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Lubango

É uma cidade e município angolano, capital da província de Huíla.
Lubango
Lubango.jpg

Panorama
Dados gerais
Fundada em 2 de setembro de 1901 (118 anos)
Orago Nossa Senhora do Monte
Gentílico lubanguense
Província Huíla
Características geográficas
Área 3 147 km²
População 876 339[1][2] hab.
Altitude 1790 m

Lubango está localizado em: Angola
Lubango
Localização de Lubango em Angola
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Projecto Angola  • Portal de Angola

Lubango é uma cidade e município de Angola, capital da província de Huíla.

Segundo as projeções populacionais de 2018, elaboradas pelo Instituto Nacional de Estatística, conta com uma população de 876 339 habitantes e área territorial de 3 147 km², sendo o mais populoso município da província, da região sul de Angola e o sexto mais populoso do país, o primeiro fora da província de Luanda.[1]

Desenvolveu-se sobretudo a partir da "colónia de Sá da Bandeira", tomando esse nome entre 1884 e 1975, enquanto o município foi sempre denominado Lubango. Após a independência do país, toma definitivamente o nome de Lubango.

EtimologiaEditar

O nome "Lubango" vem da redução do nome do rei tribal (soba) dos muílas que tinha o nome de Calubango (ou Kaluvango), que foi o líder local que recebeu a primeira expedição europeia nas suas terras. A área sob o seu domínio passou a ser denominada Terras do Calubango e, com o tempo, Terras de Lubango.

HistóriaEditar

O primeiro contato europeu com a região do Lubango ocorreu em 1627, ano em que uma expedição luso-espanhola da cidade de Moçâmedes sobe o planalto da Huíla. A expedição alcançou a Serra da Chela, de onde era possível ver um vasto vale do domínio do soba Calubango, do País de Humbi-Onene.[3]

A actual cidade de Lubango implanta-se em território que se encontrava, até fins do século XIX, na área de influência do soba do Lubango, cuja ombala se localizava na vila ainda actualmente conhecida como Muholo.[4]

Da colônia agrícola à capital distritalEditar

Os portugueses entenderam a necessidade de controle daquela região por 1880, sendo pensado em 1882 o estabelecimento de uma colónia nesta região, com colonos recrutados no Arquipélago da Madeira, nos termos do decreto de 16 de agosto de 1881. A primeira comissão de madeirenses chegou a Moçâmedes em 19 de novembro de 1884, a bordo do navio Índia, atingindo o Planalto da Huíla a 19 de janeiro de 1885, onde fundaram a colónia de Sá da Bandeira,[4] assim designada em homenagem a Bernardo de Sá Nogueira de Figueiredo, Marquês de Sá da Bandeira.[3]

José Augusto da Câmara Leme, o líder dos madeirenses foi nomeando chefe do concelho do Lubango em 19 de fevereiro de 1890, e; comandante militar do concelho do Lubango, com o posto de capitão de 2ª linha, em 19 de outubro de 1890. Nessa altura a colônia era formada por madeirenses e brasileiros, passando a abrigar também os bôeres da Humpata.[3]

Em 2 de setembro de 1901 foi criado, por desmembramento do distrito de Moçâmedes, o novo distrito da Huíla, com sede no Lubango, sendo esta povoação, pelo mesmo decreto, elevada à categoria de vila, com o nome de Vila de Sá da Bandeira.[3]

Da década de 1920 à década de 1960Editar

 
Carros blindados Eland Mk7 sul-africanos em Lubango, por volta de 26 de outubro de 1975, durante a Operação Savana, na Guerra de Independência de Angola.

Passa a cidade em 31 de maio de 1923, quando o Caminho de Ferro de Moçâmedes, depois de vencer o deserto e a serra, atingiu finalmente o planalto, ligando o Lubango a Moçâmedes, marcando um período de grande prosperidade econômica.

Esse período também viu grandes progressos na arte e na cultura, por influência de Leonel Cosme, a capital da Huíla pode disfrutar de uma vivência cultural de amplos horizontes, desde o cinema à pintura, literatura ou música clássica. Foi ali, por exemplo, que Sequeira Costa lançou um festival de música clássica, nos moldes em que, depois, passou a organizar o da Costa do Sol. Abriu-se também o Liceu Diogo Cão (atual Escola Rei Mandume ya Ndemufayo), em 1922, numa altura em que só havia instituição do tipo em Luanda.[5][6]

Período das guerrasEditar

Inicialmente pouco afetada pela Guerra de Independência de Angola, Lubango viu-se mergulhada em confrontos entre portugueses e guerrilheiros nacionalistas no final da década de 1960 e década de 1970. Em 1975 a região caiu sob domínio completo da UNITA.[7]

Sofrendo intervenção da Força de Defesa da África do Sul durante a Operação Savana, reforçada com o apoio da própria UNITA[7] como consequência da Operação Rena, o Lubango ficou sob influência indireta sul-africana[7] até o final da década de 1980, quando intensos conflitos marcaram a vitória militar do MPLA na província até 1992; neste mesmo ano os combates da guerra civil mais uma vez alcançaram o Lubango.

Em meados da década de 1990, a UNITA havia sido novamente expulsa da região, ficando a mesma sob domínio do governo angolano até a confirmação definitiva do fim da guerra, em 2002.

Período da reconstruçãoEditar

A partir de 2002 a região passa por uma grande transformação econômica com a reconstrução das infraestruturas, no pós-guerra; alguns dos marcos desse período foram a realização do Campeonato Africano das Nações de 2010, a retomada do Caminho de Ferro de Moçâmedes, e a recriação de uma universidade autônoma na cidade.

GeografiaEditar

 
Vista de Lubango e das montanhas que a cercam.

É limitado a norte pelo município de Quilengues, a leste pelo município de Cacula, a sul pelos municípios de Chibia e Humpata, e a oeste pelo município da Bibala.

O município de Lubango é constituído pela comuna de Lubango (equivalente a própria cidade), e pelas comunas de Arimba, Hoque e Huíla e Quilemba.

O principal referencial geográfico de Lubango é a Serra da Chela, uma grande cadeia montanhosa que cerca todo o oeste do município, de onde se registram algumas das maiores elevações da província e do país.

Os mais importantes cursos d'água do município são os rios Mucufi e Caculuvar, responsáveis por ceder água para a cidade do Lubango, embora estejam muito degradados pela poluição e pela ocupação desordenada de suas margens.[8][9]

DemografiaEditar

Lubango é um município cosmopolita, que abriga povos das mais diversas origens e formações, havendo fortes traços europeus, do povo étnico-linguística nhaneca-humbe, do povo muíla, de ovimbundos, hereros, coissãs, chócues, ganguelas, entre outros. A principal língua falada é o português.

ClimaEditar

Estando aproximadamente a 1.790 metros acima do nível do mar, Lubango é a cidade mais elevada de Angola. Possui um clima oceânico (ou tropical de altitude), tipo Cwb, por consequência da sua própria altitude que o modifica. Durante o dia o clima é moderadamente abafado, mas à noite as temperaturas são consideravelmente mais baixas. Com temperatura média anual de 18°C é provavelmente a cidade com o clima mais ameno e temperado de Angola. Anualmente é comum a ocorrência de extremos de 1°C até 34°C. Junho e Julho são os meses mais frios, com eventuais geadas. As chuvas mais intensas ocorrem geralmente entre Dezembro e Março, os meses mais quentes são Setembro, Outubro e Novembro. Em zonas de alta atitudes como a serra da Leba e serra da Chela as temperaturas podem baixar bruscamente de 10 a -5 graus durante a noite.

Dados climatológicos para Lubango
Mês Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez
Temperatura máxima recorde (°C) 30 30 30 28 30 28 27 30 31 34 38 31
Temperatura máxima média (°C) 25 25 25 25 25 24 24 26 28 28 26 25
Temperatura média (°C) 18 18 18 18 17 15 15 18 20 20 19 18
Temperatura mínima média (°C) 12 12 12 11 9 6 6 10 12 12 12 12
Temperatura mínima recorde (°C) 5 5 2 3 0 -1 -1 0 4 3 5 3
Precipitação (mm) 140 150 160 90 0 0 0 0 0 70 110 160
Fonte: Weatherbase: Historical weather for Sa da Bandeira, Angola Fevereiro 13, 2010
Gráfico climático para Lubango, Huíla, Angola
JFMAMJJASOND
 
 
140
 
25
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6
 
 
0
 
24
6
 
 
0
 
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160
 
25
12
Temperaturas em °CPrecipitações em mm
Fonte: [http://www.weatherbase.com/weather/weather.php3?s=9366&refer=&units=metric Weatherbase

EconomiaEditar

A agropecuária foi o primeiro sustentáculo econômico de Lubango, sendo o trigo e a pecuária do gado os grandes motores do progresso socioeconômico e de riqueza da região. Quando os transportes passaram a ser mecânicos e as estradas boas vias de acesso, fixou-se o comércio e rapidamente também a indústria.

Desde o final das guerras a economia de Lubango não baseia-se tão fortemente na agropecuária como outrora foi, porém ainda registra-se a produção de cereais, frutas e legumes.

No setor industrial, há um grande parque instalado especializado em curtumes, moagens, metalurgia, produção calçadista, produção alimentícia e de bebidas, de itens cerâmicos, de construção civil, de transformação de madeiras e de embalagens, entre outros.

Desde a recuperação econômica experimentada pelo fim da guerra civil, Lubango tornou-se um grande centro de comércio e serviços, o grande centro atacadista para todo o sul do país. Em matéria de serviços, há grande especialização em serviços burocráticos e administrativos, financeiros, educacionais, de saúde e voltados ao turismo. Existe ainda uma relevante participação nos serviços vinculados à logística ferroviária e rodoviária.

InfraestruturaEditar

TransportesEditar

Lubango é interligada ao território nacional por diversos meios, sendo o principal o meio rodoviário. Neste, a principal rodovia é a EN-280, que a liga ao Hoque, ao leste, e à Humpata, á oeste. Outra rodovia importante á a EN-105, que liga o Lubango à Bibala, ao norte, e ao Chibia, ao sul.

A cidade também é atravessada pelo Caminho de Ferro de Moçâmedes, que escoa a produção local até o porto do Namibe, em Moçâmedes, bem como dá acesso ao Menongue.

Por via aérea, o Lubango dispõe do Aeroporto Internacional da Mukanka.

EducaçãoEditar

O Lubango foi uma das primeiras cidades do interior a possuir ensino de segundo grau, não só o Liceu Nacional Diogo Cão (atual Escola Rei Mandume ya Ndemufayo), mas também a Escola Industrial e Comercial Artur de Paiva, bem como o Instituto Agrícola do Chivinguiro (Escola de Agronomia). Desde então Lubango passou a ser conhecido como um polo de ensino.

Na educação superior, existe a Universidade Mandume ya Ndemufayo, com suas instituições orgânicas: Faculdade de Direito, Faculdade de Economia, Faculdade de Medicina e Instituto Superior Politécnico da Huíla. Outra instituição pública é o Instituto Superior de Ciências da Educação da Huíla. Em paralelo, existe no Lubango o campus da Universidade Privada de Angola, chamado de Instituto Superior Politécnico da Tundavala, e o Instituto Superior Politécnico Gregório Semedo.[10]

Cultura e lazerEditar

 
Cristo-Rei do Lubango.

CulturaEditar

Uma das principais manifestações culturais-religiosas do Lubango é a Procissão de Nossa Senhora do Monte, a padroeira católica da cidade. Sua realização é uma iniciativa da Arquidiocese do Lubango.

Outra manifestação cultural muito popular é o carnaval, tanto o de rua quanto o de campeonato. Em Lubango existem muitos grupos de samba que disputam o campeonato carnavalesco todos os anos.

LazerEditar

As principais áreas de atração do município são devidas às belezas naturais, tais como[11]:

DesportoEditar

Recentemente construído pelos chineses, o Estádio Nacional da Tundavala está entre os mais modernos estádios de futebol de África. Nele foram realizadas algumas partidas do Campeonato Africano das Nações de 2010. As principais equipes de futebol da cidade são a Benfica Petróleos do Lubango, o Clube Desportivo da Huíla e o Clube Ferroviário da Huíla, este último que manda seus jogos no Estádio do Ferroviário da Huíla.

Torneios de judo tem despertado o interesse da população de Lubango. A geografia da cidade também propicia um bom espaço para o alpinismo e o rapel.

Os desportistas distribuem-se por diversas modalidades como o basquetebol, futebol, karaté, atletismo, ténis, ténis de mesa, ginástica, ciclismo, boxe e automobilismo. [12]

Referências

  1. a b Schmitt, Aurelio. Município de Angola: Censo 2014 e Estimativa de 2018. Revista Conexão Emancipacionista. 3 de fevereiro de 2018.
  2. http://www.citypopulation.de/php/angola-admin.php?adm2id=1501
  3. a b c d Azevedo, José Manuel de. A colonização do Sudoeste Angolano : do deserto do Namibe ao planalto da Huíla - 1849-1900. Salamanca: Universidade de Salamanca, 2014.
  4. a b Sul d'Angola; relatório de um govêrno de distrito (1908-1910), p. 292
  5. Pires Laranjeira (1995). Literaturas Africanas de Expressão Portuguesa, Universidade Aberta, págs. 108-109
  6. Liceu Mandume/Diogo Cão: Lubango (Sá da Bandeira), Huíla, Angola. Património de Influência Portuguesa — HPIP. 2019.
  7. a b c Memórias das batalhas que levaram à reconquista da cidade do Luena. Jornal de Angola. 29 de novembro de 2014.
  8. Isaías, M.; Silva, M. M. V. G.; Gomes, E. M. C.. Variação sazonal e espacial das propriedades físico-químicas da água do Rio Caculuvar (Lubango, Angola). Coimbra: Imprensa da Universidade de Coimbra, 11 de setembro de 2019.
  9. Lubango: Requalificação do rio Mucufi. Voa Português. 14 de fevereiro de 2012.
  10. Instituto Superior Polítecnico Gregório Semedo (2013). «Instituto Superior Polítecnico Gregório Semedo». Consultado em 16 de Novembro de 2016 
  11. COUCELO, Josefina Maria Costa Parreira Cruz - Caracterização de hábitos alimentares na Província da Huíla, Angola: contribuição para a elaboração de um guia alimentar
  12. COUCELO, Josefina Maria Costa Parreira Cruz - Caracterização de hábitos alimentares na Província da Huíla, Angola: contribuição para a elaboração de um guia alimentar

Ligações externasEditar

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