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Isabel de Bourbon
Infanta da Espanha e Condessa de Girgenti
Princesa das Astúrias
1º Período 20 de dezembro de 1851
a 28 de novembro de 1857
Predecessora Isabel
Sucessor(a) Afonso
2º Período 24 de março de 1875
a 11 de setembro de 1880
Predecessor Emanuel Felisberto de Saboia-Aosta
Sucessora Mercedes
 
Marido Caetano, Conde de Girgenti
Casa Bourbon (nascimento)
Bourbon-Duas Sicílias (casamento)
Nome completo
Maria Isabel Francisca de Assis Cristina Francisca de Paula Dominga
Nascimento 20 de dezembro de 1851
  Madrid, Espanha
Morte 23 de abril de 1931 (79 anos)
  Paris, França
Enterro La Granja de San Ildefonso,
San Ildefonso, Espanha
Pai Francisco, Duque de Cádis
Mãe Isabel II da Espanha
Religião Catolicismo
Brasão

Maria Isabel Francisca de Assis de Bourbon e Bourbon (em espanhol María Isabel Francisca de Asís de Borbón y Borbón) (Madrid, 20 de dezembro de 1851 - Paris, 23 de abril de 1931), chamada La Chata, foi Infanta de Espanha, Princesa das Astúrias, herdeira presuntiva da coroa em dois períodos (1851-1857 e 1875-1880), além de Princesa das Duas Sicílias e Condessa de Girgenti pelo casamento.

Índice

BiografiaEditar

FamíliaEditar

 
Infanta Isabel aos treze anos de idade

Isabel foi a primogênita da rainha Isabel II de Espanha e do príncipe consorte Francisco de Assis de Bourbon, duque de Cádiz (que, após o nascimento de Isabel, assumiu o título de rei consorte, como Francisco I de Espanha). Seus avós maternos foram o rei Fernando VII de Espanha e Maria Cristina de Bourbon-Duas Sicílias (filha de Francisco I das Duas Sicílias); enquanto seus avós paternos foram o infante Francisco de Bourbon e Borbon-Parma, Duque de Cádiz (filho mais novo de Carlos IV de Espanha) e Luísa Carlota de Bourbon-Duas Sicílias (também filha de Francisco I das Duas Sicílias).

Princesa das AstúriasEditar

Em meio a tumultos carlistas e revoltas esporádicas, Isabel foi imediatamente reconhecida como herdeira do trono de sua mãe, através da concessão do tradicional título do Principado das Astúrias. A princesa ostentou esse título até 28 de novembro de 1857, quando nasceu seu primeiro irmão varão, o príncipe Afonso Francisco, sendo reservado a ela o título de Infanta de Espanha e a segunda posição na linha sucessória.

Com a ascensão de Afonso XII de Espanha, em 1875, aos 24 anos de idade, solteiro e sem filhos, Isabel retornou à posição de Princesa das Astúrias. Mas ela perdeu esse direito, definitivamente, em 1880, após o nascimento do primeiro filho de Afonso, Maria das Mercedes, Infanta de Espanha, a próxima herdeira presuntiva.

Casamento e primeiro exílioEditar

 
Isabel e Caetano em 1868.

Isabel casou-se em Madrid, em 13 de maio de 1868, com um primo de seus pais, o príncipe Caetano de Bourbon-Duas Sicílias, filho do rei Fernando II das Duas Sicílias e de sua segunda esposa, Maria Teresa de Áustria-Teschen, arquiduquesa da Áustria. Com o matrimônio, Caetano foi nomeado Infante de Espanha.

Foi um casamento de conveniência, realizado para selar a paz entre a Espanha e a destronada família do extinto Reino das Duas Sicílias, pois as relações entre os primos estavam estremecidas desde que os Bourbon espanhóis reconheceram a unificação italiana no recém criado reino chefiado pela Casa de Sabóia.

O casal nunca teve uma relação de afeto e a união não gerou filhos. Durante a viagem de núpcias, a infanta tomou conhecimento da Revolução de 1868 (chamada La Gloriosa), que expulsou sua mãe do trono e da Espanha. Efetivamente, a princesa só foi autorizada a pisar em território espanhol seis anos depois, com a restauração monárquica de 1874.

ViuvezEditar

O casamento de Isabel ocorreu em meio a grande pompa em 13 de maio de 1868. Após seu casamento, Isabel II concedeu a Caetano o título de infante. Depois do casamento, o jovem casal embarcou em uma longa lua-de-mel que os levou primeiro a visitar sua nova sogra residente no Palácio Farnésio, em Roma. Dois meses depois, o jovem casal foi à corte austríaca, onde moravam os parentes maternos de Caetano. No caminho de volta à Espanha, enquanto visitavam o Imperador Napoleão III e a Imperatriz Eugênia em Fontainebleau, eles receberam a notícia da Revolução Gloriosa que custou a Isabel seu trono. Caetano correu para entrar na Espanha e lutou em defesa da monarquia na Batalha de Alcolea, uma derrota que marcou o fim do reinado de Isabel II, que cruzou a fronteira para a França com a família real. No exílio, a rainha deposto se estabeleceu em Paris, onde Infanta Isabel estava esperando por sua mãe. Inicialmente, Infanta Isabel e Caetano também viveram em Paris em uma casa que pertencia ao tio de Caetano, o Príncipe Luís, Conde de Áquila.

Caetano foi atormentado por problemas de saúde e depressão. Por dois anos, o casal embarcou em uma série de viagens pela Europa, visitando a Áustria, a Alemanha e a Inglaterra, buscando em vão uma solução para a saúde de Caetano. No verão de 1870, os Condes de Girgenti se estabeleceram em Lucerna, na Suíça, na esperança de viver em paz e anonimato. Com a ajuda de seus dois ajudantes-de-campos, Caetano conseguiu esconder de sua esposa durante todo o tempo que pôde a verdadeira natureza de sua doença: ele era um epilético. Um dia ele teve uma convulsão na frente de sua esposa, que não tinha avisos prévios sobre a verdadeira natureza de sua doença.

No início do verão de 1871, Isabel e seu marido ficaram em Genebra para se juntar ao resto da família real espanhola, que escapara dos distúrbios em Paris. Em agosto de 1871, os Condes de Gigenti retornaram a Lucerna. No início de uma gravidez, Infanta Isabel sofreu um aborto espontâneo em setembro de 1871. A perda de seu filho, a perda da coroa espanhola e sua saúde em declínio contribuíram para Caetano afundar em uma profunda depressão e ele tentou suicídio pulando de um janela. Depois disso, ele nunca teve permissão para ficar sozinho e entre os ajudantes de Isabel e Caetano, Caetano era constantemente supervisionado. No entanto, em 26 de novembro de 1871, enquanto eles estavam hospedados em um hotel em Lucerna, Caetano conseguiu se trancar em um quarto e atirar na própria cabeça. Ele foi encontrado ainda vivo, mas morreu pouco depois.

Uma jovem viúva com menos de vinte anos, Infanta Isabel, que se tornara muito apegada ao marido, lamentou sua trágica morte. Ela se mudou para Paris com sua mãe, a ex-rainha Isabel. Ao longo dos três anos seguintes, a infanta levou uma vida familiar tranquila, vendo a educação de suas três irmãs mais novas; visitando seu pai, o ex-rei consorte Francisco, Duque de Cádis, que vivia afastado de sua esposa em Épinay; e, acima de tudo, preocupado com o futuro de seu irmão Afonso, que terminava sua educação em Viena. Em 1872 e 1873, Infanta Isabel viajou freqüentemente para Munique para estar com sua tia, a Infanta Amália Filipina de Espanha e em Viena para ficar perto de seu irmão como convidada da arquiduquesa Maria Carolina, a quem ela se tornara muito próxima durante seu casamento com Caetano (sobrinho da arquiduquesa). Nos bastidores, Infanta Isabel trabalhou para promover a restauração da monarquia espanhola na pessoa de seu irmão em um acordo com o político espanhol Antonio Cánovas del Castillo, que trabalhou de Madrid em nome de Afonso.

Segundo exílioEditar

 
Isabel em sua velhice

Com a instauração da Segunda República Espanhola, em 14 de abril de 1931, o rei Afonso XIII, sobrinho de Isabel, renuncia aos seus direitos e parte para o exílio. A infanta gozava de grande simpatia na Espanha, especialmente entre a população de Madrid; e foi graças à sua imensa popularidade que as novas autoridades republicanas não a obrigaram a deixar o país, juntamente com sua família. Mesmo assim, a quase octogenária princesa, decidiu acompanhar seus familiares no exílio, na França.

MorteEditar

O advento da Segunda República foi um duro golpe para a infanta Isabel. Desgostosa e com a saúde abalada, morreu de causas naturais num convento próximo a Paris, em 23 de abril de 1931, cinco dias após ter abandonado a Espanha.

Em 1991 seu sobrinho-bisneto, o rei Juan Carlos I, ordenou o traslado de seus restos mortais para a Espanha. A ex-Princesa das Astúrias foi finalmente sepultada na capela do Palácio Real de La Granja de San Ildefonso, junto aos túmulos do rei Filipe V e de sua esposa, a rainha Isabel Farnésio. A escolha do local se deve a identificação que a infanta sempre teve com aquela residência real, onde passava férias e organizava reuniões com mulheres da alta nobreza nos jardins apelidados de Pequena Versalhes.

Títulos, estilos, e honrariasEditar

Títulos e estilosEditar

 
Brasão de armas de Isabel da Espanha
  • 20 de dezembro de 1851 – 28 de novembro de 1857: "Sua Alteza Real, a Princesa das Astúrias, Infanta da Espanha"
  • 28 de novembro de 1857 – 29 de Dezembro de 1874: "Sua Alteza Real, a Infanta Isabel da Espanha"
    • 13 de maio de 1868 – 24 de março de 1875: "Sua Alteza Real, a Condessa de Girgenti, Princesa das Duas Sicílias, Infanta da Espanha"
  • 24 de março de 1875 – 11 de setembro de 1880: "Sua Alteza Real, a Princesa das Astúrias, Infanta da Espanha, Condessa-viúva de Girgenti"
  • 11 de setembro de 1880 – 23 de abril de 1931: "Sua Alteza Real, a Infanta Isabel da Espanha"

Seu título e estilo formal como Princesa das Astúrias era: "Sua Alteza Real, Isabel da Espanha, Princesa das Astúrias, Princesa de Girona, Duquesa de Montblanc, Condessa de Cervera, Senhora de Balaguer e Princesa de Viana".

HonrariasEditar

AncestraisEditar

BibliografiaEditar

  • RUBIO, María José. La Chata. La Infanta Isabel de Borbón y la Corona de España. Madrid, La Esfera de los Libros, 2003.
  • ORTEGA-MOREJÓN, José Mª de. Doña Isabel de Borbón, infanta de España. Madrid, Ediciones Aspas, 1943.


Isabel da Espanha
Casa de Bourbon
Ramo da Casa de Capeto
20 de dezembro de 1851 – 23 de abril de 1931
Precedido por
Isabel
 
Princesa das Astúrias
20 de dezembro de 1851 – 28 de novembro de 1857
1º Período
Sucedido por
Afonso
Precedido por
Emanuel Felisberto de Saboia-Aosta
 
Princesa das Astúrias
24 de março de 1875 – 11 de setembro de 1880
2º Período
Sucedido por
Mercedes


 
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