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D. João de Azevedo (Paço Episcopal do Porto).

João de Azevedo (Lisboa?, ? - Lisboa, Xabregas, 27 de Julho de 1517) foi um prelado português do século XV para o século XVI.[1]

BiografiaEditar

D. João de Azevedo terá nascido em Lisboa, desconhecendo-se ao certo a data, filho de Luís Gonçalves Malafaia e de sua mulher Filipa de Azevedo, filha de Lopo Dias de Azevedo, Senhor de São João de Rei, das Terras de Bouro e de Aguiar, etc, e de sua mulher Joana Gomes da Silva, Senhora da Honra e Torre da Silva, etc. Estudou Direito na Universidade de Paris, e desempenhava o cargo de Deão da Sé de Lisboa quando foi nomeado, em 1465, por D. Afonso V, que o apresentou para Bispo da Diocese do Porto.[2][1]

Ocupou a dignidade de 31.º Bispo do Porto, entre 1465 e 1496.[2]

Foi Fidalgo do Conselho de D. Afonso V, etc.

Em 1487, partiu para uma Romagem, deixando o Governo da Diocese ao Bispo de Ceuta.[1]

A 6 de Novembro de 1491 o Bispo lança a primeira pedra para a construção da Igreja Nova do Convento de Santo Elói (Lóios), no lugar da Fonte da Arca, obra que se iniciou de imediato com o apoio financeiro do rei D. João II, da rainha D. Leonor, do Bispo e da doadora D. Violante Afonso. Em 1492 instituiu o arcediago da Régua.[2]

Enriqueceu a Catedral com preciosas alfaias, deixando em Testamento, ao Cabido, a sua Livraria e um precioso Báculo de prata.[1]

D. João de Azevedo renunciou ao seu cargo na Diocese no final de Setembro de 1495 a fim de se recolher no Convento de São João Evangelista de Xabregas, em Lisboa, onde residiu e viveu, ao que parece, durante cerca de 25 anos, como simples Donato, até à data do seu falecimento, no dia 27 de Julho de 1517, estando sepultado na Igreja do Convento.[2][1]

Teve um filho sacrílego de Margarida Henriques, mulher solteira:

  • Pedro de Azevedo; a 1 de Dezembro de 1480, D. Afonso V de Portugal legitima Pedro, filho de D. João de Azevedo, Bispo do Porto, do seu Conselho, e de Margarida Henriques, mulher solteira, a pedido de seu pai; casado com Inês Sodré, sem geração

Teve quatro filhos sacrílegos de sua parente Joana de Castro, filha de Fernão de Sousa, 1º senhor de Gouveia e de D. Mécia de Castro. A propósito, é interessante notar a estreita ligação de D. João de Azevedo à casa dos Condes de Atouguia, muito influente no contexto do poder político português da segunda metade do século XV, pois Joana de Castro era neta materna do 1º Conde de Atouguia, enquanto ele era cunhado do 2º Conde de Atouguia, D. Martinho de Ataíde.

D. Joana de Castro era Senhora da Honra e Quinta de Ataíde a 10 de Janeiro de 1503, data em que a Casa da Suplicação decidiu contra ela sobre o exercício de determinados direitos jurisdicionais sobre a Honra,[3] e é referida como D. Joana de Castro na legitimação dos filhos:

  • Manuel da Silva, legitimado, com seus irmãos, por Carta Real de D. Manuel I de Portugal,[4] como filho do Bispo D. João e D. Joana de Castro, onde aparece como D. Manuel da Silva, Sucessor na Honra e Quinta de Ataíde bem como na Honra e Quinta de Barbosa, em Penafiel de Sousa. Em outros documentos[5] é referido como D. Manuel de Azevedo. Teve dois filhos ilustres: o Beato Inácio de Azevedo e o vice-rei da Índia D. Jerónimo de Azevedo.
  • Luís Gonçalves de Azevedo, legitimado, com seus irmãos Francisco e António, por Carta Real de D. Manuel I de Portugal,[6] como filho do Bispo D. João e D. Joana de Castro, onde aparece apenas como Luís Gonçalves e é o primeiro dos três
  • Francisco da Silva, legitimado, com seus irmãos Luís e António, por Carta Real de D. Manuel I de Portugal,[7] como filho do Bispo D. João e D. Joana de Castro, onde aparece como Francisco da Silva e é o segundo dos três
  • António de Azevedo, legitimado, com seus irmãos Luís e Francisco, por Carta Real de D. Manuel I de Portugal,[8] como filho do Bispo D. João e D. Joana de Castro, onde aparece apenas como D. António de Azevedo e é o último dos três

Referências

  1. a b c d e Vários. Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira. [S.l.]: Editorial Enciclopédia, L.da. pp. Volume 3. 920 
  2. a b c d Silva, Maria Manuela Ribeiro Conde da (2011). Inventariação de Retratos Pictóricos dos Bispos do Porto (PDF) (Tese de Mestrado). Faculdade de Letras da Universidade do Porto 
  3. AHMP, Livro B - Próprios, Fólios 136v a 165, e Livro 7.º Pergaminhos, Fólio 19. - «Sentença de D. Manoel contra D. Joana, fª de Fernão de Souza, sobre o exercício de direitos nas suas quintas de Penafiel e Stª Cruz de Ribatamega».
  4. Perdões e Legitimações, Leitura Nova, Livro 3, Fólio 194v
  5. Braamcamp Freire, Anselmo (1930). Brasões da Sala de Sintra, Livro III 2ª ed. Coimbra: Imprensa da Universidade de Coimbra. p. 101 
  6. Perdões e Legitimações, Leitura Nova, Livro 3, Fólio 231v
  7. Perdões e Legitimações, Leitura Nova, Livro 3, Fólio 231v
  8. Perdões e Legitimações, Leitura Nova, Livro 3, Fólio 231v

FontesEditar

Precedido por
D. Luís Pires
 
Bispo do Porto

14651496
Sucedido por
D. Diogo de Sousa