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Nuno Fernandes de Ataíde (? - 19 de Maio de 1516) foi um guerreiro português,[1] notório Governador de Safim[2] onde capitaneou diversas lutas em defesa do domínio português,[3] sobretudo no sítio que sofreu aquela cidade no ano de 1510.[4]

BiografiaEditar

Nuno Fernandes de Ataíde foi Senhor de Penacova, Alcaide-Mor de Alvor e Camareiro do então Príncipe Herdeiro D. João. Em Alvor, tinha Salinas, concedidas por D. Manuel I de Portugal, segundo escritura lavrada pelo Escrivão do Almoxarifado de Lagos.[5]

Tomou parte nas Campanhas Africanas de Portugal no tempo de D. Manuel I.[1]

A 22 de Janeiro de 1508, encontraram-se as suas forças em Almedina com os sarracenos, sofrendo estes uma grande derrota.[1]

Foi nomeado Capitão e Governador de Safim em 1510, defendendo, com grande valor, a povoação durante um Cerco que os mouros lhe puseram. Ao aceitar o cargo, nomeou Lopo Barriga seu Adail, ou seja, Comandante das Tropas da Praça, com o qual partilhou as inúmeras aventuras que viveu. Ficou conhecido pelos mouros como "o nunca está quedo". Ele e o célebre Adail Lopo Barriga eram o terror dos mouros.[1] Durante a sua governação, a sua ousadia e determinação permitiram estabelecer acordos de paz com grande parte das tribos das regiões das actuais províncias de Doukkala-Abda e Souss-Massa-Drâa ou Suz, trazendo para a esfera de Portugal um território de vários milhares de quilómetros quadrados, que constituiu um verdadeiro Protectorado. Nesta enorme zona dos chamados mouros de Pazes, criada não só pelas grandes vitórias militares de Nuno Fernandes de Ataíde, como pela sua aliança com o Alcaide mouro Iáia Bentafufa, os Portugueses tributavam os seus habitantes em cereais e em gado e incentivavam o comércio, garantindo uma viabilidade económica das Praças da região.[1][5]

Muitos são os feitos atribuídos a Nuno Fernandes de Ataíde, como o duma correria que fez até às portas da cidade de Almedina, no regresso da qual é atacado por duas vezes por mouros em número muito superior, os quais venceu.[5]

A sua capitania é a página mais assombrosa da história luso-marroquina; foram seis anos de vida trepidante de cavalgadas e combates; (…) ele e os seus companheiros foram que fizeram do nome português sinónimo de bravura e lhe criaram essa auréola que ainda tem naquele país.[6]

Um ano apenas após a Tomada de Azamor em 1513, o Sultão Oatácida de Fez Abu Abdalá Bortucali Maomé ibne Maomé marcha em 1514 sobre a cidade com uma força de 7.000 homens, 4.000 dos quais a cavalo e os restantes 3.000 a pé. Os Portugueses organizaram um Exército para os defrontar, composto por Tropas de D. João de Meneses, Capitão de Azamor, num total de 1.800 homens a cavalo e a pé, 50 Cavaleiros de Martim Afonso de Melo Coutinho, Capitão de Mazagão, e 400 lanças de Nuno Fernandes de Ataíde, aos quais se juntaram outros homens, comandados por Fernão Caldeira, Adail de Arzila, e 2.000 mouros de Pazes comandados por Iáia Bentafufa. Travou-se, então, a Batalha de Boulaouane ou Batalha dos Alcaides, na qual as forças do Sultão de Fez foram aniquiladas.[5]

Mas a mais fantástica proeza de Nuno Fernandes de Ataíde foi uma correria à cidade de Marraquexe, para a qual reuniu 3.000 Cavaleiros, na sua maioria mouros de Pazes. A sua decisão foi, em grande parte, motivada por uma incursão semelhante realizada, nesse mesmo ano de 1514, por Diogo Lopes, Almocadém, ou seja, Comandante Militar de Safim, que, com cerca de 500 mouros de pazes de cavalo e alguns portugueses, teve a ideia de ir raziar o campo da cidade, como foi, de facto, e alguns mouros mais atrevidos chegaram a aproximar-se das portas dela e deram com os contos das suas lanças nela, bradando: "Viva el-rei D. Manuel, nosso senhor!"., pelo que não quis ficar atrás. Os seus homens partiram de Azamor e Safim a 21 de Abril e chegaram às margens do Rio Tenerife dois dias depois. Nesse dia 23 de Abril, envolveram-se em escaramuças com os defensores da cidade junto às portas de Bab El Khemis e Bab Debagh, situadas no lado Nordeste das Muralhas. As escaramuças provocaram mortos e feridos de ambos os lados e duraram quatro horas, após o que os Portugueses retiraram para não se deixarem cercar. O caminho de volta durou outros dois dias, não sem perigo, porque a sua retaguarda foi perseguida durante muito tempo.[5][6]

Em 1515, com uma Expedição combinada com D. Pedro de Sousa, Capitão de Azamor, intentou apoderar-se de Marrocos.[1]

Morreu a 19 de Maio de 1516, segundo alguns em combate, no seguimento duma ferida provocada por um golpe de azagaia, num encontro que teve com os mouros.[1] Segundo Frei João de Sousa, foi morto quando acudiu aos mouros da Tribo Benamita, que eram mouros de Pazes, quando estes foram atacados pelos Uleidamarán: Depois de ter vencido os da cabila de Uleidamarán, vinha Nuno Fernandes na retaguarda do despojo, que era imenso, além de muitos escravos, entre os quais vinha uma Moura muito formosa, desposada de poucos dias com Rahu ben Xamut. Este não podendo sofrer tal injuria, seguiu a Nuno Fernandes com tanto esforço, que o matou, e livrou a sua esposa.[5][7]

Referências

  1. a b c d e f g Vários. Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira. [S.l.]: Editorial Enciclopédia, L.da. pp. Volume 3. 617 
  2. João de Sousa (1790). Documentos arabicos para a historia portugueza copiados dos originaes da Torre do Tombo ... e vertidos em portuguez por ordem da Academia real das sciencias de Lisboa. [S.l.]: Academia Real das Sciencias. p. 43; 135. 190 páginas 
  3. Jeronymo Osorio (trad.: padre Francisco Manoel do Nascimento) (1804). D'elrei D. Manoel. [S.l.]: Impressão Regia. p. 193, 195, 217, 302, 304 e 311 
  4. Historia Genealogica Da Casa Real Portugueza (...), Tomo II. [S.l.]: Na Officina de Joseph Antonio Da Sylva, Impressor da Academia Real. 1745. p. 398 
  5. a b c d e f «Ataíde e os mouros de Pazes da Duquela». WordPress. Consultado em 19 de Outubro de 2015 
  6. a b David Lopes (Lisboa, 1989). A Expansão em Marrocos. [S.l.: s.n.]  Verifique data em: |ano= (ajuda)
  7. João de Sousa (Lisboa, 1790). Documentos Arabicos. [S.l.: s.n.]  Verifique data em: |ano= (ajuda)

Ligações externasEditar