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Namibe (província)

É uma das 18 províncias de Angola, localizada no sul do país. A capital é a cidade de Moçâmedes, no município do mesmo nome.
Disambig grey.svg Nota: Para a cidade chamada Namibe de 1985 até 2016, veja Moçâmedes.
Namibe
Localidade de Angola Angola
(Província)
Angola - Namibe.svg

Localização de Namibe em Angola
Dados gerais
Fundada em 19 de abril de 1849 (170 anos)
Gentílico namibense
Província Namibe
Município(s) Moçâmedes, Bibala, Virei, Camucuio e Tômbua
Características geográficas
Área 57 091 km²
População 568 722[1] hab. (2018)

Dados adicionais
Prefixo telefónico +244
Projecto Angola  • Portal de Angola

Namibe é uma das 18 províncias de Angola, localizada no sul do país. A capital é a cidade de Moçâmedes, no município do mesmo nome.

Segundo as projeções populacionais de 2018, elaboradas pelo Instituto Nacional de Estatística, conta com uma população de 568 722 habitantes e área territorial de 57 091 km².[1]

Os cinco municípios em que se subdivide a província são: Moçâmedes, Bibala, Virei, Camucuio e Tômbua.

EtimologiaEditar

O nome "Namibe" vem da palavra "namib", um termo da língua nama, uma das línguas coissãs, e significa "lugar vasto e ermo" ou "área onde ali não há mais nada".[2]

Antes de 1975 a província tinha o nome de "Moçâmedes" (até a década de 1950 com a grafia "Mossâmedes"), em homenagem ao Barão de Mossâmedes.

HistóriaEditar

A província do Namibe é a terra dos povos hereros, que habitam a região desde a grande migração banta, iniciada na primeira metade do primeiro milénio da era cristã. A formação dos hereros se deu pelo isolamento geográfico que permitiu a fragmentação etnolinguística banta. Anteriormente a região era de domínio dos povos coissãs.

Colonização por exploraçãoEditar

O principal posto colonial português na província se fez na cidade de Moçâmedes, que até o século XV não registava presença europeia e se chamava "Chitoto Chobatua" (buraco dos passarinhos), uma aldeia de pescadores, pastores e caçadores que existia na baía do Namibe.

Em 1485, a aldeia de Chitoto Chobatua passou a chamar-se de "Mossungo - Bitoto", e; em 10 de julho de 1645 passou a chamar-se de "Angra dos Negros" (ou Enseada dos Negros), nome dado por Francisco de Souto-Maior, durante a reconquista de Angola, possivelmente em virtude do embarque de escravos feito naquela baía.[3] Anteriormente, em uma expedição, em janeiro de 1486, chegaram a uma enorme baía, a baía de Porto Alexandre, onde encontraram duas grandes aldeias, a que denominaram de povoado de Angra das Duas Aldeias.[4]

Por ordem do governador de Angola José de Almeida e Vasconcelos, Barão de Mossâmedes, constituiu-se em Benguela, no ano de 1785, uma junta de exploração dirigida pelo engenheiro-cartógrafo tenente-coronel Eusébio Pinheiro Furtado. O tenente-coronel Pinheiro Furtado encarregou o comerciante Gregório José Mendes de capitanear uma expedição exploratória por terra, enquanto ele comandava outra por mar. Gregório Mendes, com mil e trinta homens, completa a expedição em trinta e quatro dias, quando chega à Angra dos Negros no dia 3 de agosto de 1785, partindo em seguida para fazer o percurso de volta, pilhando as populações pastoris da região. Pinheiro Furtado permanece em Angra dos Negros, numa tentativa de restabelecer o povoado, batizando-o como "Baía de Mossâmedes" em homenagem ao Barão de Mossâmedes. A expedição de ambos constatou que a pequena colónia formada em 1645, embora recebesse com frequência esporádica visitas de comerciantes de escravos de Portugal, estava abandonada, mesmo fornecendo os atributos para seu povoamento.[5]

Colonização por povoamentoEditar

 
Caravana bôer cruzando o distrito rumo á Humpata, em 1902.

A efetiva expedição de povoamento iniciou-se em 24 de setembro de 1839, com a chegada do capitão Pedro Alexandrino da Cunha a um local de nome Curoca ou Angra das Duas Aldeias, que o capitão denominou de Porto do Pinda (posteriormente Porto Alexandre, atual Tômbua). A expedição do capitão Cunha fica 21 dias em Porto do Pinda, quando zarpa para a baía dos Tigres, onde chega em 1 de novembro de 1839, ficando ali somente dois dias, deixando o local e atracando, em 4 de novembro, na baía do Namibe.[5]

Naquela baía o capitão Cunha encontra auxiliares do tenente João Francisco Garcia, que havia sido mandado com a missão de realizar estudos para edificações fortificadas naquela região.[5]

Tenente Garcia foi quem iniciou as expedições ao interior do Namibe, quando partiu do povoado de Moçâmedes no dia 4 de setembro de 1839, com destino ao Forte-Presídio de Caconda, avançando pelas margens do rio Bero. No percurso convenceu o soba (rei tribal) Quiatória a ficar junto do povoado de Moçâmedes, para se defender de seus inimigos.[5]

Retornou para o povoado de Moçâmedes no dia no dia 17 de novembro de 1839, encontrando-se com o capitão Cunha, que o aguardava em sua embarcação. Naquele povoado tem uma audiência com o soba Loquengo, a quem convence tornar-se súdito da Coroa Portuguesa, batizando-o com o nome de Giraul.[5]

Em 6 de dezembro de 1839, Garcia e Cunha dirigiram-se para Benguela e depois para Luanda, para dar conta dos relatórios das expedições de reconhecimento da costa e do interior. A par do relatado, o governador-geral Manuel Eleutério Malheiro determinou, em fevereiro de 1840, que o tenente Garcia, com 26 soldados, seguisse novamente até o povoado de Moçâmedes para finalmente erguer uma fortificação.[5]

Em 12 de julho de 1841 a Fortaleza de São Fernando de Namibe foi efetivamente iniciada (só concluída em 1844) e; em 13 de agosto de 1840 foi firmado um pacto de amizade e de comércio com os sobas Mossungo e Giraúl, que governavam os hereros do litoral. O tenente Garcia foi nomeado comandante da fortaleza, com o posto de major.[5]

Na baía de Namibe foram criadas entre os anos de 1839 e 1845 oito feitorias e oito casas de negócio, que desenvolveram a sua atividade no âmbito comercial, industrial e agrícola. Tendo como base a fortaleza, algumas feitorias passaram a cultivar, nas margens do rio Bero, espécies hortícolas necessárias ao seu sustento e dos seus empregados; outros dedicaram-se à pesca, passando a exportar excedentes para Luanda e Benguela; outros dedicaram-se ao comércio com os nativos da região e do interior, trocando fazendas, missangas e bebidas alcoólicas (de origem europeia), por cera, marfim e couros, que por sua vez exportavam igualmente para os distritos de Luanda e Benguela.[5]

Fundação do distritoEditar

 Ver artigo principal: Distrito de Mossâmedes

A colonização definitiva das terras do sudoeste angolano viria ocorrer por causa de um episódio de violência e desentendimento entre brasileiros e luso-brasileiros que ficou conhecido como revolução Praieira, entre 1848 e 1849, na província de Pernambuco, no Império do Brasil. Em consequência do massacre contra os luso-brasileiros, estes solicitaram ajuda ao Reino de Portugal, que lhes forneceu duas embarcações e construiu infraestruturas no ainda modesto povoado de Moçâmedes, com vistas a formar uma robusta colónia agrícola-comercial, que viria satisfazer os objetivos do império colonial. A primeira das embarcações, o brigue Douro, chegou na baía de Namibe em 1 de agosto de 1849, seguido pela embarcação Tentativa Feliz, em 3 de agosto.[5]

Na expectativa da instalação destes luso-brasileiros, já se havia criado, em 19 de abril de 1849, o distrito de Mossâmedes (precursor da atual província), com sede no povoado homónimo, com António Sérgio de Sousa como primeiro governador. No dia 4 de agosto de 1849 há a inauguração oficial do distrito de Mossâmedes, com o discurso dos representantes portugueses na presença das autoridades tradicionais, os sobas Mossungo e Giraúl. Os colonos foram instalados nos alojamentos temporários para os luso-brasileiros. Uma segunda leva de luso-brasileiros viria para Moçâmedes no ano seguinte.[5]

Em 1854 os empreendimentos coloniais portugueses decidem marcar presença em Porto Alexandre (atual Tômbua), anteriormente Porto do Pinda até a visita de um explorador inglês de nome James Alexander. O empreendimento português consistiu primeiramente em construir uma colónia militar, com a categoria de vila já em 1855, e; em 1860 trazer vários portugueses algarvios, experimentados na arte pesqueira, para formar a vila pesqueira de Porto Alexandre e a vila de São Martinho dos Tigres (abandonada em 1975).[4]

A despeito dos dois primeiros anos da chegada dos colonos luso-brasileiros, em que uma severa seca destruiu as plantações e empreendimentos agrícolas, com o tempo o distrito passou a ser mais auto-suficiente, tanto que nas grandes reformas administrativas de 1857, 1861 e 1866 permanece com seu status político.[5]

De 1900 à década de 1960Editar

Em 2 de setembro de 1901 foi criado, por desmembramento do distrito de Moçâmedes, o novo distrito da Huíla (precursor da atual província de mesmo nome), com sede no Lubango, sendo esta a segunda e maior perda territorial namibense. A primeira havia sido a faixa ao sul do rio Cunene para os britânicos, em função da Conferência de Berlim, que outrora eram virtualmente de posse portuguesa.

A primeira metade do século XX seria marcado por uma grande virada para a região, em virtude da preocupação portuguesa em cumprir o princípio da ocupação efetiva, delineado na Conferência de Berlim. Para tal, a nação empreendeu a construção do Caminho de Ferro de Moçâmedes, obra vital para o desenvolvimento de localidades interioranas, nos município de Bibala, Camucuio e Virei.

Período das guerrasEditar

No início da Guerra de Independência de Angola, o MPLA e a UNITA, os dois únicos movimentos com capacidade de manter operações ao sul, não conseguiram tomar Moçâmedes dos portugueses, contentando-se em fazer pequenas incursões no interior. Esse panorama mudou quando o MPLA lançou a VI Região Militar, em 1970, de operações em terras namibenses, além de Huíla e Cunene. O movimento conseguiu controlar boa parte da província (tornou-se província em 1973).

Já na expectativa da proclamação de Independência de Angola, a Força de Defesa da África do Sul, apoiando a UNITA, lança a Operação Savana, onde invadem Caraculo, Bentiaba, Lucira, Moçâmedes e Tômbua, sem contudo dominar por inteiro as duas últimas. Com o apoio da SWAPO e das Forças Armadas de Cuba, o MPLA consegue expulsar os sul-africanos da província, denominando-a, em seguida, como Namibe.

GeografiaEditar

 
Mulheres da etnia himba, num cerimonial tradicional, na província do Namibe, em 2012.

A província do Namibe é limitada ao norte pela província de Benguela, ao leste pelas províncias de Huíla e Cunene, ao sul pela Namíbia e, ao oeste pelo Oceano Atlântico.

O rio que tem o maior volume de água da província é o Cunene, seguido pelo rio Giraul. Outros rios importantes são o Bero e o Curoca. Com exceção do Cunene, todos os demais são intermitentes.[6]

A maior formação montanhosa totalmente namibense é a Serra da Neve, havendo na divisa com a província de Huíla as serras da Chela e da Leba.[6]

Proteções litorâneasEditar

Muitas proteções litorâneas importantes estão no litoral namibense, sendo as principais a baía de Porto Alexandre, a baía dos Tigres, a baía das Luciras e a baía do Namibe, áreas vitais de pesca, de turismo e para o transporte marítimo.[6]

ClimaEditar

A província do Namibe têm grande parte do seu território tomado por áreas de deserto, fato que influencia decisivamente no clima, que insere-se nas categorias de desértico quente (BWh) e semiárido quente (BSh), segundo a proposição da classificação climática de Köppen-Geiger.

Patrimônio naturalEditar

No deserto da Namíbia pode ser vista a welwitschia mirabilis, planta símbolo da província, encontrada principalmente nos perímetros do Parque Nacional do Iona. Na região do Parque do Iona também encontram-se fósseis de tubarões, tartarugas, mosassauros, plesiossauros e saurópodes do cretáceo superior, além das pinturas rupestres de Chitundo-Hulu.

DemografiaEditar

A província do Namibe é escassamente habitada, principalmente na faixa sul, onde o Parque do Iona se sobrepõe como área de proteção ambiental. As principais etnias que habitam o território nambibense são os grupos hereros (mucubais e himbas) e pequenos grupos coissãs (cuisi e cuepe), que coexistem com europeus, brasileiros, ovimbundos, ambundos e congos vivendo basicamente na zona da capital.

EconomiaEditar

Agropecuária e extrativismoEditar

 
Pescadores namibenses, em 2011.

Mesmo em condições climáticas tão extremas, a província do Namibe produz para subsistência e para excedente, em lavoura temporária, o milho, massambala e massango, feijão, batata rena, repolho, cebola, tomate e cenoura. Já nas lavouras permanentes, encontra-se registo de citrinos, oliveiras, videiras e goiabas.[7]

A pesca artesanal é outro meio de sustento para o povo do Namibe, que encontra na cidade do Tômbua o maior centro piscatória do tipo da província e um dos maiores do país. A característica da província, com rios intermitentes, faz com que a pesca seja maioritariamente marítima.[7]

Na criação de animais, para carne, leite e peles, existem consideráveis rebanhos de pecuária de ovinos caraculos e de caprinos. Há também criação de galináceos para carne e ovos.[7]

Indústria e mineraçãoEditar

O parque industrial provincial está concentrado nas áreas próximas da cidade de Moçâmedes, trabalhando com o beneficiamento agroindustrial de carnes, peles e derivados de leites, além do semi-beneficiamento de frutas, óleos e produtos da terra. Outros itens produzidos são bebidas, alimentos secos e estalagem de embarcações.[8]

A extração mineral industrial encontra relevo nos seguintes minerais: ouro, cobre, manganês, cromo, estanho, lenhite e mármore.[8]

Comércio e serviçosEditar

Nó comércio, Namibe têm como principal referência a cidade de Moçâmedes, dado que é o grande porto da faixa sul da nação, servindo como um dos mais importantes centros atacadistas de Angola.[8]

Nos serviços, Moçâmedes concentra atividades financeiras, educacionais, de saúde, administrativas e de entretenimento, enquanto que os outros centros de serviços, as cidades de Tômbua e Lucira, tem especialização para o subsetor turístico.[8]

Outros serviços muito relevantes estão relacionados às atividades de logística, nomeadamente portuária e ferroviária.[9]

InfraestruturaEditar

O Namibe dispõe de algumas infraestruturas de transporte que servem para conectá-la ao restante da nação, sendo que as mais utilizadas são as rodovias, que concentram-se em dois troncos principais: a rodovia EN-100, de sentido norte-sul, ligando o Namibe à província de Benguela e á Namíbia, e; a rodovia EN-280, de sentido oeste-leste, que a liga com a Huíla. Existe ainda a Estrada Provincial Tômbua, a EN-104 (região de Bibala), EN-105 (região de Bibala) e a EN-292, esta última servindo à cidade de Virei, interligando-a com a Huíla.

Outro meio fundamental é o Caminho de Ferro de Moçâmedes, uma via de transporte muito segura que transporta passageiros e cargas no trecho até o Cuando-Cubango, tendo como saída o porto do Namibe, a facilidade logística formadora da província. Outro porto que existe, embora menor, é o porto do Saco.

A província ainda dispõe do Aeroporto Internacional Welwitschia Mirabilis.

BibliografiaEditar

Referências

  1. a b Schmitt, Aurelio. Município de Angola: Censo 2014 e Estimativa de 2018. Revista Conexão Emancipacionista. 3 de fevereiro de 2018.
  2. Vincent Hiribarren. «What do the names of African countries mean?». Página Pessoal de Vincent Hiribarren. Consultado em 12 de março de 2015 
  3. Namibe: Cidade de Moçamedes completa hoje 169 anos. Portal Angop. 4 de agosto de 2018.
  4. a b Tômbua. Rede Angola. 22 de setembro de 2016.
  5. a b c d e f g h i j k Azevedo, José Manuel de. A colonização do Sudoeste Angolano : do deserto do Namibe ao planalto da Huíla - 1849-1900. Salamanca: Universidade de Salamanca, 2014.
  6. a b c Nascimento, José Pereira do. O Districto de Mossâmedes. Lisboa: Typographia do jornal As Colonias Portuguezas. 1892.
  7. a b c Economia da província valoriza sector agrícola. Jornal de Angola. 27 de agosto de 2012.
  8. a b c d Angola is Now – Guia do Investimento em Angola. Câmara de Comércio Americana em Angola (AmCham Angola)/Agência Angolana para a Promoção do Investimento e das Exportações (AIPEX). 11 de Julho de 2018.
  9. Principais setores da economia angolana. Embaixada de Angola em Viena. 2018.
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