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Disambig grey.svg Nota: Para outros significados, veja Muçum (desambiguação).
Mussum
Mussum em cena do filme Os Trapalhões e o Mágico de Oróz (1984).
Nome completo Antônio Carlos Bernardes Gomes
Outros nomes Mussa, Mumu da Mangueira, Grande Pássaro, Azulão, Azeitona, Caco, Cromado, Cabo Fumaça, Maizena
Nascimento 7 de abril de 1941
Rio de Janeiro, RJ
Morte 29 de julho de 1994 (53 anos)
São Paulo, SP
Nacionalidade brasileiro
Ocupação humorista, músico, ator, cantor e compositor
Principais trabalhos Os Trapalhões
Os Originais do Samba

Antônio Carlos Bernardes Gomes, mais conhecido pelo nome artístico Mussum (Rio de Janeiro, 7 de abril de 1941São Paulo, 29 de julho de 1994), foi um humorista, ator, músico, cantor e compositor brasileiro.

Na indústria musical, integrou o grupo de samba Os Originais do Samba em meados da década de 60.[1] Como humorista, fez parte do célebre quarteto Os Trapalhões[1], tendo sido o 3° mais antigo integrante da trupe, e o segundo a falecer (quatro anos depois do Zacarias).

BiografiaEditar

Mussum nasceu no Morro da Cachoeirinha, no Lins de Vasconcelos, zona norte do Rio de Janeiro. Filho da empregada doméstica Malvina Bernardes Gomes.[2] Mussum se focou nos estudos, repassando os ensinamentos para a sua mãe,[3] [4] concluindo o ensino primário em 1954. Não desejando interromper sua educação, assim ingressou na Fundação Abrigo Cristo Redentor.[nota 1] [3]

No Instituto Profissional Getúlio Vargas, uma das instituições pertencentes a Fundação Abrigo Cristo Redentor, Mussum foi aprovado em uma seletiva para o programa "Nutrição Boa."[5] Em 1957, Mussum obteve o diploma de ajustador mecânico junto com uma recomendação de trabalho, o recém formado começou a trabalhar como aprendiz em uma oficina no Rocha na Zona Norte do Rio de Janeiro.[6] Serviu na Força Aérea Brasileira durante oito anos.[7]

Carreira artísticaEditar

InícioEditar

Mussum teve origem humilde: nasceu no Morro da Cachoeirinha, no Lins de Vasconcelos, zona norte do Rio de Janeiro. Estudou durante nove anos num colégio interno, onde obteve o diploma de ajustador mecânico. Serviu na Força Aérea Brasileira durante oito anos, ao mesmo tempo em que aproveitava para participar da Caravana Cultural de Música Brasileira de Carlos Machado. Mussum iniciou sua carreira artística tocando reco-reco no grupo Os Modernos do Samba.[8]

Carreira musicalEditar

Com Os Originais do Samba

Fundou o grupo Os Sete Modernos, posteriormente chamado Os Originais do Samba. Com o grupo, gravou no total 13 álbuns, e obteve vários sucessos[quais?]. As coreografias e roupas coloridas os fizeram muito populares na tevê, nos anos 1970, tendo o grupo se apresentado em diversos países. Antes, nos anos 1960, foi convidado a participar de um show de televisão, como humorista. De início, recusou o convite, justificando-se com a afirmação de que pintar a cara, como é costume dos atores, não era coisa de homem. Finalmente, estreou no programa humorístico Bairro Feliz (TV Globo, 1965). Consta que foi nos bastidores deste show que Grande Otelo lhe deu o apelido de Mussum, que origina-se do muçum, um peixe teleósteo sul-americano: como o peixe, Mussum era escorregadio e liso, já que conseguia facilmente sair de situações estranhas.

Mussum participou, com Os Originais do Samba, de um show realizado no Teatro Bela Vista, em São Paulo, ao lado de Baden Powell e Márcia. O registro do show foi lançado em LP pelo selo Philips em 1968.

Carreira soloEditar

Em 1978 lançou seu primeiro disco solo “Água benta”. Em 1980 e 1983 lançou, pelo selo RCA Victor, dois LPs intitulados “Mussum”. Também pelo selo RCA Victor lançou em 1981 um single e um compacto, e em 1982 um single com as músicas “O amigo da criança (Melô do piniquinho)” (Mussum e Silvio da Parada) e “Camisa 10” (Hélio Matheus e Luis Vagner). Em 1983 lançou, pelo selo EMI-Odeon, um compacto simples com Dedé Santana e Zacarias, que inclui as faixas “Todo mundo deve ser mais criança” (Renato Corrêa e Cláudio Rabello) e “Vamos a luta” (Mussum, Neoci, Adilson Victor e Jorge Aragão). Em 1987 lançou, pelo selo Continental, mais um LP intitulado “Mussum”. Em 2014 foi lançada a biografia “Mussum forévis – Samba, mé e Trapalhões”, escrita pelo jornalista Juliano Barreto, pela editora Leya.

Carreira como humoristaEditar

Mussum começou na TV em 1966, quando trabalhou em vários musicais da TV Globo e Excelsior, e também conheceu Dedé Santana.

Em 1969,[9] o diretor de Os Trapalhões, Wilton Franco, o viu numa apresentação de boate com seu conjunto musical e o convidou para integrar o grupo humorístico, na época na TV Excelsior. Mais uma vez, recusou: entretanto, o amigo Manfried Santanna (Dedé Santana) conseguiu convencê-lo, e Mussum passou a integrar a trupe em 1972 (Na época, ainda era um trio, pois Zacarias entraria no grupo depois, em 1974). Antes de entrar para o grupo porém, Mussum trabalhou na Escolinha do Professor Raimundo, com Chico Anysio.

Apenas quando Os Trapalhões já estavam na TV Globo, e o sucesso o impedia de cumprir seus compromissos, é que Mussum deixou os Originais do Samba. Mas não se afastou da indústria musical, tendo gravado discos com Os Trapalhões e até três álbuns solo dedicados ao samba. Uma de suas paixões era a escola de samba Estação Primeira de Mangueira: todos os anos, sua figura pontificava durante os desfiles da escola, no meio da Ala de baianas, da qual era diretor de harmonia. Dessa paixão, veio o apelido "Mumu da Mangueira". Também era rubro-negro fanático.

Vida pessoalEditar

Durante o casamento de um amigo em Riachuelo, no Grande Méier, Mussum conheceu sua futura esposa Leny Castro dos Santos, moça da Mangueira, com quem foi casado de 1965 a 1969 e teve um filho, Augusto Cezar. Seu segundo casamento foi com Neila da Costa Bernardes Gomes, que conheceu em 1972 e com quem permaneceu junto até o fim da vida. Os dois tiveram um filho, Sandro.

Fora do casamento, Mussa teve mais três filhos: Paula Aparecida, fruto de um namoro com Maria Glória Fachini; Antonio Carlos Filho, fruto do namoro com a modelo Therezinha de Oliveira; e o ator Antônio Carlos Santana ("Mussunzinho"), fruto de um caso com Maria Francisco de Santana.[10] Em outubro de 2019, foi comprovado que o dentista Igor Palhano é filho biológico de Mussum, fruto de um envolvimento do trapalhão com Denildes Palhano.[11][12]

Campanhas sociaisEditar

Antônio Carlos Bernardes Gomes, o Mussum, se dedicou às campanhas sociais a favor dos portadores de deficiência visual, promovendo a doação de córneas em 1981, durante o especial Os Trapalhões - 15 anos, a favor dos desabrigados da seca do Nordeste, de 1983 até 1985 nos especiais SOS Nordeste e também, a favor das crianças e dos adolescentes em todo o Brasil, promovendo o lançamento do show Criança Esperança em 28 de dezembro de 1986, durante o especial 20 Anos Trapalhões - Criança Esperança.

O Trapalhão MussumEditar

Mussum foi considerado, por muitos, o mais engraçado dos Trapalhões. No programa, popularizou o seu modo particular de falar, acrescentando as terminações "is" ou "évis" as palavras arbitrárias (como forévis, cacíldis, coraçãozis) e pelo seu inseparável "mé" (que era sua gíria para cachaça). A personagem que vivia no programa Os Trapalhões tinha, como característica principal, o consumo constante de bebidas alcoólicas, em especial a cachaça.

Mussum se celebrizou por expressões onde satirizava sua condição de negro, tais como "negão é o teu passádis" e "quero morrer prêtis se eu estiver mentindo", além de recorrentes piadas sobre bebidas alcoólicas. Também criou outras frases hilariantes, que se popularizaram rapidamente, como "eu vou me pirulitazis (pirulitar)", quando fugia de uma situação perigosa, ou "traz mais uma ampola", pedindo cerveja, ou "casa, comida, três milhão por mês, fora o bafo!", passando uma cantada em uma mulher bonita, ou ainda "faz uma pindureta", pedindo fiado.

Sua personagem constantemente brincava com os outros membros do grupo, inclusive inventando apelidos divertidos (Didi Mocó era chamado de "cardeal" ou "jabá", e Zacarias era chamado de "mineirinho de Sete Lagoas"). Também era alvo de gozações por parte dos demais membros do grupo, recebendo apelidos como "cromado", "azulão", "grande pássaro", "Maizena", "Fumaça" ou "Cabo Fumaça", dentre outros, sempre ficando evidente, entretanto, que as brincadeiras e gozações eram feitas num ambiente de amizade entre os quatro, uma vez que, na maioria dos quadros do programa de tevê, os Trapalhões eram sempre quatro amigos que dividiam uma casa ou apartamento, sendo normal, portanto, que eles constantemente dirigissem gozações e criassem apelidos entre si.

MorteEditar

Mussum morreu em 29 de julho de 1994, aos 53 anos, vítima de complicações ocorridas após um transplante de coração. O humorista foi sepultado no Cemitério Congonhas, em São Paulo.[13] A escola de samba Mangueira decretou luto e relembrou que o humorista tocava samba com as crianças da Mangueira do Amanhã em dias de folga.[14]

LegadoEditar

Nos anos 1970 e 1980, Mussum era um dos poucos artistas negros na tv. O humorista nunca foi esquecido pelo grande público que conquistou, permanecendo, até hoje, muito vivo e presente na memória de seus admiradores, principalmente na cidade do Rio de Janeiro, tendo sido lembrado em uma série de camisetas lançadas na cidade com a imagem estilizada de Mussum e a inscrição "Mussum Forevis".

Após o Rio de Janeiro ter sido escolhido sede dos Jogos Olímpicos de 2016, vários internautas satirizaram o pôster de campanha do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, com a foto do humorista e, sob ela, a frase "Yes, we créu". Uma sátira a "Yes, we can" (sim, nós podemos), frase de campanha do presidente estadunidense. Também foram produzidas camisetas com a palavra "Obamis".

Uma rua de Campo Limpo, na cidade de São Paulo, ganhou o nome "Comediante Mussum" em sua homenagem. O Largo do Anil, em Jacarepaguá, na cidade do Rio de Janeiro, teve o seu nome mudado pelo prefeito Eduardo Paes para "Largo do Mussum". Uma famosa frase do humorista, "Só no Forévis", inspirou a banda brasileira de hardcore punk Raimundos, que utilizou a frase como título de seu álbum homônimo de 1999, bem como título da canção que abre o disco, uma vinheta na qual a música "Selim" era tocada em ritmo de samba.

FilmografiaEditar

A carreira de Mussum no cinema foi ligada aos Trapalhões, desde o primeiro filme, O Trapalhão no Planalto dos Macacos (1976), de J.B. Tanko. Daí em diante, foram mais 26 filmes com o grupo, até Os Trapalhões e a Árvore da Juventude (1991), de José Alvarenga Jr. Trabalhou também como compositor no filme Atrapalhando a Suate (1983) e em Os Trapalhões no Rabo do Cometa (1986), dirigido pelo amigo Dedé Santana.

Com Os TrapalhõesEditar

DiscografiaEditar

SoloEditar

  • 1978 - Água benta • LP
  • 1980 - Mussum • RCA Victor • LP
  • 1983 - Mussum • RCA Victor • LP
  • 1987 - Mussum • RCA Victor • LP

Com Os Originais do SambaEditar

  • 1968 - Baden Powell, Márcia e Os Originais do Samba • Philips • LP
  • 1969- Os Originais do Samba • RCA Victor • LP
  • 1969 - Os Originais do Samba Vol. 2 • RCA Victor • LP
  • 1970 - Samba é de lei • RCA Victor • LP
  • 1971 - Originais do samba exportação • RCA Victor • LP
  • 1972 - O samba é a corda, Os Originais a caçamba • RCA Victor • LP
  • 1973 - É preciso cantar • RCA Victor • LP
  • 1974 - Pra que tristeza • RCA Victor • LP
  • 1975 - Alegria de sambar • RCA Victor • LP
  • 1976 - Em verso e Prosa • RCA Victor • LP
  • 1977 - Os bons sambistas vão voltar • RCA Victor • LP
  • 1978 - Aniversário do Tarzan • RCA Victor • LP
  • 1979 - Clima Total • RCA Victor • LP

Com Os TrapalhõesEditar

 Ver artigo principal: Discografia de Os Trapalhões

Juntos, Os Trapalhões lançaram 16 álbuns. Nos dois primeiros de 1974 e 1975, só aparecem Renato Aragão e Dedé Santana nas capas, mas nessa época o quarteto já estava formado, e todos participaram. No LP O Forró dos Trapalhões (1981), Mussum não aparece na capa e nem mesmo nas trilhas sonoras. O motivo era porque ele, nessa época, ainda tinha contrato exclusivo com a gravadora RCA Victor.

Ver tambémEditar

 
O Wikiquote possui citações de ou sobre: Mussum
  • Mussunzinho (um dos filhos de Mussum, junto com Augusto, Paula e Sandro).

Notas

  1. A Fundação Abrigo Cristo Redentor foi um programa educacional criado na Era Vargas por Darci Vargas.

Referências

  1. a b «Morre o comediante Mussum, de Os Trapalhões». SeuHistory.com. Cópia arquivada em 6 de abril de 2016 
  2. Juliano Barreto (2014). «CAPÍTULO 1 - NA SUBIDA DO MORRO É DIFERENTE (1941)». Mussum Forévis. [S.l.]: Leya Brasil. p. 8. ISBN 9788544100264 
  3. a b Juliano Barreto (2014). «CAPÍTULO 1 - NA SUBIDA DO MORRO É DIFERENTE (1941)». Mussum Forévis. [S.l.]: Leya Brasil. p. 11. ISBN 9788544100264 
  4. «Conheça a história por trás dos bordões criados por Mussum». G1. 15 de junho de 2014. Cópia arquivada em 7 de abril de 2016 
  5. Juliano Barreto (2014). «CAPÍTULO 1 - NA SUBIDA DO MORRO É DIFERENTE (1941)». Mussum Forévis. [S.l.]: Leya Brasil. p. 12. ISBN 9788544100264 
  6. Juliano Barreto (2014). «CAPÍTULO 1 - NA SUBIDA DO MORRO É DIFERENTE (1941)». Mussum Forévis. [S.l.]: Leya Brasil. p. 13. ISBN 9788544100264 
  7. Juliano Barreto (2014). «CAPÍTULO 2 - SAMBA EM CÓDIGO MORSE (1960)». Mussum Forévis. [S.l.]: Leya Brasil. p. 30. ISBN 9788544100264 
  8. REIS, Fernanda. Biografia explora a carreira musical que Mussum largou, Folha de S.Paulo, Ilustrada, E3, 6 de julho de 2014. Acesso em 6 jul. 2014.
  9. Relembre momentos marcantes da carreira de Mussum Terra
  10. Nilson Brandão (7 de junho de 1994). «Mussum quer a guarda de filho de 10 meses». Folha de S.Paulo. Consultado em 18 de outubro de 2019 
  11. «Jovem comprova ser filho de Mussum com DNA aos 28 anos: "Cacildis». Revista Quem. 17 de outubro de 2019. Consultado em 18 de outubro de 2019 
  12. Fábio Oliveira (17 de outubro de 2019). «Dentista prova que é filho de Mussum». O Dia. Consultado em 18 de outubro de 2019 
  13. «Conheça a profunda ligação de Mussum com São Paulo». Terra. 29 de julho de 2014. Cópia arquivada em 3 de março de 2016 
  14. «Arquivo G1: Morre Mussum». São Paulo: G1. 29 de julho de 2007. Cópia arquivada em 7 de abril de 2016 

BibliografiaEditar

  • 2014 - “Mussum Forévis – Samba, mé e Trapalhões” - Biografia oficial escrita pelo jornalista Juliano Barreto, e lançado pela editora Leya.


Ligações externasEditar