Leste Fluminense

O Leste Fluminense é uma região do Rio de Janeiro que abrange, parcialmente, duas regiões geoeconômicas do estado: a porção leste da Região Metropolitana - o Leste Metropolitano, que é composto por 5 municípios[1] e tem uma população de cerca de 2 milhões de habitantes - e a totalidade das Baixadas Litorâneas - região formada por 12 municípios e que corresponde às antigas microrregiões de Macacu-Caceribu e Bacia de São João, além da Região dos Lagos.

Fazenda do Colubandê, construção do período colonial localizada em São Gonçalo, no Leste Metropolitano, uma das três sub-regiões do Grande Rio.

O Leste Metropolitano é a região da metrópole do Rio de Janeiro que abrange os cinco municípios da periferia metropolitana que não integram a Baixada Fluminense, localizados a leste da Baía de Guanabara - isto é, a região pela qual a metrópole se expandiu ao longo de décadas no sentido leste.[2][3] Por essa razão, essa área historicamente faz parte da RMRJ, integrando a sua composição oficial desde a sua instituição em 1974.

A Região das Baixadas Litorâneas (especialmente a Região dos Lagos) possui características bastante similares às da Região da Costa Verde Fluminense: ambas as regiões servem, para os moradores da área metropolitana (sobretudo, para a classe média), como regiões para turismo de veraneio ou locais de segunda residência, não tendo, internamente, uma dinâmica urbana muito intensa.

A Região Leste Fluminense é composta por 17 municípios: Niterói, São Gonçalo, Itaboraí, Tanguá, Maricá, (municípios do Leste Metropolitano),[1] Rio das Ostras, Casimiro de Abreu, Silva Jardim, Rio Bonito, Cachoeiras de Macacu, Saquarema, Araruama, Iguaba Grande, São Pedro da Aldeia, Cabo Frio, Arraial do Cabo e Armação dos Búzios (municípios das Baixadas Litorâneas).[4][5]

Leste MetropolitanoEditar

O Leste Metropolitano difere muito do restante do Leste Fluminense. Por ser uma porção da Região Metropolitana do Rio de Janeiro, o território que compreende os municípios de Niterói, São Gonçalo, Itaboraí, Maricá e Tanguá possui a maior concentração populacional do Leste Fluminense, e foi pelos vetores de crescimento dessa área que a mancha urbana da metrópole se expandiu do núcleo (onde se concentra a oferta de trabalho) para a porção leste da periferia metropolitana, tendo essa área urbana de alta densidade demográfica, portanto, uma natureza econômica, ao contrário das grandes áreas urbanas localizadas na Região das Baixadas Litorâneas.

A intensidade dos movimentos pendulares entre os municípios do Leste Metropolitano entre si, bem como entre esses municípios e a capital, é muito maior do que em outras partes da Região Leste Fluminense. Entre Niterói e São Gonçalo, por exemplo, ocorre o segundo maior fluxo de pessoas que fazem deslocamentos pendulares diários no Brasil, atrás, apenas, daquele que ocorre entre São Paulo e Guarulhos, na Grande São Paulo.[6][1][7][5][8]

Com aproximadamente 2 milhões de habitantes, a área que abrange Niterói, São Gonçalo, Itaboraí, Tanguá e Maricá é a terceira região mais populosa da metrópole e do estado, atrás da Baixada Fluminense (que tem cerca de 4 milhões de habitantes distribuídos pelos seus 13 municípios) e do município do Rio de Janeiro (onde moram mais de 6 milhões de pessoas) - juntos, o município do Rio, a Baixada Fluminense e o Leste Metropolitano concentram cerca de 75% da população do estado.

Os cinco municípios do Leste Metropolitano do Rio de Janeiro fazem parte da composição legal da Região Metropolitana desde quando ela foi instituída, no ano de 1974, tendo sido Tanguá um distrito do município de Itaboraí até 1995, ano em que foi emancipado.

TransportesEditar

Ponte Rio-NiteróiEditar

A Ponte Rio-Niterói (Ponte Presidente Costa e Silva) foi inaugurada em março de 1974, um ano antes da fusão entre os antigos estados do Rio de Janeiro e da Guanabara. A ponte, que é um trecho da BR-101, atravessa a Baía de Guanabara, ligando as regiões centrais da capital fluminense e do município de Niterói.

A Ponte Rio-Niterói encurtou muito as viagens rodoviárias entre a capital e a região que hoje corresponde ao Leste Metropolitano. Para ir do Rio a Niterói antes da construção da ponte, era necessário contornar a Baía de Guanabara, fazendo um trajeto que passava pelos municípios de Duque de Caxias, Magé, Itaboraí e São Gonçalo. Também havia barcas e balsas que faziam a travessia de um município ao outro. Atualmente, mais de 150 mil veículos passam diariamente pela Ponte Rio-Niterói.[9]

Insuficiência dos transportes de massa no Leste MetropolitanoEditar

No que diz respeito ao sistema de transporte metropolitano em cada uma das três sub-regiões da metrópole (Rio de Janeiro, Baixada Fluminense e Leste Metropolitano), o município do Rio possui três modais de transporte de massa (o ferroviário, o metroviário e o aquaviário), a Baixada Fluminense possui somente um (o ferroviário), e o Leste Metropolitano não possui nenhum, contando apenas com linhas de ônibus e vans para servir os cinco municípios dessa sub-região. Embora a barca seja transporte de massa, ela faz somente a ligação entre o município de Niterói e a capital, e não atende diretamente às demandas dos moradores dos demais municípios do Eixo Leste Metropolitano do Rio de Janeiro. Já o trem que fazia o trajeto entre Niterói e Visconde de Itaboraí, cruzando o município de São Gonçalo, parou de operar nos anos 2000 (época em que já estava em mau estado de conservação e transportava poucos passageiros diariamente). Esses e outros problemas evidenciam a carência histórica que o Leste Metropolitano do Rio de Janeiro tem de transportes de massa, o que prejudica a mobilidade urbana de cerca de 2 milhões de pessoas todos os dias.[10]

Galeria de fotos dos municípios que compõem o Leste Metropolitano do Rio de JaneiroEditar

Baixadas LitorâneasEditar

 
Rio das Ostras, o último município das Baixadas Litorâneas, no limite com Macaé, já no Norte Fluminense.
 
Mapa do estado do Rio de Janeiro mostrando os municípios pertencentes à região do Leste Fluminense (em vermelho).

As Baixadas Litorâneas são a porção do Leste Fluminense localizada no interior do estado, a leste da Região Metropolitana, estendendo-se de Rio Bonito a Rio das Ostras. A região é cortada por duas importantes rodovias: a BR-101 e a RJ-106, que dão acesso ao Leste Metropolitano (por Tanguá e Maricá) e ao Norte Fluminense (por Macaé). Na Região das Baixadas Litorâneas, há municípios onde predominam as propriedades rurais, como Rio Bonito, Silva Jardim, Casimiro de Abreu e Cachoeiras de Macacu, e municípios com manchas urbanas relativamente extensas, porém formadas majoritariamente por residências de veraneio, como Saquarema, Araruama, São Pedro da Aldeia e Cabo Frio; desse modo, não há, nas Baixadas Litorâneas, um fluxo significativo de movimentos pendulares diários (a trabalho ou estudo) como ocorre no Leste Metropolitano e na Região Metropolitana como um todo.[1][11][7][5]

CONLESTEEditar

O Consórcio Intermunicipal de Desenvolvimento do Leste Fluminense - CONLESTE[12] é associação dos municípios do Leste Fluminense para obter contrapartidas da Petrobras para região por causa da implantação do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj) nos municípios de Itaboraí e São Gonçalo. Definindo as principais reivindicações das regiões Metropolitana (porção leste) e Baixada Litorânea, com vistas à implantação do COMPERJ. As prioridades para Cachoeiras de Macacu, Casimiro de Abreu, Itaboraí, Guapimirim, Maricá, Magé, Niterói, Rio Bonito, São Gonçalo, Tanguá e Silva Jardim são nas áreas de saneamento, saúde, habitação, turismo, educação, mobilidade urbana, recursos hídricos, transporte, meio ambiente e segurança, listadas pelos especialistas nos grupos de trabalho de cada município.

Os municípios têm perdido recursos do governo federal por não apresentar, por exemplo, projetos de habitação e infraestrutura. Os municípios no entorno do Comperj terão grandes benefícios, como empregos e arrecadação de impostos, e sofrerão transformações significativas, com possíveis impactos sociais decorrentes da implantação do Complexo. Diante dessa perspectiva, os municípios da região criaram o Consórcio Intermunicipal de Desenvolvimento, para definir atuação de forma conjunta, diante dos problemas e vantagens que surgirão.

A sede, atualmente, é em Itaboraí, mas há uma proposta de mudança para Niterói, com o objetivo de facilitar o acesso dos prefeitos e outros representantes dos municípios do Conleste.

Ver tambémEditar

Ligações externasEditar

Referências