Miguel Vaz de Almada

político português (1860-1916)

Miguel Vaz de Almada, cujo nome completo era Miguel José Maria das Necessidades Filomeno João Pedro Paulo de Santana Vaz de Almada (186011 de dezembro de 1916), foi o 16.º representante título de conde de Avranches em França e tinha direito ao de conde de Almada no Reino de Portugal, sendo ele o 4.º a sucedê-lo, mas que nunca o oficializou por não concordar com o regime liberal e sua Carta Constitucional, devido às suas fortes convicções miguelistas, e mais tarde por ser contra o republicanismo. Ambas foram as tendências politicas que governaram Portugal, em sua vida, e as quais convictamente combateu.

Miguel Vaz de Almada
Nascimento 1860
Viana do Castelo
Morte 1916
Lisboa
Cidadania Portugal
Ocupação político

Foi um dos chefes do Partido Legitimista,[1] sendo em 1899 vogal na lugar-tenencia de D. Miguel II,[2] estando ao seu lado em janeiro de 1908 quando SAR apresentou o seu programa em Londres, para o Reino de Portugal,[3] e mais tarde um dos responsáveis pelo monárquico pacto de Dover, em 1912.[4]

Era proprietários dos bens do Palácio dos Almadas do Rossio, do antigo Senhorio dos Lagares d’El-Rei e de Pombalinho assim como do Paço de Lanheses. Embora fosse registado como morador em Lisboa, era no último local onde vivia mais tempo e exercia agricultura e política.[5][6]

Estava igualmente ligado à Real Associação da Agricultura[7] e, como proprietário agrícola, praticava essa actividade com as mais modernas técnicas e modalidades de então. Assim como, complementarmente era acérrimo defensor do mutualismo para segurar os riscos inerente ao investimento dos agricultores, na produção dos seus agro-produtos, e também como melhor forma para aumentar a socialização, entre eles, conseguido através do apoio mútuo inerente. Nesse sentido, em 1907, instituiu e foi presidente da "Sociedade de Seguros Mútuos de Gado Bovino da Freguesia de Lanhezes".[8][9] Era igualmente, depois de 1901, vice-presidente do Centro Nacional de Viana do Castelo com preocupações sociais nacionalistas e católicas, muito associadas às tais questões rurais nomeadamente as vitivinícolas.[10] Fazia igualmente parte da direcção do Sindicato Agrícola de Viana do Castelo.[11]

Como dinâmico empreendedor, chegou a levar os seus vinhos, da sua lavra, do Minho (vinho verde e vinho da Madeira (de onde a família de sua mulher era originária e tinha as propriedades dela), a concurso em exposições estrangeiras, onde obtinha muito sucesso, nomeadamente como aconteceu no Rio de Janeiro.[12][13]

Em 27 de Novembro de 1908 subscreveu, como accionista fundador, a "União dos Viticultores de Portugal".[14]

Quando em Maio de 1886 se procedeu à inauguração do Monumento aos Restauradores de 1640 foi convidado pela Comissão do Primeiro de Dezembro a comparecer e assim o fez, mas, sabendo que estaria na presença de Luís I de Portugal teve o cuidado de expôr publicamente que ele não era o seu rei e só o fazia por estar na qualidade de representante de D. Antão de Almada, de assim o homenagear e ao seu patriótico acto.[15] Igualmente, em 1901 esteve presente na recepção a D. Miguel Maria Maximiliano de Bragança, pretendente ao trono português, filho primogénito de D. Miguel II, que visitava clandestinamente o Reino de Portugal, acompanhando-o do Porto a Viana do Castelo. Estado este de regresso à cidade douriense, no dia 3 de Fevereiro, ainda participa numa reunião de seus partidários em casa de José Pestana, na Rua do Almada.[16]

Igualmente o vemos, juntamente com os restantes legitimistas, a participar no processo de constituição do Partido Nacionalista e é disso evidente em 3 de Abril de 1906, ao presenciar em conjunto o descerrar de um retrato do falecido chefe deles, António Maria da Luz de Carvalho Daun e Lorena, Conde da Redinha.[17]

Pertenceu a várias confrarias ou irmandades, nomeadamente à de São Miguel Arcanjo do Real Mosteiro de Nossa Senhora da Encarnação; a Irmandade da Nossa Senhora da Pérsia na sua capela da Igreja de Nossa Senhora da Graça; a Real Irmandade do Santíssimo Sacramento, da qual foi juiz,[18] e Irmandade de Santo André e das Almas ambas da freguesia dos Anjos e todas em Lisboa; assim como da Irmandade do Senhor do Cruzeiro em Lanheses; entre outros.

Dados genealógicosEditar

D. Miguel Vaz de Almada, nasceu em Viana do Castelo a 27 de Junho de 1860,[19] faleceu no Paço de Lanheses às 22h do dia 11 de Dezembro de 1916 e deixou testamento para ser enterrado no Cemitério Oriental de Lisboa,[20][21] no Alto de São João, e que assim aconteceu.

Filho de:

Casado, em 27 de Junho de 1883, na Paróquia de São Pedro do Funchal, na Ilha da Madeira,[22] com:

  • D. Leocádia Silvana de Sant' Ana e Vasconcelos Moniz de Bettencourt, nascida em 12 de Dezembro ou 12 de Junho de 1855 no Funchal e m. a 17 de Dezembro de 1925,[23] sem geração.[24]

Filha de João de Sant' Ana e Vasconcelos Moniz de Bettencourt, nascido em 1806 no Funchal, e de D. Silvana Cândida de Freitas Branco[25] Moniz e Bettencourt, filha de Silvano de Freitas Branco, do Conselho de S. M. F.

Ver tambémEditar

Referências

  1. "Aquando o sr. António Pereira da Cunha foi por El-Rei (D. Miguel II) encarregado por organizar a Liga Legitimista D. Miguel de Almada pertenceu ao número daqueles que mais dedicadamente trabalharam, e sua cooperação foi tão valiosa, que, todos lh´a imitassem, fácil e pronta teria sido sua empresa - D. Miguel Vaz de Almada, por A. Porfírio de Carvalho Pereira, Album Legitimista, n.º 27, 3.º Anno, Lisboa, 1888
  2. Revista Ilustrada "O Ocidente", 30 de Novembro de 1899
  3. Brasil - Portugal, n.º 217, 1 de Fevereiro de 1908
  4. Infopédia. «Pacto de Dover - Infopédia». Infopédia - Dicionários Porto Editora. Consultado em 25 de junho de 2021 
  5. "Queremos a salvação da Pátria, quase a sossobrar, devido à imperícia, senão má fé, dos seus pilotos. O perigo é eminente, mas a salvação não será impossível. Dêem ao país dirigentes honrados e patriotas, que a par do corte direito de supérfluas despesas e pelo favoritismo aos amigos, saibam animar e desenvolver a agricultura, única verdadeira salvaguarda do nosso futuro material." - O Nosso Ideal (Partido Legimista), por D. Miguel Vaz d´Almada, Jornal "A Nação", 5 de Fev. de 1899.
  6. «Testamento de Miguel Vaz de Almada - Arquivo Distrital de Viana do Castelo - DigitArq». digitarq.advct.arquivos.pt. Consultado em 25 de junho de 2021 
  7. Eduardo C. Cordeiro Gonçalves, O Nacionalismo Católico e as questões vitivinícolas (1901 - 1910), Douro 18, 2004
  8. Sociedade de Seguros Mútuos de Gado Bovino da Freguesia de Lanhezes, Escriptura que entre si fazem o Exm.o D. Miguel Vaz d´Almada e outros, Imprensa Progresso, Vianna, 1907
  9. Inquérito ás Associações Mútuas de Seguro de Gado Bovino, Direccão Geral da Acção Social Agrária. Repartição das Corporações e Associações Agrícolas, 1936, pág. 313
  10. Eduardo C. Cordeiro Gonçalves, O Nacionalismo Católico e as questões vitivinícolas (1901 - 1910), Douro 18, 2004
  11. No seu enterro esteve presente o "sr. Bernardo de Espregueira", na representação do "syndicato agricola de Viana cujo finado pertencia" - Jornal a Nação, em 1916.
  12. Les vins présentés par M. D. Miguel Vaz de Almada, propriétaire à Paço de Lanhezes (Vianna do Castello), Le Portugal à Exposition de Rio-de-Janeiro, Revue Universelle, 18º Année (1099), XXXII Volume, n.º 822.
  13. Chronica, A Nação, 19 de março de 1909, trancrição da nootícia traduzida do francês para o português
  14. Subscrições e folhas de Acções no Arquivo da Casa Almada
  15. O mesmo fizeram, como legitimistas que eram, o Marquês de Penalva e D. José da Cunha Mendonça e Meneses, representando António Telo da Silva, Fernando Telo da Silva e Francisco de Melo, monteiro-mor do Reino, respectivamente - D. Miguel Vaz de Almada, por A. Porfírio de Carvalho Pereira, Album Legitimista, n.º 27, 3.º Anno, Lisboa, 1888
  16. Miguelismo no Alto-Minho, por Maria Emília de Vasconcelos, Cadernos Vianenses, tomo 12 e 13, Câmara Municipal de Viana do Castelo, 1990, pág. 43.
  17. Filhos de Ramires. Das Ideias, das Almas e dos Factos no Advento do Integralismo Lusitano (1913-1916), por José Manuel Quintas. Trabalho que reproduz o essencial da dissertação de Mestrado em História dos Séculos XIX e XX (secção séc. XX) apresentada publicamente na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, em Julho de 1997. Nota 113, pág. 48. In A Democracia Cristã - órgão dos operários católicos, 8 de Abril de 1906
  18. Conde d´Almada e Avranches, A Nação, 29 de Dezembro de 1916
  19. D. Miguel Vaz de Almada, por A. Porfírio de Carvalho Pereira, Album Legitimista, n.º 27, 3.º Anno, Lisboa, 1888
  20. P.e Franco de Castro, "Falam Velhos Manuscritos", Voz de Lanheses, n.º 39, Maio de 1959, Lanheses.
  21. Testamento de Miguel Vaz de Almada, Código de referência PT/ADVCT/ACVCT/001/00184/000007, produzido em 1917-02-02, Arquivo Distrital de Viana do Castelo, 7-04-2020
  22. Registo de casamento: Miguel José Maria das Necessidades Filomeno João Pedro Paulo c.c. Leocádia de Santana e Vasconcelos Moniz Bettencourt, D., Arquivo Regiona e biblioteca Pública da Madeira, Código de referência: PT/ABM/PFUN08/002/00040/000024
  23. Últimas Gerações Entre-Douro e Minho, por José de Sousa Machado, Tipografia de «Paz», Braga, 1931, tomo II, pág. 459
  24. Foram testemunhas deste casamento o coronel Vasco Guedes, D. Manuel Teles da Gama, Agostinho de Ornelas de Vasconcelos, Visconde de Vila Mendo, João Maria C. de Vasconcelos, Pedro Santana de Vasconcelos, Luís do Rego Barreto de Barros, Silvano de Freitas Branco e o cónego vigário Gregório João Moniz
  25. [J. Moniz de Bettencourt, Os Bettencourt, Edição do Autor, 1ª Edição, Lisboa, 1993, -pg. 169 -Quadro XXIII]

BibliografiaEditar

Ligações externasEditar

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Precedido por
Lourenço José Maria Boaventura de Almada Cirne Peixoto
 
Conde de Almada

1874 - 1916
Sucedido por
Luís Vaz de Almada