselho Nacional do Plano, deputado ao Parlamento Europeu e membro do Conselho da Europa.
Carlos Marques (42)
União Democrática Popular (UDP) e Partido Comunista (Reconstruído) (PC(R))
  Dirigente do União Democrática Popular
(Desde 1975)
Membro fundador da UDP, Carlos Marques apresentou-se a estas eleições invocando uma esquerda da Liberdade e Solidariedade. Para além da UDP, é também apoiado pelo PC(R)[2].

DesistênciasEditar

Candidato (nome e idade) Histórico político Detalhes
Maria Amélia Santos (38)
Partido Ecologista Os Verdes (PEV)
  Deputada ao Parlamento Europeu
(Desde 1989)
Deputada à Assembleia da República
(desde 1985)
Professora do Ensino Superior, licenciada em história, Doutoranda em História Institucional e Política pela Universidade Nova de Lisboa, deputada e eurodeputada, Maria Amélia Santos foi a candidata pré-anunciada do PEV[3]. No entanto, acabou por desistir a favor de Mário Soares[4][5].
Francisco Lucas Pires (46)   Deputado ao Parlamento Europeu
(Desde 1987)
Deputado à Assembleia da República
(1976-1987)
Ministro da Cultura e Coordenação Científica
(1981-1983)
Vice-presidente do Parlamento Europeu
(1988-1989)
Presidente do CDS – Partido Popular
(1983-1986)
Formado em Direito, Lucas Pires começou a sua carreira política a ala nacionalista revolucionária entre os estudantes da Universidade de Coimbra; porém, após o 25 de abril de 1974, filia-se no CDS, tendo sido deputado, ministro, eurodeputado e líder do partido, tendo sido, também o primeiro vice-presidente português do Parlamento Europeu. No entanto, acabou por desistir por considerar que não conseguiria reunir o apoio dos maiores partido de centro-direita[6][7].

DebatesEditar

Os debates para as eleições presidenciais 1991 foram transmitidos pela RTP1 e RTP2.

Debates para as eleições presidenciais portuguesas de 1991
Data Emissora Moderador(es)  P  Presente   A  Ausente   N  Não Convidado  Refs
Soares Horta Carvalhas Marques
21 de novembro de 1990 - Vicente Jorge Silva
Maria Elisa Domingues
P A P P [8]
4 de dezembro de 1990 RTP1 - N N P P [9][10]
6 de dezembro de 1990 RTP1 Mário Crespo P P N N [11][12]
11 de dezembro de 1990 RTP1 - P N P N [13]
13 de dezembro de 1990 RTP1 - N P N P [14]
19 de dezembro de 1990 RTP1 - P N N P [15]
20 de dezembro de 1990 RTP1 - N P P N [16]
21 de dezembro de 1990 RTP2 Joaquim Furtado P P P P [17]

Resultados oficiaisEditar

Candidato Partidos apoiantes 1ª Volta
Votos %
Mário Soares PS, PPD/PSD (apoio tácito) 3 459 521
70,35 / 100,00
Basílio Horta CDS, PPM[18] 696 379
14,16 / 100,00
Carlos Carvalhas PCP 635 373
12,92 / 100,00
Carlos Marques UDP, PC(R)[19] 126 581
2,57 / 100,00
Votos Inválidos 180 914
3,54 / 100,00
Total 5 098 768
100,00 / 100,00
Eleitorado/Participação 8 202 212
62,16 / 100,00
Fonte [20]

MapaEditar

 
(Rosa - Mário Soares/Vermelho - Carlos Carvalhas)

Resultados por Círculo EleitoralEditar

Círculo

eleitoral

%
MS BH CC CM
Açores 80,7 13,0 3,2 3,1
Aveiro 77,3 15,3 5,5 1,9
Beja 54,1 5,9 36,5 2,6
Braga 77,5 13,8 7,1 1,7
Bragança 67,5 25,4 5,1 2,1
Castelo Branco 71,6 9,2 16,2 3,0
Coimbra 76,9 12,2 8,8 2,1
Évora 54,0 8,2 35,4 2,4
Faro 72,4 12,5 12,0 3,1
Guarda 71,3 20,4 6,0 2,4
Leiria 72,4 18,2 7,2 2,2
Lisboa 64,9 15,0 17,0 3,1
Madeira 67,2 22,9 3,5 6,4
Portalegre 64,3 10,3 25,0 2,5
Porto 76,5 12,4 9,2 1,9
Santarém 69,0 13,2 15,0 2,9
Setúbal 55,8 8,4 31,8 4,0
Viana do Castelo 75,3 15,0 7,6 2,2
Vila Real 75,1 17,9 5,1 1,9
Viseu 75,4 17,7 5,1 1,8
Portugal 70,4 14,2 12,9 2,6

Ligações ExternasEditar

Referências