Jaguaretama

Jaguaretama
  Município do Brasil  
Símbolos
Bandeira de Jaguaretama
Bandeira
Brasão de armas de Jaguaretama
Brasão de armas
Hino
Gentílico jaguaretamense
Localização
Localização de Jaguaretama no Ceará
Localização de Jaguaretama no Ceará
Mapa de Jaguaretama
Coordenadas 5° 36' 46" S 38° 46' 01" O
País Brasil
Unidade federativa Ceará
Municípios limítrofes Norte: Banabuiú e Morada Nova, Leste: Jaguaribara, Sul: Jaguaribe e Solonópole, Oeste: Solonópole e Banabuiú
Distância até a capital 240 km km
História
Fundação 29 de agosto de 1865 (154 anos)
Administração
Prefeito(a) Fco Glairton Rabelo Cunha (PR)
Características geográficas
Área total [1] 1 759,722 km²
População total (IBGE/2010[2]) 17 867 hab.
Densidade 10,2 hab./km²
Clima Semi-árido
Altitude 40 m
Fuso horário Hora de Brasília (UTC−3)
Indicadores
IDH (PNUD/2000 [3]) 0,645 médio
PIB (IBGE/2008[4]) R$ 82 467,477 mil
PIB per capita (IBGE/2008[4]) R$ 4 484,61
Website jaguaretama.ce.gov.br (Prefeitura)

Jaguaretama é um município brasileiro do estado do Ceará.

EtimologiaEditar

A palavra "Jaguaretama" é uma composição artificial, donde yaguar = onça; e retama = a terra natal, a pátria, pretendendo significar lugar ou região de jaguar ou onça[5], em tupi.

HistóriaEditar

Os vestígios mais antigos da presença humana no atual município de Jaguaretama se encontram na bacia do rio Banabuiú. Trata-se de diversos instrumentos de pedra, como raspadores, percutores, núcleos e almofarizes, os quais eram utilizados para diversas funções, como caça de animais e preparo de alimentos. Batizado de Santa Clara, esse local foi registrado como sítio arqueológico em 2015[6]. Assim como outras evidências encontradas em Morada Nova e Jaguaribara, essas antigas ferramentas líticas – produzidas geralmente em quartzo e arenito silicificado – são testemunhos das primeiras ocupações do sertão cearense, embora não tenha sido possível datá-las de forma precisa até o presente momento. Da mesma forma, gravuras rupestres em lajedos e matacões de granito da região, sempre próximos aos rios Banabuiú e Jaguaribe, também já foram identificados em Jaguaribara[7] e Morada Nova[8].

Segundo alguns pesquisadores, a região do Médio Jaguaribe era habitada por diversos grupos indígenas quando da chegada dos primeiros colonizadores europeus, como os Paiacus, Icozinhos e Jaguaribaras[9]. Contudo, a presença dos Paiacus na região parece ter sido predominante entre os séculos XVII e XVIII, sendo certamente os que empreenderam maior resistência aos colonizadores, envolvendo-se nos principais conflitos ocorridos na capitania. Pressionados pela expansão gradual europeia sobre seus territórios entre os rios Jaguaribe e Banabuiú, os Paiacus ainda assim representaram um obstáculo sério ao comércio entre o Ceará e as outras Capitanias do Nordeste Oriental[10].

Esses conflitos com a população indígena local foram bastante frequentes durante os séculos XVII e XVIII, tendo em vista o papel central que o rio Jaguaribe teve no processo de colonização do Ceará, bem como na expansão da pecuária no sertão[11][12]. Ocorrida a partir de 1683 e estendendo-se até o início do século XVIII, a chamada “Guerra dos Bárbaros” é um exemplo bastante representativo desse momento da história do sertão, quando Paiacus, Cariris, Janduís, Tremembés, Jenipapos e diversos outros povos indígenas se uniram para impedir a chegada de colonos portugueses na região. Bastante violenta, essa guerra causou a destruição de muitos desses grupos, sendo inclusive convocados bandeirantes paulistas para a supressão dos indígenas, como Domingos Jorge Velho e Manuel Alves de Morais Navarro[13]. Ainda no âmbito desses conflitos, em 1699, o citado bandeirante Manuel Navarro comandou o “massacre do Jaguaribe” que culminou na morte de cerca de quatrocentos Paiacus e o aprisionamento de outros trezentos[14]. Segundo alguns autores, esse ataque aos Paiacus teria sido visto como cruel mesmo pela administração colonial da época, resultando na prisão do bandeirante[10].

Por outro lado, os relatos escritos produzidos pelos primeiros colonos europeus na região descrevem de forma genérica a população ameríndia, o que limita consideravelmente o conhecimento atual sobre os costumes e cultura dos Paiacus e outros grupos indígenas[15]. Dessa forma, não é possível saber em qual idioma se comunicavam, ou sua relação com troncos linguísticos como o Tupi-Guarani, Macro-Jê e Cariri. Sabe-se, contudo, que eram agricultores e produtores de cerâmica, sendo que suas aldeias certamente não distavam muito dos cursos d’água regionais. Ainda assim, também é possível que a aplicação de termos como “Paiacus”, “Potiguaras” e “Tremembés” não traduza totalmente a complexidade étnica desses primeiros habitantes, provavelmente agrupando diversos grupos em uma só denominação.

O processo de colonização do Médio Jaguaribe, assim como em outras regiões da então capitania do Siará, também foi marcado pela catequização de indígenas, bem como pela criação de diversos aldeamentos. Originalmente criados como forma de “amansar” a população ameríndia local, adaptando-os à cultura europeia e às necessidades produtivas da colônia, esses aldeamentos muitas vezes deram origem aos municípios e distritos atuais do sertão cearense[15][16]. A partir desse processo paulatino de ocupação da região, sempre seguindo os cursos d’água existentes, surgiram fazendas de criação de gado vacum e cavalar, dando posteriormente origem a localidades como a atual Jaguaretama[17].

O primeiro povoamento colonial na área do atual município de Jaguaretama, de acordo com alguns autores, se chamava Oriabebú[18]. Segundo as fontes históricas disponíveis, o povoado tornou-se uma freguesia em 1784, sendo batizada de Nossa Senhora da Conceição e criada a partir de um território desmembrado do Curato de Icó, às margens do Riacho do Sangue[19]. Anteriormente conhecido como Riacho das Pedras, esse rio teria adquirido esse nome devido aos confrontos mortais entre moradores do entorno, os quais teriam tingido suas águas de sangue. As hipóteses sobre qual conflito de fato teria ocorrido são várias, todavia: uma carnificina ocorrida entre os índios defensores de Monte e Feitosa, famílias tradicionais do interior do Ceará[20]; um combate entre indígenas genericamente chamados de “Tapuias” e a Bandeira de Matias Cardoso, no começo do século XVIII[21]; ou mesmo uma briga motivada pela divisão das sesmarias locais[22].

De acordo com o Monsenhor Affonso Pequeno, que visitou a freguesia de Nossa Senhora da Conceição em 1805, esta já contava com quatro capelas, todas construídas por intermédio dos moradores. Uma delas, consagrada à Nossa Senhora da Conceição, “fundada em lugar alto por Antonio de Oliveira Sylva e sua mulher Eugenia Maria Maciel”, servia como matriz[22]. As outras três capelas (São Gonçalo de Amarante, Nossa Senhora das Candeias e Santo Antônio de Pádua) foram erigidas em outras localidades da mesma freguesia. Relativo à esse processo de ocupação sertaneja do território da atual Jaguaretama, há pelo menos um sítio arqueológico conhecido, localizado a cerca de três quilômetros da margem direita do rio Banabuiú. Registrado em 2015 junto ao IPHAN, o sítio Laranjeiras se trata de restos arruinados de uma casa, provavelmente habitada entre os séculos XIX e XX[23].

A história do município de Jaguaretama também se manifesta através de seu patrimônio imaterial e material, tombados ou registrados em escala federal e/ou estadual. A Literatura de Cordel[24], manifestação cultural bastante difundida em toda a Região Nordeste, foi registrada em 2018 como patrimônio cultural brasileiro, assim como o Teatro de Bonecos Popular do Nordeste – registrada em 2015[25]]. Por outro lado, segue em processo de instrução para registro pelo IPHAN as Matrizes do Forró, os Cocos do Nordeste e o Repente[26].

Formação AdministrativaEditar

Já durante o período imperial brasileiro, em 6 de maio de 1833, a freguesia é elevada à categoria de vila através de uma Resolução do Conselho Provincial. Nessa época, a vila de Riacho do Sangue servia como sede do município de Jaguaribe, embora esta tenha sido posteriormente transferida para Cachoeira (atual município de Solonópole) em 1º de agosto de 1850. Quinze anos depois, pela Lei Provincial n.° 1179, a vila foi elevada à categoria de município, sendo rebatizada como Riachuelo. Esse primeiro momento de emancipação durou pouco, porém. Em 1873, através da Lei Municipal n° 1567, a vila de Riachuelo foi transformada em distrito do município de Cachoeira[19].

As decisões legais em favor da emancipação e extinção do município se manteve por toda a segunda metade do século XIX e início do século XX, contudo. Em 1879, o distrito foi novamente transformado em município, agora sob o nome de Riacho do Sangue, situação que se manteve até 1920, quando a Lei Estadual n.° 1794, quando seu território foi anexado à Jaguaribe-Mirim (atual município de Jaguaribe). Entre 1926 e 1931, Riacho do Sangue foi administrado mais uma vez como um município autônomo, sendo mais uma vez tornado um distrito de Jaguaribe-Mirim no fim daquele ano. Em 1935, Riacho do Sangue torna-se novamente um município, sendo dividido em 4 distritos – segundo as divisões territoriais de 1936 e 1937 – : Riacho do Sangue, Poço Comprido, Santa Rosa e Torrões[19].

Em 1938, o município teve seu nome alterado para Frade, segundo o Decreto Estadual n° 448 daquele ano. De acordo com a tradição popular, o nome tem origem na decisão de um rico e conhecido fazendeiro em se internar em um claustro da região, abandonando suas terras e riquezas. Em 1956, o topônimo Frade cedeu lugar ao de Jaguaretama pela lei nº 3.155 de 8 de maio[19].

GeografiaEditar

Em fins da década de 1990, teve início a construção do Açude Público Padre Cícero, conhecido popularmente como Açude Castanhão. Considerado o maior reservatório de água doce do estado do Ceará, bem como a barragem de maior capacidade de armazenamento de águas da América Latina, esse açude abarca parcialmente o município de Jaguaretama, assim como os municípios de Jaguaribara, Alto Santo e Jaguaribe[11]. À nordeste dos limites territoriais de Jaguaretama, junto à divisa com o município de Banabuiú, há também outro grande açude, também chamado Banabuiú. Parte dos esforços de construção de açudes pelo Departamento Nacional de Obras contra a Seca (DNOCS) por todo o território cearense, esse reservatório foi concluído em 1966[11].

Filhos ilustresEditar

Referências

  1. IBGE (10 de outubro de 2002). «Área territorial oficial». Resolução da Presidência do IBGE de n° 5 (R.PR-5/02). Consultado em 5 de dezembro de 2010 
  2. «Censo Populacional 2010». Censo Populacional 2010. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 29 de novembro de 2010. Consultado em 11 de dezembro de 2010 
  3. «Ranking decrescente do IDH-M dos municípios do Brasil». Atlas do Desenvolvimento Humano. Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). 2000. Consultado em 11 de outubro de 2008 
  4. a b «Produto Interno Bruto dos Municípios 2004-2008». Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Consultado em 11 de dezembro de 2010 
  5. http://www.ibge.gov.br/cidadesat/historicos_cidades/historico_conteudo.php?codmun=230670
  6. «Cadastro Nacional de Sítios Arqueológicos - Sítio Santa Clara». Instituto do Patrimônio e Histórico Nacional. Consultado em 30 de abril de 2020 
  7. «Cadastro Nacional de Sítios Arqueológicos - Sítio Pedra do Castelo». Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. Consultado em 30 de abril de 2020 
  8. «Cadastro Nacional de Sítios Arqueológicos - Sítio Serrote do Mineiro». Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. Consultado em 30 de abril de 2020 
  9. Nimuendajú, Curt (2017). «Mapa Etno-Histórico do Brasil e Regiões Adjacentes». Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. Consultado em 30 de abril de 2020 
  10. a b Studart Filho, Carlos (1962). «Os aborígenes do Ceará». Revista do Instituto do Ceará (76): 5-75. Consultado em 30 de abril de 2020 
  11. a b c De Paula, Karuna (2011). Travessia por terceira margens de um rio: natureza e cultura no rio Jaguaribe-CE (Dissertação de Mestrado em História). Recife: Universidade Federal de Pernambuco 
  12. Pompeu Sobrinho, Thomaz (1942). «Os crânios da Gruta da Canastra». Revista do Instituto do Ceará (56): 153-193. Consultado em 30 de abril de 2020 
  13. Puntoni, Pedro (2002). A guerra dos bárbaros : povos indígenas e a colonização do sertão nordeste do Brasil, 1650-1720. São Paulo: FAPESP. OCLC 58807958 
  14. Pinheiro, Francisco José (2011). Documentos para a história colonial, especialmente a índigena no Ceará (1690-1825). Fortaleza: Fundação Ana Lima. OCLC 969127879 
  15. a b Queirós, Agnelo (2016). Os Grafismos Rupestres da Lagoa das Pedras Pintadas, Alto Santo, Região do Jaguaribe, Ceará: documentação, estado de conservação e análise contextual (Dissertação de Mestrado em Arqueologia). Teresina: Universidade Federal do Piauí 
  16. Silva, Isabelle Braz (2005). Vilas de índios no Ceará grande: dinâmicas locais sob o diretório pombalino. Campinas: Pontes Editores. OCLC 74336627 
  17. Araripe, Tristão de Alencar (1867). História da Província do Ceará: desde os tempos primitivos até 1850. Coleção História e Cultura. Fortaleza: Tipografia Minerva 
  18. Falcão, Márlio Fábio (1993). Pequeno dicionário toponímico do Ceará. Fortaleza: Quadricolor 
  19. a b c d «Cidades. Jaguaretama. Histórico». Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. 2018. Consultado em 30 de abril de 2020 
  20. Brígido, João (1919). Ceará: (homens e fatos). Fortaleza: Edições Demócrito Rocha. OCLC 52255613 
  21. Bezerra, Antônio (1901). «Algumas origens do Ceará». Revista do Instituto do Ceará (15): 153-288. Consultado em 30 de abril de 2020 
  22. a b Pequeno, Affonso (1902). «Notícia das Freguezias do Ceará visitadas pelo Padre José de Almeida Machado nos anos de 1805 e 1806, extrahida d'um livro de Devassas que serviu na Visita». Revista do Instituto do Ceará: 191-205. Consultado em 30 de abril de 2020 
  23. «Cadastro Nacional de Sítios Arqueológicos - Sítio Laranjeiras». Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. Consultado em 30 de abril de 2020 
  24. «Literatura de Cordel». Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. Consultado em 30 de abril de 2020 
  25. «Teatro de Bonecos Popular do Nordeste». Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. Consultado em 30 de abril de 2020 
  26. «Bens Imateriais em Processo de Instrução». Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. Consultado em 30 de abril de 2020 

Ligações externasEditar

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